Adson Márcio, da BA

“Sempre fui amante do futebol, era jogador e, por seguidas contusões, principalmente joelhos (ligamentos), deixei de jogar e me apaixonei pela arbitragem…”

Sinbaf, 3 de setembro de 2015

Após 23 anos de arbitragem, Adson Márcio Lopes Leal pendurou a bandeira em 2014. O baiano de Mutuípe construiu uma longa carreira e viveu experiências marcantes durante todos esses anos.

Foram 20 anos no quadro da FBF e 18 no quadro nacional. Todos eles, somados aos três anos iniciais da sua trajetória atuando como árbitro amador na sua cidade natal, certamente propiciaram ao agora ex-árbitro assistente muitas experiências.

Em bate-papo com o portal do Sinbaf, Adson Márcio contou tudo e mais um pouco do que viveu na arbitragem. O resultado esta conversa você pode conferir abaixo:

Sinbaf: O que te fez escolher ser árbitro de futebol? O que a profissão representa na sua vida?

Adson Márcio – Sempre fui amante do futebol, era jogador em minha cidade Mutuípe, joguei vários anos na melhor equipe, o AAM e também na seleção local, por questões de seguidas contusões, principalmente joelhos (ligamentos), deixei de jogar e me apaixonei pela arbitragem, principalmente por haver em minha cidade um árbitro já atuando pela FBF, Sr. Dalmar Batista de Almeida, que muito me incentivou para iniciar na arbitragem. A arbitragem representa para mim uma realização pessoal, ela me deu a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas e lugares também maravilhosos, viajei todo o país e por onde passei fiz questão de deixar uma boa impressão para todos.

Sinbaf: Quando começou a carreira?

Em 1991 já atuava apitando na minha cidade e nas cidades vizinhas, nos anos seguintes apitava em outras regiões chegando até a apitar intermunicipal mesmo ser ter o curso da FBF, daí no ano de 1994 veio o curso da UCSAL/FBF, quanto sai da minha cidade para Salvador, onde realizei o curso ficando em 2º lugar.

 

Sinbaf: Quantos anos teve de carreira e quantos ficou no quadro da CBF?

A partir do momento do curso em 1994, foram 20 anos de carreira, fazendo parte do quadro da CBF foram 18 anos muito bem vividos.

Sinbaf: Quantos jogos apitou em toda a carreira? Qual deles considera o mais importante, aquele que nunca esquecerá?

Em toda minha carreira foram cerca de 500 jogos, quanto ao mais importante, foram muitos mas tenho que destacar dois em especial, um foi o meu primeiro BAxVI em 1997 com cerca de 94.000 torcedores na antiga Fonte Nova, o segundo foi na inauguração da arena Corinthians, palco da abertura da Copa do Mundo no Brasil, onde a equipe paulista perdeu para o Figueirense pelo placar de 0x1.

Sinbaf: Como você enxerga a arbitragem brasileira hoje? Evoluiu?

Sim claro, os árbitros estão cada vez melhores, agora no que diz respeito as exigências e obrigações para com os árbitros isso tem aumentado em muito, as entidades querem que a arbitragem seja cada vez mais profissional, o árbitro precisa estar mais preparado fisicamente, precisa estudar mais, tanto as regras como na vida social, falar outros idiomas, dedicar mais do seu dia ao oficio da arbitragem, mesmo que isso comprometa sua vida profissional, o árbitro hoje precisa saber se comunicar e interagir com os outros atores do futebol, quer sejam atletas, dirigentes e imprensa, ou seja, precisa estar em sintonia com o mundo do esporte no qual está inserido. Pena que essas entidades ainda não disponibilizaram para esses profissionais, as condições necessárias para que os mesmos possam atingir os patamares exigidos.

Sinbaf: E a arbitragem baiana? Vê novas revelações surgindo que possam manter o nível da arbitragem da Bahia?

A arbitragem baiana é muito boa, vejo novos valores sim, sendo trabalhados, mesmo que de forma equivocada pelos dirigentes, quanto aos nomes desses novos valores gostaria de citar dois que seriam: Marielson Alves e Diego Pombo, o primeiro, já uma realidade na serie A do brasileiro e o segundo, devido a questões profissionais perdeu um pouco de tempo, mas logo, logo estará também em evidência.

Sinbaf: O que você acha que falta ao árbitro de futebol em termos de apoio e estrutura para desempenhar a profissão?

A raiz de todo o problema na arbitragem hoje é sem dúvida a sua não profissionalização, mesmo que a Lei já tenha sido sancionada pela presidente, no âmbito do futebol, a única peça que ainda não é de fato profissional é o árbitro, sendo ela uma das principais, é quem de fato está ali para legitimar o resultado da disputa, é quem foi talhado para mediar uma partida de futebol e fazer com que ela chegue ao seu final de maneira que atenda aos ditames da regra e do que espera a grande maioria dos interessados no futebol. O árbitro precisa de maior apoio profissional, mais palestras, cursos e congressos, precisa ter profissionais na área de educação física, nutrição, fisioterapia, psicólogos e médicos para poderem se preparar de forma mais adequada, e acima de tudo os árbitros precisam ser melhor remunerados pelos seus serviços, o que se paga hoje é muito pouco se comparado aos valores que circulam no futebol profissional no Brasil, sem contar no direito de imagem, que é uma luta antiga e que ainda não foi reconhecida pelos que comandam o esporte no país.

Sinbaf: Qual seu ídolo na arbitragem e por quê?

Meu grande amigo e saudoso Lourival Dias Lima Filho. Foi com quem vivi vários anos na arbitragem, pudemos frequentar a casa um do outro, dividir problemas e soluções, alegrias e tristezas, ele nos deixou prematuramente, mas ficou marcado na arbitragem e nas nossas vidas.

Sinbaf: Agora, com o aumento do limite de idade para apitar para 50 anos, você se arrepende de ter parado? Por quê?

Não. Tenho certeza absoluta que fiz o certo, temos que saber a hora de interromper alguma coisa em nossas vidas e isso se aplica a tudo, para a arbitragem essa foi a hora, já fiz o meu papel como árbitro, já vivi o que tinha de ser vivido nela, tive uma carreira brilhante, cheguei onde podia ter chegado, temos que ter consciência disso, minha carreira foi completa, sai de uma cidade pequena como Mutuípe para ser árbitro do quadro nacional, poucos na Bahia conseguiram isso, me mantive entre os melhores por todos esses anos, sempre sendo lembrado para jogos importantes, conquistei o que para mim é o mais importante, a amizade e o respeito dos meus pares, por essas e por outras não me arrependo de ter encerrado minha carreira.

Sinbaf: E agora que aposentou, pretende continuar colaborado com a arbitragem fora de campo? De qual forma?

Minha colaboração agora ficará por conta dos conselhos aos amigos que conquistei na arbitragem, que ainda me ligam e querem tirar suas dúvidas, essa será a minha colaboração, a qual diga-se de passagem faço com o maior prazer.

Paulo Jackson, da BA

Foram cerca de 800 jogos oficiais no currículo como árbitro dos quadros da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Aspirante à FIFA.

Sinbaf, 16 de julho de 2015
Foram cerca de 800 jogos oficiais no currículo como árbitro dos quadros da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Aspirante à FIFA. O dono desta vasta experiência atende pelo nome de Paulo Jackson Mota da Silveira.
O baiano, mais conhecido como Paulo Jackson ganhou fama em todo o país como árbitro central. Entre os principais jogos que apitou estão clássicos BAVIs, um amistoso entre as Seleções de Brasil e Uruguai, além de duelos nacionais como Vasco x São Paulo, Cruzeiro x São Paulo, Atlético (MG) x Guarani, Atlético (MG) x Paraná, Sport x Internacional, Grêmio x Bragantino, Ceará x Santa Cruz, Botafogo x Guarani e Portuguesa x Fluminense.
Mas, não foi só no futebol de campo que ele atuou. Jackson também foi árbitro de Futebol de Salão e internacional de Beach Soccer, por onde trabalhou em cinco Campeonatos Brasileiros, uma Zonal do Nordeste, três Copas América, uma Copa Latina e um Campeonato Mundial.
E ainda houve espaço para os prêmios. Pelo bom desempenho, Paulo Jackson recebeu premiações de melhor árbitro de 1993 e 1994 pela ABCD e melhor árbitro de 1995 pela TV Itapoan.
Hoje, aos 61 anos, o ex-árbitro e servidor público, que chegou a colaborar como membro do Departamento de Arbitragem da FBF e da Comissão Estadual de Árbitros de Futebol Ceaf-BA) atua como palestrante e comentarista de arbitragem em uma rádio de Salvador. Em um bate-papo com o portal Sinbaf, ele contou detalhes da sua carreira vitoriosa pelos campos do país.
CONFIRA ABAIXO A ENTREVISTA COMPLETA COM PAULO JACKSON MOTA DA SILVEIRA:
Sinbaf: O que te fez escolher ser árbitro de futebol? O que a profissão representa na sua vida?
Desde garoto a figura do árbitro de futebol chamava a minha atenção, nas peladas com amigos e nos campeonatos de futebol que participei era sempre convocado para apitar pelo meu gosto pela arbitragem. O amigo José Raimundo da Silva Reis (falecido) ao saber do curso de arbitragem na Federação Bahiana de Futebol me convidou e juntos nos inscrevemos e concluímos o curso, a partir daí iniciei a minha carreira. A capacidade de decisão sempre me fascinou na arbitragem e a profissão de árbitro foi um exercício de fé, coragem e prazer, representando uma coluna positiva e fundamental na formação do meu caráter na minha vida pessoal e profissional. Sou graduado em Administração e graduando em História, atualmente sou servidor federal na UFRB-Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, tenho 61 anos, 04 filhos e 01 neto.
Sinbaf: Quando começou a carreira?
Me formei pela FBF-Federação Bahiana de Futebol na turma de 1982/1983 a mesma de José Raimundo da Silva Reis, Arnaldo Menezes, Fernando Andrade, Williams Cavalcanti e Marivaldo Bispo dentre outros, sendo o orador da turma. Formei pela FBFS-Federação Bahiana de Futebol de Salão em 1983 como Oficial de Arbitragem de Futebol de Salão apitando diversos campeonatos de empresas e comunidades sendo que em 1994 com a criação no Brasil do Beach Soccer (futebol de areia) fui o primeiro baiano a atuar pela CBBS-Confederação Brasileira de Beach Soccer chegando a árbitro internacional da BSW-Beach Soccer Worldwide.
 Sinbaf: Quantos anos teve de carreira e quantos ficou no quadro da FBF, CBF e FIFA (caso tenha feito parte da FIFA também)?
Apitei futebol de campo pela FBF durante 16 anos, integrei quadro nacional da CBF durante 13 anos dos quais 11 anos como Aspirante FIFA.
Sinbaf: Quantos jogos apitou em toda a carreira? Qual deles considera o mais importante, aquele que nunca esquecerá?
Tentei mensurar o total de jogos apitados durante a minha carreira de árbitro de futebol mais confesso a dificuldade em manter estes registros, estimo aproximadamente em torno de 800 jogos em competições oficiais durante os 19 anos de arbitragem. Nos Campeonatos Baianos sem dúvida alguma os jogos entre Ba x VI são inesquecíveis pela mística, pela rivalidade e pelas torcidas, sem esquecer o Campeonato Intermunicipal onde apitei diversas finais e que sempre teve um lugar especial no meu coração. Nos Campeonatos Brasileiros o jogo que me marcou dentre muitos foi a primeira vez que apitei no Maracanã um clássico brasileiro entre Vasco x São Paulo ao vivo para todo Brasil. E outro jogo inesquecível foi um amistoso entre Brasil x Uruguai na Fonte Nova quando atuei como assistente.
Sinbaf: Como você enxerga a arbitragem brasileira hoje? Evoluiu?
Entendo que a arbitragem brasileira evoluiu bastante nos últimos anos em função de diversas ações adotadas pela CONAF/CBF como o processo de renovação, a adoção de novas tecnologias, a melhoria no preparo físico, técnico e emocional dos árbitros, a criação da Escola Nacional de Arbitragem, melhor estrutura das Comissões de Arbitragem Estaduais dentre várias melhorias. A arbitragem brasileira hoje é uma das mais competentes no mundo.
Sinbaf: E a arbitragem baiana? Vê novas revelações surgindo que possam manter o nível da arbitragem da Bahia?
A arbitragem baiana é muito lenta no processo de renovação e a mentalidade dos nossos dirigentes ainda é muito arcaica, necessitando de um trabalho com mais independência e autonomia para se desenvolver. As novas revelações são muito poucas e restritas em virtude das dificuldades citadas, ou se muda a mentalidade ou teremos sérias dificuldades com o quadro de árbitros baianos num futuro bem próximo. Os atuais árbitros não devem absolutamente nada em competência e qualidade aos demais árbitros nacionais, muitos já se encontram preste a encerrar as atividade em função da idade limite e alguns árbitros jovens apresentam potencial a serem desenvolvidos.
Sinbaf: O que você acha que falta ao árbitro de futebol em termos de apoio e estrutura para desempenhar a profissão?
A absorção de novas tecnologias ainda são muito contestadas e desenvolvidas lentamente na arbitragem em função do conservadorismo da International Board responsável pela gestão das regras, necessitamos utiliza-las melhor. A profissionalização do árbitro é fundamental em função do dinamismo do esporte e a as comissões de arbitragem devem a cada dia pautar o seu trabalho em funções técnicas com mais autonomia e independência abstraindo-se o máximo possível das questões políticas. A capacitação e qualificação dos árbitros deve ser incentivada e aprimorada nas Federações e a remuneração e direitos trabalhistas aperfeiçoadas em função do grau de responsabilidade e dificuldades da atividade.
Sinbaf: Qual seu ídolo na arbitragem e por que?
Não tive um ídolo especifico, procurei pautar e extrair as características positivas de diversos árbitros de minha época, na Bahia sempre tive uma admiração especial pelo amigo Manoel Serapião Filho pelas suas qualidades técnicas e pessoais.
Sinbaf: Você ainda trabalha ou colabora com a arbitragem fora de campo? De qual forma?
Após encerrar minhas atividade como árbitro de futebol atuei por 02 anos como Gerente do Departamento de Árbitros da FBF-Federação Bahiana de Futebol e membro da CEAF-Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol, eventualmente atuo como palestrante em arbitragem de futebol e atualmente sou comentarista esportivo da Rádio Metrópole.
Sinbaf: Que conselho você dá para aqueles jovens que têm o sonho de se tornar árbitros de futebol?
Busquem o aprendizado continuo com perseverança, mantenham-se dignos e corretos em quaisquer circunstância, não sejam subservientes nem submetam-se aos caprichos de dirigentes, tenham personalidade e independência. Visualizem o outro árbitro como companheiro nunca como concorrente ou inimigo, o respeito mútuo é fundamental para o sucesso em qualquer atividade humana, lembrem-se, a atividade de arbitragem é uma atividade coletiva e o trabalho deve ser sempre em equipe o sucesso será de todos. Não tenham medo nem pensem na próxima partida, a melhor partida será sempre a que está se apitando, as demais virão em consequência da qualidade do trabalho apresentado, foco, concentração e objetividade sempre. Só erra quem apita e o erro deve ser um aprendizado para evita-lo futuramente, cada partida é uma nova história. Dominem as regras, estudem cotidianamente, assistam outras arbitragens e sejam humildes, a prepotência e arrogância é um recurso dos fracos e incompetentes.

Manoel Garrido, da BA

Árbitro durante 20 anos, sendo 18 na CBF. Ao final de 2014, após mais de 600 jogos no currículo, Garrido, como é chamado pelos colegas “pendurou” o apito numa final com estádio lotado.

Sinbaf, 23 de fevereiro de 2015

Tudo começou em 1993. Naquele ano, durante uma aula do curso de Educação Física na Universidade Católica do Salvador (Ucsal), Manoel Nunes Lopo Garrido iniciou sua história vitoriosa na arbitragem.

Convidado para apitar, de forma amadora, jogos de futebol das Olimpíadas Batistas, o baiano aceitou o desafio e não fez feio. Um ano depois, já se formava árbitro profissional em curso promovido pela própria Ucsal, em parceria com a Federação Bahiana de Futebol (FBF).

Daí em diante foram 20 anos de arbitragem pela entidade estadual, sendo 18 destes também integrado ao quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ao final de 2014, após mais de 600 jogos no currículo, Garrido, como é chamado pelos colegas “pendurou” o apito.

 

Manoel Garrido, ao centro

Em uma entrevista ao novo portal do Sinbaf, o agora éx-árbitro contou detalhes sobre sua carreira e revelou como será sua relação com a arbitragem daqui para frente. Confira abaixo o bate-papo com Manoel Garrido:

Sinbaf: O que te fez escolher ser árbitro de futebol? O que a profissão representa na sua vida?

Manoel Garrido: Eu não escolhi a arbitragem, ela me escolheu, sendo uma coincidência muito boa na minha vida. E representou muito na minha vida, me dando um norte em objetivos, disciplina e organização.

Sinbaf: Quando começou a carreira?

Manoel Garrido: Em 1993 de maneira amadora. Como falei anteriormente uma coincidência. Cursava Educação Física na Universidade Católica de Salvador e estava na aula teórica da matéria Futebol em uma das salas do antigo Estádio de Pituaçu quando alguns organizadores das Olimpíadas Batistas entrou na sala e solicitou que alguns estudantes pudessem arbitrar os jogos da competição de Futebol de campo, onde dentre cinquenta alunos ninguém se prontificou, olhando para todos e sem saber o que era arbitrar e nem ser Árbitro, levantei o braço e aceitei o desafio que logo após mas uns dois colegas também se prontificaram. Daí começou amadoristicamente. em 1994 participei de um curso promovido pela FBF/Ucsal e em 02 de Dezembro de 1994 me formei e comecei a atuar pela entidade Estadual.

Sinbaf: Quantos anos teve de carreira e quantos ficou no quadro da CBF?

Manoel Garrido: Foram 20 anos de Federação Bahiana de Futebol e a partir de 1996 ingressei no Quadro Nacional totalizando 18 anos de Confederação Brasileira de Futebol.

 

Manoel Garrido ao apitar um clássico BAVI em 2003

Sinbaf: Quantos jogos apitou em toda a carreira? Qual deles considera o mais importante, aquele que nunca esquecerá?

Manoel Garrido: Contabilizava o número de jogos até 2003, a partir daí não anotei mais. Então não sei exatamente o número de jogos. Provavelmente entre jogos Profissionais dos jogos administrados pela Federação Bahiana, do Brasileiro em todas as séries com certeza ultrapassa o número de 600 jogos. Todos os jogos são importantes, foram muitas finais e jogos inesquecíveis.

Sinbaf: Como você enxerga a arbitragem brasileira hoje? Evoluiu?

Manoel Garrido: O cenário da arbitragem brasileira hoje mudou muito, e desde a entrada do gestor Sérgio Correa, não se tem lugar para amadorismo. As exigências na atualidade são bem mais elevadas em relação à época que comecei, melhorou muito.

Sinbaf: E a arbitragem baiana? Vê novas revelações surgindo que possam manter o nível da arbitragem da Bahia?

Manoel Garrido: Temos na Bahia vários nomes, porém, não como revelação e sim como uma realidade tendo como exemplos o Emerson Ricardo, Rafael Almeida e Diego Pombo.

Manoel Garrido, pouco antes da aposentadoria, ao lado da esposa e filha

Sinbaf: O que você acha que falta ao árbitro de futebol em termos de apoio e estrutura para desempenhar a profissão?

Manoel Garrido: Falta independência, A arbitragem é a terceira equipe dentro do campo de futebol, temos os comandantes em cada equipe e temos que ter o nosso comando. Temos que ter a liberdade com responsabilidade de nos gerir, ganhar um norte que será bom para a evolução da categoria, sei que ainda é um pouco utópico pensar desta maneira, mas….. o tempo e as ações dirão.

Sinbaf: Qual seu ídolo na arbitragem e por quê?

Manoel Garrido: Quando comecei, nunca me espelhei em um Árbitro em especifico e sim nas qualidades que cada um tinha de melhor. A qualidade física de um, a técnica do outro, questão disciplinar.

Sinbaf: Agora, com o aumento do limite de idade para apitar para 50 anos, você se arrepende de ter parado? Por quê?

Manoel Garrido: Já tinha a noticia que ocorreria a elevação de 45 para os 50 anos no limite de idade na função, porém, eu me preparei física e psicologicamente para chegar até os 45 e fechar com chave de ouro. E assim foi.

Sinbaf: E agora que aposentou, pretende continuar colaborado com a arbitragem fora de campo? De qual forma?

Manoel Garrido: O que pude fazer dentro e fora de campo para favorecer a arbitragem e os Árbitros eu fiz, porém, pretendo me afastar ao menos um ano para descansar. E ainda possuo a missão de colaborar no Sinbaf e ao amigo e Presidente da Entidade Arilson Bispo da Anunciação a concluir a gestão deste mandato na função de tesoureiro do Sindicato.

Lúcio Araújo, da BA

(…) Wilson Luiz Seneme, Wagner Tardelli, Paulo César de Oliveira, Leonardo Gaciba, Sálvio Spínola, Lourival Dias Lima Filho, Simon, além de amigos, foram árbitros referência (…)

Sinbaf, 30 de maio de 2016

Foram 18 anos de arbitragem muito bem cumpridos. A trajetória de Lúcio José Silva de Araújo na profissão foi concluída no final de 2015.

Baiano de Salvador, o árbitro da Federação Bahiana de Futebol e da Confederação Brasileira de Futebol se aposentou dos gramados. Ele se despediu da arbitragem no duelo entre Joinville e Grêmio, na Arena Joinville, pela 38ª rodada da Série A daquele ano, como quarto árbitro.

Hoje, já como um ex-árbitro, Lúcio conversou com o portal do Sinbaf e contou detalhes da carreira. O professor de Educação Física revelou seu lado sincero, que para alguns pode ser interpretado como polêmico, abriu o jogo, apontou suas decepções e fez críticas ao que não aguentou assistir e ainda assiste na profissão.


Lucio recebe premiação de melhor árbitro do Baianão 2015 (Foto: Carlos Santana)

O resultado deste longo e esclarecedor bate-papo você pode conferir abaixo:

Sinbaf: O que te fez escolher ser árbitro de futebol? O que a profissão representa na sua vida?

Lúcio Araújo – Por causa do curso de Educação Física eu acabei entrando na arbitragem. Um amigo meu, Luís Carlos, que foi árbitro, me indicou. Na época, o Garrido (Manoel Nunes), que era meu colega de turma também me incentivou. Resolvi fazer em função da educação física. Depois me apeguei e dei prosseguimento à carreira. Mas, a arbitragem não representa 100% da minha vida profissional, porque sempre tive minha profissão de educação física e depois também me formei em Direito. A arbitragem para mim sempre foi uma renda extra. Me ajudava na renda. Procurei seguir carreira para melhorar a renda da família, mas com o passar do tempo a gente vê q isso é ilusão. Graças a deus procurei ter minhas outras fontes de renda e tive a arbitragem como um bônus. Não posso negar, porém, que a arbitragem me trouxe uma gama de conhecimentos, não só dentro de campo, mas também fora. Me abriu vários leques de amizade, me abriram portas em vários setores. Muitas pessoas que conheço hoje foi devido a arbitragem. Me ajudou na saúde também, pois você começa a se preparar na parte física.

Sinbaf: Quando começou a carreira?

LA – Minha carreira começou em 1997, com o curso de arbitragem, onde já atuava em alguns babas. Depois fiz um estágio no Vitória, onde aprendi muito também. Todos os jogos da divisão de base a gente organizava, escalava arbitragem e atuava também. Foi uma grande escola para aprender lhe dar com futebol, com arbitragem. Depois que me formei, sai desse estágio e segui a carreira pela Federação Bahiana de Futebol.

Sinbaf: Quantos anos teve de carreira e quantos ficou nos quadros da FBF e CBF?

LA – Na FBF fiquei de 1997 até 2015. Na CBF entrei em 2002 e fiquei também até 2015.

Sinbaf: Quantos jogos apitou em toda a carreira? Qual deles considera o mais importante, aquele que nunca esquecerá?

LA – Não tenho noção de quantos jogos apitei, mas foram muitos. Lembro que 1ª divisão apito desde 2002, todos esses campeonatos. Sempre fui um dos que mais apitei. Teve campeonato que apitei 18 jogos. Apitei duas finais, em 2008, com Bahia x Conquista, e em 2015, com Bahia x Conquista novamente. Foram uns dos jogos mais importantes. Também apitei finais de todas as categorias de base.

Sinbaf: A sua despedida aconteceu na última rodada da Série A do Brasileirão 2015, no jogo entre Joinville e Grêmio. O que sentiu quando entrou no gramado sabendo que seria seu último trabalho na arbitragem brasileira?

LA –Sensação de dever cumprido. Ultimo jogo, ultima escala da CBF, ultima escala para jogo. Mas, me senti um pouco desprestigiado também. Eles poderiam ter me colocado para apitar o jogo e não ser quarto árbitro. Não fiquei feliz com isso que a CBF fez comigo. Se era para ser quarto árbitro, poderiam ter me poupado da viagem e me escalado no jogo de Salvador. Mas, eu fui para mostrar que sou e sempre fui profissional. Nunca faltei um jogo, uma reunião ou um teste físico. Fui e cumpri meu papel. Fui muito bem recebido pelos companheiros de arbitragem que lá trabalharam também. Mas, poderiam sim ter me dado um jogo de despedida para apitar na Série A, já que não cheguei a apitar Série A e por motivos deles, pois um árbitro que apita final de campeonato baiano tem totais condições de apitar qualquer jogo de Série A. Tenho duas grandes queixas. Primeiro contra a Federação Bahiana, que nunca me colocou para apitar um BAVI de profissionais, mesmo eu tendo apitado finais de campeonato. Não perdoo a Federação por isso. E depois tenho queixa contra a CBF por não ter me escalado na Série A alegando, segundo eles, que foi porque não apitei BAVI de profissionais. Por isso que a arbitragem baiana está desse jeito. Aqui eles não colocam os árbitros pra apitar jogos importantes, ou quando colocam demoram a tomar essa decisão. A CBF vai e pega esse gancho também. Ainda assim cumpri bem minha parte e fui eleito por dois anos seguidos o melhor árbitro no Baiano. E na CBF, nunca tive uma nota abaixo de sete.

Sinbaf: Como você enxerga a arbitragem brasileira hoje? Evoluiu?

LA – A arbitragem brasileira a muito tempo vem caindo o nível. Primeiro porque as escalas não são distribuídas corretamente. Existe muito apadrinhamento. Muitos árbitros fazem um curso em um ano, no outro já está na CBF e no outro já apita jogo de Série A. Quer dizer, não passa pelas etapas, por Séries D, C e B antes de chegarem a uma Série A. Acho que isso é equivocado, existem muita politica e pedidos a arbitragem e não deveriam existir. Cito o exemplo de Chicão, do Alagoas. Ele fez a reserva comigo em 2007, na CBF. Dois anos depois ele já estava na FIFA e depois saiu por índice técnico. Isso mostra que ele não estava preparado para apitar jogos de Série A e muito menos da FIFA. Mas, através de política e apadrinhamento, ele conseguiu.


Lucio, no centro, entre Jucimar Dias e José Raimundo da Hora (Foto: Carlos Santana/FBF)

Sinbaf: E a arbitragem baiana? Vê novas revelações surgindo que possam manter o nível da arbitragem da Bahia?

LA – Na arbitragem baiana não existe a muito tempo uma renovação. São os mesmos árbitros de sempre apitando. Os novos, que poderiam apitar ficaram velhos porque demoraram de ser usados. Alguns quiseram até desistir. Hoje o nível não está bom. Desde a época que eu apitava já não estava bom. São árbitros faltando pré-requisitos para apitar, até curso faltando. Árbitros sem preparo físico, técnico e psicológico para apitar. Hoje, o nível na Bahia está tão ruim que tem árbitro apitando e ao mesmo tempo sendo assessor. Isso é falta de ética. Como é que você apita e depois vai avaliar um colega que apita também? Isso não existe. O nível está ruim por essas coisas. Não temos renovação e não temos árbitros de qualidade. São poucos de qualidade ai e que podemos citar nomes. São casos de Arilson, Jailson, Gleidson, que já têm experiência. O resto é todo mundo muito novo, a maioria ainda aprendendo a pegar o macete. Ninguém aprende a apitar de um ano para o outro. É preciso pelo menos uns quatro anos apitando primeira divisão para pegar experiência. Mas, aqui tem gente apitando na tora. Aquela história de que se não tem, coloca o que está aí mesmo. Desses novos que tem aí, eu cito o Rafael, que é m excelente árbitro, mas começou tarde, e o Emerson Ricardo. O Emerson começou mais cedo, mas foi prejudicado durante um tempo e agora têm ele como o salvador da pátria. Rafael foi do quadro nacional, depois retirado e ninguém abe o motivo. A Comissão precisa responder qual foi o motivo. Até para ver se a comissão sabe. Porque tiraram alguns árbitros jovens e com potencial para colocar outros de 39, 40 anos, que não tem mais perspectiva no quadro nacional. Não existe critério.

Sinbaf: O que você acha que falta ao árbitro de futebol em termos de apoio e estrutura para desempenhar a profissão?

LA – Fata independência, coragem, postura e personalidade. No dia que o árbitro tiver isso, pode-se dizer que ele terá um futuro brilhante, pois ele não dependerá de ninguém. Mas, hoje o árbitro entra em campo preocupado com a outra escala, tendo que seguir uma cartilha para apitar de novo, não podendo reclamar da cota. Não pode reclamar de viagem, de diária e ainda não pode errar, pois não tem apoio. Além de ser bom tecnicamente, o árbitro precisa disso que citei, de coragem, independência, postura e personalidade. Sobre estrutura falta muito. Não temos um centro de treinamento, uma equipe de treinamento. Não temos profissionais que nos acompanhem. O árbitro treina só, se prepara só, se cuida só e apita só, porque ainda tem colega que lhe prejudica. Falta profissionalismo, definição da lei, para que os Sindicatos escalem os árbitros. Quando isso acontecer, a arbitragem vai ser de qualidade, vai apitar quem estiver bem naquele momento, quem é bom e não quem é parente ou amigo de uns e outros.

Sinbaf: Qual seu ídolo na arbitragem e por quê?

LA – Não tenho ídolos, mas tenho amigos, que de certa forma não deixam de serem ídolos também. São casos de Wilson Luiz Seneme, Wagner Tardelli, Paulo César de Oliveira, Leonardo Gaciba, Sálvio Spínola, Lourival Dias Lima Filho, Simon. São árbitros referência. Aqui na Bahia tenho muita amizade com Arilson, um cara que tem postura, presidente do Sindicato, faz muita coisa pela arbitragem e não é reconhecido pela classe. Tem o Garrido, que é meu amigo desde a Universidade, José Raimundo Dias da Hora, Adson Márcio, Luiz Carlos Silva Teixeira. Os outros foram apenas colegas, não tiveram nem coragem de ligar para me dar um tchau. Convivemos tanto tempo juntos e não tiveram a coragem de se despedir. E tem gente que fica dizendo que ama a arbitragem. Eu sempre fui sincero e nunca disse isso. Eu amo a música. A arbitragem para mim sempre foi uma fonte de renda extra.

Sinbaf: Você ainda trabalha ou colabora, ou pretende colaborar, com a arbitragem fora de campo? De qual forma?

LA – Era preciso termos uma Federação independente. Se pudéssemos ter um curso de arbitragem desvinculado da Federação, pelo Sindicato, eu toparia. Mas, pela Federação não quero, não vou me sujeitar a um monte de normas, a fazer o que eles quem. Tenho que fazer o que acho certo. Mas, na Federação quem trabalha como assessor ou membro da Comissão não faz o que acha certo, faz o que o presidente da Federação acha certo. Isso para mim não dá, não tenho esse perfil.

Sinbaf: Que conselho você dá para aqueles jovens que têm o sonho de se tornar árbitros de futebol?

LA – O conselho que posso dar a quem está começando é que seja independente. Procure estudar, trabalhar para não depender de arbitragem financeiramente. E também tenham independência e posicionamento nas suas opiniões. Que procurem ser justos e não fiquem em cima do muro ou do lado sempre de quem é mais forte. Não se deve fazer arbitragem política para depender de escala e sempre dizer amém o tempo todo. Hoje a gene vê muitos que não reivindicam seus direitos e dizem amém a tudo para serem escalados. Isso não leva a lugar nenhum.

Foto capa: Eliezer Oliveira

Manoel Matos, da BA

Ex-árbitro, ele foi inspirado pelo pai, que também havia sido profissional do apito, e ainda serviu de inspiração para seu filho, um dos principais assistentes FIFA da América do Sul, Alessandro Matos…

Sinbaf, 20 de julho de 2016

Filho de Peixe, peixinho é. O provérbio, constantemente utilizado quando o assunto é um talento passado de pai para filho se encaixa perfeitamente na vida de Manoel Lima Matos.

Ex-árbitro, ele foi inspirado pelo pai, que também havia sido profissional do apito, e ainda serviu de inspiração para seu filho, um dos principais assistentes FIFA da América do Sul, Alessandro Matos.

Dono de um vasto currículo, Matos foi o entrevistado de julho do portal do Sinbaf. Após 23 anos da aposentadoria, o baiano, que hoje atua como comentarista esportivo contou detalhes da carreira que podem ser conferidos abaixo.


Manoel Matos, hoje comentarista esportivo da Rádio Itapoan FM

Sinbaf: O que te fez escolher ser árbitro de futebol? O que a profissão representa na sua vida?

Manoel Matos – Meu pai, Álvaro Mattos, foi arbitro internacional em Portugal e Diretor da Federação Bahiana de Desportos na década de 50. Ele me inspirou. Eu transformei em trabalho o q era diversão e o futebol me deu tudo, tenho respeito por todos que fazem parte do esporte mais praticado no mundo.

Sinbaf: Quando começou a carreira?

MM – Me formei em 1975.

Sinbaf: Quantos anos de carreira e por quantos ficou nos quadros da FBF e CBF?

MM – Fui arbitro aspirante a FIFA, CBF e FBF ate 1993.

Sinbaf: Quantos jogos apitou em toda a carreira? Qual deles considera o mais importante, aquele que nunca esquecerá?

MM – Apitei 849 jogos oficiais, mas também apitei na várzea, clubes sociais e até na cadeia publica. Já os jogos mais importantes da minha carreira foi um Flamengo x Inter, no Maracanã, em 1986, e um BAVI, em 1987. Ficaram registrados.


Manoel Matos quando atuava como árbitro

Sinbaf: Como você enxerga a arbitragem brasileira hoje? Evoluiu?

MM – Teve grande melhora no nível dos árbitros, principalmente os da FIFA e Aspirantes.

Sinbaf: E a arbitragem baiana? Vê novas revelações surgindo que possam manter um bom nível de arbitragem na Bahia?

MM – Em 2015, Paulo Celso Bandeira e Tania Regina fizeram um trabalho muito forte com os árbitros baianos e teve uma melhora na qualidade muito grande em campo.

Sinbaf: Você tem um filho, Alessandro Matos, que seguiu seu caminho e se tornou árbitro. Acompanha de perto o trabalho dele?

MM – O Alessandro é um caso de sucesso na arbitragem brasileira, o índice de acertos dele em finais de Brasileiro, finais de copa do Brasil, finais de estaduais e Libertadores e coisa para ser analisada pela FIFA.

Sinbaf: E como você enxerga o Alessandro como árbitro? Ao que você acha que se deve o fato dele se manter a tantos anos no quadro da FIFA?

MM – Vou emitir minha opinião como analista de arbitragem. Ele é o melhor assistente da América do Sul desde 2007. Em 2015 a Rede Globo e Rede Bandeirantes escolheram ele como o melhor. Isso ninguém tira dele, foi reconhecimento isento.

Sinbaf: A Bahia tinha a expectativa de ver o Alessandro na Copa do Mundo de 2014, mas na reta final não aconteceu. O que acha que atrapalhou a realização desse sonho? Faltou apoio de quem administra o futebol? Acredita que ele ainda pode representar o país em uma Copa do Mundo?

MM – Quando um profissional do alto nível de Alessandro, reconhecido mundialmente como destaque, não vai a uma Copa do Mundo, quem perde com certeza é o futebol, porque deixou de ter excelência nas decisões. Eu sou um privilegiado por ter um filho como ele, amigo, fiel e tem a honra como seu escudo.


Manoel Matos quando atuava como árbitro

Sinbaf: O que você acha que falta ao árbitro de futebol em termos de apoio e estrutura para desempenhar a profissão?

MM – O futebol mudou, está muito veloz, mais competitivo, a tecnologia evoluiu, dezenas de câmeras em vários ângulos e mostrando os erros dos árbitros, isso, torna-se deslealdade. O arbitro é humano, errar faz parte do jogo, a estrutura da arbitragem precisa dar ao arbitro mais conforto, mais segurança, mais apoio para ele exercer sua atividade, o arbitro ainda e amador no futebol profissional, o projeto do Manoel Serapião Filho, hoje uma das maiores autoridades do mundo em arbitragem, pode diminuir os equívocos.

Sinbaf: Já que tocou no assunto da tecnologia, o que acha que também pode mudar na arbitragem?

MM – Tem algumas coisas importantes a serem abordados também. A FIFA colocou muita responsabilidade nas costas do árbitro, na interpretação do toque de mão dentro da área. Correr o risco quando o braço está afastado do corpo se desviar a bola ficou complicado. Acho que a marcação tem que passar pela intensão e deliberação do jogador em praticar o ato. Pênalti não pode virar loteria, quando os parâmetros forem iguais às interpretações não podem ser diferentes. As leituras tem que ser coerentes para não confundir o torcedor, pois nossa cultura é polemizar o pênalti. A questão da simulação tem que ser tratada com rigor, jogador que induz o árbitro a erro tem que ser punido administrativamente. Isso é dolo, prejudica o futebol. Respeito à divergência, que se posicionem com suas convicções mesmo que sejam contra a minha. Entretanto, é preciso estudar as regras que são explicativas, Isso, eu faço sempre. Tem analista que briga com a imagem, não adianta querer induzir o torcedor.

Sinbaf: Qual seu ídolo na arbitragem e por quê?

MM – Tive alguns árbitros que gostava muito como Armando Marques, Manoel Serapião Filho e Paulo Celso Bandeira. Todos com muito talento.

Sinbaf: Você chegou a atuar como comentarista de arbitragem e hoje é comentarista esportivo de uma rádio de Salvador. Fora sua atuação na área, ainda pretende colaborar com a arbitragem fora de campo? De qual forma?

MM – Primeiro gostaria de agradecer a oportunidade de conversar com vocês. Admiro o Arilson Bispo da Anunciação, equilibrado, tem tido uma postura correta como presidente do Sinbaf, promovendo cursos, encontros e valorizando os árbitros do nosso estado. Estou comentarista da rádio itapoan FM 97.5, o que me honra, mas continuo árbitro e à disposição para contribuir com um pouco de experiência.

Fotos: Arquivo Pessoal

Willian Cavalcanti, da BA

“Eu amo arbitragem, fiz na minha carreira com amor. A arbitragem representa tudo na minha vida. Passei quase vinte e poucos anos nela, profissionalmente foram 17 anos.”

Sinbaf, 17 de agosto de 2016

Uma história na arbitragem. Conversar com William Cavalcanti Lima sobre a profissão pode render um livro.

O Sinbaf não escreveu uma “obra”, mas tentou trazer detalhes e relatos marcantes de quem viveu muitos anos na arbitragem. Em bate-papo com a equipe do site, o ex-árbitro e fundador do Sindicato, hoje com 66 anos, contou tudo e mais um pouco.

São opiniões, agradecimentos e revelações que podem servir como verdadeiros ensinamentos para os jovens árbitros da Bahia e do Brasil.

Confira abaixo a entrevista completa com o pernambucano que brilhou na arbitragem baiana:

Sinbaf: O que te fez escolher ser árbitro de futebol? O que a profissão representa na sua vida?

William Cavalcanti – Fui atleta quase profissional e, depois que tive contusão, resolvi estudar para ser árbitro. Fui árbitro do futebol de Salão, já tinha essa experiência, ai fiz um curso da Federação Bahiana de Futebol e segui a profissão. Acho que estava no sangue. Eu amo arbitragem, fiz na minha carreira com amor. A arbitragem representa tudo na minha vida. Passei quase vinte e poucos anos nela, profissionalmente foram 17 anos. É um tempo considerável. Se a profissão fosse regulamentada, hoje eu estaria aposentado por ela e muito bem.

Sinbaf: Quando começou a carreira? Quantos anos teve de carreira e quantos ficou nos quadros da FBF e CBF?

William Cavalcanti – Me formei em 1982. Na metade da minha formação já trabalhava no Intermunicipal. Em 1990 já estava na CBF e fui escolhido o melhor auxiliar do Norte-Nordeste. Trabalhei em semifinais de campeonatos brasileiros, como auxiliar, pois na minha época a gente fazia os dois, apitava e bandeirava. Hoje já não é mais assim.

Sinbaf: Quantos jogos apitou em toda a carreira? Qual deles considera o mais importante, aquele que nunca esquecerá?

William Cavalcanti – Apitei uma média de 3 mil jogos mais ou menos, como profissional e amador. Foram muitos. Só como profissional, foram mais ou menos mil e trezentos. O mais importante foi a final do Campeonato Mineiro em 1986. Fui auxiliar para Nei Andrade Nunes Maia, era um trio da Bahia, com Florêncio Ferreira também. Nesse jogo, tivemos uma cota fabulosa. Com o dinheiro do jogo, consegui comprar uma casa. Foi um jogo muito importante, mas o que marca a gente mesmo são os BAVIs.

Sinbaf: Como você enxerga a arbitragem brasileira hoje em comparação à da sua época? Evoluiu?

William Cavalcanti – A arbitragem teve uma evolução muito grande. Ficou dinâmica. Na minha época era mais devagar, o tempo de jogo era pouco. A arbitragem melhorou muito.

Sinbaf: E a arbitragem baiana? Vê novas revelações surgindo que possam manter o nível da arbitragem da Bahia?

William Cavalcanti – Na arbitragem baiana têm aparecido revelações. Agora mesmo veio o Marielson e já tínhamos o Jailson, o Arilson, que são árbitros que gosto muito. Esses três são os mais conhecidos meus. O Marielson vi criança. Arilson e Jailson já vi trabalhando com meu filho, o Abel (Jeferson). O que me preocupa na arbitragem baiana é que não deixam nossos árbitros apitarem decisões, apitarem BAVIs. Nós vimos o que aconteceu nesse ano, a calamidade pública que foi a arbitragem de fora na final do campeonato (Baiano). Na Bahia temos bons árbitros e auxiliares e esperamos que apareça mais gente.

Sinbaf: Você tem um filho árbitro, o Jefferson Abel. Você influenciou para que ele também seguisse a carreira na arbitragem?

William Cavalcanti – Tenho um filho árbitro, acompanho a carreira dele. Graças a Deus, ele tem um ótimo emprego, na Promotoria Pública de Eunápolis. Ele é muito dedicado na arbitragem e só quis ser auxiliar. Pergunto a vários árbitros consagrados e até ao Arilson, e todos falam bem. Fico triste porque faltou oportunidade para ele ingressar na CBF. Ele chegou a fazer um, mas sofreu um acidente de carro com a família e quase morreu. Isso foi um dia antes do teste. Ele foi para o teste abalado psicologicamente e não foi bem. Depois disso, não deram mais oportunidade a ele, que só tem 33 anos. Todo mundo fala que ele tem uma qualidade incrível. Então, queria ver ele no quadro nacional.

Sinbaf: Como é ser pai de um árbitro, costuma dar conselhos? Acompanha e avalia o trabalho do seu filho?

William Cavalcanti – Ser pai de um árbitro, e do Jefferson Abel, me dá muita alegria. Ele é muito dedicado e tem muita qualidade. Se eu não visse qualidade nele, eu falaria, sou sincero. Pelo que tenho visto, a Federação vai perder ele. Ele está muito dedicado ao emprego. Ele não vem sendo colocado em jogos importantes, não teve esse empurrão. Ai, ele vai deixar de se dedicar a o emprego dele bom? Não vai.

Sinbaf: O que você acha que falta ao árbitro de futebol em termos de apoio e estrutura para desempenhar a profissão?

William Cavalcanti – O árbitro tem que ser profissionalizado. É o único da estrutura do futebol que não é profissional. O árbitro, hoje, o que é o caso do meu filho, tem que ter outro emprego, pois depois que ele se aposenta, quem vai garantir o sustento dele e da família, se a arbitragem não é profissional?

Sinbaf: Qual seu ídolo na arbitragem e por quê?

William Cavalcanti – Eu me inspirava muito em Boschilia (Dulcídio Wanderley), de São Paulo. Era um árbitro de autoridade forte, de conhecimento da regra, era excelente, completo.

Sinbaf: Você foi o fundador e primeiro presidente do Sinbaf. Como foi essa experiência? Teve dificuldades ou apoio para a criação do Sindicato?

William Cavalcanti – Fui o primeiro presidente do Sinbaf e me orgulho muito disso. Sou pernambucano, mas morava em Salvador, sozinho, sem nenhum parente. Tinha ótimas amizades. Quando me tornei árbitro, tive o sonho de ser presidente de uma associação. Fundamos o Sindicato e realizei esse sonho. Até me emociono ao falar disso, pois lutei muito. Passei quase um ano com um livro de ata debaixo do braço. Quem me orientava era José Gomes do Santos, que é advogado. O Sindicato deve muito a ele também. Outros também ajudaram muito, como Wilson Paim, Agnaldo, Argemiro. Paim sempre esteve colado comigo. Hoje, posso dizer que o Sinbaf é uma marca minha, que deixei, pois ninguém queria Sindicato e eu vim com essa ideia. E fico muito feliz agora, pois essa é a primeira entrevista que me perguntam sobre o Sindicato. A única administração que lembrou de mim é a do Arilson. Outros, que foram meus colegas, passaram por minha turma, nunca me procuraram nunca me deram uma medalha. Fico muito agradecido ao Arilson por lembrar de mim e muito feliz também por saber que o Sinbaf hoje tem uma sala, é organizado.

Sinbaf: Quantos anos ficou no Sinbaf? Qual balanço faz da sua gestão? O que você pode citar de resultados e conquistas dos anos em que presidiu a entidade?

William Cavalcanti – Fiquei quase quatro anos no Sinbaf. Passei minha administração para o Paim. Minha administração foi ótima. Tínhamos dificuldades enormes, mas consegui criar e entregar ele funcionando bem. Só pelo fato de ter fundado, lutado, enfrentado muitos para que o Sindicato nascesse. Minha administração foi importante. Muitos presidentes de Federação também não queriam o Sindicato, tinham medo do que ele poderia causar. Mas, botei pé firme, passei por muitos presidentes de Federação e o único que me apoiou foi Marcos Andrade, me apoiou bastante, enquanto outros se retraíram. Mas, claro que não foram apenas flores. Tive desacertos também na minha gestão, o que faz parte. Quem diz que nunca passou por desacertos, está mentindo. O importante é que tive controle para passar por cima disso tudo. Minhas conquistas foram muitas. Ninguém sabe que fui o primeiro presidente de uma entidade nacional, a Cobrasaf. Eu, como presidente do Sindicato, junto com Alagoas, Sergipe, Piauí fundamos essa entidade. Fazia festas do Sindicato, confraternizações, todos os anos. Todos os seguimentos da arbitragem da Bahia foram para o Sindicato. Talvez, se eu não tivesse lutado pelo Sindicato dessa forma, ele hoje não estivesse vivo.

Sinbaf: Após a saída do sindicato, continuou trabalhando com arbitragem? Hoje, você exerce algum papel ligado à arbitragem?

William Cavalcanti – Continuo com arbitragem, está no sangue. Fui morar em Eunápolis quando sai do Sindicato. Formei um quadro fortíssimo no Extremo Sul, dando cursos e com apoio da Federação também, não posso negar isso. A Federação me apoiou e me apoia, pois formou e formei muitos árbitros, como o Lourival (Dias Lima Filho), ministrando cursos. Recentemente ministrei um, Ednaldo me deu apoio. Não posso criticar a administração de Ednaldo, porque não trabalhei com ele. O que posso dizer é que ele ajuda e deu uma mudada boa na arbitragem também.

Sinbaf: Que conselho você dá para aqueles jovens que têm o sonho de se tornar árbitros de futebol?

William Cavalcanti – Dou um conselho sem medo de errar. Só vá para a arbitragem quem tiver coragem, conhecimento. É uma profissão ótima para ter uma renda. Se profissionalizar, vai ser uma profissão melhor do que muitas ai. Dou conselho também às mulheres, que procurem a arbitragem cada vez mais, participem também. Os cursos que o Sindicato tem realizado são de qualidade, participem. É ter coragem e saber o que está marcando. Tem que ter coragem e conhecer a regra do jogo. Essas são as duas coisas mais importantes para quem quer ser árbitro.

Arnaldo de Menezes, na Copa 98

Aos 42 anos trabalhou na Copa do Mundo da França. O árbitro assistente Menezes e o juiz mineiro Márcio Rezende de Freitas foram os únicos representantes da arbitragem brasileira na competição.

Sinbaf, 23 de fevereiro de 2015

Professor de educação física, Arnaldo Menezes Pinto Filho é um ex-árbitro assistente baiano que já trabalhou em decisões dos Campeonatos estaduais, da Copa do Brasil, do Campeonato Brasileiro, de partidas da Copa libertadores e das eliminatórias da copa.

O assistente baiano que desistiu de ser árbitro central por causa de seu físico franzino, Aos 42 anos trabalhou na Copa do Mundo da França. O árbitro assistente Menezes e o juiz mineiro Márcio Rezende de Freitas foram os únicos representantes da arbitragem brasileira na competição.

Arnaldo Pinto costumava dizer que os trabalhos do goleiro e do assistente são parecidos. “Ficamos de costas para a torcida e não podemos cometer erros”.

CURRÍCULO

Ano de Formação: 1982

Ano que entrou no quadro estadual: 1985, no jogo Botafogo x Catuense (primeira atuação no Campeonato Baiano)

Quadro Nacional: Estreou em 1989 – Campeonato Brasileiro Serie B

Quadro Internacional: Estreou em 1995 – Corinthians x Botafogo

Encerrou a carreira: No ano 2000 – Vasco da Gama x São Caetano

Quantidade de jogos aproximadamente nas entidades nacional e internacional:

CBF – 300 JOGOS

FIFA – 200 JOGOS

Ano de Formação: 1982

Ano que entrou no quadro estadual: 1985 Botafogo x Catuense (primeira atuação no Campeonato Baiano)

Quadro Nacional: 1989 – Campeonato Brasileiro Serie B

Quadro Internacional: 1995 – Corinthians x Botafogo

Encerrou a carreira: 2000 – Vasco da Gama x São Caetano

Quantidade de jogos aproximadamente na:

CBF – 300 JOGOS

FIFA – 200 JOGOS

PRINCIPAIS JOGOS

COPA DO BRASIL

1º 1995 – PALMEIRAS 5 x 1 GREMIO

2º 1995 – PALMEIRAS 1 x 2 CORINTHIANS

3º MUNDIAL SUB -17 PARAGUAI – 3 JOGOS

4º MALASIA MUNDIAL SUB 20 – 4 JOGOS E UMA OITAVAS DE FINAL

5º COPA DO BRASIL FINAL – FLAMENGO 2 x 2 GREMIO

6º CAMPEONATO BAIANO 1997 – POÇÕES 2 X 1 VITORIA

7º COPA DO BRASIL 1998 – CRUZEIRO X PALMEIRAS

8º COPA DO MUNDO – 4 JOGOS – OITAVAS DE FINAL

9º CAMPEONATO BRASILEIRO – 2000 – VASCO DA GAMA X SÃO CAETANO
PRINCIPAIS JOGOS

COPA DO BRASIL

1º 1995 – PALMEIRAS 5 x 1 GREMIO

2º 1995 – PALMEIRAS 1 x 2 CORINTHIANS

3º MUNDIAL SUB -17 PARAGUAI – 3 JOGOS

4º MALASIA MUNDIAL SUB 20 – 4 JOGOS E UMA OITAVAS DE FINAL

5º COPA DO BRASIL FINAL – FLAMENGO 2 x 2 GREMIO

6º CAMPEONATO BAIANO 1997 – POÇÕES 2 X 1 VITORIA

7º COPA DO BRASIL 1998 – CRUZEIRO X PALMEIRAS

8º COPA DO MUNDO – 4 JOGOS – OITAVAS DE FINAL

9º CAMPEONATO BRASILEIRO – 2000 – VASCO DA GAMA X SÃO CAETANO

Manoel Serapião, da IFAB

“Tenho um projeto sobre o uso de tecnologia, já muito divulgado no Brasil, mas que, agora, como membro do TAP/IFAB terei oportunidade – como já fiz na recente reunião de que participei em Londres – 26 a 29/04/2015 – de defender a ideia com mais força. A ética e a essência do futebol clamam por resultados sempre justos.”

Sinbaf, 15 de maio de 2015

Foram 24 anos de uma carreira brilhante. Uma trajetória iniciada ainda em 1972 e que carrega feitos memoráveis, como os 22 anos no quadro da CBF e quatro na FIFA.

Esse é um simples e já invejável resumo da carreira de Manoel Serapião Filho como árbitro de futebol. Hoje aos 67 anos, o baiano é o entrevistado do mês do Portal Sinbaf.com.

À reportagem do site, Serapião, como é conhecido contou detalhes dessa trajetória. Relembrou momentos marcantes que o fizeram um profissional de destaque no Brasil e no Mundo.

Mas, o ex-árbitro também não deixou de opinar sobre o momento da arbitragem nacional e falou sobre suas experiências como Instrutor Internacional de Arbitragem e Diretor Adjunto da Área Técnica da Escola Nacional de Árbitros de Futebol (Enaf), funções que exerce atualmente.

CONFIRA ABAIXO O BATE-PAPO COM MANOEL SERAPIÃO:

Sinbaf: O que te fez escolher ser árbitro de futebol? O que a profissão representa na sua vida?

Manoel Serapião: Mero acaso. Anivaldo Magalhães, meu compadre e um dos melhores árbitros de futebol do país em sua época, com quem eu jogava futebol, no antigo campo do SEAM – escola de menores, me inscreveu no curso à minha revelia. Fiz o curso e pronto, não queria apitar. O diretor da escola, também meu amigo Valter Pereira, insistiu para que eu apitasse ao menos um jogo. Resultado, atendi ao pedido e fui mordido pela mosca da arbitragem, que me persegue até hoje, felizmente.A arbitragem para mim foi e continua sendo vida: conquistas, amigos e sucesso. As derrotas e as poucas desavenças fazem parte da caminhada e são motivação para o crescimento.

Sinbaf: quando começou a carreira?

Manoel Serapião: Em 1972, quando ainda havia o velho Campo da Graça e Fonte Nova tinha apenas um anel de arquibancadas. Faz tempo!

Sinbaf: Quantos anos teve de carreira? Por quantos anos integrou os quadros da CBF e FIFA?

Manoel Serapião: Atuei durante 24 anos. Fui da do quadro da CBF por 22 anos e da FIFA por 04 anos. Deixei a arbitragem em 1993, para exercer a Magistratura do Trabalho. Antes, em 1989, havia sido aprovado em concurso para Magistrado da Justiça Comum, na Bahia. Todavia, porque foi justamente nesse ano que fui indicado para o quadro da FIFA, desisti de tal concurso.

Sinbaf: Quantos jogos apitou em toda a carreira? Qual deles considera o mais importante, aquele que nunca esquecerá?

Manoel Serapião: Não tenho certeza, mas por volta de 890 jogos. Houve muitos jogos importantes. Alguns pela repercussão do jogo – BA x VI é sempre BA X Vi –, outros pelo jogo em si. Cito aqui na Bahia um dos Vitoria X Galícia; um dos Galícia X Ipiranga, ambos 1974 e um BA X VI em 1975. Jogos muito quentes com a Fonte Nova lotada. Além desses de casa, houve  muitos outros jogos importantes, inclusive 06 semifinais do campeonato brasileiro;  02 finais como Bandeirinha (o Assistente de hoje); 02 finais da Taça de Prata (série B); 02 semifinais da Taça Libertadores; duas partidas pelas eliminatórias do Mundial de 1994. Também não posso deixar de registrar 05 atuações no Mundial de futebol de Salão, em Hong Kong – 1992.

Sinbaf: Como você enxerga a arbitragem brasileira hoje? Evoluiu?

Manoel Serapião: Ao contrário do que muita gente pensa, embora ainda precise evoluir, a arbitragem brasileira é de elevada qualidade. Temos árbitros que sentem o jogo, respeitam as regras e a essência do futebol – verdadeiros árbitros. Acontece que em uma arbitragem, em que são tomadas centenas de decisão,  apenas são considerados os erros, pois os acertos não contam. Nós técnicos, todavia, apesar de sabermos que os erros prejudicam os  espetáculos e que podem não legitimar o  resultado de uma partida – grande objetivo da arbitragem – não podemos enxergar  essa atividade por esse ângulo tão estreito, tão limitado. Temos que olhar o todo; a filosofia da atuação; a igualdade de critérios para situações que se enquadrem na mesma moldura; a força e a independência do árbitro; seu equilíbrio emocional para suportar pressão e solucionar os conflitos e os lances difíceis com segurança e serenidae; o posicionamento do árbitro em campo; o trabalho em equipe e muitos outros fatores que, infelizmente, o público e grande parte da imprensa não percebem. Mas gostaria de mencionar a maior conquista da arbitragem brasileira, para o que, modéstia à parte, muito contribui:  a independência. Hoje não mais se fala na denominada “arbitragem caseira”. No Brasil, hoje, até mais do que na Europa, nas competições coordenadas pela CBF e sobre o que eu tenho elementos para me manifestar,  os times visitantes não receiam pressão sobre os árbitros, pois os times que jogam em casa, na grande generalidade, não desfrutam de qualquer  vantagem. Tanto que no Brasil os times que jogam em casa vencem apenas 51% do jogos. Esse percentual é de 63 na Europa. Tudo porque  quando a CA-CBF, presidida com muita competência por Sergio Correa, percebe falta de estrutura emocional, de independência em algum árbitro procura detectar a causa, lhe dar apoio psicológico e orientação técnica e passa a acompanha-lo com muito cuidado, analisando seu desempenho em jogos de menos apelo midiático, pois para a CBF todos os jogos têm o mesmo valor. Essa é uma conquista e um valor que muito orgulha a nós anônimos que cuidamos da arbitragem brasileira e, por consequência, de nosso futebol, pois sem boa arbitragem não há bom futebol.

Sinbaf: E a arbitragem baiana? Vê novas revelações surgindo que possam manter o nível da arbitragem da Bahia?

Manoel Serapião: Acho que a Bahia tem renovado pouco. Passou muito tempo sem realizar curso. Todavia, alguns jovens árbitros já revelam capacidade para que sejam observados e incentivados a seguirem a diretrizes acima. O renomados árbitros baianos são tão bons quanto os melhores do país.

Sinbaf:  O que você acha que falta ao árbitro de futebol em termos de apoio e estrutura para desempenhar a profissão no país?

Manoel Serapião: Antes de tudo, uso de tecnologia para lances capitais, sobretudo para aqueles em que a limitação humana, em razão da velocidade atual do futebol, não pode ou tem elevada dificuldade de perceber. Tenho um projeto sobre o uso de tecnologia, já muito divulgado no Brasil, mas que, agora, como membro do TAP/IFAB terei oportunidade – como já fiz na recente reunião de que participei em Londres – 26 a 29/04/2015 – de defender a ideia com mais força. A ética e a essência do futebol clamam por resultados sempre justos. Logo, a impossibilidade visual de alguns lances não pode continuar alterando os resultados das partidas; colocando a capacidade dos árbitros em xeque, quando não sua dignidade; gerando frustração e violência. O futebol precisa se livrar do abominável conceito de ser o esporte onde a “malandragem” é natural. Precisa, pois, passar a ser o esporte da ética plena. Isso ajudaria, inclusive, a educar de modo correto nossos jovens, pois aquele que, por hipótese, praticasse uma simulação, em lugar de ser aplaudido, seria orientado a atuar corretamente. Um aviso aos que não conhecem os estudos – seja por falta de oportunidade, seja pela adoção da abominável postura do “não li e não gostei” –, ou, ainda, por serem conservadores só por conservar e não por conhecimento:  A TECNOLOGIA PODE SER USADA SEM QUE SEJA NECESSÁRIO, SALVO EXCEPCIONALMENTE, PARALISAR O JOGO, MAS, AO CONTRÁRIO,  LHE DARIA BEM MAIS DINÂMICA.

Sinbaf: Em suas viagens pelo Mundo como instrutor e assessor de arbitragem, o que você vê de diferença entre a arbitragem brasileira e a de outros países?

Manoel Serapião: A arbitragem brasileira, sobretudo em razão das dificuldades que nossos jogadores, em razão de nossa cultura, criam para os árbitros, está no nível das melhores e bem acima da maioria dos demais países.  O público só vê os jogos importantes e de grandes competições de outros, nos quais só atuam os árbitros de elite. No Brasil, realizamos mais de 1.000 jogos por ano e com árbitros ainda em preparação. Os erros, em comparação com os acertos e com toda a técnica empregada, são em número bem reduzido. Os maiores e mais graves erros de arbitragem do mundo foram cometidos por grandes árbitros de outros países. Somos os melhores!

Sinbaf: Você acha que o futebol caminha para uma padronização internacional da arbitragem? Por quê?

Manoel Serapião: Já há um padrão universal, embora com distinções peculiares. Se o futebol é universal, tanto a forma de jogar, como de arbitrar, sobretudo no mundo globalizado, é um caminho sem volta.

Sinbaf: Fale mais sobre sua atuação na ENAF. Quais projetos a Escola tem para serem colocados em prática em 2015 e nos próximos anos?

Manoel Serapião: Da ENAF sou o Diretor Adjunto da Área Técnica, ou seja, o responsável direto pelos seguintes aspectos da arbitragem: revisão e atualização anual do livro de regras e de todas as suas normas; orientação aos árbitros sobre interpretação das regras, especialmente sobre a razão de ser de cada diretriz, que sempre tem que ser compatível com a essência do futebol; sobre a técnica de arbitragem, envolvendo posicionamento, deslocamento, controle de jogo, trabalho em equipe; ademais, tem a responsabilidade de traçar as diretrizes sobre lances de elevada dificuldade de interpretação, de modo a aproximar o mais possível os critérios de interpretação. Essa responsabilidade pessoal, todavia, é apenas institucional, pois tudo é feito em conjuntos com meus pares da própria ENAF, Alício Pena Junior, que é o presidente; Ana Paula Oliveira que é a Secretária; Marcio Verri Brandão, que é o Adjunto Administrativo, bem como e principalmente sob a supervisão geral de Wilson Seneme que é o coordenador nacional e de Sérgio Corrêa presidente da Comissão de Arbitragem e de sues pares Nilson Monção, que é o vice-presidente e Antônio Pereira que é o Secretário, ambos da indicada comissão. Nosso trabalho é contínuo, incessante, exaustivo, até estressante, mas altamente gratificante porque trabalhamos em ambiente de plena confiança e respeito – as divergências são expostas com absoluta lealdade e os vencidos seguem rigorosamente a decisão da maioria. Mas nossa gratificação se dá ainda mais porque recebemos respostas muito positivas do qualificado e digno quadro de árbitros brasileiros.

Sinbaf:  Voltando mais um pouco no tempo, você foi o representante brasileiro no encontro do IFAB. Quais os objetivos da associação? O que se discutiu nesse encontro?

Manoel Serapião: Após 129 anos de existência, a IFAB – International Football Association Board, mais conhecida como International Board, admitiu ouvir o mundo da arbitragem por completo e criou um Conselho Técnico Consultivo – TAP – Technical Advisory Panel. Esse conselho é comporto por alguns membros da FIFA e da própria I. Board e por mais 06 membros representando as 06 Confederações que representam os 05 continentes do mundo. Em razão disso, eu fui honrado com a indicação de meu nome por Sérgio Correia, presidente da CA-CBF e a aprovação pelos José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, então presidente e Vice-presidente da CBF, hoje com cargos invertidos e do Dr. Juan Ángel Napout, Presidente da CSF – Confederação Sul-americana de Futebol,  para compor o referido Conselho, na qualidade de representante da Confederação Sul-americana de Futebol. Esse Conselho tem por objetivo assessorar a FIFA e a I. Board sobre as regras do jogo. Lá discutimos os assuntos que estão em pauta e emitimos nossas opiniões e sugestões. A decisão final, por questão estatutária, compete à BOARD. Na primeira reunião, ocorrida em Belfast – Irlanda do Norte – 24 e 25/11/2014 – discutimos os temas relativos a impedimento; bola na mão; substituições volantes; tripla punição (pênalti, expulsão e suspensão automática de jogadores que impedem gol ou clara oportunidade de gol); uso de equipamentos por jogadores para verificação de desempenho; e uso de imagens ou símbolos por jogadores (tatuagens). De tudo, foi lavrada uma ata, pelo Secretário da IFAB, Sr. Lukas Brud, e encaminhada à FIFA e à própria BOARD. Nessa segunda reunião, ocorrida em Londres – Inglaterra – 26 a 28/14/2015 – discutimos os mesmos temas da anterior, à exceção do aspecto relativo à tripla punição, uma vez que na primeira sessão concluímos o assunto, cuja decisão está sob a natural responsabilidade da BOARD, o mesmo que passou a ocorrer com as demais matérias, pois todas elas foram concluídas nessa segunda reunião. Também nessa segunda reunião foram discutidos mais dois assuntos: quarta substituição em jogos que tenham prorrogação, sendo essa proposta de nossa Confederação Sul-americana e uso de tecnologia pelas arbitragens. Em que pese não haver sido adotada nenhuma decisão conclusiva sobre a primeira matéria – 4ª substituição –, o conteúdo das discussões será levado à IFAB, que deliberará sobre se os argumentos foram conclusivos ou necessitam de mais aprofundamento. Sobre a segunda matéria – uso de tecnologia pelas arbitragens – é evidente que ainda haverá muitas discussões, valendo dizer que encaminhamos nosso projeto pessoal, já do conhecimento de todo o Brasil, o qual, a nosso sentir, é mais avançado do que o que nos foi exposto – experiência realizada na Holanda –, pois nosso projeto é aplicável apenas para lances claros, ou seja, não de interpretação, que possam interferir diretamente nos resultados das partidas (gol ou pênaltis marcados/não marcados ou evitados) e expulsão de jogadores  que pratiquem conduta violente ou jogo brusco grave indiscutíveis. Além de nossa participação nas discussões e do encaminhamento de nosso projeto sobre o referido uso de tecnologia, também oferecemos sugestão, em nome da CBF, para que seja criado um “GRUPO DE ESTUDOS”, para alterar alguns pontos das regras e para realizar uma nova redação completa do livro, de modo a lhes dar harmonia completa com a essência do futebol e linguagem mais simples e objetiva, seguindo a filosofia de não retirar o árbitro o poder/dever de sentir o jogo e decidir de acordo com as circunstâncias das partidas, por ser essa a essência da arbitragem e do próprio futebol. 

Sinbaf: Para encerrar o que você tem a dizer àqueles jovens que iniciaram agora ou sonham em entrar na carreira da arbitragem?

Manoel Serapião: Sigam sempre o caminho da retidão; nunca façam política fora, nem ajam politicamente dentro de campo; torçam sempre por seus companheiros, pois a nobreza de espírito é o único caminho para o triunfo e a inveja é o veneno do invejoso; preparem-se para enfrentar desafios; dominem as regras do jogo e a técnica de arbitragem; não desanimem e se perdoem quando errarem, mas, principalmente, aprendam com os erros; e sejam humildes, escutem efetivamente os conselhos, pensem sobre eles e seja sábio para separar os bons dos ruins. De um homem é possível, muito provável fazer um bom árbitro, mas de um bom árbitro não se faz um bom homem!

*Fotos: Carlos Santana e Arquivo / WEB    

Fonte: Sinbaf  

 

Entrevista com Edson Rezende – 2012

Delegado da Polícia Federal, foi Aspirante-FIFA. Assumiu a presidência da arbitragem em 30 de setembro de 2005, após o “Escândalo dos Apostadores”. Montou uma força-tarefa com Manoel Serapião, Cunha Martins, Paulo Alves e Sérgio Corrêa. Foi presidente interino várias vezes e, desde 2012, é corregedor do apito.

Notícia, de 25 de maio de 2012

 

Delegado aposentado da Polícia Federal, Edson Rezende de Oliveira é o responsável pelo posto de Corregedor da arbitragem da CBF. Ele foi Presidente da Comissão de Árbitros de Brasília e também chefe do departamento de árbitros da CBF. Em 2007 pediu desligamento da Conaf por problemas de saúde e agora voltou a CBF, para comandar a recém criada Corregedoria da Arbitragem. Nesta entrevista exclusiva para o site da ANAF, Edson Rezende de Oliveira fala como funcionará a nova estrutura.

Qual o papel do Corregedor de Arbitragem da CBF?

Terá um papel de, principalmente, proteger e fortalecer o profissional da arbitragem sério, honesto e competente. Vai proteger a partir do momento que atuar para colaborar na eliminação da arbitragem brasileira dos que nela ingressam com interesses que não sejam de zelar por uma atividade imensamente importante no futebol mas, ainda, grandemente incompreendida e explorada. A Corregedoria de Arbitragem deve atuar procurando identificar possíveis desvios de condutas de pessoas que já estão no meio da arbitragem ou, pretendem nela ingressar, visando interesses próprios ou de grupos que objetivam ganhar vantagens das mais variadas formas usando a arbitragem para atingir suas metas. A Corregedoria pretende atuar em parceria com as entidades e pessoas sérias ligadas ao nosso futebol e que desejam ver o profissional ligado a este esporte, seja qual for sua atuação, sempre como exemplo de seriedade e honestidade.

Qual a estrutura do cargo? A quem está subordinado? Trabalhará com uma equipe?

A Corregedoria de Arbitragem da CBF embora estruturalmente esteja ligada à CA/CBF, para efeitos de organograma, está subordinada diretamente ao Presidente da CBF e deverá trabalhar em ambiente definido na sede da entidade com a estrutura necessária para desempenhar as atividades que a ela estão afetas, tanto de material quanto de pessoal que necessitar, dependendo do volume de atividades.

A atuação será independente?

Com certeza, total independência. O que mais o Presidente da CBF, Dr. Jose Maria Marin, fez questão de enfatizar foi que será um trabalho com total independência, para acompanhar e investigar todas as situações possíveis de interferir negativamente, denegrir , comprometer ou colocar em risco todo o trabalho que a CBF, através da Comissão de Árbitros, tem desenvolvido na valorização e aperfeiçoamento constantes da arbitragem brasileira. Será sempre, é preciso deixar claro, um trabalho de buscas, investigações, acompanhamentos para oferecer subsídios aos órgãos que têm competência legal para punir os que não cumprirem as normas que disciplinam a conduta e postura destes profissionais da arbitragem.

Como será a relação com a CA/CBF?

Temos certeza que será a melhor possível, pois os interesses são comuns, a de valorizar o profissional sério da nossa arbitragem. A relação deve ser a melhor possível, também, com as Federações Estaduais de Futebol que não têm outro objetivo senão a busca de bons e competente
s profissionais da arbitragem nos seus estados e, consequentemente, a nível nacional. Enfim, a relação será sempre boa com todos os segmentos que desejam ver seriedade na nossa arbitragem e queiram colaborar para uma atuação sempre séria e constante em benefício dos bons árbitros, denunciando quaisquer desvios de condutas que possam comprometer a classe destes profissionais.

O trabalho será articulado com o Ouvidor da Arbitragem?

Sem dúvida, primeiro porque ambas as funções estarão trabalhando por uma arbitragem sempre melhor e séria. Depois porque, às vezes, as primeiras denúncias, de possíveis desvios ou dúvidas de comportamentos de árbitros, poderão ser levadas ao Ouvidor de Arbitragem da CBF, com o qual os clubes, principalmente, terão os primeiros contatos com reclamações de trabalhos da arbitragem em seus jogos ou sugestões para acompanhar as atividades de determinados árbitros face seus desempenhos em campo, cujo trabalho pode se estender além dos gramados.

Será possível avaliar com mais profundidade os erros, quando eles acontecerem?

Hoje há um acompanhamento muito detalhado e próximo de todos os árbitros que atuam em todos os jogos de competições coordenadas pela CBF. Tem havido um investimento muito grande e um trabalho incansável da CBF através de sua Comissão de Árbitros em dotar a arbitragem, cada vez mais, de condições ideais para desempenhar suas atividades dentro de campo. São treinamentos constantes, cursos de aperfeiçoamento tanto na Granja do Comari quanto regionalmente nas Federações Estaduais, testes físicos e teóricos regularmente, aquisição de equipamentos para apoio ao trabalho dos árbitros, cursos para instrutores brasileiros ministrados pela FIFA etc. Além destas atividades colocadas visando um aprimoramento cada vez melhor da arbitragem, nossos árbitros são acompanhados em todos os jogos que atuam, em todos os estádios onde ocorram jogos de todas as competições coordenadas pela CBF: Copa do Brasil, Séries A,B,C e D, competições femininas etc. Estes acompanhamentos são feitos por Assessores de Arbitragem ou Delegados Especiais que são designados pela Comissão de Árbitros da CBF para estar presentes em todos estes jogos, acompanhar a atuação de toda a arbitragem e emitir relatórios sobre o desenvolvimento do trabalho dos mesmos, visando treinamentos específicos e particularizados para alguns que assim necessitarem, objetivando uma melhora constante do nível de suas atuações, e/ou o afastamento de outros que não correspondam ao trabalho e investimento que tem sido feitos em seu benefício.

O Presidente da CBF, Jose Maria Marin, afirmou que “pesou na escolha currículo e passado” do senhor e de Aristeu Tavares. Qual sua trajetória de vida, especialmente na arbitragem?

Foi com orgulho que ouvimos estas palavras do Presidente da CBF por ocasião de nossa posse, minha e do Aristeu Tavares que assumiu a função de Ouvidor de Arbitragem da CBF. Iniciei e encerrei minhas atividades de arbitragem de futebol pela Federação Brasiliense de Futebol, desde o curso de formação em 1973 até “pendurar” o apito em 1992. Tive o privilégio de fazer parte do Quadro de Árbitros da CBF e Aspirantes à FIFA e ter feito um incontável número de amigos por todo o Brasil, viajando pela arbitragem. Tive o privilégio de Presidir a Comissão de Árbitros de Brasilia por dez anos, fazer parte da Comissão de Árbitros da CBF por oito anos e presidir a mesma por mais dois, fazer parte da relação de Assessores de Arbitragem e Delegado Especial da mesma entidade. Na vida funcional tive o privilégio de pertencer a um dos órgãos de maior respeito e admiração pelo brasileiro a “Policia Federal” da qual sou aposentado na função de Delegado. São duas atividades que estão no sangue e só as desempenham quem gosta e possui vocação para tal, arbitragem e polícia, com grandes responsabilidades mas pouco reconhecidas pela sociedade. Mas sempre fui muito feliz em exercer ambas.

Fale sobre a arbitragem do seu tempo e a atual.

São épocas bastante distintas. Hoje o árbitro é mais assistido, mais acompanhado, melhor assessorado, com material didático, equipamentos, instrutores mais modernos e melhor preparados para levar ao árbitro atual orientações adequadas e necessárias. A própria mídia moderna coloca ao árbitro informações em tempo real, possibilitando pesquisas, estudos, esclarecimentos de dúvidas que antes não dispúnhamos nos níveis atuais. É claro que o árbitro de hoje é também mais cobrado, seus erros são mais visíveis com uma quantidade enorme de câmeras que acompanham os jogos nos campos de futebol, embora tenhamos que dizer que também seus acertos são mostrados, embora os erros são bem mais dimensionados. No passado até os uniformes cada árbitro confeccionava o seu, chuteiras, bandeiras etc. hoje é tudo padronizado através de patrocínios, e é muito bonito ver um grupo de árbitros entrar em campo impecavelmente uniformizados, tanto na vestimenta quanto no biotipo.

As funções de Árbitro Assistente Adicional ajudarão a arbitragem?

Sem dúvida, são mais quatro olhos acompanhando o jogo e somando para que os equívocos sejam reduzidos. Estarão em um local que, às vezes, ficam difíceis de serem anotadas irregularidades pela arbitragem, e em zonas cruciais para o jogo, podendo decidir resultados de partidas os lances alí ocorridos. Ainda é uma experiência colocada pela FIFA, mas no meu ponto de vista, tende ajudar a arbitragem, e embora parece pouco atuarem, mas às vezes quando atuam podem impedir erros gravíssimos da arbitragem e evitar prejuízos irreparáveis para as equipes.

O que diz o instrutor físico sobre as atuais avaliações físicas. Elas estão adequadas às nossas necessidades? O índice de reprovação ainda é elevado? E as avaliações teóricas são importantes?

O futebol hoje está muitíssimo mais veloz que no passado. Estando mais veloz exige muito mais da arbitragem para acompanhar o mais próximo possível as jogadas e reduzir ao máximo o índice de erros. Portanto o condicionamento dos árbitros também teria que evoluir. A FIFA elaborou estudos, fez experiências e chegou a conclusão que os testes hoje aplicados aos árbitros estão mais próximos do ideal para que eles possam se condicionar, serem aprovados nos testes e desenvolverem um bom trabalho dentro de campo de jogo. Hoje o árbitro para ser aprovado nos testes físicos tem que estar realmente bem preparado, e estar zelando constantemente por este condicionamento físico exigido tanto para os estes quanto para as suas atuações. Os índices de reprovações hoje são bem pequenos, só os que não se cuidam e não se preparam são reprovados. Já as avalições teóricas são indispensáveis para o bom desempenho de uma boa arbitragem, às vezes quando menos se espera ocorre algo raríssimo em campo e o árbitro deve conhecer as regras e estar preparado para interpreta-las no momento que isso ocorrer e aplicá-las corretamente. Por estas razões da CA/CBF tem aplicado testes físicos e teóricos periódicos aos árbitros, visando alertar para que os mesmos estejam sempre preparados e aptos para o bom desempenho de suas atividades e não sejam pegos de surpresa.

O que acha do sorteio para designar árbitros para os jogos? O sorteio de colunas atende ao sorteio?

É um ponto de vista particular meu, julgo que nada veio acrescentar esta metodologia para designar árbitros para jogos. Em todos os países que experimentaram desistiram de tais procedimentos. Alguns defendem o sorteio dizendo que é uma maneira de dar mais transparência às designações de árbitros para os jogos. É como se afirmassem que não acreditam nas pessoas que dirigem a arbitragem. É como quisessem afirmar que o sorteio seria a solução para possíveis problemas da nossa arbitragem, não esquecendo que o maior escândalo da arbitragem brasileira ocorreu na vigência do sorteio. Além de dificultar as designações de árbitros para jogos de campeonatos longos e disputadíssimos, com envolvimentos de vários estados brasileiros o que implica em verdadeiros quebra-cabeças para estas designações principalmente quando atingimos certas fases destas competições quando quase todos os jogos são decisivos para baixo ou para a ponta da tabela e parece haver necessidade de extremas neutralidades de árbitros em face de seus estados de origem, regiões onde moram, jogos que já apitaram na mesma competição etc. O Estatuto de Defesa do Torcedor, que instituiu o sorteio dos árbitros, não especificou a maneira como o mesmo deve ser feito, portanto, s.m.j, não havendo uma designação direta, seja por colunas, de dois, três, quatro etc. é sorteio e deve ser como tal reconhecido, a não ser que haja uma regulamentação da lei e especifique como devem ser realizados os sorteios.

O que acha da tecnologia para auxiliar a arbitragem?

Sou plenamente favorável. É humanamente impossível os responsáveis pela arbitragem de um jogo não cometerem equívocos que poderiam ser sanados pelo auxilio da tecnologia. Hoje mesmo vemos erros graves, serem mostrados pela TV ao vivo, que poderiam ser evitados caso a arbitragem pudesse se socorrer da tecnologia. Não seria, conforme alguns pensam, estar a todo momento parando o jogo para ver o que árbitro marcou, se estava certo ou errado etc. Considero que a tecnologia seria utilizada para dirimir dúvidas de lances objetivos, sem possibilidade de interpretações, a exemplo se a bola entrou ou não no gol, se a infração ocorreu dentro ou fora da área penal, se a bola saiu ou não de campo antes de ser lançada, um toque de mão escandaloso que não deixa margem a dúvidas, a exemplo do ocorrido no jogo França x Irlanda que eliminou a Irlanda da Copa do Mundo na África etc. Em vários esportes se lança mão da tecnologia para evitar erros de arbitragem, a exemplo do tênis, que tem uma quadra bem menor, vários juízes, não contatos físicos etc. por qual razão não permitir no futebol, com um campo enorme, vários jogadores, permanentes contatos físicos etc? Alguns querem defender a não utilização da tecnologia no futebol alegando que iria acabar com as paixões, discussões acaloradas nos botequins, nos programas de rádios, TVs, rodas de amigos etc. É um engano, as discussões vão continuar, pois vão discutir se o empurrão foi pênalti ou não, se o lance foi “bola na mão” ou “mão na bola”, se a entrada do adversário foi faltosa ou não etc. etc.

As discussões vão continuar pois os lances de interpretações (subjetivos) vão continuar causando controvérsias, uns concordando com as marcações da arbitragem outros não, o que vai impedir é que erros gravíssimos, não interpretativos, decidam o resultado de um jogo e até de uma competição, e por vezes, o futuro de um árbitro.

O Corregedor de Arbitragem da CBF teria alguma mensagem?

Talvez não uma mensagem, mas um apelo para que todos façam parte desta Corregedoria e colaborem para não permitir que “bandidos” possam fazer parte da arbitragem brasileira, denunciando comportamentos comprometedores, de toda natureza, dentro e fora de campo, que possam colocar em risco a arbitragem séria que todos pretendem ter. Não é um trabalho de invasão de privacidades, bisbilhotice, policialescos, mas de zelo e cuidado necessários para apoiar as pessoas de bem que lutam por uma futebol cada vez melhor e uma arbitragem sempre séria e colocada acima de quaisquer suspeitas. Este trabalho não deve ser feito somente sobre árbitros, mas sobre seus dirigentes também, que são grandes responsáveis e devem ser exemplos, em todo sentido, a serem seguidos por seus comandados e possam exigir correção nas condutas dos árbitros, pois as suas são inatacáveis. Cada um de nós podemos fazer algo, por pouco que imaginemos, se somadas, as contribuições de todos representam o que precisamos e desejamos para um grupo capaz e sério.

Fonte: ANAF

 

Entrevista com Chefe do DA – 2013

23 de janeiro de 2013, Notícia na Mira, do Paulo Lira.


Com Sérgio Corrêa da Silva, Chefe do DA-CBF terminamos a nossa série de entrevistas especiais com as personalidades  mais importantes da arbitragem nacional.

Espero que tenham gostado de todas elas.

Agora fiquem com esta que sem dúvida irá enriquecer mais ainda a sua opinião sobre o que acontece no mundo dos “homens de preto” do nosso pais.

Confira:

1.De onde ou de quem surgiu a ideia de se criar uma Corregedoria e uma Ouvidoria na CBF? Quando foram criadas?

Do Presidente José Maria Marin que, ao assumir, no dia 16 de março do corrente ano reuniu os integrantes da CA-CBF e durante 2 horas trocamos informações sobre o setor.

O presidente relembrou sua trajetória nos tempos em que jogou futebol; dos 6 anos em que presidiu a Federação Paulista de Futebol, dos dirigentes de arbitragem e dos árbitros da época.

O Dr. Marin de forma clara, objetiva e pragmática disse que não mediria esforços para melhorar a qualidade da arbitragem. Ele enfatizou que aceita o erro humano e que não perdoará o dolo.

Naquela oportunidade ouviu atentamente as ponderações dos antigos companheiros, Luiz Cunha Martins, Manoel Serapião Filho e Paulo Jorge Alves.

Ao final da reunião informou que pretendia adotar medidas para reduzir a carga de trabalho impostas a Comissão de Arbitragem, no sentido de que esta deveria preocupar-se apenas com as designações para os sorteios.

Dentre as primeiras medidas seria a criação da Ouvidoria e Corregedoria da Arbitragem; da aquisição de 30 (trinta) rádios comunicadores e de solicitar autorização especial da FIFA para adotar os árbitros assistentes adicionais, haja vista que tal experimento somente poderia ser colocado em prática sob a supervisão da entidade máxima e do coordenador nacional indicado pelo Dr. Ricardo Teixeira, na época, a escolha recaiu sobre Manoel Serapião Filho.

Em relação aos adicionais, o pedido foi feito pessoalmente em Zurique e quando a autorização chegou ao Brasil, em abril, a CA, com apoio da presidência e das diretorias especificas tratou de importar os equipamentos. O tempo foi curto, mas conseguimos receber os aparelhos no início de maio. Reunimos instrutores, em Goiás para um treinamento especial e eles foram as Federações repassar isto aos árbitros.

Voltando um pouco ao tempo, no final de 2011, a entidade nacional dos árbitros, em reunião com o Dr. Ricardo Teixeira deixou um documento com várias solicitações e lá constava um pedido para adoção da aquisição dos rádios e inserção dos adicionais.

Tais medidas visando a melhoria da qualidade da arbitragem foi ao encontro do pedido da entidade dos árbitros mas posso garantir que após quatro dias da posse do Dr Marin, com certeza não teve tempo de ler o documento, o que demonstrou estar “antenado” no setor.

2.Qual é a função/objetivo desses órgãos? Eles estão subordinados a quem?

Eles estão sendo entrevistados, portanto poderão detalhar as funções. O que posso antecipar é que são autônomos e estão vinculados diretamente ao Presidente Marin.

3. Onde são divulgados as ocorrências destes órgãos e os resultados obtidos?

Eles poderão responder. No site www.cbf.com.br tem um resumo das atividades dos órgãos.

4. Como esses órgãos se relacionam com a CONAF? Em que eles ajudam a melhorar o nível da arbitragem nacional?

Ressalto que o nome correto é CA-CBF e não CONAF. O relacionamento tem sido harmônico, porém independentes.

5. Após serem acionados, esses órgãos possuem autonomia para punir ou restringir algum nome para a RENAF ou Escalas? De que forma?

Enquanto presidente da CA durante os 5 anos, os instrutores faziam o papel do Ouvidor e recomendavam treinamentos para melhoria do desempenho dos envolvidos. Esta recomendação se mantém até os dias atuais.

6. Como e de que forma esses órgão podem ser acionados por torcedores e/ou dirigentes de clubes? Por que no site da CBF não consta o e-mail e o telefone do ouvidor e corregedor?

A Corregedoria pode receber as denúncias de qualquer pessoa, desde que, claro, identificada.

Ao contrário, a Ouvidoria da Arbitragem recebe as reclamações dos Clubes, Federações sobre a atuação dos árbitros e dos Árbitros. Existem casos em que o árbitro também questiona a avaliação recebida. Quanto as reclamações dos torcedores, elas devem ser dirigidas à Ouvidoria de Competicoes, aos cuidados do Dr. Roberto Sardinha.

7. Assessores, Instrutores e Presidentes de CEAFS também estão sujeitos a estes órgãos? 

Caso um dos Assessores ou Instrutores que colaboram com o setor se porte de maneira inadequada, a Corregedoria pode tomar providencias administrativas, ou seja, emitir parecer e encaminhar ao Departamento Jurídico, STJD e MP, se for o caso. A questão dos presidentes de CEAF´s, caso ocorra alguma informação, smj o órgão pode informar a entidade responsável que tem autonomia para que analise e tome as providencias julgadas oportunas.

8. Quais Federações do Brasil possuem esses órgãos? As que não possuem serão obrigadas a criar? Se sim, até quando?

Até o momento, tudo iniciou com a Federação Paulista, cujo presidente Dr. Marco Polo tem investido sobremaneira no setor há quase uma década. A Federação Pernambucana criou a figura do Ouvidor, a Cearense instituiu o Departamento de Arbitragem que será comandada pelo ex-presidente Leandro Serpa.

Falando em inovações lembro muito das feitas em SP como dois árbitros em campo durante dois anos seguidos; limitação de número de faltas (campeonato de aspirantes); tempo técnico; concentração; pré-temporadas etc. Hoje a FIFA cobra muito a CBF no sentido de se cumprir o que o IFAB determina para as partidas de futebol, o que acho muito correto, pois mudar o que esta previsto confunde – e muito – a cabeça de todos.

9. Desde a criação destes órgãos (na sua gestão), o que de concreto foi feito por estes órgãos? Onde estão os resultados?

Como disse acima, um resumo está divulgado no site www.cbf.com.br . A Ouvidoria, dos quase 1300 jogos recebeu 61 reclamações formais dos clubes e 1 de um árbitro solicitando revisão de sua nota.

10. É verdade que a RENAF de 2012 só demorou a sair porque muitos Árbitros indicados pelas comissões estavam (ainda estão) com irregularidades e isto dificultou o trabalho da corregedoria? E como ficam as CEAFS que insistem em indicar árbitros que não possuem todos os critérios exigidos pela CBF?  Não deveriam ser punidas?

Como foi o primeiro ano em que tais órgãos foram criados e devido ao elevado número de documentos analisados pela Corregedoria (mais de 6 mil), houve um atraso. Todavia, para 2013, várias medidas estão sendo tomadas para acelerar o processo. Faz parte do processo, pois mudanças levam tempo para serem assimiladas e as Ceafs estão empenhadas em atender ao que vem sendo colocado pela CBF. Não temos reclamações, ao contrário, a parceria é a palavra chave disto tudo.

Todos que desejam uma arbitragem qualificada, isenta e livre de pressões tem que trabalhar em parceria

11, Os Adicionais deram certo?

Em minha opinião sim, pois muitas arbitragens tiveram apoio deste novo Oficial.

Como foi o primeiro ano em competições nacionais e como tivemos pouco tempo entre a aprovação e o início das atividades, é óbvio que enfrentamos alguns problemas, mas nada tão absurdo que não possa ser aprimorado ano a ano. Quando a UEFA propôs esta função para a temporada 2007/2008 o mundo veio abaixo, como ocorre com toda novidade. A aquisição dos comunicadores foi outra medida salutar que a arbitragem recebeu de presente. É como o celular, ou seja, ninguém consegue viver sem um

12. Quanto ao Departamento de Arbitragem, quais as atribuições previstas pela FIFA?

Art. 6 – Departamento de Arbitragem – Introdução

1. Cada Associação Membro deverá criar um Departamento de Arbitragem dedicado a arbitragem, dirigido por um expert que tenha vasta experiência no âmbito da administração da arbitragem.

2. Se deve estabelecer este departamento de arbitragem dentro da administração da Associação Membro.

Art. 7 – Composição do Departamento de Arbitragem

1. O Departamento de arbitragem deve ser composto por um expert com ampla experiência e trabalhar em tempo integral, com a responsabilidade será administrar o desenvolvimento da arbitragem.

2. Pode ser necessário compor o Departamento de Arbitragem de acordo com as necessidades da AM.

Art. 8 – Os deveres do Departamento de Arbitragem:

* Dar suporte a Comissão de Arbitragem;
* Assistir a CA em todas as suas atribuições;
* Implementar as decisões adotadas pela comissão de árbitros;
* Realizar todas as tarefas relacionadas com a logística da arbitragem;
* Realizar toda as tarefas administrativas do departamento de arbitragem;
* Implementar os programas de desenvolvimento da arbitragem;
* Dirigir, se designado, os trabalhos da Escola Nacional de Arbitragem – ENAF;
* Organizar cursos para árbitros, instrutores, assessores;
* Preparar e produzir material didático de acordo com as regras de futebol promulgadas pela IFAB;
* Informar regularmente as suas atividades a comissão de árbitros; e,
* Auxiliar a Ouvidoria e a Corregedoria da Arbitragem (item agregado para a situação da CBF).

13. A Escola Nacional de Arbitragem foi criada para quais objetivos?

Um antigo sonho antigo da comunidade arbitral que terei a honra de dirigir. Terá como objetivo principal aprimorar os árbitros, assistentes, instrutores e assessores. É mais uma carga de trabalho que será tirada dos ombros da CA, cujo objetivo principal será o de cuidar das escalas de arbitragens. Lembro que o Armando Marques iniciou este processo e até escolheu batizou de Escola Nacional “Coronel Aulio Nazareno”, no final de 1997, todavia houve apenas a vontade, pois não foi regulamentada, ficando apenas no papel.

Veja a Resolução que fundou a ENAF-CBF:

http://imagens.cbf.com.br/201301/443529327.pdf

Além deste novo órgão, o Presidente Marin aprovou as normas que tratam da Estrutura da Arbitragem Nacional:

http://imagens.cbf.com.br/201301/1301975168.pdf

14. Falar da nova Comissão de Arbitragem, é dizer que?.

É um prazer falar da nova CA, pois são figuras destacadas. O Aristeu, por exemplo, um ano antes de deixar a atividade realizou curso de instrutor FIFA; O Antonio Pereira, inclusive pertenceu ao RAP-FIFA durante vários anos. O Nilson Monção sempre foi instrutor e atualmente dirige uma das melhores escolas de árbitros do país. O Dionisio Domingos foi remanejado para a ENAF-CBF e tem vasto conhecimento na área educacional. Enfim, um grupo de elite!

Lembro bem quando o Edson Rezende saiu e disse que a satisfação dele é que alguém do grupo pudesse dar continuidade ao trabalho iniciado em 2005. Lá se vão quase 8 anos.  Com a nova formatação da estrutura arbitral contará com suporte do DA e apoio da ENAF. Tem tudo para dar certo, ainda mais por conta dos atuais gestores não demonstrarem que são vaidosos!

Tenho absoluta certeza de que os novos dirigentes da CA não medirão esforços para dar continuidade a melhoria do setor. Espero que sejam gratos e que não esqueçam de como chegaram aos atuais postos. Quem sabe ser grato receberá gratidão.

15. A missão foi cumprida?

Nossa satisfação é do dever cumprido. Em 2006, o Dr. Edson Rezende de Oliveira determinou um diagnóstico da arbitragem brasileira. Ajudei muito nesta época. De posse das informações implantamos várias medidas para a melhoria da arbitragem nacional, com ênfase nos treinamentos práticos nas 27 Federações.

Quando o Dr. Edson Rezende apresentou problemas de saúde e deixou a função, em 7 de agosto de 2007, aceleramos o processo de modernização do setor, cujo modelo tem sido considerado por vários estados.

Neste período foram avaliados e treinados 3763 agentes do setor, sendo que deste grupo, 643 passaram pelo Centro de Treinamentos “Almirante Heleno Nunes”, um record que – sem dúvida – fez com que as Federações corressem atrás do tempo perdido. A cada ano, mais e mais entidades investiram um pouco mais no setor. Tais medidas, sem dúvidas foram fundamentais para melhorar a qualidade da arbitragem. Como as pessoas apenas acompanham fragmentos do trabalho falam ou escrevem fatos distorcidos da realidade. E como isto ocorre!

Afirmo que houve evolução na arbitragem estadual e nacional, graças ao trabalho de vários abnegados. Hoje não temos “donos das regras”, aqueles antigos dirigentes de arbitragem que não dividiam conhecimento com medo de perder a vaga. Hoje todos os instrutores são atualizados e recebem material de primeiro mundo. Eles tem a missão de desenvolver a arbitragem local e, por consequência, a nacional irá melhorar.

Provo, com números, que nunca antes na história deste país se fez tanto pela arbitragem como de 2005 para cá. Antigamente tudo era feito meio na boa vontade dos dirigentes, o que até saudamos, mas hoje é inegável a modernização do setor. Podem até dizer que a qualidade individual não se compara aos antigos árbitros, mas isto também vale para os jogadores. Os saudosistas tendem a achar que no seu tempo tudo era melhor. Mas são saudades de um tempo que nunca mais voltarão e, em alguns casos, até agradecemos por isto, haja vista os problemas criados por muitos deles.

Prefiro uma dúzia de bons instrutores do que 1 ou 2 “donos do livro de regras.”

Diante dos três cursos de instrutores (2007, 2010 e 2012) posso comemorar outro ganho real: das 27 Federações, mais de 2/3 já realizam pré-temporadas nos estados. Uma, inclusive, faz inter-temporada (Espirito Santo)…. Como isto é bom!

Satisfação também tivemos ao estabelecermos o Plano de Carreira para a Arbitragem Brasileira, com o estabelecimento de categorias ESPECIAL para acolher os ex-árbitros que deixam a lista internacional antes da idade limite e, após 7 de janeiro, os aspirantes que chegam a 37 anos e não foram promovidos; Aspirantes (inclusive para os assistentes que sempre eram esquecidos), CBF-1 e CBF-2.

O Delegado Especial, criado em 2008, com o Rio de Janeiro, aproveitou e criou a figura do Treinador de Árbitros, no ano seguinte, o que muito nos agradou, pois as boas ideias devem ser aproveitadas.

Antes de encerrar, a função de Assessor de Arbitragem é algo que merece muita atenção das Federações, mas isto é um outro assunto para muitas linhas….

Dos sete árbitros pré-selecionados para Copa do Mundo, quatro deles foram promovidos após 2007 e pertencem a uma nova geração (Leandro Vuaden, Sandro Ricci, Emerson Carvalho e Marcelo Van Gasse).

Falando de Alagoas, tenho certeza de que o Francisco Carlos Nascimento – se derem tempo – atingirá um elevado patamar na arbitragem nacional. Muitos comentaristas não concebem um árbitro fora do eixo chegar lá. Com calma, apoio e diligência ele ocupara seu espaço, pois quando foi lançado, em 2009 foi considerado uma das revelações.

Se em 2008, a RENAF contava com apenas 17 árbitros com idade inferior a 30 anos, em 2013 este número ultrapassou uma centena., além dos que os mais atentos – se responsáveis e não forem movidos pela pessoalidade – perceberão uma nova safra sendo semeada.

Falando em faixa etária, lembro que quando reduzimos para 30 anos a idade para ingresso na RENAF, o mundo desabou sobre nossas cabeças, todavia o tempo demonstrou o acerto da decisão. Independentemente da opinião pessoal, como dirigente temos que visualizar o futuro. Basta ler o que os atuais dirigentes da FIFA tem sinalizado para as Copas de 2018 e 2022…

Por tudo que temos observado podemos afirmar que o dever foi cumprido!


Vamos em frente e até qualquer momento.


Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/01/materia-especial-terceira-parte-sergio.html

Como sempre Sérgio Corrêa nos prestigia com sua atenção peculiar. Sou suspeito de falar do mesmo, pois virei seu admirador e seu fã por tudo que fez e faz pela arbitragem nacional.

Obrigado mais uma vez pelo respeito e pelo carinho com este veiculo apaixonado por arbitragem.

Um grande abraço do amigo Paulo Lira.