Academia Charles Miller

O amigo lisboeta, Prof. Alberto Helder escreveu:

“A Academia é uma entidade cultural, formada por Árbitros de notório saber e tem por objectivo manter a história, estudar e trabalhar para o desenvolvimento da arbitragem brasileira, em geral e da paulista, em particular.”

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Um dos maiores historiadores da arbitragem portuguesa se dignou a divulgar em seu famoso blor, a Academia Paulista de Arbitros – Charles Miller.
A Academia foi fundada em 5 de Maio de 2006, sendo uma entidade cultural, formada por Árbitros de notório saber e tem por objectivo manter a história, estudar e trabalhar para o desenvolvimento da arbitragem brasileira, em geral e da paulista, em particular.

Naquela data, o presidente da Comissão de Fundação, também presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo, o meu bom amigo Sérgio Corrêa da Silva (recentemente distinguido com o Prémio MEL-2009) acompanhado do árbitro e Roberto Perassi e de Almir Alves de Mello, lideraram os trabalhos da criação de tão importanteentidade para a arbitragem brasileira.-Charles Miller

O antigo árbitro assistente internacional e escritor, Professor Teodoro de Castro Lino e o antigo árbitro assistente Abel Barrozo Sobrinho, baluartes da arbitragem internacional, brasileira e paulista são os padrinhos da Academia.

-Os Académicos-
Os imortais da arbitragem brasileira, citados em primeiro lugar, são os patronos das cadeiras que os académicos vão ter a seu cargo.

1 – Romualdo Arppi Filho/Roberto Perassi
2 – Arnaldo Cezar Coelho/Paulo César de Oliveira
3 – Dulcidio Wanderley Boschillia/Vicente Romano Neto
4 – José de Assis Aragão/Dionísio Roberto Domingos
5 – Márcio Rezende Freitas/Wilson Luiz Seneme
6 – José Roberto Wright/Cleber Abade
7 – Armando Marques/Márcio Campos Sales
8 – Hernann Friese/Márcio Verri Brandão
9 – Carlos Eugénio Simon/Sálvio Spínola Fagundes Filho
10 – Roberto Goicochea/Arthur Alves Junior
11 – Abel Barrozo Sobrinho/o mesmo
12 – Teodoro de Castro Lino/Valter José dos Reis
13 – Sérgio Corrêa da Silva/o mesmo
14 – Ednílson Corona/o mesmo
15 – José Astolphi/Marcio Luiz Augusto
16 – Sílvia Regina Oliveira/a mesma
17 – Flávio Lazzetti/Claudson Lincoln Beggiatto

Também é relevante dar conta dos presidentes da Academia:

De Maio 2006 a Maio 2007 – Prof. Roberto Perassi
De Maio 2007 a Maio 2008 – Prof. Paulo César de Oliveira
De Maio 2008 a Maio 2009 – Prof. Abel Barrozo Sobrinho
De Maio 2009 a Maio 2010 – Prof. Walter José dos Reis
De Maio 2010 a Maio 2011 – Prof. Dionísio Roberto Domingos

Entretanto, aqui se dá a conhecer um pouco de história daquele que deu o seu nome à Academia, Charles William Miller, considerado o pai do futebol brasileiro.

Filho de um inglês e de uma brasileira, nasceu perto da estação de comboios do Brás, na época um bairro nobre de São Paulo. Aos 9 anos, foi estudar para a Europa. Desembarcou em Southampton, no extremo sul das ilhas britânicas, e aprendeu a jogar futebol na Bannister Court School.

Tinha um estilo de jogo alegre e malandro, características que marcariam o futebol brasileiro para sempre.

Depois de ter passado 10 anos na Inglaterra, Charles Miller retornou ao Brasil, em 1894, trazendo na bagagem duas bolas da marca Shoot, fabricadas em Liverpool e que ele ganhou de presente de um companheiro no time de Southampton, que mais tarde se tornaria presidente da Liga Inglesa, a primeira Associação de futebol do planeta.

Também vieram com Miller uma bomba de ar, dois uniformes e um grosso livro de regras. A história completa de Charles Miller é contada pela primeira vez na biografia escrita pelo historiador John Mills.

O livro traz detalhes inéditos da carreira, do casamento, do clube do coração, dos negócios, da família de Miller.

Tem também documentos e fotografias nunca antes publicados, num verdadeiro resgate da memória do futebol brasileiro.

O leitor irá conhecer até os bastidores da primeira partida de futebol do Brasil, que aconteceu no dia 14 de abril de 1895, na Várzea do Carmo. As equipas eram formadas por ingleses radicados na capital paulista. O São Paulo Railway, time de Charles Miller, venceu a Companhia de Gás por 4-2. Entre 1902 e 1904, jogando pela equipe do SPAC-São Paulo Athletic Club, Miller se tornou tricampeão paulista. Foi o melhor marcador do campeonato por duas vezes. Jogou no clube até 1910, quando encerrou a carreira.

Depois disso, o pai do futebol brasileiro actuaria como árbitro, tendo, até, dirigido o jogo final do Campeonato paulista, realizado em 26 de Setembro de 1915, entre as equipas principais do Palmeiras e do Mackenzie

Se o Brasil é o país do futebol isso deve isso a Charles Miller.

Ver mais: http://www.safesp.org/Academia/menu.htm

QUANDO É QUE PORTUGAL TEM A SUA ACADEMIA DE ÁRBITROS DE FUTEBOL?


Vamos em frente e até qualquer momento!


Referência:

http://www.albertohelder.blogspot.com.br/2010/01/academia-paulista-de-arbitros-de.html

Entrevista – 03/07/2014

“Uma nova fase da arbitragem será aplicada depois da Copa, árbitros a moda antiga são poucos e devem se enquadrar”

02/07/2014    23:16hs – Atualizado  03/07/2014 – 07:25hs

Comissão de arbitragem da CBF prepara novidades para a arbitragem para depois da Copa do Mundo de olho nos árbitros sem “comprometimento”

A CA-CBF anunciou recentemente que criaria os trios fixos, logo apareceram vários murmurinhos nos bastidores, entre eles que os trios seriam profissionalizados (seriam contratados da CBF) e que os árbitros FIFA poderiam escolher com quem trabalhariam. Um absurdo se levarmos em consideração que a iniciativa é por ordem de Marco Polo Del Nero que já tentou implantar o mesmo modelo em São Paulo e não deu certo.

O jornalista alagoano Paulo Lira, repórter da Radia Gazeta de Alagoas e editor do Blog “Noticia na Mira” entrou em contato com Sérgio Corrêa da Silva (foto) para esclarecer as duvidas sobre o assunto. Sérgio Corrêa que vive uma nova fase, a fase “Tite”, pois tem falado muito, bem ao contrario dos tempos de Ricardo Teixeira quando foi proibido de dar entrevistas a não ser para a Rede Globo, não poupou palavras para explicar as novidades da arbitragem a serem aplicadas depois da Copa do Mundo e aproveitou para enviar recados aos árbitros que se cumpridos a risca deixara muito deles com a barba de molho e longe do apito.

Na longa entrevista, Corrêa deu informações importantes entre elas que no mundo moderno a psicologia através da “sociometria”* será uma das areas responsáveis por formar os quintetos e por que não, escalar o árbitro, o que leva a crer que se o neurologista Sigsmund Schlomo Freud, o criador da psicanálise fosse vivo, certamente seria o chefe dos árbitros da FIFA. Vale frisar que o pilar psicológico já faz parte da estrutura da CBF há mais de seis anos sem qualquer ganho aparente. Pelo contrario, não é difícil em off, os árbitros reclamarem que são obrigados a passar em consultas por psicólogos e ainda terem que demonstrar que o trabalho resulta em algum tipo de ganho dentro de campo.

Além das informações, Sérgio deu recados, desta vez bateu forte naqueles que segundo ele não tem comprometimento, não trabalham em equipe, que marcam faltinhas, que adoram exposições desnecessárias e atacou principalmente aqueles que fazem uso das redes sociais para fazer marketing. Nada de novo, tudo faz parte das orientações repassadas no início dos campeonatos e que logo são ignoradas pelos árbitros.

Leia abaixo a entrevista na íntegra que Sergio Corrêa concedeu ao Blog Noticia na Mira.

A Comissão de Arbitragem da CBF dá mais um passo em prol do desenvolvimento da arbitragem no Brasil. Seguindo os moldes da FIFA, a CA-CBF instituirá equipes fixas de arbitragem, ou seja, cada árbitro terá assistentes titulares e suplentes fixos, em geral da mesma federação, para todos os jogos que participar, exatamente como funciona na Copa do Mundo. E nada melhor do que saber da própria Comissão de Arbitragem Nacional como irá funcionar toda essa mudança. O Notícia na Mira procurou o Presidente da C.A.CBF, Sérgio Corrêa da Silva para que ele possa esclarecer tudo que irá acontecer, e o resultado foi esta entrevista.

Acompanhem o bate-papo e tire as suas próprias dúvidas de como será implantado o novo sistema de trabalho da arbitragem brasileira.

Noticia na Mira – Os quintetos (árbitro, assistentes e adicionais) serão fixos? Serão todos do mesmo estado? Ou poderão ser de estados diferentes?

Sérgio Corrêa – De 30 de junho a 02 de julho, a CA, o DA e a ENAF estará reunida na sede da CBF para fechar todos os detalhes do projeto. preliminarmente, o projeto é o de ter equipes especiais de arbitragem composta por um árbitro e quatro assistentes (revezamento), que podem ser ou não do mesmo estado. Nada engessado, mesmo porque qualidade não tem origem. Formada as equipes eles irão trabalhando juntos e o desempenho da equipe sendo considerado para futuras designações.

Quanto ao Adicional, o de nº 1, que assume a função principal em qualquer eventualidade, a escolha recairá sobre um árbitro experiente (pode ser FIFA, ESP, ASP ou CBF-1). o de nº 2, serão utilizados árbitros intermediários ou promissores. O quarto árbitro, como regra geral, será local, mas em jogos de elevada dificuldade e grandes decisões, utilizaremos de outro estado e igualmente experiente.

Designaremos Instrutores da ENAF, que realizaram curso Futuro III no exterior para atuar como Delegados Especiais e Tutores. Também serão aproveitados os instrutores que realizaram o curso em Campos do Jordão e outros de reconhecida capacidade para as funções.

Adotaremos o regime de concentração, com as equipes de arbitragem chegando no dia anterior a partida até as 14h. O Delegado Especial deverá chegar e ficar no mesmo hotel.

Na RT, toda equipe de arbitragem receberá informações táticas, histórico das equipes, jogadores, treinadores, dados estatísticos, etc e apresentação de vídeos com a circular 010 etc.

Sérgio Corrêa sendo entrevistado pelo jornalista Paulo Lira. Foto: Marçal

NM – Quando serão definidos estes quintetos e os árbitros podem escolher com quem querem trabalhar?

SC – A CA fará a escolha das equipes especiais, mas todos os oficiais de arbitragem da FIFA, ESP, ASP e CBF-1, obrigatoriamente, deverão manter contato com a Dra. Marta Magalhães Sousa para que seja aplicado alguns testes, entre eles, a sociometria. Neste teste, claro, serão dados indicativos importantes para composição das equipes especiais.

Importante: a Dra. Marta Magalhães, sendo autorizada pelos árbitros, subsidiará no fechamento das equipes mencionadas. Importante destacar que não é pensamento formar equipes de AMIGOS ou de FEDERAÇÕES ESPECIFICAS, mas equipes de arbitragem, cujos integrantes tenham elevado grau de acerto com base nas últimas 3 temporadas, haja visto que temos todos os dados do período.

Reiteramos que o objetivo é o trabalho em equipe, o comprometimento, e a busca pela qualidade.É possível e já comprovamos em nossa primeira passagem que existem árbitros e assistentes de gabarito na grande maioria dos estados. Vamos procurar prestigiar e levar em consideração os estados que estão focados na melhoria da qualidade de sua arbitragem, estão organizadas com escolas de formação de árbitros devidamente instalada, instrutores técnicos e físicos atualizados e avaliados, bem como os árbitros venham tendo atuações regulares, etc.

A CA irá premiar os árbitros comprometidos com o trabalho, que estejam cumprindo as recomendações, não aqueles que adoram exposições desnecessárias, os que procuram as entrevistas, atuam pensando nas escalas seguintes, os que estão mais preocupados em marketing, através de redes sociais, enfim, não queremos os do mi-mi-mi, mas os que amam o que fazem e não os que apenas gostam….

Sabe qual a diferença de amar e gostar? O que ama se empenha (trabalha) ao máximo, sem medir dificuldades. Já o que gosta, ao contrário, detesta o trabalho e busca outros caminhos, aquele que, na menor dificuldade, se abatem. A CBF quer os guerreiros do apito! Os que não aceitam treinadores e jogadores indisciplinados para fazer média; os que marcam faltinhas desnecessárias, padronizam acréscimos, etc.

Obs.: Em relação aos Adicionais, se fixarmos eles não terão oportunidade de atuar e isto não vai ocorrer. A CA, dentro do possível, vai compor as equipes, sem esquecer o plano de carreira implantado em 2008, com as categorias de árbitros e toda estrutura arbitral atual.

A CBF quer os guerreiros do apito! Os que não aceitam treinadores e jogadores indisciplinados para fazer média; os que não marcam faltinhas desnecessárias 

NM – Serão somente na Série A?

SC – Faremos isto nas Séries A e B, na C, observando a logística. J, na D, vamos aproveitar os novos, preferencialmente até 33 anos. Aqui colocaremos tutores para a busca de promissores que demonstrando potencial poderão atuar nas Séries C, B e até na A desta temporada. Como disse acima, hoje temos dados desde 2008, conhecemos todas as Federações, Comissões e, claro, os Oficiais de Arbitragem.

NM – E quando um errar, todos irão pagar pelo erro sendo afastados?

SC – O equivoco será analisado como vem sendo. Levantamos todas as situações e constatarmos a falta do trabalho de equipe, sem dúvida alguma. Agora, o equivoco individual, a primeira medida será afastar para os treinamentos com os instrutores.

Estamos preparando um relatório para levantamento de vários detalhes, tais como: horários de chegada no hotel, estádio, comportamento dentro e fora das quatro linhas, engajamento no processo, cuidado com a documentação da partida, cumprimento das regras do jogo, etc. O objetivo principal é o de formar equipes de trabalho, na busca pelo melhor resultado. As desculpas que recebemos hoje de que estão conhecendo os companheiros no vestiário não será admitido. Chegou a hora de separar os comprometidos dos que nada querem, a não ser, escala pela escala.

Aproveitaremos instrutores de folga na rodada para que façam uma análise do trabalho dos árbitros em todas as partidas transmitidas. De sua casa fará o relatório da partida sob outro ponto de vista e irão informar a CA imediatamente dos problemas ocorridos e separar situações de jogo para correção imediata, se for o caso. Em resumo, a arbitragem será observada triplamente (no campo, na TV e, claro, pela CA). Para isto, estamos finalizando com o gerente de TI, Fernando Franca, a implantação de vídeos, via portal dos árbitros. Situações ocorridas nas partidas serão disponibilizados via portal, com as devidas decisões sob a ótica das regras do futebol, advindas dos instrutores da extirpe FIFA: Antônio Pereira, Wilson Seneme, Ednilson Corona, Milton Otaviano, Ana Paula, Silvia Regina, Manoel Serapião, Alicio Pena, Erich Bandeira, de outros grandes instrutores como: Roberto Perassi, Sérgio Cristiano, José Mocellin, Márcio Verri, Fernando Castro, José Alexandre, Gerson Baluta, etc… com objetivo de evitar, por exemplo, o que ocorreu em uma partida da Copa do Brasil e outra na Série A, em que dois árbitros deixaram de aplicar CV para jogadores em oportunidades claras de gol. O critério de ambos foi uniforme, mas equivocado. Se houver repetição em situação já elencada, infelizmente medidas duras serão adotadas.

O processo de renovação não ficou paralisada nos últimos dois anos, mas acredito ser primordial aproveitar os promissores na Série A, arriscar um pouco mais, do contrário como ter um plantel respeitável se não atuarem, além de, em pouco tempo, a CA-CBF ficar na mira dos jornalistas por aproveitamento sempre dos mesmos, o que, sem dúvida, é um trabalho que deve continuar a ser feito nos estados, pois a entrada para a RENAF se dá pelas Federações.

A CA-CBF já esta com todos os dados dos árbitros para a reunião mencionada acima, bem como, no final do mês de agosto realizaremos um treinamento com acompanhamento do RAP-FIFA para os árbitros de elite, aspirantes, promissores e outros escolhidos pela CA e ENAF.

As desculpas que recebemos hoje de que estão conhecendo os companheiros no vestiário não será admitida. Chegou a hora de separar os comprometidos dos que nada querem

NM – Estamos diante de uma nova era da arbitragem Nacional?

SC – É bom deixar registrado que, uma nova fase da arbitragem será aplicada e todos já foram informados, via Comissões Estaduais (Ofício Circular 028). Enfim, até agosto todos devem entrar em contato com a Dra. Marta Magalhães para realização dos testes mencionados e durante alguns dias serão avaliados com provas físicas e teóricas de forma oral, aplicação de trívias em inglês, espanhol e português. Para 2015, todos os FIFA e ASPIRANTES realizarão a prova física Categoria 1 e, em 2016, toda RENAF será avaliada nestes índices. Na reunião da CA, com os integrantes da ENAF, todos os dados (físicos, técnicos, faixa etária, regularidade nas atuações e possibilidades de aproveitamento internacional, entre outros pilares: mental e social) estarão em discussão. Com todo investimento que vem sendo feito temos mecanismos para colocar a arbitragem num patamar ainda mais elevado.

Temos as informações da evolução gradual da arbitragem brasileira e se compararmos com os do Mundial estamos bem próximos. Para se ter uma idéia, observando a média de faltas praticadas na Série A, desde 1988 estão no site para os interessados. Na década de 80/90 chegamos em uma temporada a uma média de 52 faltas por jogo. Pois bem, 26 anos depois tais números estão caindo de forma vertiginosa, o que significa e comprova a evolução dos árbitros. Em 2013, a média chegou a 34/35 faltas por jogo, sendo que no mundial, a média esta entre 25/26 faltas por jogo (média de pouco mais de 2 CA por jogo). A diferença é de 10, com uma média de 5 CA por jogo. Podemos reduzir ainda mais as faltas e os cartões, basta aproveitarmos melhor os árbitros que não ficam parando o jogo por qualquer contato e estes dados também temos e vamos utilizar. Árbitros a moda antiga são poucos e devem se enquadrar.

Quem quiser cobrar que o faça de forma justa, mas não de forma pessoal e direcionada, aqueles motivadas por interesses de grupelhos, cujos objetivos são conhecidos por serem rasos demais. A estes uma única dica: trabalhem mais! Estamos implantando a ficha individual do árbitro, inserindo todos os seus dados para que não fique na memória das pessoas, mas documentado, pois assim, escolheremos sempre aqueles que estão empenhados na filosofia moderna da arbitragem. Para que tenham uma idéia, alongamentos, recuperação depois de um esforço físico são aspectos que mudaram, mas muitos ainda insistem em usar métodos antigos. Tudo mudou (se para melhor ou pior é entendimento que devemos respeitar, mas a ciência esta ai para comprovar o que estamos dizendo).

Todos sabem como o futebol está cada vez mais veloz e não se pode ficar pensando nos tempos em que um grande craque dominava a bola e tinha tempo de pensar para fazer um lançamento de 40/50 metros…. Hoje, dominou, os espaços são encurtados, portanto, precisamos de árbitros dinâmicos, velozes e com grande capacidade de controle do jogo. Ficar lembrando do passado é bom e salutar para ver o quanto avançamos, mas temos que agir e preparar a arbitragem para o futuro que não espera sonhadores, mas sim, trabalhadores. Imaginem se, em 2008, não tivéssemos feito a renovação da arbitragem brasileira… Não teríamos representantes em várias competições, ai sim, poderiam cobrar.

Uma nova fase da arbitragem será aplicada, árbitros a moda antiga são poucos e devem se enquadrar

NM – Diante mão, acho uma idéia muito legal. Vejo sempre os árbitros falando em trabalho em equipe, que é fundamental e tal. Excelente inovação.

SC – Não é inovação, estamos fazendo esta mudança pensando na melhoria do trabalho em equipe. Por outro lado, iniciei dizendo que não engessaremos. Estaremos atentos para, se for o caso, mudar a rota. O que estamos esperando é que cada equipe faca sua parte e para isto condições vem sendo dadas de maneira consistente e progressiva.

Outras novidades ainda estão sendo projetadas e não posso encerrar sem dizer que a CA-CBF, conta com apoio do Presidente José Maria Marin e do futuro presidente, Marco Polo Del Nero e só para que fiquem ligados, estamos autorizados a realizar intercâmbios internacionais para jovens árbitros que dominem os pilares da FIFA, mas isto é para um futuro não muito distante.

Nota do Apitonacional

Considero esta entrevista de Sergio Corrêa dada ao Noticia na Mira como a mais importante desde que assumiu a comissão de arbitragem da CBF em 2007. Quando um dirigente assume um posto de comando em um local bagunçado, e a arbitragem brasileira era bagunçada, a primeira coisa que tem que fazer é colocar ordem na casa e isso foi feito através dos números publicados no site da CBF. Para tudo tem regulamento, tem alguma circular ou determinação que diz o que pode e o que não pode ser feito. A segunda coisa a ser feita é implantar um sistema que o comandante julgue capaz de suprir as necessidades da função e terceiro é cobrar dia e noite para o que implantou de o resultado esperado.

A primeira fase foi sucesso absoluto, Sergio Corrêa – um trabalhador como poucos que conheci – se mostrou a pessoa certa para a função, tanto é que hoje é conhecido como o homem que transformou a arbitragem brasileira em números. A segunda já não foi esse sucesso todo, acredito que mais por tê-la iniciado sem terminar a primeira. Agora, finalmente anuncia o inicio da terceira fase para depois da Copa do Mundo.

Na entrevista, Sérgio saiu do seu natural e pela primeira vez rugiu como um leão lutando pelo domínio do seu território quando sinalizou as mudanças aos árbitros e, não só veremos daqui pra frente se vai ser mesmo esse leão ou voltar a ser o gatinho que tem sido até agora como cobraremos diariamente que se cumpra o que disse na entrevista acima.

O Apitonacional não é a favor e nem contra ninguém especificamente e sim pela arbitragem, pois não se admite que árbitros por mais importante que seja tenha seus próprios critérios, que ignore as determinações e que teimem em não reproduzir dentro de campo os treinamentos exaustivamente repassados pelos instrutores da CBF. O futebol moderno não admite mais uma partida com 50 faltas, 17 amarelos, técnicos e jogadores apitando as partidas e nem árbitros despreparados tanto fisicamente quanto tecnicamente, pois tem a disposição toda uma estrutura fornecida pela CBF para colocar em pratica o que dele se espera e são bem remunerados se levarmos em consideração o que ganha um assalariado.

As cobranças anunciadas, assim como as oportunidades dadas tem que ser igual para todos, não importando se é arbitro de Copa do Mundo ou um iniciante, pois todos eles têm que provar dentro de campo e não fora dele que é merecedor de comandar o maior espetáculo da terra que é o futebol e aqueles que após as chances dadas não tiverem capacidade e os que teimarem em não cumprir as determinações, que sejam retirados da bacia, pois uma maça podre sempre contamina as demais.

Desejo ao Sérgio Corrêa sorte e coragem para que realmente faça a correção da rota que se faz necessário neste momento para que este Titanic que ruma para seu iceberg não afunde de vez. Que cobre os homens do apito ao extremo, pois como comandante será aqui cobrado na mesma proporção.

* A palavra sociometria, derivada do latim, desenvolvida pelo psicoterapeuta Jacob Levy Moreno, é resultante da junção das palavras socius (social) e metrum (medida). Podemos então a partir da sua definição etimológica, entender como referente ao estabelecimento de medidas de variáveis sociais, ou medição do grau de vinculação entre indivíduos de um grupo.

 


Vamos em frente. Até qualquer momento!


Referência: www.apitonacional.com.br/entrevistas/moda-antiga.html

Entrevista – Epílogo.

Com orgulho colaborei muito com dois trabalhos que resgatam a história da arbitragem paulista e nacional. O primeiro relembra os árbitros que atuaram de 1971 a 2007. A outra edição traz os 106 de arbitragem no Paulistão.

51 – Dentro da área social. o que o SAFESP fez no seu mandato (2003 a 2007)?

R – O principal foi o seguro de vida, os tratamentos psicológico e odontológico, cestas básicas para casos especiais, convênios com descontos, etc.

Na área cultural foram publicamos os seguintes trabalhos: a) livro com o programa de trabalho da administração; b) cinco edições do Livro de Regras; c) duas edições de Perguntas e Respostas; d) uma edição de Instruções Adicionais; e) uma edição Lista Telefônica;f) uma edição de artigos dos árbitros; g) uma edição do Código de Conduta e Bons Costumes; h) uma edição do Estatuto Social; e, i) Livro dos 25 anos de fundação do SAFESP

Deixei com o Dárcio Pereira mais dois novos trabalhos engatilhados. O primeiro diz respeito as Estatítisticas da Arbitragem Brasileira, de 1967 a 2007 que só não foi divulgado pois resolvemos incluir a Copa do Brasil (1989 a 2007). O segundo trata dos 106 de arbitragem no Paulistão. Serão dois trabalhos históricos que, com a tecnologia atual poderá ser atualizado facilmente. Tudo que pensei ser possível fazer foi feito e até as comemorações do 27º aniversário de fundação do Sindicato, a diretoria deve disponibilizar tais obras aos interessados

52 – Dirigentes e colaboradores do sindicato se beneficiam das escalas da FPF ou do SAFESP?

R – Não. Isto é lenda. Veja a história de cada um deles.

53 –  Com o surgimento das Cooperativas, qual será a função dos Sindicatos?

R – O Dárcio e sua diretoria estão reestruturando a entidade para conviver com este novo e especial momento.

54 – Cooperativas vieram pra ficar ou são nuvens passageiras?

R – A diferença é que todos são donos e devem participar mais, pois uma decisão da diretoria obriga ao cumprimento de todos. Lucros e déficits m ser  divididos. Se der algum problema, o que não acredito, o cooperado responderá com seus bens.

55 – O quadro de Associados diminuirá com as Cooperativas?

R – Não posso adivinhar. As questões devem ser resolvidas com calma. O Dárcio tem tudo isto e ele espera que os árbitros possam ajudar a manter a entidade fundada há 27 anos.

56 – Quem representara os árbitros, os Sindicatos ou as Cooperativas?

R – E uma questão interessante. Cada um tem sua atribuição. As idéias divulgadas pelo secretário-geral da Cooperativa de empréstimos pessoais, doações de cestas, seguro para carro, pessoal, etc. será importante. Vamos ver se será possível colocar em prática e se conseguirem será muito bom para os cooperados. A diferença é que a cooperativa permite este sistema, o sindicato não.

57 – De onde o Sindicato retirará os recursos para se manter?

R – O Dárcio está trabalhando para isto, porém, mesmo a distância acredito ser possível e temos lastro para isto. É a velha fórmula: se tiver um real, gaste noventa centavos e guarde os ouros dez. O Dárcio tem dito que conversou com o presidente da FPF. Dr. Marco Polo Del Nero sobre isto. No final, os árbitros não abandonarão, pois o papel do Sindicato é de defender os interesses gerais, inclusive no Congresso Nacional.

58 – Fale dos sonhos, tristezas e alegrias.

Sonhos – Na arbitragem, além de trabalhar pela arbitragem poder auxiliar na criação da Classificação Nacional dos Árbitros para que os árbitros possam ter a certeza de que a pessoalidade não interferirá na sua carreira. O importante é que o árbitro tenha mecanismos de defesa. Ele deve saber aonde e para onde vai. Quanto a vida pessoal, todos os sonhos foram realizados e outros serão.

Alegrias – Muitas, principalmente aquelas que envolvem familiares, nosso principal esteio nesta vida.

Tristeza – A perda do meu pai, o velho Dico, um sábio; dos meus sogros, Ernande e Geralda, da minha tia Esmeralda, da avó materna e de saber que o tempo demora muito para nos apresentar o lado interno de algumas pessoas.

59 – Qual o futuro da arbitragem brasileira? Quem vai para a Copa 2010 e 2014?

R – Falta muita coisa. Com o apoio do presidente Ricardo Teixeira, temos muitas atividades pela frente que, em resumo, serão: estabelecer plano de carreira com a criação de categorias; elevar o treinamento integrado (físico, técnico, prático e mental); espalhar o material didático; elevar o número de instrutores; ter um preparador físico e um psicológico; melhorar no que for possível a condição de trabalho; enviar nas 27 federações um instrutor técnico e um físico para repassar todo o trabalho; súmula e relatórios dos observadores on-line; enfim, muito trabalho.

Em que pese carregar o apelido de “Bruxo”, não tenho poder de prever o futuro, apenas de achar. Para a Copa de 2010? temos o Leonardo Gaciba, Carlos Simon e o Salvio Fagundes cocmo candidatos. Agora, para 2014, os mais antigos Paulo César e Heber Lopes e os novos que virão poderão ter suas oportunidades de buscar a vaga. Somente não comentei do Seneme, pois ele precisa retornar a lista, superar a parte física. Acredito que superando e retornando será um forte concorrente. Agora, que fique claro aos linguarudos de plantão: quem escolhe os nomes dos árbitros para suas competiçoes é a Comissão de Arbitagem da FIFA. Em relação aos Assistentes, atualmente cabe ao árbitro designado a escolha dos que lhe acompanharão. Aqui uma sugestão: não escolher o amigo, mas o profissional que possa atingir todos os indices previstos e que a cada ano aumenta.

60 – Uma mensagem para o futuro.

R – A Deus pertence!

Entrevista – Parte 4

Fundamos a Academia Paulista de Árbitros de Futebol “Charles Miller”, cujo presidente é o árbitro internacional, o paulista Paulo César de Oliveira e, sem sucesso, tentamos ter um Centro de Treinamentos, em parceria com os Sindicatos dos Treinadores e Jogdores….

41 – Como o árbitro deixa a CBF?

R – Além de deixar a relação ao completar 45 anos, a CA-CBF se reserva o direito de suspender ou eliminar da RENAF a todo árbitro ou árbitro assistente sempre que razões de natureza ética ou moral o exijam.

42 – A Copa do Brasil está em andamento. Quem atuará se a RENAF 2008 não está pronta?

R – As designações para a Copa do Brasil 2008 serão feitas com base na RENAF 2007, até que a de 2008 seja divulgada às Federações;

43 – A melhor arbitragem brasileira é baseada nos árbitros internacionais, ou seja, pela ordem seriam: paulista (5), a paranaense (3), a gaúcha (3) ou a carioca (3)?. Estas pré-temporadas garantirão melhores arbitragens?

R – A melhor arbitragem é a brasileira, independentemente de estados. Não é possivel que não exista competência nos estados ditos “menores”, acredito que falta é oportunidade das pessoas mostrarem suas qualidades. Claro está que nos centros maiores, com competições de elevada dificuldade a tendência é que os profissionais estejam mais preparados, mas a CA-CBF não pode olhar apenas três estados e esquecer o resto. Temos o dever de capacitar as 27 federações e isto estamos fazendo, por meio do curso de instrutores formados pela FIFA. Podemos trabalhar muito, mas muito mesmo que não podemos garantir grandes arbitragens, mas miminizar os equivocos.

44 – Fale sobre o presidente Ricardo Teixeira e da copa 2014.

R – Uma pessoa que trabalha muito; exigente e que não perde tempo, tudo deve ser feito de forma organizada e objetiva. Sua equipe, com apoio de muitos, mas, principalmente, com o prestígio internacional do presidente Ricardo Teixeira trouxe a Copa do Mundo 2014 para o Brasil. Como disse a ele, apenas o tempo demonstrará o quanto esta decisão foi boa para o país. Muitos empregos, modernização, turismo, troca de informações, intercâmbio. Do lado da arbitragem poderemos observar as diversas culturas existentes no mundo. Será uma grande festa e esperamos poder colaboar dentro ou fora da arbitragem.

45 – Quanto ganha um presidente de comissão nacional?

R – Não trabalho por dinheiro. Adora o que faço e estou satisfeito com o ressarcimento das despesas e da diária que recebo. Gostaria de receber o que acham e dizem, mas como impedir as pessoas de falar.

46 – Você é presidente do Sindicato dos Árbitros de São Paulo. Não é uma incoerência escalar ou deixar de escalar aquele que você representa?

R – O Dárcio Pereira é o atual presidente. Estou passando aos poucos as diretrizes administrativas, mas como ele é um empresário bem sucedido e de larga experiencia, em breve farei a passagem da presidencia.

47 – Sobrava tempo para cuidar dos afazeres do Sindicato no ano passado?

R – Ao contrário do que possam pensar, sempre delego poderes. O Departamento de Árbitros é um grande exemplo. Na época em que o Arthur Alves comandou o setor, de 2003 a 2006, nunca interferi no trabalho ou nas escalas. Isto continua como o querido Abel Barrozo Sobrinho, um símbolo para mim, e não interfiro de maneira alguma. O Joel Teixeira Caires administra as finanças com “mão-de-ferro” e não faço nada sem que ele dê a sua assinatura. Aproveito para dizer o motivo pelo qual chamo o Abel de simbolo. Ele foi dirigente de arbitragem durante 11 anos e, quando deixou a função, seus telefones ficaram mudos, pois os que o bajulavam desapareceram. Sua presença serve para que saibamos que um dia estaremos fora de tudo e o que devemos esperar. É duro parar de apitar e muito duro deixar a arbitragem, mas é assim que foi e vai ser para nós e para os sucessores. Por isto reafirmo, o que vale são as Instituições.

48 – Fale um pouco do seu trabalho lá e quem vai apoiar no SAFESP, em 2010?

R – Vou começar pelo fim, apesar de faltar quase 3 anos, mas dentre os que conheço e que gostam de trabalhar para a coletividade temos o jovem Arthur. Com certeza irá ser um forte candidato a presidente. Hoje ele anda meio aborrecido, mas lá adiante deverá perceber que tudo que foi feito teve o objetivo de prepará-lo melhor. Ele deve cuidar dos não federados como cuida dos federados. Existem outras opções, mas acredito que ele estará pronto para assumir a entidadade em 2011. Outros, como Salvio, Joel, o próprio Dárcio, também podem aspirar a função, mas depende unicamente deles.

Dentro do que estabelecemos como meta, cumprimos o que foi possível. O congresso internacional, por exemplo, é o divisor de águas da arbitragem nacional, e isto é inconstestável. Com apoio da comissão de árbitros de SP, da CBF, dos árbitros, pudemos trazer personalidades que nos ajudaram na aprovação dos cursos da FIFA no Brasil, principalmente o de Instrutores, cujo resultado está nas pré-temporadas realizadas por todo o País. A edição de livros de regras anualmente é outro motivo de orgulho. O Safesp é uma referência nacional. Outra medida importante é a Academia Paulista de Árbitros de Futebol “Charles Miller”, cujo presidente é o árbitro internacional, o paulista Paulo César de Oliveira. Tentei um Centro de Treinamentos, em parceria com os Sindicatos dos Treinadores e Jogdores. O presidente dos Treinadores, o Prof. Mário Travaglini aceitou de pronto, mas o Martorelli, dos jogadores, já tem seu projeto. Os elevados custos inviabilizou o projeto, mas é um sonho que se tornará realidade mais rápido do que imaginemos. Em 2004, em Fátima (Portugal), lancei a semente de uma entidade mundial dos árbitros. Temos que esperar germinar. A Fifa levou mais de vinte anos para realizar o maior sonho, a Copa do Mundo…

49 – E a família, como concilia o tempo escasso?

R – Sempre tive apoio da família, pois sem ele nada seria possível. Eles sabem que minha volta está prestes a ocorrer e estão felizes. E eu também, por isto poder acontecer.

50 – Que benefícios o Sindicato proporcionou ao Associado?

R – Até 2007 foram vários: Seguro de vida em grupo, servico juridico gratuito, entrada livre nos estádios, servico psicológico, aumento nas taxas de arbitragens, diárias, aumento nos valores das passagens, garantia de recebimento, jogos nas competições amadoras, cursos, palestras, livros editados anualmente e muito mais.

Continua….

 

Entrevista – Parte 3

Cumprindo a Circular 1104/FIFA/15.08.07 e orientações da Conmebol as árbitras deverão alcançar os índices estabelecidos para o quadro masculino….

31 – Pela Imprensa, pudemos acompanhar que houve grande pressão política vinda do Nordeste por conta disto.

R – Temos que respeitar o desejo das pessoas que insistiram para que ele permanecesse até completar os 45 anos, em 2009. Por outro lado, todos estavam conscientes da saída dele e até entendiam como necessária. É natural e compreensível que as pessoas tentem ajudar, mas como dirigentes não podemos agir com o coração, e sim com a razão. Fica um alerta aos árbitros internacionais de que o escudo não é vitálicio.

32 – Como o Wilson Mendonça reagiu e quem entrou no seu lugar?

R – Logicamente que não gostou da decisão, mas passado o baque o árbitro prossegue com sua carreira. Em relação a entrar no lugar, a ordem de prioridade estabelecida foi Evandro Rogério Roman/PR, Marcelo de Lima Henrique/RJ e José Henrique de Carvalho/SP. O critério, mais uma vez, está nos números de 2007, ou seja, o Evandro atuou em 29 partidas, o Sérgio Carvalho/DF, em 28 e o Marcelo, em 23. Como o Sérgio Carvalho jubilaria em 2008, abriu-se um espaço para o Marcelo que, sem dúvida, irá longe.

33 – Por que houve tantas mudanças no quadro feminino?

R – Por conta das reprovações nas avaliações físicas. A Fifa está cada vez mais exigente. A Cleidy Ribeiro/SC, por exemplo, estava no Mundial da China e nos seis tiros de 40 metros ela fez 6,42 segundos e teve que dar um sétimo tiro, atingindo 6,41 segundos, quando o exigido para o genêro feminino é 6,40 segundos. Depois fez os 20 tiros de 150 metros e passou em todos. Todavia, aquele centésimo custou sua vaga. Já no teste da CBF, em setembro, ela passou e bem em todos. A Ana Paula, por lesão, e a Marlei não terminaram os testes, e a Ticiana estava contundida e grávida. É importante que possamos tirar lições do assunto e a comissão irá realizar os testes com 90 dias da data-limite para envio para, se ocorrer tal infortúnio, as pessoas possam realizar nova prova. O critério adotado foi igual para todos. Era necessário tomar esta decisão, pois a FIFA exigirá cada vez mais de seus árbitros. O objetivo da CA é que, as que obtiverem êxito na prova masculina, aos poucos, substituam aquelas que não conseguem. Isto vai levar mais uns dois ou três anos, mas será feito. Elas que se preparem.

34 – A assistente Katiúscia Mayer Berger Mendonça, do Espírito Santo, teve uma carreira meteórica: estreou no ano passado e já foi indicada para o quadro. Competência, sorte, política ou falta de um outro nome?

R – Não foi meteórica. Ela tem uma carreira no seu estado e na CBF, tanto que demonstrou competência, sendo apontada por vários internacionais como uma das melhores do Brasil. Ela foi indicada e aprovada nos testes físicos. Inclusive agora, no Sub-17 Feminino, no Chile, por um equivoco do avaliador que anotou uma volta a menos e em dúvida, a mesma repetiu o teste no dia seguinte e passou sobrando. A sua atuação chamou a atenção, tanto que já trabalhou em três jogos consecutivos e somente não ficará por conta da classificação do Brasil. Agora, se ela e outras realizarem os indices masculinos, com certeza serão promovidas. AS que ficarem apenas nos indices femininos não serão esquecidas, mas atuarão no feminino apenas.

35 – Outras assistentes surgiram para o cenário nacional junto com a Ana Paula e a Sílvia Regina e como estão elas neste cenário?

R – Boa pergunta. A arbitragem feminina estava restrita a uma região, tanto que a Ana Paula, de 2003 a 2007, realizou 69 partidas, sendo que 68 foram na Série A e 1 na Série B. A Maria Eliza realizou 55 jogos, sendo 42 na Série A, 11 na B e 2 na C. A Aline 47 jogos, sendo 28 na A, 10 na B e 9 na C. A Maria Eliza foi escolhida pela Comissão por ter realizado 42 jogos na Série A contra 28 da terceira opção. Aliás o número de jogos que cada um realizar vem sendo considerado até que a Classificação Nacional dos Árbitros seja estabelecida.

Falando em jogos ninguém cita, por exemplo, no feminino, a Cleidy Ribeiro/SC, uma das mais antigas assistentes na FIFA (desde 1996), com várias convocações internacionais, e com poucas oportunidades em relação a algumas. Em, 2007, a mesma fez 9 partidas e muito bem. No lado masculino, o Milton Otaviano/RN que atuou mais em 2007 do que em sua carreira toda. Apontem um erro deste grande auxiliar? Aliar competência com as mesmas oportunidades é fazer justiça.

Para encerrar este assunto, reitero que não temos que olhar apenas para um ou dois estados do Brasil, mesmo tendo a opinião de que alguns são maiores do que muitos países, portanto com possibilidade de termos vários árbitros e assistentes internacionais. Digo isto, pois a CA-CBF tem noção e respeito pelas 27 federações. Ao final da Série A/2007, tivemos quatro árbitros de estados sem oportunidades, tais como o Amapá, Mato Grosso, Paraíba e Tocantins. Temos que proporcionar que os talentos tenham suas oportunidades, porém deverão demonstrar qualificação no que faz.

36 – Ana Paula: as fotos interferiram na sua permanência no quadro?

R – De forma alguma. Ela tem direito à sua vida pessoal, desde que isto não interfira no seu trabalho em campo. Como poderiamos afirmar que tal decisão iria interferir na sua carreira se não tivemos a oportunidade de saber? Ela foi reprovada no teste físico e ela mesmo informou que não teria como passar no período determinado para envio da lista, assim como não conseguiu, ainda, a aprovação total. Em São Paulo, a comissão criou uma tabela progressiva de aprovação para os árbitros e eles terão um prazo para atingir suas metas. Esperamos e torceremos que eles aproveitem esta oportunidade e sejam aprovados muito rapidamente, pois não se pode perder experiência e qualidade, mas não podemos mudar um conceito que estava definido previamente.

37 – No site do Safesp, tem uma noticia que ela volta neste Paulista, mas ela não está no ranking da FPF. Mesmo asism poderá ser escalada?

R – Ela não está no ranking por conta da avaliação física, mas com certeza será incluída e voltará a atuar e ai se poderá avaliar como está a Ana Paula na função em que ela ganhou toda esta projeção.

38 – Não existe o risco de jovens modelos usarem a arbitragem para se promoverem?

R – Fica a critério de cada um. São escolhas que devemos fazer. Cada um escolhe um caminho.

39 – Como ingressar na CBF?

R – A CA-CBF expediu há quase duas semanas a Circular nº 33, com as orientações gerais sobre o ingresso. Os interessados poderão tomar conhecimento via comissão estadual de arbitragem, porém como o documento já foi publicado em alguns sites das Federações e a CA encaminhou um documento sobre o assunto aos árbitros da RENAF 2007, posso adiantar resumidamente algumas novidades:

Para o primeiro ingresso os árbitros deverão ter, no mínimo, 21 anos completos (nascidos em 1987, ou antes) e ter até 35 anos no presente ano (nascidos em 1973 ou depois), a menos que o candidato já haja pertencido, em época anterior, a RENAF; ter ou estar cursando o terceiro grau, sendo que isto não é engessado, cada caso encaminhado será analisado e deliberado pela comissão nacional. O motivo é simples, o Brasil é um país gigantesco e as diferenças e dificuldades regionais para se estudar ou para ingressar na arbitragem devem ser consideradas. Temos o papel de incentivadores da cultura, mas não podemos fechar os olhos para a realidade nacional. Que fique o alerta, para 2009, a ideia é reduzir a idade de acesso para 30 anos. As Federações devem renovar seus quadros por todas as exigências, do contrário, ficaremos a margem e correndo o risco de não termos opções para o Mundial de 2014, no nosso país. Por tudo isto, muitas mudanças estão planejadas e teremos que enfrentar muitos que não pensam de maneira macro.

Cumprindo a Circular 1104/FIFA/15.08.07 e orientações da Conmebol a árbitra e a árbitra assistente, para atuar em competições masculinas deverão alcançar os índices estabelecidos, respectivamente, para o quadro masculino; porém as árbitras e árbitras assistentes que não obtiverem o limite estabelecido para homens, mas atinjam os índices femininos poderão vir a integrar a RENAF-FEMININA 2008;

Outra exigência é quando ao exercício regular de suas funções em partidas do futebol profissional (1ª/2ª Divisão) nos últimos dois anos (2007/2008), sendo que o  índice de aproveitamento nas arbitragens feitas nas respectivas Federações, nas mencionadas divisões.

E, uma dica, vai reduzir ainda mais. As entidades já foram avisadas.

40 – Qual a razão do árbitro CBF não utilizar o escudo nas competições estaduais e o FIFA ostentar o seu no Brasileiro?

R – A partir de 2008 isto pode mudar, pois os integrantes da Relação Nacional receberão automaticamente os respectivos escudos de suas funções (árbitro ou de árbitro assistente), devendo utilizá-los em todas as partidas nacionais e, a critério das CEAF´s, poderá ostentar o escudo nas competições estaduais, portanto a decisão cabe a CEAF local em autorizar ou não. Sou de opinião favorável, pois indica um degrau a mais na carreira do profissional de arbitragem e isto deve ser valorizado. Como as Federações são entidades privadas, não podemos determinar, mas sugerir.

Continua….

 

Entrevista – Parte 2

Um bom árbitro deve ter os atributos da pirâmide do sucesso : trabalhar muito, amizade, lealdade, cooperação, entusiasmo, controle pessoal, estado de alerta, iniciativa, concentração no objetivo, condição moral, física e mental, habilidade na execução da tarefa, espírito de equipe, equilibrio, confiança, grandeza competitiva, sinceridade, honestidade, confiabilidade, paciênca, fé, luta, esforço, coragem, adaptabilidade, ambição positiva….

Segunda parte da entrevista dada e publicada no site http://www.anaf.com.br

11 – Por que o mesmo árbitro que no Brasileiro marca qualquer esbarrão como falta não marca nada em jogos da Sul-americana?

R – O árbitro internacional, por sua experiência, sabe como as equipes e os países jogam. Uma partida no sul do País, por exemplo, tem uma característica totalmente diferente da que é jogada no Norte. Portanto, a adaptabilidade deve ser um atributo do grande árbitro. Cada competição tem sua característica específica. A luta das comissões é aproximar o máximo a forma de atuar, isto está sendo feito e tem melhorado muito, mas ainda falta muita coisa por se fazer. Falta é falta em qualquer país. A diferença é que no Brasil, os jogadores são manhosos. Cada estado tem uma característica de jogo e de arbitragem. Mas, é crível que, até 2012, vamos estar bem mais próximos. O projeto do Dr. Ricardo Teixeira é aproximar ao máximo o critério de arbitragem. Agora, comparar o número de faltas da Europa e da América do Sul é o mesmo que comparar a vida do europeu com os americanos do sul… Uma distancia muito grande, pelo menos de cultura.

12 – Muitas vezes os árbitros fecham os olhos a certas faltas em prol do espetáculo. Isso é uma orientação da comissão?

R – Não. A comissão exige o cumprimento da regra do jogo, que é treinada pela comissão de ensino. No caso da CBF, os orientadores são Antônio Pereira da Silva/GO, Jorge Paulo de Oliveira Gomes/DF e Márcio Rezende Freitas/MG. Eles é que repassam as informações da FIFA. Nós acompanhamos e, claro, temos o dever de cobrar o que foi ensinado por eles. Agora, temos é que ampliar o número de instrutores. A nossa vontade é termos de 12 a 15 instrutores. Vamos atrás deles. Espero que, em mais dois anos, possamos realizar outro curso para instrutores. No próximo curso promovido pela Fifa, teremos Aristeu Tavares, Manoel Serapião e Silvia Regina de Oliveira (para o quadro feminino). Vamos buscar mais uma vaga junto a Fifa. Temos excelentes opções, tais como José Mocellin, Edson Rezende, Roberto Perassi, Sérgio Cristiano, Milton Otaviano e outros que poderão colaborar muito com o projeto.

13 – Sorteio para os árbitros: todo mundo é contra ou diz que é. Então, por que não acaba?

R – Por ser uma Lei Federal (Estatuto do Torcedor) e somente se extingue se a mesma mudar. Cabe as entidades lutarem pelo fim do sorteio, principalmente por conta da renovação, pois nem sempre temos como preparar um jovem árbitro para as principais divisões correndo o risco do sorteio levá-lo a uma partida que exige experiência. Não temos, às vezes, jogos suficientes para promover mais do que gostaríamos, mas temos que trabalhar enquanto ela perdurar.

14 – Publicidade nas camisas dos árbitros, o que pensa sobre este assunto?

R – É um dos caminhos que está sendo estudado. O que falta é interesse das grandes empresas. Se eles soubessem que, em 2007, tivemos 6.305 profissionais em todos os estados da Federação trabalhando 90 minutos, com exposição para milhões de pessoas nos estádios e, principalmente, na televisão talvez pudessem aproveitar os espaços permitidos pela Fifa. Por exemplo, neste último brasileiro tivemos um aumento de público na ordem de 70%, com 17 mil pagantes por partida. São números significativos. O assunto é da órbita da Diretoria de Marketing e tenho certeza de que o responsável estuda o assunto. Quem sabe em mais um ou dois anos isto seja possível.

15 – Entra ano e sai ano, os treinadores, torcedores e a Imprensa reclamam dos árbitros. Eles têm razão ou faz parte da cultura do futebol?

R – Faz parte e sempre será desta forma. Basta o primeiro erro. No Brasileirão 2007, levantaram 10 “graves” equivocos, em 380 jogos… Se um árbitro tem uma média de decisões entre 160 e 180 por partida e somente conseguiram editar tais equívocos, acreditamos que avançamos muito. Devemos registrar, ainda, que entra ano e sai ano e os treinadores perdem empregos após algumas derrotas. Com um olhar mais crítico saberíamos que a “pressão” em cima dos dirigentes, treinadores e jogadores é imensamente superior ao que se faz com os árbitros. É só observar melhor, ler, ouvir e ver o que a mídia nos apresenta.

16 – Quando um árbitro pode ser considerado “pronto”?

R – Quando ele mantém uma regularidade por vários jogos e temporadas. O árbitro não pode ter um desempenho igual ao resultado de um eletrocardiograma…

17 – Quais as qualidades para ser um bom árbitro ou assistente?

R – São vários os atributos. A pirâmide do sucesso nos apresenta vários: laboriosidade, amizade, lealdade, cooperação, entusiasmo, controle pessoal, estado de alerta, iniciativa, concentração no objetivo, condição moral, física e mental, habilidade na execução da tarefa, espírito de equipe, equilibrio, confiança, grandeza competitiva, sinceridade, honestidade, confiabilidade, paciênca, fé, luta, esforço, adaptabilidade, ambição positiva, etc. Acertar os lances considerados fáceis, temos muitos, o que procuramos é aquele que acerta os ajustados, o diferenciado.

18- Os pré-requisitos para ser árbitro hoje em dia incluem ter estatura, estudo, cultura. Não estaria faltando o “dom” de ser árbitro por vocação?

R – Não existem requisitos tão complexos. O futebol moderno exige cultura para entender a necessidade da performance física em todos os sentidos (mudança de hábitos, alimentação, descanso) e, claro, o dom é primordial. Mas quantos “Pelés”, “Zicos”, “Romários”, “Leônidas” temos no futebol? Existem “craques do apito”, “bons do apito”, “regulares do apito” e assim sucessivamente. Apenas os que detêm o dom é que chegam mais longe. Isto é inegável, mas existe espaço para todos que tenham vontade.

19 – Grandes árbitros do passado, hoje, não estariam no quadro, pois não teriam estatura e nem cultura o suficiente para ingressar no meio. Não é um retrocesso?

R – O passado tinha sua característica. O futebol era lento, hoje é acelerado. É como dirigir um Ford 29 e uma Ferrari nos dias atuais. Tudo evolui e na arbitragem não seria diferente. Hoje, qualquer jovem que queira assistir uma partida da Copa 70 ou dorme ou muda de canal. Cada época deve ser vivida e aproveitada, mas não pode servir como comparação. Imagine que passamos séculos sem celular e computador e hoje, viveríamos sem eles? Mudou e para melhor!

20 – O que pesa mais: correr, dominar o inglês ou saber apitar uma partida corretamente?

R – Sempre apitar e assistir ao árbitro bem. A questão física é um pilar relevante, pois o futebol está cada vez mais veloz. Em pouco tempo, teremos que ter na estrutura um preparador físico. Aprender inglês é um atributo para quem pensa em chegar à Fifa. O mundo está globalizado. Em breve teremos árbitros nacionais e não mais regionais. Sonho com um intercâmbio internacional, com árbitros acompanhando o trabalho em outros estados e países.

21 – Como é feita a avaliação dos árbitros? Por que os documentos de avaliação não são divulgados na Internet?

R – O documento é divulgado para as comissões estaduais. Elas devem trabalhar na melhoria da qualidade da arbitragem. O documento é confidencial, pois ainda não temos uma cultura de divulgação ostensiva, mas chegaremos lá em breve.

22 – Como está o projeto de profissionalização dos árbitros?

R – Uma comissão nomeada pelo presidente Ricardo Teixeira e composta por Carlos Simon/RS, Evandro Roman/PR, Sálvio Spinola/SP, Carlos Pimentel/RJ, Milton Otaviano/RN, Carlos Berckembrock/SC e Luiz Kallemberg/SC tem um prazo de 120 dias para apresentar um projeto. Agora, com a legislação trabalhista atual, é inviável profissionalizar 416 árbitros em todo o País. Faça uma conta simples: se cada um receber R$ 1.000,00 (mil reais) por mês, com o pagamento dos tributos legais teremos uma despesa anual de aproximadamente R$ 16 milhões…., fora o INSS, FGTS, FÉRIAS, etc…. Se colocarmos as taxas e demais despesas, o valor quase dobra. Inviável neste momento, mas temos que apresentar sugestões e não apenas dizer que tem que profissionalizar. Por isto incentivamos a criação das Cooperativas e isto o Armando Marques já dizia, no final da década de 90.

23 – Como você avalia a experiência de os árbitros se comunicarem por rádio durante o jogo?

R – Excelente. Tudo que vier para somar e ajudar o árbitro de futebol temos que aprovar, incentivar e aplicar. O grande problema é o elevado custo, a manutenção etc. Podem ter certeza de que, antes de 2014, os preços cairão e será possível importar os comunicadores.

24 – Cabe exclusivamente à CA/CBF a indicação dos árbitros para o quadro da FIFA?

R – Sim. É simples. O árbitro internacional tem uma validade de um ano e pode sair no primeiro, no segundo ou no penúltimo ano. Tudo depende do desempenho técnico, físico e comportamental. Tudo é observado.

25 – Qual o critério usado para ser do quadro internacional?

R – Atualmente com regularidade na carreira dentro e fora das quatro linhas, aprovação nas avaliações, vagas disponíveis pelo jubilamento e aproveitamento da Conmebol e FIFA. Não adianta ostentar o escudo da FIFA e não sair do Brasil. Temos que trabalhar com ciclos. Um árbitro que não tem qualquer possibilidade de ir à uma Copa do Mundo deve deixar a lista, mas não pode ser abandonado. Tem que se respeitar, por isto estamos estudando um plano de carreira, com categorias, como, por exemplo, a categoria Especial para ex-árbitros internacionais que deixem a entidade antes dos 45 anos; retornar com o Aspirante-Fifa e criar mais duas subdivisões. Estamos estudando isto. Toda atividade tem uma estrutura – tipo pirâmede – e não pode haver apenas dois estágios. Agora, com um país continental não se pode demorar muito para um talento chegar ao topo, por isto estamos estudando como implantar a classificação nacional. Vamos conseguir, mas teremos muitas tempestades. Se você chegar em casa e a mulher mudar o sofá de lugar, a pessoa estranha, quanto mais mexer em algo que está em estado de letargia há mais de 10 anos.

26 – A indicação é puramente técnica ou tem política no meio?

R – A indicação deve ser técnica. Quando se fala em política parece que ela não existe. Existe sim e em todos os segmentos de nossas vidas, ou isto não existe na empresa, na escola, na vida social, pessoal, etc?. No futebol não é diferente, porém o mais importante é que os critérios de aprovação, por exemplo, sejam iguais para todos. Não se pode fechar os olhos para um árbitro e para outros não. Uma coisa é certa, toda promoção gera polêmica. Quem não vai, discorda. Quem vai, gosta. Se tirar, reclama. É a vida. Comparo isto a uma grande decisão do árbitro em uma partida. Ele marca ou deixa de marcar um tiro penal. Ele, por decidir, acha que está certo. O clube envolvido protesta. A diferença é que a decisão do árbitro não volta mais. A nossa pode ser revista um ano depois.

27 – Ao longo dos anos, tivemos grandes nomes da arbitragem no quadro internacional. Ao mesmo tempo, tivemos também nomes de qualidade duvidosa. Na sua opinião isso foi devido à política?

R – Opinião todos tem a sua. Tivemos seleções que o milhões de treinadores do Brasil diziam que o técnico esqueceu de levar “o” craque. Como disse em uma das questões acima, todos nós fazemos escolhas e somos responsáveis pelos acertos e erros.

28 – Na sua opinião, por que um nome como Dulcídio Wanderlei Boschilla nunca pertenceu ao quadro internacional?

R – Era um grande árbitro, com sete finais de Campeonato Paulista, uma do Brasileiro e realmente não foi internacional. Critérios de quem comandava o setor na época, portanto não posso comentar por absoluta falta de conhecimento dos motivos que levaram a tal decisão. Seria achismo.

29 – Este ano os paulistas Wilson Luiz Seneme e Ana Paula de Oliveria sairam do quadro por contusão. Voltando à normalidade, ele é um forte nome para o próximo ano?

R – Claro, o Seneme sabe que, em 2006, votamos pela sua inclusão. No teste físico realizado em setembro ele tinha duas datas para realizá-lo, dias  12 e 20. Disse-lhe para fazer no dia 20, pois teria mais oito dias para treinar e se recuperar caso não passasse. Ele foi valente e tentou, sem sucesso, agravando a contusão que estava quase sanada. Lamentavelmente não conseguiu no dia 20, quanto mais na última data, que seria cinco dias depois. A CA-CBF estabeleceu um critério e assim foi e será feito.

Como bem disse o presidente da FPF, o caso dele pode ser comparado a um craque que, na véspera da Copa do Mundo, sofre uma lesão e tem que ser cortado. Imagine só, a Copa do Mundo é jogada de 4 em 4 anos e nem sempre é possível para um jogador atingir o sonho de disputá-la.

30 – De 1994 a 2007, Wilson Mendonça, mesmo contestado por alguns, pertenceu ao quadro internacional. Por que foi retirado do quadro e ele volta como Básico?

R – O Wilson Mendonça sabe os motivos pelos quais ele deixou a FIFA. Existe um desgaste natural com todos e com ele isto estava acentuado, tanto que nem a Conmebol e nem a FIFA o utilizavam em suas escalas. A saída dele foi pelo conjunto da obra e não pelo ano em si.  Quanto a volta no quadro Básico isto depende da Federação local, responsável pelas indicações. Ele atuando, sendo aprovado nos testes locais e sendo indicado poderá realizar o teste CBF e, se a CA-CBF desejar, designá-lo para os sorteios das Séries A, B e C.

Continua….

 

Entrevista – 28/02/2008

Entrevista com o presidente da Conaf, um dos fundadores da Anaf. Foi secretário-geral de 1998 a 2003 e passou por vários cargos no Safesp, no período de 1993 a 2007.

Hoje foi reproduzir uma entrevista de 2008 em cinco capítulos e publicada no site http://www.anaf.com.br/2014/?p=2548

Histórica entrevista com Sérgio Correa

A entrevista de 28 de Fevereiro de 2008

Publicamos histórica entrevista com o Chefe do Departamento de Arbitragem da CBF, Dr. Sérgio Correa.

O ex-presidente da Conaf é um dos fundadores da Anaf, foi secretário-geral de 1998 a 2003 e passou por vários cargos no Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de Sao Paulo, no período de 1993 a 2007, quando assumiu a CA-CBF.

1 – Dr. Sérgio Corrêa, como presidente da CA/CBF, qual a sua avaliação?

R – Positiva. O único lamento foi ter assumido da forma como foi, ou seja, por motivo de saúde do Dr. Édson Rezende, em 7 de agosto de 2007. Ainda bem que ele está quase pronto para novas batalhas. Naquela oportunidade prevíamos muita turbulência, pois o Edson era a figura que todos desejavam ver na presidência.

Todos comentam sobre a 21ª rodada do Brasileiro/2007, com muitos problemas considerados graves pelos dirigentes. Após necessária reunião, o apoio do presidente Ricardo Teixeira, que determinou diretrizes que acelerassem o processo de renovação estrutural na arbitragem brasileira foi fundamental para recuperação da arbitragem. Este processo foi iniciado em 2006, sob a presidência do Edson Rezende. Das medidas, destacamos:

Quinto árbitro Assistente – Designação do quinto árbitro para qualquer eventualidade.

Sistema de Comunicação entre os Árbitros: O recurso foi adotado para melhorar a comunicação entre os árbitros e auxiliares em cinco partidas do campeonato, testados nos seguintes jogos:

04/11 – Cruzeiro/MG x Flamengo/RJ

11/11 – Internacional/RS x Cruzeiro/MG

11/11 – Flamengo/RJ x Santos/SP

25/11 – Internacional/RS x Palmeiras/SP

02/12 – Cruzeiro/MG x América/RN

02/12 – Grêmio/RS x Corinthians/SP

Reavaliação geral – Foi realizada uma reavaliação do grupo que obteve notas insatisfatórias nos últimos testes, no dia 14 de setembro. Quem não atingir a média 7 estará fora – em 2008, a média atingida será de 8. Será obrigatória a divulgação com antecedência da realização do testes assim como a divulgação dos resultados. Os testes físicos das mulheres terão como parâmetros os mesmos índices usados para os homens.

Obs.: Os árbitros foram reavaliados e, dos trinta e seis (36) reprovados, trinta e três (33) obtiveram a média mínima exigida.

Renovação da Arbitragem – Para 2008 está previsto um percentual de renovação do Quadro entre 30 e 40%, com o alerta para o fato de que a renovação começar nas Federações para que os árbitros cheguem ao Quadro Nacional para iniciar um aprimoramento. A renovação não é pela idade, mas pelo talento.

O processo de renovação teve início em 2006, com quatro (4) promoções de árbitros para a Série A e, em 2007, com as diretrizes da presidência da CBF, dezesseis (16) novos árbitros foram promovidos; e, (b) FIFA – Na lista internacional, tivemos uma renovação de 20%, entre os árbitros e árbitros assistentes masculinos e de 83% no feminino, com a permanência de apenas uma (1), das seis (6) que compunham a referida lista.

Classificação Nacional dos Árbitros de Futebol – Em princípio, será elaborado um estudo com base nos número de jogos dos últimos três anos (Série A – peso 5 por partida; Copa do Brasil – peso 4; Série B – peso 3 e Série C – peso 2); a média das notas obtidas dos observadores,  além de notas para avaliações físicas e teóricas realizadas anualmente. Um alerta geral: aguardamos sugestões até o dia 28 de março. Todas as Federações receberam um projeto, no final de 2007, portanto os interessados poderão participar deste trabalho. Também estamos analisando se a pontuação oriunda do Rankig das Federações divulgada pela Diretoria de Competições – DCO, como também na classificação estadual dos árbitros em seus respectivos estados, tudo em caráter experimental.

Treinamento na Granja Comary – Foi realizado, no período de 15 a 20/10, um Curso de Aprimoramento Teórico, Físico e Prático para vinte e nove (29) árbitros jovens INDICADOS PELAS FEDERAÇÕES: (Antônio Costa/AC; Charles Ferreira/AL; Milton Silva/AM; Lúcio Araújo/BA; Francisco Almeida/CE; Wilton Sampaio/DF; Sandro Ricci/DF; Devarly Rosário/ES; Andre Castro/GO; Silvio Silva/MA; Ricardo Ribeiro/MG; Marcos Pereira/MS; Mauricio Siqueira/MT; Kleber Almeida/PA; Emerson Silva/PB; Emerson Sobral/PE; Antonio Nunes/PI; Nilo Júnior/PR; Antônio Schneider/RJ; Antonio Frederico Santos/RJ; Péricles Cortez/RJ; Izac Oliveira/RN; Arnoldo Figarela/RO; Rosinildo Silva/RR; Marcio Chagas/RS; Célio Amorim/SC; Rogério Rocha/SE; José Carvalho/SP; e, Adriano Carvalho/TO), com participação dos melhores instrutores disponíveis no futebol brasileiro. Outros árbitros poderiam participar, mas face a disponibilidade limitou-se as vagas. (foto em destaque)

Uso do Teipe – Passou a valer como forma de denúncia ao STJD em fatos em que aconteçam excessos no comportamento de técnicos e dirigentes antes, durante e depois de jogos que se constituam em uma forma de coação à arbitragem. Vale também para fatos que não forem relatados pelos árbitros nas súmulas.

Tutores – Estamos estudando a criação de um grupo de tutores para acompanhar a atuação dos árbitros, com orientações tão logo a partida se encerre, porém devido as dimensões continentais de nosso país estamos avaliando custos.

2 – A CBF já o efetivou?

R – Independentemente da denominação, “interino” ou “efetivo”, o presidente é cargo de confiança da presidência. Não quero comparar, mas treinadores são contratados para realizar um trabalho e, dependendo dos resultados, pode durar menos do que gostaria. O presidente Ricardo Teixeira sabe que pode contar comigo independentemente de função. Aproveito para dizer que existem muitos mitos em relação a função de presidente. Se as pessoas soubessem a carga de trabalho não ficariam sonhando ou, como dizia o Armando Marques, “comprando ternos”.

3 – Como Sérgio Corrêa entrou no mundo da arbitragem?

R – Em 1981, com a realização do curso de árbitros, na FPF.

4 – Como foi sua passagem pela Comissão de Árbitros de São Paulo?

R – Foi muito boa. A confiança e o apoio proporcionados pelo presidente Marco Polo aos integrantes foi importante para a realização de um grande Paulistão. Foi um aprendizado elevado que contribuiu muito no trabalho da Comissão Nacional de Arbitragem.

5 – Criou algum desafeto ou inimizade em razão da arbitragem ao longo de sua carreira como árbitro e como dirigente?

R – Não. Existem pessoas com pensamentos diferentes, que respeitamos. Na palavra do presidente do Livro de Regras do Sindicato – 2005/2006 tem a seguinte frase: “(..) tenho um sonho: um dia espero reunir os profundos conhecedores das leis do jogo que, despidos de vaidades e querelas pessoais possam analisar as regras do jogo e apresentar trabalhos que só elevem a qualidade da arbitragem. Sinceramente acredito que isto um dia será possível”. Para que um sonho torne-se realidade, é necessário que tenhamos a capacidade de sonhar. Acredito nisto. Gosto de ouvir as opiniões contrárias, a oposição às idéias, pois elas são as que servem para nortear os rumos de nossas vidas e, claro, ouvir os amigos sinceros e não os de ocasião.

6 – Em 1997 tivemos o escândalo Ivens Mendes, em 2005, a Máfia do Apito que poderia ter sido evitada se o mito da arbitragem Armando Marques tivesse tomado providências contra alguns árbitros que apresentaram documentos inválidos para suas inscrições. Você não teme que algum tipo de escândalo venha a manchar a sua imagem?

R – Não, pois as atitudes definem os resultados das nossas ações. Com uma atitude boa teremos bons resultados. Por outro lado, no Brasil é comum plantarem-se notícias negativas, que prosperam. E não há o mesmo destaque para a resposta. É como numa briga de rua: o primeiro que bate, às vezes deixa sua marca. O duro é você pagar por conta de erros de terceiros como ocorreu no episódio “Máfia dos Apostadores” e não na “Máfia do Apito” como rotularam. Outra coisa que pode minimizar é não abrir mão dos princípios e não abrirmos concessões que é um verdadeiro bumerangue.

7 – A Anaf passou por uma eleição conturbada, está com nova diretoria. Ela tem o aval da CA/CBF?

R – Aprendi na vida que acima das pessoas estão as Instituições. A diretoria da Anaf tem uma missão e o senhor da razão (o tempo) demonstrará o que cada um fez de certo e de errado. As escolhas foram feitas e devemos respeitá-las. Cada um sabe qual a atitude tomada e podem até tentar destruir a imagem alcançada ao longo de décadas, mas não conseguirão por um motivo simples: a consciência das pessoas corretas cobra mais do que as palavras ditas nos momentos de raiva e de elevada emoção. Estes momentos servem para mostrar como as pessoas reagem… Desde o princípio informei e registrei, por ofício, aos três candidatos sobre a fragilidade do processo. Não deram ouvidos e preferiram ir para justiça. Esta, por sua vez, anulou o pleito. Deixei a presidência da comissão eleitoral antes e o Marco Antônio Martins assumiu. Disse a eles: sempre falam e cobram união dos árbitros, mas não dão exemplos.

8 – Foi mais difícil apitar ou está sendo escalar árbitros?

R – É mais difícil ser dirigente e disto não tenho nenhuma dúvida. No final de semana, os dirigentes de arbitragens sofrem e torcem para que todos os que estão trabalhando consigam colocar em prática o que foi treinado, mas em arbitragem não se tem certeza dos 100% de acerto desejados por todos. O futebol é um esporte diferenciado e somente após o apito final do árbitro que podemos falar alguma coisa. Um grande clássico pode ter uma grande arbitragem e uma péssima exibição dos craques, ou vice-versa…

9 – Em uma entrevista dada ao globoesporte.com, você afirmou que os árbitros que tivessem atuações desastrosas voltariam  para a escolinha. Isso aconteceu? Cite um exemplo.

R – Os árbitros não voltaram para a “escolinha”. Disse e afirmo que o árbitro não pode é ficar parado. Ele precisa receber mais treinamentos dos Instrutores e continuar atuando. Como estamos num regime profissional, é necessário que os árbitros tenham sempre uma atuação regular e, se cometerem equivocos, devem ser responsabilizados na medida correta. Mesmo porque o afastamento significa que o profissional da arbitragem não vai receber, ao contrário do goleiro que toma um “frango” ou do craque que perde um gol feito. A CA-CBF não gosta, também, de divulgar “punições” à árbitros, mas, em determinados momentos, a realidade é dura e deve ser encarada sempre com a verdade. O jogador que não tem regularidade não tem seu contrato renovado; o árbitro não é diferente, só que perde escalas e sua carreira fica estagnada. Tem árbitro com muitos anos de CBF e não avança. A comissão se baseia nas informações oriundas ds Federações.

10 – Por que é que existe uma grande diferença entre a arbitragem da Libertadores e a do Campeonato Brasileiro?

R – A orientação de cada país e de cada comissão difere muito. Em alguns países, o jogo não tem tantas paralisações e, em outros, se tem a cultura de marcar muitas faltas. O mais importante é preparar os árbitros conforme a entidade maior (FIFA) determina e treinar muito para que todos tenham procedimentos parecidos. Por isto, a CBF, por meio da comissão e da EBF, solicitou o Curso de Instrutores da Fifa realizada em novembro, na Granja do Comary. Treinamos um instrutor de cada estado atualizado, com o dever de repassar a mesma mensagem em todos os estados. Esperamos que, no próximo Brasileirão, tenhamos uma uniformidade maior no posicionamento, na forma de exibir os cartões, na utilização dos sinais e do apito que, somados à personalidade de cada um, tragam resultados melhores do que tivemos em 2007.

continua…..

 

Edison Massa, de Bauru

Foi dentista, jogador do BAC, árbitro de futebol (FPF / CBF) e secretário municipal de esportes em Bauru.

Vamos ler uma entrevista e relembrar uma homenagem feita a um ex-árbitro de futebol. Ambas separadas por 7 anos (2007 e 2014): 

Começamos pela Homenagem, de 27 de março de 2014 ao ex-árbitro Edison Massa, sócio do Baur Tênis Clube – BTC, há mais de 50 anos, casado com Maria Antônia de Marco Massa há quase 60, e pai de três filhos, Lilian, Silvio Carlos e Luiz Cláudio, além de avô de sete netos.

Neste dia, Edison Massa esteve em campo do BTC, jogando no time que foi campeão no primeiro campeonato de futebol de campo do BTC, pelo “Corinthians”, em 1977, mesmo ano do título inesquecível da equipe Alvinegra profissional, que encerrou um jejum de 23 anos sem conquistas.

Sua passagem como jogador teve início aos 16 anos de idade, como zagueiro, no XV de Jaú, depois passou por Ferroviária de Araraquara, Rio Claro e encerrou sua carreira no Bauru Atlético Clube (BAC).

“Naquela época, pedi dispensa do XV para fazer a faculdade de odontologia em Araraquara, aí o treinador da equipe da Ferroviária, que já me conhecia de Jaú, acertou minha transferência para defender as cores da equipe de Araraquara. E a partir daí conciliei os estudos com o futebol profissional. Mais tarde, continuei atuando nos gramados e no consultório que eu montei. Depois fui pra Rio Claro e depois Bauru”, lembrou Edison massa.

Após pendurar as chuteiras, aos 35 anos, Edison Massa fez o curso de arbitragem e apitou partidas importantes durante os 15 anos em que atuou pela FPF e CBF, novamente, conciliando com a odontologia.

Entre tantos jogos arbitrados por ele, Massa lembra com carinho os seus preferidos. “Apitei um Corinthians e Ponte Preta em 1974, pelo Campeonato Paulista. A pressão em cima do time Alvinegro na época era muito grande, mas ambas as equipes elogiaram o meu desempenho. Tive o prazer de ouvir o então folclórico presidente Vicente Matheus falando bem do meu trabalho em uma rádio. Outros jogos inesquecíveis, claro, foram do Santos de Pelé. Em um deles, inclusive, contra a Francana, no estádio da Ponte, no final dos anos 70, que anunciavam a despedida do rei”, disse Edison Massa.

Para o ex-árbitro, uma emoção maior veio em 1º de janeiro de 1978, numa época de crise e conflitos internacionais, quando ele apito um amistoso entre as seleções de França e Paraguai e ouviu o hino Francês. “Eu achei aquilo lindo e até chorei. Eu só tinha que agradecer pelo que estava conquistando”, comentou Massa.

A partida internacional, que era uma preparação francesa para a Copa de 1978 na Argentina, terminou em 1 a 1.

Texto e fotos: Bruno Freitas/BTC

Massa foi zagueiro, árbitro de futebol e dentista

Massa foi zagueiro, árbitro de futebol e dentista.


Agora uma entrevista publicada em 1 de julho de 2007, o jornalista Gustavo Cândido entrevistou Edison Massa que foi dentista, jogador do BAC, árbitro de futebol da FPF, CBF e secretário municipal de esportes em sua cidade. Ele respira futebol há mais de 50 anos, sem dúvida uma vida entre 4 linhas.

 

Atualmente, aposentado, Edison Massa foi dentista durante toda vida adulta. A profissão, porém, se tornou um detalhe quando comparada à sua atuação dentro dos gramados desde os 15 anos de idade.

Como jogador, ganhou inúmeros campeonatos amadores em Bauru e região e atuou profissionalmente pelo XV de Jaú e Ferroviária de Araraquara, encerrando a carreira no Bauru Atlético Clube (BAC). Mal teve tempo de pendurar as chuteiras, passou a integrar o quadro de árbitros da Federação Paulista de Futebol (FPF) e mais tarde da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sendo até hoje o único árbitro de Bauru a apitar o Campeonato Brasileiro.

Nos 15 anos em que apitou e atuou como auxiliar, esteve em todos os grandes estádios do País e conheceu os maiores jogadores do seu tempo. Quando parou, ainda ministrou cursos de arbitragem pela federação e foi diretor de futebol da Secretaria Municipal de Esportes na década de 90, realizando um campeonato com 3 mil jogadores de 11 a 19 anos do qual participaram os hoje profissionais Richarlyson e seu irmão Alecssandro, Bruno Carnelossi e Fernando Henrique. Anos mais tarde foi titular da secretaria por um curto período.

Na última semana, o ex-zagueiro recebeu o JC para um bate-papo sobre sua vida. Em duas horas de entrevista, Massa surpreendeu pela memória prodigiosa, capaz de lembrar de detalhes de jogos ocorridos há mais de 30 anos. Confira os melhores trechos.

Jornal da Cidade – Como foi o seu primeiro contato com o futebol?

Edison Massa – Comecei a jogar com 15 anos, ainda morava em Pederneiras, onde o meu pai trabalhava na Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Lá eu jogava no campeonato amador regional. Com 17 anos fui estudar em Jaú para fazer o científico e joguei um campeonato no qual o meu colégio foi campeão. Alguns jogadores do outro time eram do juvenil do XV de Jaú e eles me levaram para o time. Com 18 anos eu estava no XV e fiquei lá até terminar o científico. Daí fiz vestibular para odontologia em Araraquara, passei e fui morar lá. No dia em que fui fazer matrícula encontrei o Armando Renganeschi, um ex-jogador argentino que tinha sido técnico do XV e ele disse que estava trabalhando na Ferroviária e quis me levar para o time. Eu ainda tinha o passe preso ao XV e ele disse que resolveria isso. Foi lá, falou com eles e eu fiquei três anos jogando pela Ferroviária e estudando odontologia com tudo pago pelo time. Não continuei lá porque quando me formei, aos 22 anos, meu pai propôs para o Sindicato dos Ferroviários um convênio de odontologia e eu vim para Bauru que, na época, tinha muito menos dentistas do que Araraquara. Nesse período só trabalhava, de manhã, de tarde e de noite e não disputava nada. Foi nessa época que casei também.

JC – Como o senhor voltou aos gramados?

Massa – O Sambra me convidou para disputar um campeonato amador e fomos campeões invictos. Fomos os últimos campeões invictos de Bauru, em 1959. Daí todo mundo veio atrás de mim. Joguei em Piratininga, comecei a jogar futebol de salão também. Um dia estava jogando à noite na Panela de Pressão quando apareceu um cara de uma usina de açúcar de Dois Córregos chamada Santa Adelaide que precisava de um zagueiro e eu havia sido indicado. Ele me convidou para jogar lá, mas eu disse que não podia porque era dentista, casado, tinha filha pequena… Ele insistiu e disse para eu fazer uma proposta. Pedi um prazo para pensar, fui ao Noroeste e perguntei quem era o jogador que ganhava mais. O cara que mais ganhava era o Leal, que tinha vindo do São Paulo e ganhava 16 mil cruzeiros na época. Eu pensei em pedir o mesmo para o cara da usina com a certeza de que ele recusaria. Ele veio, eu fiz a proposta de 16 mil, mais 2 mil para cada treino que tivesse que fazer porque teria que fechar o consultório… Ele concordou com tudo e eu saí ganhando 30 mil cruzeiros, quase o dobro do que o Leal, que era profissional, ganhava. Fomos campeões por dois anos lá, quase não perdemos jogos. Por exemplo, jogamos com o campeão de Bauru naquele ano, o Tilibra, e ganhamos de 10 a 1. Quando o time da usina fechou, vim para o BAC, onde fiquei três anos.

JC – O senhor apitou jogos do Noroeste?

Massa
– Eu não era escalado porque morava em Bauru. Quando eu comecei havia um tremendo mal-estar na Federação Paulista. Eles mandaram 200 juízes embora porque achavam que havia corrupção, então organizaram uma escola de arbitragem para formar novos juízes e foi aí que entrei. Até aquela época todos os juízes eram de São Paulo, não havia ninguém do Interior. Com a entrada dos novos árbitros eles passaram a não escalar quem morava na cidade de origem do time, tanto que em 15 anos, apitei fora de casa todos os domingos. Na Federação Paulista eles me escalavam mais para os jogos nas cidades do Interior porque eram mais próximas e eu, como tinha consultório, não podia, por exemplo, apitar um jogo na quarta-feira e outro no domingo em São Paulo. Apesar de já ter acontecido, quando eu já apitava para a CBF, de trabalhar em um jogo na quarta-feira à noite em Recife e na quinta à tarde estar de volta em Bauru para atender um paciente. Nesse dia peguei três vôos para chegar a tempo. Várias vezes tive que fazer isso. Durante todo o tempo em que fui árbitro continuei trabalhando como dentista, foi uma jornada dupla, eu não tinha final de semana. Praticamente não passei nenhum domingo com o meu filho mais novo, que tinha 3 anos quando comecei a apitar. A gente só ficava junto nas férias, quando íamos para praia.

JC – Então o senhor nunca apitou um jogo do Noroeste?

Massa – Apitei um ou dois jogos, mas não eram oficiais, eram amistosos, eu não era nomeado pela federação. Nem via os jogos do Noroeste porque estava sempre fora. Só quando havia folga eu podia ir ao estádio.

JC – O senhor torce para o Corinthians. Apitar um jogo do time do coração era mais complicado?

Massa – Durante 15 anos consegui ficar totalmente isento disso. Nunca me preocupei se o time estava bem classificado ou não, se ia ganhar ou não. Acima de qualquer coisa há a honra da pessoa, então eu me policiava, tanto que apitei uns 20 jogos do Corinthians e o time mais perdeu ou empatou do que ganhou comigo apitando. Em pelo menos três jogos, tudo indicava que o Corinthians ganharia e perdeu. E não houve reclamações.

JC – Para o senhor, qual foi o jogo mais importante entre todos nos quais atuou?

Massa – Foi um Corinthians e Ponte Preta, em 1974, no Parque São Jorge. Fazia muito tempo que o Corinthians não era campeão e no sábado que antecedeu o jogo, o Corinthians jogou e houve um pênalti a favor que não existiu. Naquela época não havia essa coisa de repetir uma imagem 100 vezes na televisão. Então começou aquela conversa de que o campeonato estava arranjado para o Corinthians ganhar. Os dois times estavam empatados na tabela naquele momento e vetaram os nomes de muitos juízes até que eu fui escolhido e os dois aceitaram. Lembro que o jornal daquele dia trouxe: “Massa, um desconhecido vai apitar o jogo do Corinthians”, como quem diz: “a federação já escalou um cara para ganhar o jogo para o Corinthians”. Entrei tranqüilo, apitei tudo o que tinha que apitar e foi tudo certinho. O Corinthians perdeu de 1 a 0. Um gol de fora da área do Valtinho, meia-direita. O Ado era o goleiro corintiano. Não deram um pontapé, facilitaram o jogo. No dia seguinte todos elogiaram a arbitragem, até o presidente do Corinthians. Fui salvo. Se eu tivesse cometido um erro e o Corinthians, tivesse vencido, iam dizer que eu tinha ajudado. Se tivesse errado contra o Corinthians eu apanhava… Foram 16 mil pagantes naquele campo pequeno. Também atuei como auxiliar – naquela época não havia bandeirinha como hoje, eram três árbitros e dois atuavam como auxiliares com as bandeiras vermelha e amarela – em um jogo que até hoje é o maior público pagante no Campeonato Paulista. Foi um Corinthians e Santos em 1979, com 116 mil pagantes.

JC – Algum fato inusitado durante os 15 anos de arbitragem?

Massa – Uma vez estava apitando um jogo em João Pessoa entre Botafogo da Paraíba e Bahia, que era o time mais famoso. Estava 1 a 0 para o Botafogo, 30 minutos de jogo, quando apagaram as luzes dos refletores e elas não voltaram mais. Não podia ser um golpe deles porque eles estavam ganhando e realmente, mais tarde, viu-se que houve um estouro lá no quarteirão que deixou todo mundo sem luz. Eles tiveram que jogar de novo com o placar começando no zero a zero, era a regra do campeonato. Um mês depois eles marcaram outro jogo e eu fui lá de novo. Dessa vez o Bahia ganhou de 2 a 1. Fui jantar depois do jogo com os auxiliares e um cara apareceu e disse: “foi o senhor que apitou o jogo”. Disse que sim e ele falou: “sorte sua que você apitou certo, senão ia levar uma surra aqui”. Na volta, peguei o avião e a delegação do Bahia estava junto. Eles tinham um macumbeiro e esse cara me reconheceu. “Você que apitou o jogo? Sorte que o Bahia ganhou, senão sua vida estava ferrada”, ele disse. Outra vez aconteceu de acabar a luz em um jogo entre o Ceub de Brasília e o Vitória da Bahia, mas nesse caso acho que foi de propósito. O jogo estava 1 a 0 para o Ceub, que jogava em casa e naquele ano a regra tinha mudado e o resultado do jogo prevaleceria se faltassem 15 minutos ou menos para acabar a partida. Quando faltavam cinco minutos para terminar teve um escanteio para o Vitória. A luz apagou e não voltou mais. O engraçado é que os jogadores do Vitória não sabiam da mudança da regra e achavam que ia haver outro jogo.

JC – E o Pelé? O senhor o conhecia daqui?

Massa – Não o conheci em Bauru mas era amigo do pai dele, o Dondinho, que era um cara sensacional. Apitei jogos do Pelé. Como jogador, o Pelé é inigualável, nunca vai aparecer um igual. Quando aparece um perdido por aí que nunca viu o Pelé jogar e começa a compará-lo com algum jogador da atualidade eu lembro que o Pelé fez mais de 1.000 gols, foi bicampeão mundial de clubes, tricampeão pela Seleção… Para fazer outro tipo de comparação é preciso ver se o jogador chuta com os dois pés, faz gol de cabeça, tem pique em 100 metros rasos e no ombro a ombro consegue ficar em pé. O Pelé era assim. O Maradona, que vivem falando, nunca marcou um gol de pé direito, não sabia cabecear, marcou só 300 gols…

JC – Quem foi o melhor árbitro que o senhor viu atuar?

Massa – O melhor, em matéria de técnica, foi o Romualdo Arppi Filho. Ele tinha 1,60m, era magrinho e nunca se impôs pela violência, mas pela técnica. Ele teve um período ruim, tinha fama de juiz que fazia empate, mas depois voltou e estraçalhou. Ele acertava 80%, 90% das jogadas. E se impunha pela técnica, diferente de muitos juízes que não apitam nada mas são truculentos, o jogador fica com medo. O Romualdo era perfeito, tanto que apitou a final da Copa do Mundo de 1986.

JC – Os árbitros atuais são melhores ou piores do que os da sua época?

Massa – Hoje os juízes são mal orientados, eles aprendem as regras mas não sabem interpretá-las. Aprendem a teoria e na prática não sabem aplicá-las direito. Acho que a arbitragem piorou quando abaixaram o limite de idade. Antes o cara jogava de futebol, parava de jogar e virava árbitro com uma certa experiência, sabendo toda a malandragem que existe dentro de campo. Sem experiência leva uns dez anos para você apitar e passar por tudo o que pode acontecer em um jogo de futebol. Então hoje o cara entra, aprende a teoria e depois não sabe o que fazer, cada hora apita de um jeito. Hoje em dia faltam pessoas habilitadas para serem diretores de árbitros, pessoas que sabem apontar onde o cara acertou ou errou sem se deixar levar pelo que diz a televisão, a mídia.

JC – O que o senhor mudaria no futebol hoje em dia?

Massa – A única coisa das regras de futebol que teria que ser mexida era o tamanho da trave. As regras do futebol têm 150 anos. Naquela época, um cara com 1,80m jogava basquete. Hoje a trave continua tendo 2,44m e os goleiros pulam isso fácil com um salto. Antigamente um goleiro não podia fechar um gol, hoje os goleiros têm, no mínimo, 1,90m. Leão, um dos melhores goleiros que já tivemos, tinha 1,80m, o Gilmar dos Santos Neves, para mim o melhor de todos, também tinha 1,80m e chamavam ele de girafa. O pessoal diz que é para tirar o impedimento mas se isso acontecer, vão escalar um centroavante para ficar na frente do goleiro o tempo todo, atrapalhando. O futebol acaba. Acaba o meio de campo, a jogada bonita. A solução é aumentar o tamanho das traves. Todo mundo quer ver gol, não quer? Então, como ver gol com uma trave de 150 anos?


Perfil
Nome completo: Edison Massa
Local de nascimento: Itirapina (SP)
Idade: 72 anos
Esposa: Maria Antônia De Marco Massa
Filhos: Lilian (48 anos), Silvio Carlos (46 anos) e Luiz Cláudio (41 anos)
Hobby: “Futebol, ainda jogo e vejo pela televisão. Jogo o society e digo que o tempo do futebol competitivo já passou, agora jogo o futebol recreativo, vou lá para dar uma risada. Quando eu jogava era meio ‘encardido’, não gostava de perder”
Livro de cabeceira: “Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec
Filme preferido: “Suplício de uma Saudade” (de Henry King), com William Holden e Jennifer Jones. “O filme tem uma música famosa,‘Love is a many splendoured thing’. De um modo geral gosto de comédias musicais e filmes românticos”
Estilo musical predileto: “Gosto mais de música instrumental, especialmente de orquestra. Sou fã das orquestras americanas do Glenn Miller, Harry James, Ray Conniff”
Times de coração: Corinthians
Daria nota 10: “Minha esposa, por agüentar todos esses finais de semana que eu passei fora”
Daria nota 0: “Ninguém, pelo menos um zero o cara tira”.


Vamos em frente e até a próxima!


Referências:

(1) http://www.btc.com.br

(2) site www.jcnet.com.br

 

Um árbitro marcante!

Foi árbitro da antiga CBD e da FPF – PR. Atuou entre as décadas de 50 e 60.

Saiba um pouco mais de um heróis do apito nacional.

Ele ganhou o apelido de “Rei da Cumbuca”, porque seu nome sempre saía no sorteios que escolhiam os juízes.

Vejam só: naquela época já tinha sorteio de árbitros!

Sem dúvida nenhuma manter viva o nome dos heróis do esporte mais popular do Brasil é algo que merece ser sempre exaltado. O jornalista Milton Neves faz isto muito bem e tenho a satisfação de reproduzir os que lembram dos árbitros.

Hoje vamos conhecer uma gota histórica do marcante árbitro Genésio Chimento, que atuou entre as décadas de 50 / 60.

Genéiso deixou este mundo no dia 17 de novembro de 2011, na cidade de Londrina, vítima de uma parada cardíaca.

Aqui nossa homenagem a um dos heróis do apito no Brasil. Antes, a arbitragem não tinha o apoio de hoje. E muito menos segurança!


Ainda sobre Genésio, veja e-mail enviado pelo neto dele, o querido Marcelo Vieira Teixeira.

“De: Marcelo Vieira Teixeira 
Enviada em: domingo, 8 de fevereiro de 2009 19:15
Para: redacao@terceirotempo.com.br
Assunto: árbitro do paraná e do brasil nos nos 60

O paranaense Genésio Chimento, hoje com 74 anos (e-mail de 8 de fevereiro de 2009), natural de Sertanópolis, mas radicado em Londrina, atuou como árbitro futebolístico pela Confederação Brasileira de Desportos, a CBD, entre as décadas de 50 e 60, sendo inclusive intitulado como melhor árbitro do ano em 1966 pela “Tribuna do Paraná.

Seus filhos e netos conseguem hoje acompanhar alguns trechos de sua bonita história graças aos recortes de jornais guardados em um álbum cuidadosamente elaborado por sua esposa, Antonia Chimento, do qual se orgulha muito.

Apitou nos campeonatos paranaense e brasileiro, esbarrando nas dificuldades iminentes da época, como os jogos sem proteção da polícia e o temido coronelismo, dos quais se recorda ainda hoje, e cita que sempre combatia os jogos violentos com pulso firme e decisões inteligentes e honestas.

Tanto que, segundo a imprensa daquela época, suas arbitragens eram consideradas excelentes, conduzindo o jogo de maneira firme e competente.

Hoje, acompanha diariamente as partidas de futebol pelo rádio, televisão e, sempre que possível, vai ao campo de futebol.

Segue amando esse esporte, comentando e analisando as arbitragens atuais, e torcendo pelo querido Tubarão (Londrina) e o grande Tricolor Paulista (São Paulo) que são os seus times do coração.

Abraços,

Marcelo Vieira Teixeira


 

No obituário da Folha de S. Paulo, Estêvão Bertoni, publicou o que se segue do grande árbitro Genésio Chimento:

Genésio Chimentão (1934-2011) – O melhor árbitro do PR em 1966

Antes que o relógio marcasse um minuto completo, Genésio Chimentão assoprou o apito para iniciar a partida.

O jogo estava atrasado, e o público, nervoso com a espera. Mesmo assim, o protocolo teve de ser cumprido em memória de uma autoridade que morrera na véspera.

Mas foi só a bola rolar que um grito partiu das arquibancadas: “Juiz ladrão. Roubando até no minuto de silêncio”.

Manifestações como essa Genésio acostumou-se a ouvir nos tempos de árbitro no Paraná, nos anos 50 e 60.

Saído de Sertanópolis (PR) ainda pequeno, cresceu em Londrina, onde começou a vida profissional como alfaiate. Por cerca de 16 anos, manteve um negócio no ramo.

Já apitava um ou outro jogo até que, um dia, decidiu se profissionalizar. Passou a fazer muitos jogos pelo Estado e abandonou a alfaiataria.

Em 1966, foi escolhido por um jornal como o melhor árbitro do PR. Chegou a receber convite da federação mineira para apitar por lá, mas não quis sair de perto da família.

Genésio ganhou o apelido de Rei da Cumbuca, porque seu nome sempre saía no sorteios que escolhiam os juízes.

Sua mulher, Antônia, recortava tudo que saía sobre o marido nos jornais e fez um álbum. A família guarda o primeiro apito e as chuteiras que ele usava e tem o projeto de fazer um livro sobre o árbitro.

Depois de pendurar o apito, deu aulas em cursos de juízes de futebol e trabalhou como vendedor de bebidas.

Nos jogos que via com a família, era uma espécie de comentarista de arbitragem.

Morreu na quinta (17/11/2011), aos 76, após uma parada cardíaca. Teve três filhos e cinco netos.


Vamos em frente e até qualquer momento!


Fonte: Terceiro Tempo

 

 

Anacleto Pietrobom, o Valussi

Um dos melhores juízes de futebol de seu tempo, apitou grandes jogos do futebol nacional!

Aproveitando o portal Terceiro Tempo, não poderia deixar de detalhar um pouco um breve resumo de Valussi…..
O histórico ex-árbitro Anacleto Pietrobom, o Valussi, morreu no Hospital do Ypiranga na manhã do dia 29 de junho de 2012, na cidade de São Paulo. Ele tinha 89 anos de idade e deixou esposa, duas filhas, Eliana e Elaine, e dois netos, Isabela e Felipe.
Um dos melhores juízes de futebol de seu tempo, o paulistano da Vila Maria Zélia, na zona norte da capital, apitou grandes jogos do futebol nacional. Entre suas decisões mais importantes está o terceiro jogo da final do Campeonato Paulista de 1959, vencido pelo Palmeiras por 2 a 1 diante do Santos.
O texto abaixo foi enviado por Isabella Daelli (foto em destaque), neta do Valussi. quando seu avô ainda era vivo. Muito obrigado, Isabella!
“Anacleto Pietrobom, o Valussi, nasceu no dia 9 de julho de 1923, na Vila Maria Zélia, zona norte de São Paulo. Seu irmão, Danete Pietrobom, era técnico de futebol do time da garotada da Vila, do qual Anacleto fazia parte.
Certo dia, um componente da diretoria do Corinthains foi assistir ao jogo dos garotos. Ele gostou tanto da habilidade do time que os convidou para jogar no Parque São Jorge.
Foi assim que, aos 11 anos de idade, Anacleto ingressou no time juvenil do Corinthians. Depois disso, passou a aspirante até chegar ao profissional (jogou no Timão de 1943 a 49, atuou em 18 partidas – 11 vitórias, 2 empates, 5 derrotas – e não marcou nenhum gol). Era conhecido como o zagueiro Valussi (o apelido veio de um defensor argentino chamado Valussi).
Anacleto jogou também pela Portuguesa e encerrou a carreira no Juventus, em 1952, quando por causa de uma distensão muscular não pôde mais jogar.
Foi então que resolveu tentar a carreira de árbitro. Em 1955, ele fez um curso profissionalizante e iniciou como bandeirinha em jogos inferiores até chegar ao posto de melhor árbitro do Brasil por três anos consecutivos.
Valussi apitou até os 45 anos, quando a lei dos 45 o impediu de atuar. Ele dizia que quando não pudesse mais continuar como árbitro, seria comentarista de rádio ou representante de algum clube, porém por motivos pessoais acabou se afastando do esporte. Começou a trabalhar na Cibramar e saiu de lá apenas ao se aposentar, há 10 anos.
No ano de 1949, Anacleto se casou com Ruth Natal Pietrobom e foi morar no bairro do Belém, zona leste de São Paulo. Teve duas filhas, Eliana e Elaine e dois netos, Felipe e Isabella, provenientes do casamento de Elaine.
Em 1972, mudou-se para o Itaim Bibi, zona sul da capital paulista, onde mora até hoje com a mulher e a filha mais velha. Atualmente, Valussi pode ser encontrado todas as manhãs praticando Tai Chi Chuan, no Parque do Ibirapuera. Seu interesse pelo futebol nunca desapareceu, continua a assistir a todos os jogos que passam na televisão.
Uma das partidas mais marcantes que Valussi foi árbitro aconteceu em 1959, quando ele trabalhou no jogo em que o Palmeiras venceu o Santos, de virada, por 2 a 1, gols Julinho e Romero (de falta), para o Palmeiras, e Pelé, para o Santos.”
Temos tantos árbitros para destacar que não vai faltar assunto….
Vamos em frente!