Entrevista – Parte 4

Fundamos a Academia Paulista de Árbitros de Futebol “Charles Miller”, cujo presidente é o árbitro internacional, o paulista Paulo César de Oliveira e, sem sucesso, tentamos ter um Centro de Treinamentos, em parceria com os Sindicatos dos Treinadores e Jogdores….

41 – Como o árbitro deixa a CBF?

R – Além de deixar a relação ao completar 45 anos, a CA-CBF se reserva o direito de suspender ou eliminar da RENAF a todo árbitro ou árbitro assistente sempre que razões de natureza ética ou moral o exijam.

42 – A Copa do Brasil está em andamento. Quem atuará se a RENAF 2008 não está pronta?

R – As designações para a Copa do Brasil 2008 serão feitas com base na RENAF 2007, até que a de 2008 seja divulgada às Federações;

43 – A melhor arbitragem brasileira é baseada nos árbitros internacionais, ou seja, pela ordem seriam: paulista (5), a paranaense (3), a gaúcha (3) ou a carioca (3)?. Estas pré-temporadas garantirão melhores arbitragens?

R – A melhor arbitragem é a brasileira, independentemente de estados. Não é possivel que não exista competência nos estados ditos “menores”, acredito que falta é oportunidade das pessoas mostrarem suas qualidades. Claro está que nos centros maiores, com competições de elevada dificuldade a tendência é que os profissionais estejam mais preparados, mas a CA-CBF não pode olhar apenas três estados e esquecer o resto. Temos o dever de capacitar as 27 federações e isto estamos fazendo, por meio do curso de instrutores formados pela FIFA. Podemos trabalhar muito, mas muito mesmo que não podemos garantir grandes arbitragens, mas miminizar os equivocos.

44 – Fale sobre o presidente Ricardo Teixeira e da copa 2014.

R – Uma pessoa que trabalha muito; exigente e que não perde tempo, tudo deve ser feito de forma organizada e objetiva. Sua equipe, com apoio de muitos, mas, principalmente, com o prestígio internacional do presidente Ricardo Teixeira trouxe a Copa do Mundo 2014 para o Brasil. Como disse a ele, apenas o tempo demonstrará o quanto esta decisão foi boa para o país. Muitos empregos, modernização, turismo, troca de informações, intercâmbio. Do lado da arbitragem poderemos observar as diversas culturas existentes no mundo. Será uma grande festa e esperamos poder colaboar dentro ou fora da arbitragem.

45 – Quanto ganha um presidente de comissão nacional?

R – Não trabalho por dinheiro. Adora o que faço e estou satisfeito com o ressarcimento das despesas e da diária que recebo. Gostaria de receber o que acham e dizem, mas como impedir as pessoas de falar.

46 – Você é presidente do Sindicato dos Árbitros de São Paulo. Não é uma incoerência escalar ou deixar de escalar aquele que você representa?

R – O Dárcio Pereira é o atual presidente. Estou passando aos poucos as diretrizes administrativas, mas como ele é um empresário bem sucedido e de larga experiencia, em breve farei a passagem da presidencia.

47 – Sobrava tempo para cuidar dos afazeres do Sindicato no ano passado?

R – Ao contrário do que possam pensar, sempre delego poderes. O Departamento de Árbitros é um grande exemplo. Na época em que o Arthur Alves comandou o setor, de 2003 a 2006, nunca interferi no trabalho ou nas escalas. Isto continua como o querido Abel Barrozo Sobrinho, um símbolo para mim, e não interfiro de maneira alguma. O Joel Teixeira Caires administra as finanças com “mão-de-ferro” e não faço nada sem que ele dê a sua assinatura. Aproveito para dizer o motivo pelo qual chamo o Abel de simbolo. Ele foi dirigente de arbitragem durante 11 anos e, quando deixou a função, seus telefones ficaram mudos, pois os que o bajulavam desapareceram. Sua presença serve para que saibamos que um dia estaremos fora de tudo e o que devemos esperar. É duro parar de apitar e muito duro deixar a arbitragem, mas é assim que foi e vai ser para nós e para os sucessores. Por isto reafirmo, o que vale são as Instituições.

48 – Fale um pouco do seu trabalho lá e quem vai apoiar no SAFESP, em 2010?

R – Vou começar pelo fim, apesar de faltar quase 3 anos, mas dentre os que conheço e que gostam de trabalhar para a coletividade temos o jovem Arthur. Com certeza irá ser um forte candidato a presidente. Hoje ele anda meio aborrecido, mas lá adiante deverá perceber que tudo que foi feito teve o objetivo de prepará-lo melhor. Ele deve cuidar dos não federados como cuida dos federados. Existem outras opções, mas acredito que ele estará pronto para assumir a entidadade em 2011. Outros, como Salvio, Joel, o próprio Dárcio, também podem aspirar a função, mas depende unicamente deles.

Dentro do que estabelecemos como meta, cumprimos o que foi possível. O congresso internacional, por exemplo, é o divisor de águas da arbitragem nacional, e isto é inconstestável. Com apoio da comissão de árbitros de SP, da CBF, dos árbitros, pudemos trazer personalidades que nos ajudaram na aprovação dos cursos da FIFA no Brasil, principalmente o de Instrutores, cujo resultado está nas pré-temporadas realizadas por todo o País. A edição de livros de regras anualmente é outro motivo de orgulho. O Safesp é uma referência nacional. Outra medida importante é a Academia Paulista de Árbitros de Futebol “Charles Miller”, cujo presidente é o árbitro internacional, o paulista Paulo César de Oliveira. Tentei um Centro de Treinamentos, em parceria com os Sindicatos dos Treinadores e Jogdores. O presidente dos Treinadores, o Prof. Mário Travaglini aceitou de pronto, mas o Martorelli, dos jogadores, já tem seu projeto. Os elevados custos inviabilizou o projeto, mas é um sonho que se tornará realidade mais rápido do que imaginemos. Em 2004, em Fátima (Portugal), lancei a semente de uma entidade mundial dos árbitros. Temos que esperar germinar. A Fifa levou mais de vinte anos para realizar o maior sonho, a Copa do Mundo…

49 – E a família, como concilia o tempo escasso?

R – Sempre tive apoio da família, pois sem ele nada seria possível. Eles sabem que minha volta está prestes a ocorrer e estão felizes. E eu também, por isto poder acontecer.

50 – Que benefícios o Sindicato proporcionou ao Associado?

R – Até 2007 foram vários: Seguro de vida em grupo, servico juridico gratuito, entrada livre nos estádios, servico psicológico, aumento nas taxas de arbitragens, diárias, aumento nos valores das passagens, garantia de recebimento, jogos nas competições amadoras, cursos, palestras, livros editados anualmente e muito mais.

Continua….

 

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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