A arbitragem melhorou com o VAR

https://veja.abril.com.br/placar/relatorio-da-cbf-confirma-a-arbitragem-brasileira-melhorou-com-o-var/

Relatório da CBF confirma: a arbitragem brasileira melhorou com o VAR

Dados divulgados pelo chefe da Comissão de Arbitragem mostram que o índice de acerto dos juízes subiu em relação ao ano passado, graças ao árbitro de vídeo

Um dos protagonistas do Campeonato Brasileiro até a parada para a realização da Copa América, o árbitro de vídeo causou estranheza nas primeiras nove rodadas da competição. O público que assiste futebol pela TV ou frequenta os estádios por aqui ainda não se acostumou com o tempo que os árbitros levam para rever as decisões com o auxílio do VAR – a demora, inclusive, é algo que se repetiu na Copa América disputada no país. Apesar das críticas e dos problemas – que voltaram a acontecer na noite desta quarta-feira pela Copa do Brasil –, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou um balanço parcial no qual ficam evidentes os benefícios da adoção da tecnologia no futebol nacional.

Leonardo Gaciba, presidente da comissão de arbitragem da CBF, apresentou um relatório sobre a utilização do VAR na Comissão do Esporte da Câmara a pedido de um ex-colega de apito. A audiência pública foi solicitada pelo ex-árbitro e deputado paranaense Evandro Rogério Roman (PSD-PR). É bom deixar claro que os políticos brasileiros não têm qualquer autoridade para alterar as regras do futebol. Roman teve protagonismo em sua carreira de juiz, atuando em jogos da primeira divisão nacional e em disputas internacionais na década passada.

Pelos números apresentados por Gaciba, tudo vai bem. Nos primeiros 89 jogos do Campeonato Brasileiro, 40 erros foram corrigidos por intervenção do VAR. O índice de acerto da arbitragem nos lances passíveis de uso da tecnologia (gols, expulsões, pênaltis e erros de identificação) subiu de 57,4% (dados de 2018, quando a tecnologia ainda não era utilizada) para 97,1% nas primeiras nove rodadas do Brasileirão 2019. Só nas situações de penalidades, os árbitros registraram até agora 91,4% de acerto (era de 57,4% em 2018, sem o VAR). Em relação aos impedimentos, mais uma diferença gritante: 93,4% a 85,7%.

O chefe da arbitragem da CBF projeta que a interação homem-máquina tem margem para evolução e que a utilização do VAR ainda vai melhorar. “A ideia é interferir o mínimo possível. Vamos tentar melhorar um pouco o tempo gasto nas revisões, sem nunca abrir mão da precisão. Mas para poder melhorar a fluência do jogo”, ponderou. Resta saber se os árbitros vão conseguir alcançar o patamar dos europeus e tomar as decisões corretas sem ter que parar a partida por vários minutos.

Futebol mais justo!

CBF EM DEFESA DO VAR: ‘TORNA FUTEBOL MAIS FRIO? SIM. E MAIS JUSTO’

Presidente da Comissão de Arbitragem da entidade, ex-juiz e comentarista Leonardo Gaciba diz que, em 2019, Brasil vai somar o maior número de jogos no mundo com auxílio de árbitros de vídeo

O tom de seriedade e a confiança na voz de Leonardo Gaciba retratam bem a posição que o ex-árbitro assumiu no primeiro semestre deste ano. Aos 48 anos – aposentado dos gramados desde os 39 -, o gaúcho deixou a carreira de comentarista para assumir a presidência da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cargo que ocupa desde o dia 9 de abril.

Além da tarefa de preservar a credibilidade e a confiança do torcedor na arbitragem brasileira, o agora dirigente assumiu uma missão ainda maior: pilotar o projeto do VAR, o árbitro de vídeo. A ferramenta, que tem como mote a redução de erros para promover maior justiça dentro de campo, foi implementada no Campeonato Brasileiro com o início da edição 2019.

“A oportunidade que o Campeonato Brasileiro está dando para a arbitragem é espetacular. Vamos terminar o ano com o maior número de jogos do mundo comandados sob o VAR. É uma oportunidade muito grande de crescimento muito rápido. São dez ou até mesmo vinte jogos por semana que nós temos de experiência”,  analisa ele sobre as nove primeiras rodadas com a arbitragem de vídeo. No total, foram 89 jogos disputados.

Durante a parada do Brasileirão, a Fifa e a Conmebol viveram toda sorte de situações envolvendo a ferramenta na Copa do Mundo Feminina e na Copa América. A competição sul-americana, em especial, sofreu críticas tanto pelo uso excessivo, quanto pela ausência do VAR em determinadas partidas. Segundo o dirigente, a aplicação da ferramenta segue um estilo próprio nos jogos do Campeonato Brasileiro.

“Nós temos uma linha de intervenção um pouco diferente no Brasil, é fácil de observar isso. Procuramos utilizar uma linha mais “alta”, um pouco mais do que foi utilizada na Copa América. Mais para erros fáceis de serem observados pela TV e que não tenham lances interpretativos. São duas linhas de intervenção diferentes, mas as nove primeiras rodadas do Brasileirão mostraram bem qual linha a CBF está tomando.”

Para Gaciba, situações como a da partida entre Inglaterra x Camarões, na Copa do Mundo Feminina, são desnecessárias. No jogo, as camaronesas pediam a revisão de um gol legal das inglesas, revoltadas com a anulação de um lance de gol anterior.

“É um processo muito novo o projeto do árbitro de vídeo. O pessoal já está começando a perceber, aqui no Brasil especificamente, que todos os lances que tiverem relevância na partida vão ser observados pelo árbitro de vídeo. Sem sombra de dúvidas, estão sendo checados. Em especial naquela situação de Camarões, por ser um gol, que faz parte do protocolo e tem que ser checado em todos os detalhes. Então, não há necessidade da intervenção dos atletas, porque é protocolar que isso seja feito.”

Entre desafios logísticos, como a homologação de cada estádio com a Internacional Football Association Board para o uso do do VAR, a Comissão trabalha para previnir problemas como o que ocorreu na semifinal da Copa América, quando a arbitragem de vídeo perdeu a comunicação com o campo de forma momentânea antes da partida.

“Nós não tivemos esse problema ainda. Tivemos alguns menores, mas todos contornados antes do jogo, alguns detalhes. Nós temos um sistema de prevenção. Caso haja algum problema, nós temos um plano B, que é um contato através de walkie talkies, no qual a cabine do árbitro de vídeo pode falar com o árbitro reserva, que continua a comunicação com o árbitro do campo. Não tivemos a necessidade de utilizar em nenhum desses 89 jogos, mas é um processo constante em busca da excelência.”

Embora a experiência com a arbitragem de vídeo tenha sido positiva na maior parte do tempo, o Brasileirão já teve sua primeira grande crise envolvendo o VAR.

Na derrota para o Palmeiras por 1 a 0, um pênalti marcado para os paulistas por meio do vídeo revoltou os dirigentes cariocas, que foram ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pedindo a anulação da partida por um suposto erro de direito, já que o jogo já teria sido reiniciado antes da marcação da penalidade, após revisão, o que não seria permitido. O tribunal manteve o resultado.

– Foi feito o julgamento e houve uma vitória de 9 a 0 de que não houve um erro de direito, um erro para suspender a partida. É um processo novo. O mais interessante de tudo é que o tribunal tenha visto que foi feito justiça dentro do que aconteceu. Isso é o mais importante. Não podemos perder a grande justiça, o objetivo geral do VAR, conseguir enxergar o que o árbitro não enxerga dentro do campo de jogo. Foi o que foi feito naquele jogo. Acho que o julgamento foi justo – analisa Gaciba.

Entre novas turmas de árbitros aptos a utilizar o VAR formadas e um índice de acertos em decisões capitais que chega a 97,1%, segundo balanço da própria entidade, a Comissão de Arbitragem comemora o sucesso do início do projeto no Brasileirão. O grande desafio, agora, explica o presidente, é respeitar a fluência do jogo.

“Nós ainda estamos em um processo muito novo. Essa é a luta constante, dar fluência ao futebol. Seria perfeito se não precisasse da ajuda do VAR, mas em algumas situações a gente precisa. Que a gente consiga ser o mais rápido possível, nunca abrindo mão da precisão que o árbitro de vídeo nos dá. Isso é o mais importante, a precisão. Torna o futebol mais frio? Sim, mas sem dúvida, torna o futebol mais justo.”

VAR ou não VAR?

https://leiemcampo.com.br/seria-o-var-o-problema-ou-o-problema-esta-nas-regras-do-jogo/

SERIA O VAR O PROBLEMA, OU O PROBLEMA ESTÁ NAS REGRAS DO JOGO?

Há quem pense que a vinda do VAR solucionaria todos os problemas do futebol (ou a maioria deles), que seria o fim das polêmicas, com os resultados todos legitimados, e a modalidade só ganharia com isso. Porém, depois de sua implantação, até recente, já é possível encontrar quem seja contra o sistema. Muitas críticas têm sido feitas em âmbito não apenas nacional, mas também mundial.

Realmente têm ocorrido lances polêmicos; o VAR entra ou não em cena? Mas muitas vezes passa a sensação de que acabou não ajudando como deveria.

Recordemos que, segundo o protocolo, o VAR entra em ação em quatro situações: lances de penalidades (foi ou não pênalti, dentro ou fora; na cobrança ocorreu infração, a bola entrou ou não); quando um gol for marcado (houve algum tipo de infração – impedimento, falta; a bola entrou ou não); identificação equivocada de um jogador; e cartão vermelho.

É importante citar que no protocolo ainda consta que sua atuação deve ser em “erros claros e óbvios”, mas na regra 5 encontra-se o seguinte texto: “O árbitro deve tomar as decisões do jogo com o máximo de sua capacidade, de acordo com as regras e o ‘espírito do jogo’, segundo sua opinião. Em razão disso, o árbitro tem poder discricionário para adotar as medidas adequadas para cumprir a essência das regras do jogo”.

A frase “segundo sua opinião” mostra que a regra é interpretativa, pois a opinião de um pode ser diferente da de outro, e de outro, e de outro. 

Dessa forma entram algumas perguntas: tenho como questionar uma imagem, um vídeo, uma foto, ou a minha indagação é sobre a interpretação do árbitro ou da regra?

O que a imagem mostra todos estão vendo. Se há confusão, o problema não está no VAR, ou seja, não é a tecnologia que está ali. Pode ser quem está por detrás dela, pois, se cabe interpretações na regra, as opiniões vão divergir, sim. Nem sempre todos terão a mesma visão e tomada de decisão sobre o lance.

Quão claras são as regras para o VAR interferir somente em “erros claros e óbvios”? As diretrizes recebidas pelos árbitros são únicas ou também originárias de interpretações de instrutores sobre as regras, e essas podem divergir entre si?

Se as regras não são claras muitas vezes, se instrutores opinam e também discordam sobre um mesmo lance com a imagem clara e óbvia, se as diretrizes passadas aos árbitros são distintas, citando as questões em que cabem opiniões, entre o árbitro que está no campo e o árbitro de vídeo podem ocorrer percepções iguais ou não sobre a mesma imagem, e isso pode gerar grande polêmica.

Os critérios precisam se encaixar, as diretrizes serem únicas, a comunicação “emissor – mensagem – receptor” não ser uma “brincadeira” de telefone sem fio, a informação chegar à Europa, América, África, Ásia e Oceania de forma igual, o árbitro do norte não receber informações distintas das do sul. 

O VAR é uma realidade. A tecnologia veio para ajudar, mas os ajustes necessários nas regras e nas diretrizes precisam ser feitos para se chegar a uma maior uniformidade nas tomadas de decisões. 

Porém, enquanto na regra constar “segundo a sua opinião” e houver chances para interpretações, as discussões sobre possíveis erros ou acertos seguirão existindo, com ou sem VAR.

Realmente você acredita que um dia as polêmicas chegarão ao fim? Eu tenho as minhas dúvidas se terão fim, mas acredito que possam diminuir.

E ainda existem outros fatores a serem discutidos: o perfil do árbitro em campo e o de vídeo, a cultura futebolística de cada região, são exemplos do que mais pode interferir e diferenciar uma partida da outra.

De repente tudo isso ajuda a tornar o futebol tão apaixonante.

Vamos debater APP?

O dilema do VAR: o gol do Vasco foi bem anulado ou não?

Confira análise da maior polêmica com o árbitro de vídeo no retorno do Brasileirão pós Copa América

RICARDO RÍMOLI/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

ATUALIZADO 15/07/2019 13:08

O Grêmio venceu o Vasco por 2 x 1 no último sábado (13/07/2019). Poderia ser diferente se a arbitragem não anulasse equivocadamente o golaço de Yago Pikachu do Vasco.

A jogada começou logo após o tiro de saída para o segundo tempo. Nem a arbitragem esperava o ataque tão rápido da equipe cruzmaltina. O árbitro Rodolpho Toski validou o gol, inclusive os jogadores do Grêmio não esboçaram qualquer tipo de reclamação e estavam prontos para cobrar o tiro de saída quando Toski pediu para segurar o prosseguimento do jogo. O VAR estava fazendo a checagem e sugeriu a revisão. Lá foi o árbitro ver a imagem no monitor.

Na fase de ataque, prévia ao gol, Rossi, do Vasco, ao disputar a bola com Matheus Henrique, do Grêmio, colocou a mão no rosto dele. Após a análise, o árbitro anulou o gol, deu amarelo para Rossi e marcou a falta a favor do Grêmio. Esse tipo de lance é totalmente interpretativo. Não é lance para o VAR chamar, afinal, houve uma falta clara? Não. E se o árbitro não viu? Provavelmente foi isso que aconteceu, mas o cenário do jogo mostrou que a decisão de campo foi aceita por todos.

 

Cara Fernanda,

Segue o texto sobre a “POSSE EM FASE DE ATAQUE” (ATTACKING PHASE POSSESSION – APP)

Consultas com os stakeholders de futebol sugerem que o futebol espera que só a fase da jogada que leva a um incidente de gol, penalti / DOGSO seja revisado, ou seja, do ponto onde a equipe atacante obteve posse da bola pela última vez e deu início à fase do jogo que levou ao incidente do gol / penalti.

 

Um princípio fundamental é que até a equipe atacante obter a posse da bola, seus adversários tiveram a possibilidade de jogar a bola e, portanto, qualquer evento despercebido antes da perda da posse da bola poderia ter sido evitado. Este conceito é similar à situação normal em futebol, quando a defesa tem possibilidade de jogar a bola eficazmente, mas tenta jogar curto e a bola é interceptada por um atacante que marca

 

– a defesa tinha posse e poderia ter evitado o erro que levou ao gol.

 

A ‘POSSE EM FASE DE ATAQUE (APP)’ NECESSITA QUE O ÁRBITRO (ASSISTIDO PELO VAR) DETERMINE:

 

* o ponto onde a equipe defensora obteve posse da bola, e então;

* o ponto onde ocorreu a fase da jogada que levou ao início do incidente do gol / penalti.

 

“OBTENDO POSSE”

 

Será considerada que a equipe atacante obtém posse da bola quando:

 

* executa um reinício, ou;

 

* adquire a posse da bola numa jogada aberta (nenhuma das equipes tinha a posse), ou;

 

* adquire a posse da bola quando esta foi perdida pelos adversários

(ou seja, um passe ruim, (clearance = liberação), ou;

 

* adquire a posse como resultado de uma disputa com um adversário.

Não se considera que houve posse clara de bola:

* Uma defesa deliberada, desvio ou rebote, pois não resultam em

controle da bola;

* Um lance em que a bola é jogada ao léu (“clearance”) e não chega a ser controlada por um companheiro de equipe.

Quando uma equipe atacante obtém a posse como resultado de uma infração contra um adversário ou ferindo as Regras do Jogo, o gol ou o tiro penal sob revisão só pode ser anulado se o erro do árbitro foi erro claro ao não punir a infração (ofensa).

Consequentemente, um gol ou um tiro penal só pode ser desmarcado se o árbitro errar claramente ao não punir uma ofensa à Regra 12 e que resultou na posse de bola pela equipe atacante.

Os reinícios não são revistos porque as Regras do Jogo não permitem que uma decisão de reinício seja alterada uma vez que o jogo tenha reiniciado. Os reinícios incorretos não são revisáveis porque não são situações de mudança de rumo da partida e devem ser detectados pelos membros da arbitragem.

O VAR auxiliará o arbitro a estabelecer o APP, mas se a bola sai da visão da câmera, o árbitro e os demais membros da arbitragem tomarão a decisão sobre a posse.

FASE DE ATAQUE

Definir o ponto ou momento a partir de quando a fase de ataque é armada ou se inicia é subjetivo, mas deverão ser considerados os seguintes elementos:

* o ponto ou momento a partir de quando a equipe atacante avançou com a bola em direção da área penal dos adversários; se a equipe atacante teve um longo período de posse retendo a bola’; o momento em que a linha do meio de campo foi ultrapassada (segurar a bola em seu meio campo ou segurar a bola no meio campo do adversário); o ponto onde se inicia uma fase clara de jogadas de avanço / ataque.

Julgar a posse da bola em fase de ataque requer cooperação entre o árbitro e o VAR e, possivelmente, os ARs (e AARs). Este conceito deve ser definido com mais substância durante a fase educativa, usando imagens e simulações em situações de campo.

Nesse contexto, o VAR e o árbitro devem adotar uma abordagem tipo “o que o futebol esperaria”, inclusive para com os princípios e seus conhecimentos e experiências distinguirem entre “negar uma oportunidade obvia de marcar gol” e “evitar um ataque promissor”.

O APP estabelece o ponto inicial para uma fase revisável de jogo, antes de um incidente de gol ou pênalti.

O VAR acabará com a magia do futebol?

Lendo o texto do jornalista Trevisan, a quem respeito, mas não concordo com a afirmativa….
 

* Márcio Trevisan – Não faz muito tempo – cerca de um mês, mais ou menos -, por estes acasos da vida topei no meio da rua com um árbitro pertencente aos quadros da FPF e da CBF, o qual conheci nos tempos em que trabalhei como assessor de Imprensa de todos os apitadores paulistas e cujo nome, por motivos mais do que óbvios, não vou divulgar.

Após os cumprimentos de praxe, é claro que o assunto entre nós foi o tal do VAR, ferrenhamente defendido pelo apitador. Já a minha opinião sobre o dito cujo todos vocês já sabem – e há um bom tempo. Afinal, ele já foi tema central de duas colunas “Papo de Esporte”: uma escrita em setembro de 2017 (http://cliqueabc.com.br/vem-ai-mais-um-campeao-de-audiencia/) e outra publicada em abril de 2019 (http://cliqueabc.com.br/eu-cantei-a-bola-nao-var-adiantar-nada/).

O diálogo que mantivemos sobre o VAR (Video Assistant Referee) foi bastante elucidativo pra mim, e por isso decidi transcrever abaixo algumas das perguntas que fiz ao meu amigo dos tempos do SAFESP e as respostas que ele me deu.

P – O VAR surgiu porque os árbitros atuais são ruins? Pergunto porque há muitos anos não aparece no futebol brasileiro um nome como Dulcídio Wanderley Boschillia, Roberto Nunes Morgado, Romualdo Arppi Filho, Arnaldo Cézar Coelho…

R – Não acho que os árbitros do presente são piores do que os do passado. O que acontece é que o futebol atual é infinitamente mais rápido do que o de antigamente e o número de câmeras que transmitem imagens de um jogo de futebol é 10 vezes maior do que havia há algumas décadas. Com todo o respeito a estes nomes que você citou, e a outros grandes árbitros que fizeram história, na época deles era muito mais fácil apitar, até porque muitos jogos sequer transmissão tinham.

P – Por que existe tanta demora na hora da avaliação de um lance pelo VAR?

R – Porque preferimos demorar e acertar do que nos apressarmos e errarmos. Se tivermos mais monitores e mais câmeras – além, claro, de mais profissionais e treinamento – este tempo irá diminuir. Mas, mesmo que isso não aconteça, a experiência adquirida rodada a rodada, partida a partida, também nos ajudará a diminuir este tempo, que realmente está muito longo.

P – Mas se é um mecanismo criado para impedir erros do árbitro de campo, por que o VAR erra?

R – Porque ele é manuseado por seres humanos, e seres humanos são falíveis. Mas isso tem um jeito de acabar: como eu disse, basta nos darem mais câmeras, mais monitores e mais profissionais devidamente treinados. Se isso acontecer, dificilmente erros acontecerão.

P – Muitas pessoas, e dentre elas este jornalista, dizem que o VAR acaba com a magia do futebol, pois o jogador, o torcedor, comemora um gol e, depois, a jogada pode ser anulada. Ou, então, o árbitro de campo marca um pênalti, por exemplo, e depois volta atrás em sua decisão. Ou seja: é o anticlímax total.

R – Isso não tem como evitar. Todos os lances capitais são avaliados. Se o atleta marca um gol ele e a sua torcida logo começam a comemorar, mas simultaneamente os árbitros de vídeo estão analisando tudo para ver se não houve alguma irregularidade. Se algo de ilegal aconteceu, infelizmente a festa terá sido em vão.

P – Eu já percebi que alguns árbitros de campo estão deixando as principais decisões para o VAR. Como evitar que isso aconteça?

R – A gente também já percebeu isso. O cara acha que dando uma de esperto vai se sair bem, mas não vai, não. Aliás, alguns já foram chamados para uma conversa bem franca com o Leonardo Gaciba, que é o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF. Pode anotar: árbitro que quiser fugir da responsabilidade vai ficar fora das escalas. Simples assim.

P – Você acredita que o VAR veio pra ficar? Ou diante das críticas cada vez mais fortes por parte da Imprensa, de jogadores, treinadores e da torcida poderá ser deixado de lado?

R – O VAR não tem volta. Pode anotar: muito em breve ele estará presente em todas as principais ligas do mundo – até na Copa do Mundo já foi utilizado! É claro que serão necessários aperfeiçoamentos, o tempo das decisões terá de diminuir drasticamente, o índice de acerto terá de ser muito próximo a 100%, etc. Mas a partir de agora será impossível se pensar em futebol sem esta nova tecnologia.

* Em Tempo: apesar de todas estas respostas, a opinião deste colunista sobre o VAR continua a mesma.

 

Caro Trevisan,

O VAR veio para proporcionar mais uma oportunidade ao árbitro de poder revisar uma decisão que, por diversas questões (velocidade, impossibilidade humana, muita tecnologia) um ser humano não consegue a perfeição.

Questão de protocolo…

O árbitro de vídeo na berlinda, uma questão de protocolo…

Por: Gilmar Ferreira em 

 

Junte numa só equipe de arbitragem o apitador Rodolpho Toski Marques, colecionador de equívocos em jogos de Santos, Bahia, Fluminense e Corinthians;

O auxiliar de vídeo Paulo Roberto Alves Júnior, árbitro do último Palmeiras e Botafogo, cujo resultado foi homologado no tribunal;

E a observadora de VAR, Ana Paula Oliveira, ex-bandeira que encerrou a carreira em meio a inúmeras críticas quanto a erros primários em lances capitais.

Pronto: já se tem o suficiente para uma arbitragem conturbada.

O trio fez parte da equipe de arbitragem da partida entre Grêmio e Vasco, disputado na Arena, em Porto Alegre, e os queixosos da vez foram os vascaínos.

A anulação do que seria um 2 a 0 a favor do time carioca, por sugestão da equipe do VAR, traz polêmica onde deveria haver luz.

E a cada vez que se erra no uso dos recursos das imagens de vídeo para interpretação de lances faltosos, culpa-se a tecnologia.

O que é muito ruim para a consolidação da modernidade nos jogos de futebol aqui no Brasil.

Da cabine do VAR, Paulo Roberto Alves, chamou atenção para disputa de bola entre Rossi e Mathes Henrique no início da jogada, e Toski Marques avaliou mal.

Interpretou falta num lance em que a mão do atacante vascaíno, num movimento de braços, roçou os olhos do meia gremista, que chegou a parar por segundos.

Uma disputa de espaço, que o árbitro viu e não considerou falta, tal como próprios gremistas, que sequer reclamaram.

Ao contrário: seguiram no lance, lamentaram entre eles o cochilo na marcação e dariam a saída se Toski Marques não sinalizasse à espera pelo VAR.

A discussão aqui não é sobre o jogo, sobre o placar ou sobre o impacto que a intervenção equivocada do VAR teve sobre a dinâmica do duelo.

O uso do olha tecnológico nos jogos de futebol não foi instituído para subsitituir a leitura dos árbitros de campo.

E por isso a Fifa se preocupou em criar um protocolo antes de aprovar sua implementação.

Já não é a primeira vez que Rodolpho Toski Marques e Paulo Roberto Alves tentam subverter as recomendações da CBF.

Pois o capítulo 5.1.9 do protocolo distruibuido aos árbitros é bem claro, onde fala sobre ‘quais princípios deverá o árbitro seguir durante a revisão’.

Um dos tópicos diz que uma decisão de campo só pode ser alterada se as imagens mostrarem um ‘erro claro’ ou ofensa/incidente grave não percebido.

E grifa que não se trata de avaliar se ‘a decisão foi correta?’, mas ‘a decisão foi claramente errada?’

Isso quer dizer que a interpretação do árbitro Toski Marques na disputa de bola entre Rossi e Matheus Henrique não deveria ter sido revisada.

Justamente por não ter sido uma ‘decisão claramente errada’, como recomenda o protocolo.

O que se fez foi revisar a ‘interpretação’, ato que o documento instrui a não fazer.

Pior: além de anular o lance por essa nova interpretação, ainda decidiu aplicar cartão amarelo no atacante vascaíno.

Enfim, a mostra clara do descumprimento de protocolo exige que a CBF recicle os árbitros.

Sob risco de completa desmoralização do olhar técnológico.

 

https://extra.globo.com/esporte/gilmar-ferreira/o-arbitro-de-video-na-berlinda-uma-questao-de-protocolo-23807438.html

Trio de arbitragem será o Brasil na semifinal da Copa do Mundo Feminina

https://www.cbf.com.br/a-cbf/informes/arbitragem/trio-de-arbitragem-sera-o-brasil-na-semifinal-da-copa-do-mundo-feminino

01/07/2019 às 18:17 | Assessoria CBF

Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, exaltou escolha do trio brasileiro para comandar o jogo entre Estados Unidos e Inglaterra, em Lyon

Trio brasileiro de arbitragem será o Brasil na semifinal da Copa do Mundo - Edina Alves, Neuza Back e Tatiane Camargo

Créditos: Rodrigo Corsi/FPF

“A arbitragem brasileira está em festa”, assim definiu Leonardo Gaciba, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF. O motivo cabe uma justa comemoração, o trio de arbitragem composto por Edina Alves, Neuza Back e Tatiane Camargo será o Brasil em campo na semifinal da Copa do Mundo Feminina. Nesta terça-feira (2), elas comandarão a partida entre Estados Unidos e Inglaterra, no Estádio de Lyon, em Lyon, às 16h (Horário do Brasil). 

– Estamos muito contentes com a conquista das meninas apitando a semifinal da Copa do Mundo. Um jogo de tamanha importância. Estamos todos na torcida e muito tranquilos, elas foram muito bem preparadas, estão no melhor momento da carreira, e todas estão trabalhando de uma forma muito coesa. Acredito em uma grande atuação – ressalta Leonardo Gaciba.

A semifinal da Copa do Mundo será o quarto jogo comandado pelo trio brasileiro. A estreia foi na vitória da Holanda por 1 a 0 sobre a Nova Zelândia, na primeira rodada do Grupo E. Depois, apitaram o empate sem gols entre Espanha e China, pela última rodada do Grupo B. Nas quartas de final, estiveram em campo na classificação da Itália sobre a China, após uma vitória por 2 a 0.

Trio de arbitragem será o Brasil na semifinal da Copa do Mundo FemininaTrio de arbitragem será o Brasil na semifinal da Copa do Mundo Feminina
Créditos: FIFA/Getty Image

Veja mais: Edina Alves será primeira árbitra na Série A em mais de uma década

Com um currículo cheio de experiências, as árbitras brasileiras já apitaram importantes competições do futebo feminino, como a Copa do Mundo Sub-17 da Jordânia 2016 e do Uruguai 2018, e também o Mundial Feminino Sub-20 da Papua Nova Guiné 2016 e da França 2018. A preparação para a Copa começou lá atrás, em 2015, quando a FIFA iniciou o projeto de arbitragem de mulheres da Road to France 2019.

Trio de arbitragem será o Brasil na semifinal da Copa do Mundo FemininaTrio de arbitragem será o Brasil na semifinal da Copa do Mundo Feminina
Créditos: FIFA/Getty Image

Resultados do projeto VAR

Leonardo Gaciba apresenta resultados do projeto VAR a deputados na Comissão do Esporte

https://www.cbf.com.br/a-cbf/informes/arbitragem/leonardo-gaciba-apresenta-resultados-do-projeto-var-a-deputados-na-com

Leonardo Gaciba apresenta primeiros resultados da implementação do VAR no Brasileirão 2019 na Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados

Leonardo Gaciba apresneta projeto do VAR a deputados na Comissão do Esporte

Créditos: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

O presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, participou de audiência pública na Comissão do Esporte da Câmara Federal dos Deputados nesta última terça-feira (9). Ele apresentou o projeto VAR e os primeiros resultados da implementação do uso da tecnologia no Campeonato Brasileiro de 2019.

– Gostaria de agradecer ao deputado Evandro Roman pela iniciativa, por proporcionar mostrarmos ao público o nosso projeto. Foi uma das maiores audiências pela internet. Isso mostra o interesse das pessoas pelo assunto e reforça a transparência do projeto. Nossa proposta de utilizar o árbitro de vídeo e deixar bem claro como ela é e deve ser usada – disse o dirigente da CBF sobre o encontro.

Em vídeo, Leonardo Gaciba mostrou todos os passos dados recentemente acerca do projeto do uso da tecnologia no futebol brasileiro. Ressaltou a importância da utilização fiel do protocolo FIFA e do conceito de “mínima interferência, máximo benefício”.

Nas primeiras nove rodadas do Campeonato Brasileiro 2019, o uso do VAR mostrou-se fundamental no auxílio aos árbitros e árbitros assistentes. Foram 40 erros capitais corrigidos com um índice de aproveitamento nas decisões de 97,1% em lances do protocolo: gols, expulsões, erros de identificação e pênaltis. Só nas situações de pênaltis, o índice de acerto subiu para 91,4% contra 57,4% sem o VAR.

Gaciba também apresentou números referentes aos lances de impedimento. O índice de acerto é de 93,4% com o uso do árbitro de vídeo contra 85,7% sem a tecnologia, num total de 14 erros capitais corrigidos.

– Na sequência do campeonato vamos seguir fielmente o protocolo da FIFA. Usar para erros claros e óbvios da arbitragem. Já vimos que tem campeonato com linha de uso um pouco diferente, mas no Campeonato Brasileiro, nesses primeiros 89 jogos, mostrou uma linha bem melhor para manter os critérios para todos os clubes participantes. Interferir o mínimo possível. Vamos tentar melhorar um pouco o tempo gasto nas revisões, sem nunca abrir mão da precisão. Mas para poder melhorar a fluência do jogo – projeta.

Leonardo Gaciba destacou que, no final desta temporada, o Brasil será o país com maior número de jogos com utilização do VAR no mundo.

A audiência pública contou com a participação dos seguintes deputados: Alex Manente (Cidadania), Alexis Fonteyne (Novo), Flávia Moraes (PDT), Bosco Costa (PL), José Rocha (PL), Celina Leão (PP), Evair de Melo (PP), Boca Aberta (Pros), Evandro Roman (PSD), Hugo Leal (PSD), Célio Silveira (PSDB), Charlles Evangelis (PSL), Dr. Luiz Ovando (PSL), Luiz Lima (PSL).

Assista ao vídeo apresentado por Leornardo Gaciba na Comissão do Esporte:

Mais de uma década depois

Edina Alves será primeira árbitra na Série A em mais de uma década

Paranaense está escalada para jogo entre CSA e Goiás, em Maceió, que será o primeiro apitado por uma mulher na Série A desde 2005

Edina Alves Batista

Créditos: Kin Saito/CBF

Edina Alves será a árbitra da partida entre CSA e Goiás, pela Série A do Brasileirão. A escalação da árbitra paranaense representa um momento histórico para o futebol brasileiro. Após quase 14 anos, uma mulher voltará a apitar um jogo de futebol da Série A do Brasileirão.

A última partida da Série A arbitrada por uma mulher foi em 2005, no duelo entre Fortaleza e Paysandu, pelo segundo turno. A responsável pelo jogo foi Silvia Regina, que acompanhará de perto o confronto deste domingo. A ex-árbitra será a supervisora do VAR (árbitro de vídeo) no Rei Pelé, em Maceió.

A escalação de Edina foi apontada por Leonardo Gaciba, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, como um marco para a arbitragem brasileira. Mas, além disso, como um momento merecido pela árbitra paranaense.

– Eu só consigo ver meus árbitros como pessoas iguais. Acho que ela serve como exemplo não só para mulheres, mas para todos. A Edina era bandeira, abriu mão do escudo da FIFA, de árbitra internacional, porque tinha o sonho de ser árbitra central. Então, ela voltou às categorias de base, começou a apitar na base, largando o escudo internacional de auxiliar. Ela já conseguiu alcançar o quadro internacional como árbitra central e, hoje, está chegando na Série A. Para mim, ela é um exemplo para todo mundo – destacou.

Ao lado de Edina, estará a assistente Neuza Back, que irá com ela na Copa do Mundo da França 2019. Tatiane Camargo, a auxiliar que completa o trio do Mundial Feminino, está se recuperando de uma lesão e não foi escalada. Mas o outro assistente da partida também tem pedigree de Mundial: Emerson Augusto de Carvalho, que foi auxiliar durante a Copa da Rússia, em 2018.

Para Gaciba, esta escalação às vésperas da Copa do Mundo tem tudo para dar ainda mais força para a equipe brasileira durante o torneio.

– O time brasileiro que vai para o Mundial chega como um dos mais fortes do mundo. E eu tenho certeza que essa escala na Série A vai dar muito mais força mental para elas para chegarem ao Mundial e fazer um excelente trabalho – concluiu.

‘Rompendo barreiras’

Escalada para apitar na Série A, Edina Alves vibra: ‘Rompendo barreiras’

https://www.cbf.com.br/a-cbf/informes/arbitragem/escala-para-a-serie-a-edina-alves-vibra-estamos-rompendo-barreiras

Paranaense será a primeira mulher a apitar em um jogo da elite do futebol brasileiro após mais de uma década e exalta tratamento igual para os gêneros no ofício

Árbitra Edina Batista - Treinamento intensivo na Granja Comary

Créditos: Kin Saito/CBF

CSA e Goiás se enfrentam na noite desta segunda-feira (27) pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro 2019. Além de duelo entre  torcidas apaixonadas, o confronto representa um marco para o futebol do país. Uma mulher voltará a comandar um jogo da elite após 14 anos. No quadro da FIFA desde 2016, Edina Alves foi a escalada para o confronto e não esconde a alegria sobre o momento.

Em conversa com o site da CBF, a paranaense exaltou o tratamento igual para os gêneros na arbitragem da CBF, falou sobre a preparação para a Copa do Mundo, relembrou o início como assistente e muito mais. Edina, que se formou para o ofício em 2001, também destacou como espera ser tratada e lembrada.

“Não quero ser tratada como a Edina mulher, mas como qualquer árbitro ou árbitra do quadro”

“Sei que ainda existe o preconceito, mas estamos rompendo barreiras. Não quero ser tratada como a Edina mulher, mas como qualquer árbitro ou árbitra do quadro. O Gaciba (Leonardo, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF) está fazendo isso, tratando todos iguais. Agradeço a ele pela coragem de me colocar. Eu e a minha equipe estaremos iluminados e vamos fazer um grande trabalho. Sempre tive o apoio das comissões, tanto do Sérgio (Corrêa) quanto do Coronel (Marcos) Marinho, do Alício (Pena Júnior), do (Cláudio Vinícius) Cerdeira… Do Gaciba não tenho nem o que falar. Ele chegou e já me escalou para a Série A. Agradeço muito também ao presidente da CBF, Rogério Caboclo, por tudo o que está proporcionando para nós, e destaco também o apoio que recebi da Federação Paulista, através do Dionísio (Domingos), do (Ednílson) Corona, do presidente Reinaldo (Bastos) e toda a comissão”, declarou.

Paranaense de Goierê, Edina iniciou a carreira na arbitragem como assistente. Ela trabalhou em grandes jogos, como na Série A do Brasileirão, chegou a ser aspirante ao quadro da FIFA e liderava o ranking da sua carreira. O sonho de trabalhar como árbitra central mexeu com a sua cabeça e ela resolveu começar tudo do zero aos 34 anos. Ouviu muitas negativas, mas sua determinação fez com que nada disso a parasse.

Árbitra Edina Batista - Treinamento intensivo na Granja ComaryEdina Alves Batista fez período de preparação árdua para competições da FIFA na Granja Comary
Créditos: Kin Saito / CBF

“Todos da comissão da CBF me apoiaram, mas no meu estado foi muito difícil eles aceitarem. Vários falaram que eu era louca, que já estava na Série A, que teria de começar tudo de novo… Mas eu disse que não tinha preguiça. Era o meu sonho, o que eu sempre quis e fui buscar. Voltei tudo e fiz Sub-15, Sub-17 e todas as categorias no Paraná. Na CBF continuei no Feminino, apitei base, Aspirante, apitei Séries D, C e B e o escudo (da FIFA) veio para mim em 2016. Eu não esperava. Quando o professor Sergio (Corrêa) me ligou foi uma alegria muito grande. É uma carreira muito concorrida e o escudo é o topo”, acrescentou.

Edina vai representar o Brasil na Copa do Mundo Feminina FIFA na França. A preparação dela para esta e outras competições de alto nível do futebol mundial começou lá atrás. Em 2017, quando entrou para a relação do Mundial, passou cinco dias trabalhando o técnico, físico, mental e social na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), com o auxílio da Comissão de Arbitragem da CBF. O trabalho já rendeu a participação no Mundial Sub-20 do ano passado, quando fez jogos na campanha e atuou como quarta árbitra na grande decisão, e presença em torneios importantes da Conmebol. Para ela, tudo isso é muito importante, mas a oportunidade de trabalhar na Série A parece representar algo ainda maior.

“O mundial foi inesperado. Eu sempre quis representar o nosso país. Mostrar que a arbitragem brasileira tem força, sempre quis fazer grandes jogos. O professor (Wilson Luiz) Seneme me ajudou muito nisso até, me orientando de várias formas. Mas no começo eu não pensava em mundial. Queria apitar jogo da Série A lá atrás. Era esse o meu sonho quando eu comecei. Todo mundo que me conhece sabe isso, eu dizia que um dia apitaria um jogo da Série A. São realizações. O que vai acontecer foi o que eu busquei lá atrás. Sempre me senti realizada nas quatro linhas, mas eu queria mesmo ser árbitra central e alcançar algo como um jogo da Primeira Divisão”, revelou.

Edina ao lado de Neuza Back e Tatiane Camargo, trio que representará o Brasil na Copa do Mundo Feminina da FrançaEdina ao lado de Neuza Back e Tatiane Camargo, trio que representará o Brasil na Copa do Mundo Feminina da França
Créditos: Kin Saito / CBF

Ao lado de Edina no gramado do Rei Pelé, em Maceió (AL), estará a assistente Neuza Back, que irá com ela na Copa do Mundo da França 2019. Tatiane Camargo, a auxiliar que completa o trio brasileiro do Mundial Feminino, está se recuperando de uma lesão e não foi escalada. O outro assistente da partida será Emerson Augusto de Carvalho, que foi auxiliar durante a Copa da Rússia, em 2018. Edina e Neuza são amigas de longa data. A paranaense comemora por ter a parceira ao lado em mais uma conquista.

“Pois é, ela (Neuza) estará lá comigo mais uma vez. A gente se conhece há dez anos. Fiz um jogo como árbitra em 2008 lá em Santa Catarina e ela bandeirou pra mim. Me contou alguns anos após a partida que quando chegou em casa do jogo disse ao marido que havia conhecido uma árbitra de verdade. Nós sempre conversamos, sobre o trabalho, informação de regra, e começamos uma amizade a distância. Agora estamos na mesma federação, no mesmo sonho que é o mundial e ela ao meu lado na Série A. Isso só torna o momento ainda mais especial”, destacou.

A última partida da Série A comandada por uma mulher foi em 2005, no duelo entre Fortaleza e Paysandu, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro. A responsável pelo jogo foi Silvia Regina, que acompanhará de perto o confronto desta segunda entre CSA e Goiás. A ex-árbitra será a supervisora do VAR (árbitro de vídeo) no Rei Pelé, em Maceió. Este encontro entre passado e presente representará uma nova era, de um futuro com cada vez mais árbitras no futebol de elite do Brasil.