Vamos debater APP?

O dilema do VAR: o gol do Vasco foi bem anulado ou não?

Confira análise da maior polêmica com o árbitro de vídeo no retorno do Brasileirão pós Copa América

RICARDO RÍMOLI/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

ATUALIZADO 15/07/2019 13:08

O Grêmio venceu o Vasco por 2 x 1 no último sábado (13/07/2019). Poderia ser diferente se a arbitragem não anulasse equivocadamente o golaço de Yago Pikachu do Vasco.

A jogada começou logo após o tiro de saída para o segundo tempo. Nem a arbitragem esperava o ataque tão rápido da equipe cruzmaltina. O árbitro Rodolpho Toski validou o gol, inclusive os jogadores do Grêmio não esboçaram qualquer tipo de reclamação e estavam prontos para cobrar o tiro de saída quando Toski pediu para segurar o prosseguimento do jogo. O VAR estava fazendo a checagem e sugeriu a revisão. Lá foi o árbitro ver a imagem no monitor.

Na fase de ataque, prévia ao gol, Rossi, do Vasco, ao disputar a bola com Matheus Henrique, do Grêmio, colocou a mão no rosto dele. Após a análise, o árbitro anulou o gol, deu amarelo para Rossi e marcou a falta a favor do Grêmio. Esse tipo de lance é totalmente interpretativo. Não é lance para o VAR chamar, afinal, houve uma falta clara? Não. E se o árbitro não viu? Provavelmente foi isso que aconteceu, mas o cenário do jogo mostrou que a decisão de campo foi aceita por todos.

 

Cara Fernanda,

Segue o texto sobre a “POSSE EM FASE DE ATAQUE” (ATTACKING PHASE POSSESSION – APP)

Consultas com os stakeholders de futebol sugerem que o futebol espera que só a fase da jogada que leva a um incidente de gol, penalti / DOGSO seja revisado, ou seja, do ponto onde a equipe atacante obteve posse da bola pela última vez e deu início à fase do jogo que levou ao incidente do gol / penalti.

 

Um princípio fundamental é que até a equipe atacante obter a posse da bola, seus adversários tiveram a possibilidade de jogar a bola e, portanto, qualquer evento despercebido antes da perda da posse da bola poderia ter sido evitado. Este conceito é similar à situação normal em futebol, quando a defesa tem possibilidade de jogar a bola eficazmente, mas tenta jogar curto e a bola é interceptada por um atacante que marca

 

– a defesa tinha posse e poderia ter evitado o erro que levou ao gol.

 

A ‘POSSE EM FASE DE ATAQUE (APP)’ NECESSITA QUE O ÁRBITRO (ASSISTIDO PELO VAR) DETERMINE:

 

* o ponto onde a equipe defensora obteve posse da bola, e então;

* o ponto onde ocorreu a fase da jogada que levou ao início do incidente do gol / penalti.

 

“OBTENDO POSSE”

 

Será considerada que a equipe atacante obtém posse da bola quando:

 

* executa um reinício, ou;

 

* adquire a posse da bola numa jogada aberta (nenhuma das equipes tinha a posse), ou;

 

* adquire a posse da bola quando esta foi perdida pelos adversários

(ou seja, um passe ruim, (clearance = liberação), ou;

 

* adquire a posse como resultado de uma disputa com um adversário.

Não se considera que houve posse clara de bola:

* Uma defesa deliberada, desvio ou rebote, pois não resultam em

controle da bola;

* Um lance em que a bola é jogada ao léu (“clearance”) e não chega a ser controlada por um companheiro de equipe.

Quando uma equipe atacante obtém a posse como resultado de uma infração contra um adversário ou ferindo as Regras do Jogo, o gol ou o tiro penal sob revisão só pode ser anulado se o erro do árbitro foi erro claro ao não punir a infração (ofensa).

Consequentemente, um gol ou um tiro penal só pode ser desmarcado se o árbitro errar claramente ao não punir uma ofensa à Regra 12 e que resultou na posse de bola pela equipe atacante.

Os reinícios não são revistos porque as Regras do Jogo não permitem que uma decisão de reinício seja alterada uma vez que o jogo tenha reiniciado. Os reinícios incorretos não são revisáveis porque não são situações de mudança de rumo da partida e devem ser detectados pelos membros da arbitragem.

O VAR auxiliará o arbitro a estabelecer o APP, mas se a bola sai da visão da câmera, o árbitro e os demais membros da arbitragem tomarão a decisão sobre a posse.

FASE DE ATAQUE

Definir o ponto ou momento a partir de quando a fase de ataque é armada ou se inicia é subjetivo, mas deverão ser considerados os seguintes elementos:

* o ponto ou momento a partir de quando a equipe atacante avançou com a bola em direção da área penal dos adversários; se a equipe atacante teve um longo período de posse retendo a bola’; o momento em que a linha do meio de campo foi ultrapassada (segurar a bola em seu meio campo ou segurar a bola no meio campo do adversário); o ponto onde se inicia uma fase clara de jogadas de avanço / ataque.

Julgar a posse da bola em fase de ataque requer cooperação entre o árbitro e o VAR e, possivelmente, os ARs (e AARs). Este conceito deve ser definido com mais substância durante a fase educativa, usando imagens e simulações em situações de campo.

Nesse contexto, o VAR e o árbitro devem adotar uma abordagem tipo “o que o futebol esperaria”, inclusive para com os princípios e seus conhecimentos e experiências distinguirem entre “negar uma oportunidade obvia de marcar gol” e “evitar um ataque promissor”.

O APP estabelece o ponto inicial para uma fase revisável de jogo, antes de um incidente de gol ou pênalti.

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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