Adson Márcio, da BA

“Sempre fui amante do futebol, era jogador e, por seguidas contusões, principalmente joelhos (ligamentos), deixei de jogar e me apaixonei pela arbitragem…”

Sinbaf, 3 de setembro de 2015

Após 23 anos de arbitragem, Adson Márcio Lopes Leal pendurou a bandeira em 2014. O baiano de Mutuípe construiu uma longa carreira e viveu experiências marcantes durante todos esses anos.

Foram 20 anos no quadro da FBF e 18 no quadro nacional. Todos eles, somados aos três anos iniciais da sua trajetória atuando como árbitro amador na sua cidade natal, certamente propiciaram ao agora ex-árbitro assistente muitas experiências.

Em bate-papo com o portal do Sinbaf, Adson Márcio contou tudo e mais um pouco do que viveu na arbitragem. O resultado esta conversa você pode conferir abaixo:

Sinbaf: O que te fez escolher ser árbitro de futebol? O que a profissão representa na sua vida?

Adson Márcio – Sempre fui amante do futebol, era jogador em minha cidade Mutuípe, joguei vários anos na melhor equipe, o AAM e também na seleção local, por questões de seguidas contusões, principalmente joelhos (ligamentos), deixei de jogar e me apaixonei pela arbitragem, principalmente por haver em minha cidade um árbitro já atuando pela FBF, Sr. Dalmar Batista de Almeida, que muito me incentivou para iniciar na arbitragem. A arbitragem representa para mim uma realização pessoal, ela me deu a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas e lugares também maravilhosos, viajei todo o país e por onde passei fiz questão de deixar uma boa impressão para todos.

Sinbaf: Quando começou a carreira?

Em 1991 já atuava apitando na minha cidade e nas cidades vizinhas, nos anos seguintes apitava em outras regiões chegando até a apitar intermunicipal mesmo ser ter o curso da FBF, daí no ano de 1994 veio o curso da UCSAL/FBF, quanto sai da minha cidade para Salvador, onde realizei o curso ficando em 2º lugar.

 

Sinbaf: Quantos anos teve de carreira e quantos ficou no quadro da CBF?

A partir do momento do curso em 1994, foram 20 anos de carreira, fazendo parte do quadro da CBF foram 18 anos muito bem vividos.

Sinbaf: Quantos jogos apitou em toda a carreira? Qual deles considera o mais importante, aquele que nunca esquecerá?

Em toda minha carreira foram cerca de 500 jogos, quanto ao mais importante, foram muitos mas tenho que destacar dois em especial, um foi o meu primeiro BAxVI em 1997 com cerca de 94.000 torcedores na antiga Fonte Nova, o segundo foi na inauguração da arena Corinthians, palco da abertura da Copa do Mundo no Brasil, onde a equipe paulista perdeu para o Figueirense pelo placar de 0x1.

Sinbaf: Como você enxerga a arbitragem brasileira hoje? Evoluiu?

Sim claro, os árbitros estão cada vez melhores, agora no que diz respeito as exigências e obrigações para com os árbitros isso tem aumentado em muito, as entidades querem que a arbitragem seja cada vez mais profissional, o árbitro precisa estar mais preparado fisicamente, precisa estudar mais, tanto as regras como na vida social, falar outros idiomas, dedicar mais do seu dia ao oficio da arbitragem, mesmo que isso comprometa sua vida profissional, o árbitro hoje precisa saber se comunicar e interagir com os outros atores do futebol, quer sejam atletas, dirigentes e imprensa, ou seja, precisa estar em sintonia com o mundo do esporte no qual está inserido. Pena que essas entidades ainda não disponibilizaram para esses profissionais, as condições necessárias para que os mesmos possam atingir os patamares exigidos.

Sinbaf: E a arbitragem baiana? Vê novas revelações surgindo que possam manter o nível da arbitragem da Bahia?

A arbitragem baiana é muito boa, vejo novos valores sim, sendo trabalhados, mesmo que de forma equivocada pelos dirigentes, quanto aos nomes desses novos valores gostaria de citar dois que seriam: Marielson Alves e Diego Pombo, o primeiro, já uma realidade na serie A do brasileiro e o segundo, devido a questões profissionais perdeu um pouco de tempo, mas logo, logo estará também em evidência.

Sinbaf: O que você acha que falta ao árbitro de futebol em termos de apoio e estrutura para desempenhar a profissão?

A raiz de todo o problema na arbitragem hoje é sem dúvida a sua não profissionalização, mesmo que a Lei já tenha sido sancionada pela presidente, no âmbito do futebol, a única peça que ainda não é de fato profissional é o árbitro, sendo ela uma das principais, é quem de fato está ali para legitimar o resultado da disputa, é quem foi talhado para mediar uma partida de futebol e fazer com que ela chegue ao seu final de maneira que atenda aos ditames da regra e do que espera a grande maioria dos interessados no futebol. O árbitro precisa de maior apoio profissional, mais palestras, cursos e congressos, precisa ter profissionais na área de educação física, nutrição, fisioterapia, psicólogos e médicos para poderem se preparar de forma mais adequada, e acima de tudo os árbitros precisam ser melhor remunerados pelos seus serviços, o que se paga hoje é muito pouco se comparado aos valores que circulam no futebol profissional no Brasil, sem contar no direito de imagem, que é uma luta antiga e que ainda não foi reconhecida pelos que comandam o esporte no país.

Sinbaf: Qual seu ídolo na arbitragem e por quê?

Meu grande amigo e saudoso Lourival Dias Lima Filho. Foi com quem vivi vários anos na arbitragem, pudemos frequentar a casa um do outro, dividir problemas e soluções, alegrias e tristezas, ele nos deixou prematuramente, mas ficou marcado na arbitragem e nas nossas vidas.

Sinbaf: Agora, com o aumento do limite de idade para apitar para 50 anos, você se arrepende de ter parado? Por quê?

Não. Tenho certeza absoluta que fiz o certo, temos que saber a hora de interromper alguma coisa em nossas vidas e isso se aplica a tudo, para a arbitragem essa foi a hora, já fiz o meu papel como árbitro, já vivi o que tinha de ser vivido nela, tive uma carreira brilhante, cheguei onde podia ter chegado, temos que ter consciência disso, minha carreira foi completa, sai de uma cidade pequena como Mutuípe para ser árbitro do quadro nacional, poucos na Bahia conseguiram isso, me mantive entre os melhores por todos esses anos, sempre sendo lembrado para jogos importantes, conquistei o que para mim é o mais importante, a amizade e o respeito dos meus pares, por essas e por outras não me arrependo de ter encerrado minha carreira.

Sinbaf: E agora que aposentou, pretende continuar colaborado com a arbitragem fora de campo? De qual forma?

Minha colaboração agora ficará por conta dos conselhos aos amigos que conquistei na arbitragem, que ainda me ligam e querem tirar suas dúvidas, essa será a minha colaboração, a qual diga-se de passagem faço com o maior prazer.

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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