Manoel Serapião, da IFAB

“Tenho um projeto sobre o uso de tecnologia, já muito divulgado no Brasil, mas que, agora, como membro do TAP/IFAB terei oportunidade – como já fiz na recente reunião de que participei em Londres – 26 a 29/04/2015 – de defender a ideia com mais força. A ética e a essência do futebol clamam por resultados sempre justos.”

Sinbaf, 15 de maio de 2015

Foram 24 anos de uma carreira brilhante. Uma trajetória iniciada ainda em 1972 e que carrega feitos memoráveis, como os 22 anos no quadro da CBF e quatro na FIFA.

Esse é um simples e já invejável resumo da carreira de Manoel Serapião Filho como árbitro de futebol. Hoje aos 67 anos, o baiano é o entrevistado do mês do Portal Sinbaf.com.

À reportagem do site, Serapião, como é conhecido contou detalhes dessa trajetória. Relembrou momentos marcantes que o fizeram um profissional de destaque no Brasil e no Mundo.

Mas, o ex-árbitro também não deixou de opinar sobre o momento da arbitragem nacional e falou sobre suas experiências como Instrutor Internacional de Arbitragem e Diretor Adjunto da Área Técnica da Escola Nacional de Árbitros de Futebol (Enaf), funções que exerce atualmente.

CONFIRA ABAIXO O BATE-PAPO COM MANOEL SERAPIÃO:

Sinbaf: O que te fez escolher ser árbitro de futebol? O que a profissão representa na sua vida?

Manoel Serapião: Mero acaso. Anivaldo Magalhães, meu compadre e um dos melhores árbitros de futebol do país em sua época, com quem eu jogava futebol, no antigo campo do SEAM – escola de menores, me inscreveu no curso à minha revelia. Fiz o curso e pronto, não queria apitar. O diretor da escola, também meu amigo Valter Pereira, insistiu para que eu apitasse ao menos um jogo. Resultado, atendi ao pedido e fui mordido pela mosca da arbitragem, que me persegue até hoje, felizmente.A arbitragem para mim foi e continua sendo vida: conquistas, amigos e sucesso. As derrotas e as poucas desavenças fazem parte da caminhada e são motivação para o crescimento.

Sinbaf: quando começou a carreira?

Manoel Serapião: Em 1972, quando ainda havia o velho Campo da Graça e Fonte Nova tinha apenas um anel de arquibancadas. Faz tempo!

Sinbaf: Quantos anos teve de carreira? Por quantos anos integrou os quadros da CBF e FIFA?

Manoel Serapião: Atuei durante 24 anos. Fui da do quadro da CBF por 22 anos e da FIFA por 04 anos. Deixei a arbitragem em 1993, para exercer a Magistratura do Trabalho. Antes, em 1989, havia sido aprovado em concurso para Magistrado da Justiça Comum, na Bahia. Todavia, porque foi justamente nesse ano que fui indicado para o quadro da FIFA, desisti de tal concurso.

Sinbaf: Quantos jogos apitou em toda a carreira? Qual deles considera o mais importante, aquele que nunca esquecerá?

Manoel Serapião: Não tenho certeza, mas por volta de 890 jogos. Houve muitos jogos importantes. Alguns pela repercussão do jogo – BA x VI é sempre BA X Vi –, outros pelo jogo em si. Cito aqui na Bahia um dos Vitoria X Galícia; um dos Galícia X Ipiranga, ambos 1974 e um BA X VI em 1975. Jogos muito quentes com a Fonte Nova lotada. Além desses de casa, houve  muitos outros jogos importantes, inclusive 06 semifinais do campeonato brasileiro;  02 finais como Bandeirinha (o Assistente de hoje); 02 finais da Taça de Prata (série B); 02 semifinais da Taça Libertadores; duas partidas pelas eliminatórias do Mundial de 1994. Também não posso deixar de registrar 05 atuações no Mundial de futebol de Salão, em Hong Kong – 1992.

Sinbaf: Como você enxerga a arbitragem brasileira hoje? Evoluiu?

Manoel Serapião: Ao contrário do que muita gente pensa, embora ainda precise evoluir, a arbitragem brasileira é de elevada qualidade. Temos árbitros que sentem o jogo, respeitam as regras e a essência do futebol – verdadeiros árbitros. Acontece que em uma arbitragem, em que são tomadas centenas de decisão,  apenas são considerados os erros, pois os acertos não contam. Nós técnicos, todavia, apesar de sabermos que os erros prejudicam os  espetáculos e que podem não legitimar o  resultado de uma partida – grande objetivo da arbitragem – não podemos enxergar  essa atividade por esse ângulo tão estreito, tão limitado. Temos que olhar o todo; a filosofia da atuação; a igualdade de critérios para situações que se enquadrem na mesma moldura; a força e a independência do árbitro; seu equilíbrio emocional para suportar pressão e solucionar os conflitos e os lances difíceis com segurança e serenidae; o posicionamento do árbitro em campo; o trabalho em equipe e muitos outros fatores que, infelizmente, o público e grande parte da imprensa não percebem. Mas gostaria de mencionar a maior conquista da arbitragem brasileira, para o que, modéstia à parte, muito contribui:  a independência. Hoje não mais se fala na denominada “arbitragem caseira”. No Brasil, hoje, até mais do que na Europa, nas competições coordenadas pela CBF e sobre o que eu tenho elementos para me manifestar,  os times visitantes não receiam pressão sobre os árbitros, pois os times que jogam em casa, na grande generalidade, não desfrutam de qualquer  vantagem. Tanto que no Brasil os times que jogam em casa vencem apenas 51% do jogos. Esse percentual é de 63 na Europa. Tudo porque  quando a CA-CBF, presidida com muita competência por Sergio Correa, percebe falta de estrutura emocional, de independência em algum árbitro procura detectar a causa, lhe dar apoio psicológico e orientação técnica e passa a acompanha-lo com muito cuidado, analisando seu desempenho em jogos de menos apelo midiático, pois para a CBF todos os jogos têm o mesmo valor. Essa é uma conquista e um valor que muito orgulha a nós anônimos que cuidamos da arbitragem brasileira e, por consequência, de nosso futebol, pois sem boa arbitragem não há bom futebol.

Sinbaf: E a arbitragem baiana? Vê novas revelações surgindo que possam manter o nível da arbitragem da Bahia?

Manoel Serapião: Acho que a Bahia tem renovado pouco. Passou muito tempo sem realizar curso. Todavia, alguns jovens árbitros já revelam capacidade para que sejam observados e incentivados a seguirem a diretrizes acima. O renomados árbitros baianos são tão bons quanto os melhores do país.

Sinbaf:  O que você acha que falta ao árbitro de futebol em termos de apoio e estrutura para desempenhar a profissão no país?

Manoel Serapião: Antes de tudo, uso de tecnologia para lances capitais, sobretudo para aqueles em que a limitação humana, em razão da velocidade atual do futebol, não pode ou tem elevada dificuldade de perceber. Tenho um projeto sobre o uso de tecnologia, já muito divulgado no Brasil, mas que, agora, como membro do TAP/IFAB terei oportunidade – como já fiz na recente reunião de que participei em Londres – 26 a 29/04/2015 – de defender a ideia com mais força. A ética e a essência do futebol clamam por resultados sempre justos. Logo, a impossibilidade visual de alguns lances não pode continuar alterando os resultados das partidas; colocando a capacidade dos árbitros em xeque, quando não sua dignidade; gerando frustração e violência. O futebol precisa se livrar do abominável conceito de ser o esporte onde a “malandragem” é natural. Precisa, pois, passar a ser o esporte da ética plena. Isso ajudaria, inclusive, a educar de modo correto nossos jovens, pois aquele que, por hipótese, praticasse uma simulação, em lugar de ser aplaudido, seria orientado a atuar corretamente. Um aviso aos que não conhecem os estudos – seja por falta de oportunidade, seja pela adoção da abominável postura do “não li e não gostei” –, ou, ainda, por serem conservadores só por conservar e não por conhecimento:  A TECNOLOGIA PODE SER USADA SEM QUE SEJA NECESSÁRIO, SALVO EXCEPCIONALMENTE, PARALISAR O JOGO, MAS, AO CONTRÁRIO,  LHE DARIA BEM MAIS DINÂMICA.

Sinbaf: Em suas viagens pelo Mundo como instrutor e assessor de arbitragem, o que você vê de diferença entre a arbitragem brasileira e a de outros países?

Manoel Serapião: A arbitragem brasileira, sobretudo em razão das dificuldades que nossos jogadores, em razão de nossa cultura, criam para os árbitros, está no nível das melhores e bem acima da maioria dos demais países.  O público só vê os jogos importantes e de grandes competições de outros, nos quais só atuam os árbitros de elite. No Brasil, realizamos mais de 1.000 jogos por ano e com árbitros ainda em preparação. Os erros, em comparação com os acertos e com toda a técnica empregada, são em número bem reduzido. Os maiores e mais graves erros de arbitragem do mundo foram cometidos por grandes árbitros de outros países. Somos os melhores!

Sinbaf: Você acha que o futebol caminha para uma padronização internacional da arbitragem? Por quê?

Manoel Serapião: Já há um padrão universal, embora com distinções peculiares. Se o futebol é universal, tanto a forma de jogar, como de arbitrar, sobretudo no mundo globalizado, é um caminho sem volta.

Sinbaf: Fale mais sobre sua atuação na ENAF. Quais projetos a Escola tem para serem colocados em prática em 2015 e nos próximos anos?

Manoel Serapião: Da ENAF sou o Diretor Adjunto da Área Técnica, ou seja, o responsável direto pelos seguintes aspectos da arbitragem: revisão e atualização anual do livro de regras e de todas as suas normas; orientação aos árbitros sobre interpretação das regras, especialmente sobre a razão de ser de cada diretriz, que sempre tem que ser compatível com a essência do futebol; sobre a técnica de arbitragem, envolvendo posicionamento, deslocamento, controle de jogo, trabalho em equipe; ademais, tem a responsabilidade de traçar as diretrizes sobre lances de elevada dificuldade de interpretação, de modo a aproximar o mais possível os critérios de interpretação. Essa responsabilidade pessoal, todavia, é apenas institucional, pois tudo é feito em conjuntos com meus pares da própria ENAF, Alício Pena Junior, que é o presidente; Ana Paula Oliveira que é a Secretária; Marcio Verri Brandão, que é o Adjunto Administrativo, bem como e principalmente sob a supervisão geral de Wilson Seneme que é o coordenador nacional e de Sérgio Corrêa presidente da Comissão de Arbitragem e de sues pares Nilson Monção, que é o vice-presidente e Antônio Pereira que é o Secretário, ambos da indicada comissão. Nosso trabalho é contínuo, incessante, exaustivo, até estressante, mas altamente gratificante porque trabalhamos em ambiente de plena confiança e respeito – as divergências são expostas com absoluta lealdade e os vencidos seguem rigorosamente a decisão da maioria. Mas nossa gratificação se dá ainda mais porque recebemos respostas muito positivas do qualificado e digno quadro de árbitros brasileiros.

Sinbaf:  Voltando mais um pouco no tempo, você foi o representante brasileiro no encontro do IFAB. Quais os objetivos da associação? O que se discutiu nesse encontro?

Manoel Serapião: Após 129 anos de existência, a IFAB – International Football Association Board, mais conhecida como International Board, admitiu ouvir o mundo da arbitragem por completo e criou um Conselho Técnico Consultivo – TAP – Technical Advisory Panel. Esse conselho é comporto por alguns membros da FIFA e da própria I. Board e por mais 06 membros representando as 06 Confederações que representam os 05 continentes do mundo. Em razão disso, eu fui honrado com a indicação de meu nome por Sérgio Correia, presidente da CA-CBF e a aprovação pelos José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, então presidente e Vice-presidente da CBF, hoje com cargos invertidos e do Dr. Juan Ángel Napout, Presidente da CSF – Confederação Sul-americana de Futebol,  para compor o referido Conselho, na qualidade de representante da Confederação Sul-americana de Futebol. Esse Conselho tem por objetivo assessorar a FIFA e a I. Board sobre as regras do jogo. Lá discutimos os assuntos que estão em pauta e emitimos nossas opiniões e sugestões. A decisão final, por questão estatutária, compete à BOARD. Na primeira reunião, ocorrida em Belfast – Irlanda do Norte – 24 e 25/11/2014 – discutimos os temas relativos a impedimento; bola na mão; substituições volantes; tripla punição (pênalti, expulsão e suspensão automática de jogadores que impedem gol ou clara oportunidade de gol); uso de equipamentos por jogadores para verificação de desempenho; e uso de imagens ou símbolos por jogadores (tatuagens). De tudo, foi lavrada uma ata, pelo Secretário da IFAB, Sr. Lukas Brud, e encaminhada à FIFA e à própria BOARD. Nessa segunda reunião, ocorrida em Londres – Inglaterra – 26 a 28/14/2015 – discutimos os mesmos temas da anterior, à exceção do aspecto relativo à tripla punição, uma vez que na primeira sessão concluímos o assunto, cuja decisão está sob a natural responsabilidade da BOARD, o mesmo que passou a ocorrer com as demais matérias, pois todas elas foram concluídas nessa segunda reunião. Também nessa segunda reunião foram discutidos mais dois assuntos: quarta substituição em jogos que tenham prorrogação, sendo essa proposta de nossa Confederação Sul-americana e uso de tecnologia pelas arbitragens. Em que pese não haver sido adotada nenhuma decisão conclusiva sobre a primeira matéria – 4ª substituição –, o conteúdo das discussões será levado à IFAB, que deliberará sobre se os argumentos foram conclusivos ou necessitam de mais aprofundamento. Sobre a segunda matéria – uso de tecnologia pelas arbitragens – é evidente que ainda haverá muitas discussões, valendo dizer que encaminhamos nosso projeto pessoal, já do conhecimento de todo o Brasil, o qual, a nosso sentir, é mais avançado do que o que nos foi exposto – experiência realizada na Holanda –, pois nosso projeto é aplicável apenas para lances claros, ou seja, não de interpretação, que possam interferir diretamente nos resultados das partidas (gol ou pênaltis marcados/não marcados ou evitados) e expulsão de jogadores  que pratiquem conduta violente ou jogo brusco grave indiscutíveis. Além de nossa participação nas discussões e do encaminhamento de nosso projeto sobre o referido uso de tecnologia, também oferecemos sugestão, em nome da CBF, para que seja criado um “GRUPO DE ESTUDOS”, para alterar alguns pontos das regras e para realizar uma nova redação completa do livro, de modo a lhes dar harmonia completa com a essência do futebol e linguagem mais simples e objetiva, seguindo a filosofia de não retirar o árbitro o poder/dever de sentir o jogo e decidir de acordo com as circunstâncias das partidas, por ser essa a essência da arbitragem e do próprio futebol. 

Sinbaf: Para encerrar o que você tem a dizer àqueles jovens que iniciaram agora ou sonham em entrar na carreira da arbitragem?

Manoel Serapião: Sigam sempre o caminho da retidão; nunca façam política fora, nem ajam politicamente dentro de campo; torçam sempre por seus companheiros, pois a nobreza de espírito é o único caminho para o triunfo e a inveja é o veneno do invejoso; preparem-se para enfrentar desafios; dominem as regras do jogo e a técnica de arbitragem; não desanimem e se perdoem quando errarem, mas, principalmente, aprendam com os erros; e sejam humildes, escutem efetivamente os conselhos, pensem sobre eles e seja sábio para separar os bons dos ruins. De um homem é possível, muito provável fazer um bom árbitro, mas de um bom árbitro não se faz um bom homem!

*Fotos: Carlos Santana e Arquivo / WEB    

Fonte: Sinbaf  

 

Entrevista com Edson Rezende – 2012

Delegado da Polícia Federal, foi Aspirante-FIFA. Assumiu a presidência da arbitragem em 30 de setembro de 2005, após o “Escândalo dos Apostadores”. Montou uma força-tarefa com Manoel Serapião, Cunha Martins, Paulo Alves e Sérgio Corrêa. Foi presidente interino várias vezes e, desde 2012, é corregedor do apito.

Notícia, de 25 de maio de 2012

 

Delegado aposentado da Polícia Federal, Edson Rezende de Oliveira é o responsável pelo posto de Corregedor da arbitragem da CBF. Ele foi Presidente da Comissão de Árbitros de Brasília e também chefe do departamento de árbitros da CBF. Em 2007 pediu desligamento da Conaf por problemas de saúde e agora voltou a CBF, para comandar a recém criada Corregedoria da Arbitragem. Nesta entrevista exclusiva para o site da ANAF, Edson Rezende de Oliveira fala como funcionará a nova estrutura.

Qual o papel do Corregedor de Arbitragem da CBF?

Terá um papel de, principalmente, proteger e fortalecer o profissional da arbitragem sério, honesto e competente. Vai proteger a partir do momento que atuar para colaborar na eliminação da arbitragem brasileira dos que nela ingressam com interesses que não sejam de zelar por uma atividade imensamente importante no futebol mas, ainda, grandemente incompreendida e explorada. A Corregedoria de Arbitragem deve atuar procurando identificar possíveis desvios de condutas de pessoas que já estão no meio da arbitragem ou, pretendem nela ingressar, visando interesses próprios ou de grupos que objetivam ganhar vantagens das mais variadas formas usando a arbitragem para atingir suas metas. A Corregedoria pretende atuar em parceria com as entidades e pessoas sérias ligadas ao nosso futebol e que desejam ver o profissional ligado a este esporte, seja qual for sua atuação, sempre como exemplo de seriedade e honestidade.

Qual a estrutura do cargo? A quem está subordinado? Trabalhará com uma equipe?

A Corregedoria de Arbitragem da CBF embora estruturalmente esteja ligada à CA/CBF, para efeitos de organograma, está subordinada diretamente ao Presidente da CBF e deverá trabalhar em ambiente definido na sede da entidade com a estrutura necessária para desempenhar as atividades que a ela estão afetas, tanto de material quanto de pessoal que necessitar, dependendo do volume de atividades.

A atuação será independente?

Com certeza, total independência. O que mais o Presidente da CBF, Dr. Jose Maria Marin, fez questão de enfatizar foi que será um trabalho com total independência, para acompanhar e investigar todas as situações possíveis de interferir negativamente, denegrir , comprometer ou colocar em risco todo o trabalho que a CBF, através da Comissão de Árbitros, tem desenvolvido na valorização e aperfeiçoamento constantes da arbitragem brasileira. Será sempre, é preciso deixar claro, um trabalho de buscas, investigações, acompanhamentos para oferecer subsídios aos órgãos que têm competência legal para punir os que não cumprirem as normas que disciplinam a conduta e postura destes profissionais da arbitragem.

Como será a relação com a CA/CBF?

Temos certeza que será a melhor possível, pois os interesses são comuns, a de valorizar o profissional sério da nossa arbitragem. A relação deve ser a melhor possível, também, com as Federações Estaduais de Futebol que não têm outro objetivo senão a busca de bons e competente
s profissionais da arbitragem nos seus estados e, consequentemente, a nível nacional. Enfim, a relação será sempre boa com todos os segmentos que desejam ver seriedade na nossa arbitragem e queiram colaborar para uma atuação sempre séria e constante em benefício dos bons árbitros, denunciando quaisquer desvios de condutas que possam comprometer a classe destes profissionais.

O trabalho será articulado com o Ouvidor da Arbitragem?

Sem dúvida, primeiro porque ambas as funções estarão trabalhando por uma arbitragem sempre melhor e séria. Depois porque, às vezes, as primeiras denúncias, de possíveis desvios ou dúvidas de comportamentos de árbitros, poderão ser levadas ao Ouvidor de Arbitragem da CBF, com o qual os clubes, principalmente, terão os primeiros contatos com reclamações de trabalhos da arbitragem em seus jogos ou sugestões para acompanhar as atividades de determinados árbitros face seus desempenhos em campo, cujo trabalho pode se estender além dos gramados.

Será possível avaliar com mais profundidade os erros, quando eles acontecerem?

Hoje há um acompanhamento muito detalhado e próximo de todos os árbitros que atuam em todos os jogos de competições coordenadas pela CBF. Tem havido um investimento muito grande e um trabalho incansável da CBF através de sua Comissão de Árbitros em dotar a arbitragem, cada vez mais, de condições ideais para desempenhar suas atividades dentro de campo. São treinamentos constantes, cursos de aperfeiçoamento tanto na Granja do Comari quanto regionalmente nas Federações Estaduais, testes físicos e teóricos regularmente, aquisição de equipamentos para apoio ao trabalho dos árbitros, cursos para instrutores brasileiros ministrados pela FIFA etc. Além destas atividades colocadas visando um aprimoramento cada vez melhor da arbitragem, nossos árbitros são acompanhados em todos os jogos que atuam, em todos os estádios onde ocorram jogos de todas as competições coordenadas pela CBF: Copa do Brasil, Séries A,B,C e D, competições femininas etc. Estes acompanhamentos são feitos por Assessores de Arbitragem ou Delegados Especiais que são designados pela Comissão de Árbitros da CBF para estar presentes em todos estes jogos, acompanhar a atuação de toda a arbitragem e emitir relatórios sobre o desenvolvimento do trabalho dos mesmos, visando treinamentos específicos e particularizados para alguns que assim necessitarem, objetivando uma melhora constante do nível de suas atuações, e/ou o afastamento de outros que não correspondam ao trabalho e investimento que tem sido feitos em seu benefício.

O Presidente da CBF, Jose Maria Marin, afirmou que “pesou na escolha currículo e passado” do senhor e de Aristeu Tavares. Qual sua trajetória de vida, especialmente na arbitragem?

Foi com orgulho que ouvimos estas palavras do Presidente da CBF por ocasião de nossa posse, minha e do Aristeu Tavares que assumiu a função de Ouvidor de Arbitragem da CBF. Iniciei e encerrei minhas atividades de arbitragem de futebol pela Federação Brasiliense de Futebol, desde o curso de formação em 1973 até “pendurar” o apito em 1992. Tive o privilégio de fazer parte do Quadro de Árbitros da CBF e Aspirantes à FIFA e ter feito um incontável número de amigos por todo o Brasil, viajando pela arbitragem. Tive o privilégio de Presidir a Comissão de Árbitros de Brasilia por dez anos, fazer parte da Comissão de Árbitros da CBF por oito anos e presidir a mesma por mais dois, fazer parte da relação de Assessores de Arbitragem e Delegado Especial da mesma entidade. Na vida funcional tive o privilégio de pertencer a um dos órgãos de maior respeito e admiração pelo brasileiro a “Policia Federal” da qual sou aposentado na função de Delegado. São duas atividades que estão no sangue e só as desempenham quem gosta e possui vocação para tal, arbitragem e polícia, com grandes responsabilidades mas pouco reconhecidas pela sociedade. Mas sempre fui muito feliz em exercer ambas.

Fale sobre a arbitragem do seu tempo e a atual.

São épocas bastante distintas. Hoje o árbitro é mais assistido, mais acompanhado, melhor assessorado, com material didático, equipamentos, instrutores mais modernos e melhor preparados para levar ao árbitro atual orientações adequadas e necessárias. A própria mídia moderna coloca ao árbitro informações em tempo real, possibilitando pesquisas, estudos, esclarecimentos de dúvidas que antes não dispúnhamos nos níveis atuais. É claro que o árbitro de hoje é também mais cobrado, seus erros são mais visíveis com uma quantidade enorme de câmeras que acompanham os jogos nos campos de futebol, embora tenhamos que dizer que também seus acertos são mostrados, embora os erros são bem mais dimensionados. No passado até os uniformes cada árbitro confeccionava o seu, chuteiras, bandeiras etc. hoje é tudo padronizado através de patrocínios, e é muito bonito ver um grupo de árbitros entrar em campo impecavelmente uniformizados, tanto na vestimenta quanto no biotipo.

As funções de Árbitro Assistente Adicional ajudarão a arbitragem?

Sem dúvida, são mais quatro olhos acompanhando o jogo e somando para que os equívocos sejam reduzidos. Estarão em um local que, às vezes, ficam difíceis de serem anotadas irregularidades pela arbitragem, e em zonas cruciais para o jogo, podendo decidir resultados de partidas os lances alí ocorridos. Ainda é uma experiência colocada pela FIFA, mas no meu ponto de vista, tende ajudar a arbitragem, e embora parece pouco atuarem, mas às vezes quando atuam podem impedir erros gravíssimos da arbitragem e evitar prejuízos irreparáveis para as equipes.

O que diz o instrutor físico sobre as atuais avaliações físicas. Elas estão adequadas às nossas necessidades? O índice de reprovação ainda é elevado? E as avaliações teóricas são importantes?

O futebol hoje está muitíssimo mais veloz que no passado. Estando mais veloz exige muito mais da arbitragem para acompanhar o mais próximo possível as jogadas e reduzir ao máximo o índice de erros. Portanto o condicionamento dos árbitros também teria que evoluir. A FIFA elaborou estudos, fez experiências e chegou a conclusão que os testes hoje aplicados aos árbitros estão mais próximos do ideal para que eles possam se condicionar, serem aprovados nos testes e desenvolverem um bom trabalho dentro de campo de jogo. Hoje o árbitro para ser aprovado nos testes físicos tem que estar realmente bem preparado, e estar zelando constantemente por este condicionamento físico exigido tanto para os estes quanto para as suas atuações. Os índices de reprovações hoje são bem pequenos, só os que não se cuidam e não se preparam são reprovados. Já as avalições teóricas são indispensáveis para o bom desempenho de uma boa arbitragem, às vezes quando menos se espera ocorre algo raríssimo em campo e o árbitro deve conhecer as regras e estar preparado para interpreta-las no momento que isso ocorrer e aplicá-las corretamente. Por estas razões da CA/CBF tem aplicado testes físicos e teóricos periódicos aos árbitros, visando alertar para que os mesmos estejam sempre preparados e aptos para o bom desempenho de suas atividades e não sejam pegos de surpresa.

O que acha do sorteio para designar árbitros para os jogos? O sorteio de colunas atende ao sorteio?

É um ponto de vista particular meu, julgo que nada veio acrescentar esta metodologia para designar árbitros para jogos. Em todos os países que experimentaram desistiram de tais procedimentos. Alguns defendem o sorteio dizendo que é uma maneira de dar mais transparência às designações de árbitros para os jogos. É como se afirmassem que não acreditam nas pessoas que dirigem a arbitragem. É como quisessem afirmar que o sorteio seria a solução para possíveis problemas da nossa arbitragem, não esquecendo que o maior escândalo da arbitragem brasileira ocorreu na vigência do sorteio. Além de dificultar as designações de árbitros para jogos de campeonatos longos e disputadíssimos, com envolvimentos de vários estados brasileiros o que implica em verdadeiros quebra-cabeças para estas designações principalmente quando atingimos certas fases destas competições quando quase todos os jogos são decisivos para baixo ou para a ponta da tabela e parece haver necessidade de extremas neutralidades de árbitros em face de seus estados de origem, regiões onde moram, jogos que já apitaram na mesma competição etc. O Estatuto de Defesa do Torcedor, que instituiu o sorteio dos árbitros, não especificou a maneira como o mesmo deve ser feito, portanto, s.m.j, não havendo uma designação direta, seja por colunas, de dois, três, quatro etc. é sorteio e deve ser como tal reconhecido, a não ser que haja uma regulamentação da lei e especifique como devem ser realizados os sorteios.

O que acha da tecnologia para auxiliar a arbitragem?

Sou plenamente favorável. É humanamente impossível os responsáveis pela arbitragem de um jogo não cometerem equívocos que poderiam ser sanados pelo auxilio da tecnologia. Hoje mesmo vemos erros graves, serem mostrados pela TV ao vivo, que poderiam ser evitados caso a arbitragem pudesse se socorrer da tecnologia. Não seria, conforme alguns pensam, estar a todo momento parando o jogo para ver o que árbitro marcou, se estava certo ou errado etc. Considero que a tecnologia seria utilizada para dirimir dúvidas de lances objetivos, sem possibilidade de interpretações, a exemplo se a bola entrou ou não no gol, se a infração ocorreu dentro ou fora da área penal, se a bola saiu ou não de campo antes de ser lançada, um toque de mão escandaloso que não deixa margem a dúvidas, a exemplo do ocorrido no jogo França x Irlanda que eliminou a Irlanda da Copa do Mundo na África etc. Em vários esportes se lança mão da tecnologia para evitar erros de arbitragem, a exemplo do tênis, que tem uma quadra bem menor, vários juízes, não contatos físicos etc. por qual razão não permitir no futebol, com um campo enorme, vários jogadores, permanentes contatos físicos etc? Alguns querem defender a não utilização da tecnologia no futebol alegando que iria acabar com as paixões, discussões acaloradas nos botequins, nos programas de rádios, TVs, rodas de amigos etc. É um engano, as discussões vão continuar, pois vão discutir se o empurrão foi pênalti ou não, se o lance foi “bola na mão” ou “mão na bola”, se a entrada do adversário foi faltosa ou não etc. etc.

As discussões vão continuar pois os lances de interpretações (subjetivos) vão continuar causando controvérsias, uns concordando com as marcações da arbitragem outros não, o que vai impedir é que erros gravíssimos, não interpretativos, decidam o resultado de um jogo e até de uma competição, e por vezes, o futuro de um árbitro.

O Corregedor de Arbitragem da CBF teria alguma mensagem?

Talvez não uma mensagem, mas um apelo para que todos façam parte desta Corregedoria e colaborem para não permitir que “bandidos” possam fazer parte da arbitragem brasileira, denunciando comportamentos comprometedores, de toda natureza, dentro e fora de campo, que possam colocar em risco a arbitragem séria que todos pretendem ter. Não é um trabalho de invasão de privacidades, bisbilhotice, policialescos, mas de zelo e cuidado necessários para apoiar as pessoas de bem que lutam por uma futebol cada vez melhor e uma arbitragem sempre séria e colocada acima de quaisquer suspeitas. Este trabalho não deve ser feito somente sobre árbitros, mas sobre seus dirigentes também, que são grandes responsáveis e devem ser exemplos, em todo sentido, a serem seguidos por seus comandados e possam exigir correção nas condutas dos árbitros, pois as suas são inatacáveis. Cada um de nós podemos fazer algo, por pouco que imaginemos, se somadas, as contribuições de todos representam o que precisamos e desejamos para um grupo capaz e sério.

Fonte: ANAF

 

Entrevista com Chefe do DA – 2013

23 de janeiro de 2013, Notícia na Mira, do Paulo Lira.


Com Sérgio Corrêa da Silva, Chefe do DA-CBF terminamos a nossa série de entrevistas especiais com as personalidades  mais importantes da arbitragem nacional.

Espero que tenham gostado de todas elas.

Agora fiquem com esta que sem dúvida irá enriquecer mais ainda a sua opinião sobre o que acontece no mundo dos “homens de preto” do nosso pais.

Confira:

1.De onde ou de quem surgiu a ideia de se criar uma Corregedoria e uma Ouvidoria na CBF? Quando foram criadas?

Do Presidente José Maria Marin que, ao assumir, no dia 16 de março do corrente ano reuniu os integrantes da CA-CBF e durante 2 horas trocamos informações sobre o setor.

O presidente relembrou sua trajetória nos tempos em que jogou futebol; dos 6 anos em que presidiu a Federação Paulista de Futebol, dos dirigentes de arbitragem e dos árbitros da época.

O Dr. Marin de forma clara, objetiva e pragmática disse que não mediria esforços para melhorar a qualidade da arbitragem. Ele enfatizou que aceita o erro humano e que não perdoará o dolo.

Naquela oportunidade ouviu atentamente as ponderações dos antigos companheiros, Luiz Cunha Martins, Manoel Serapião Filho e Paulo Jorge Alves.

Ao final da reunião informou que pretendia adotar medidas para reduzir a carga de trabalho impostas a Comissão de Arbitragem, no sentido de que esta deveria preocupar-se apenas com as designações para os sorteios.

Dentre as primeiras medidas seria a criação da Ouvidoria e Corregedoria da Arbitragem; da aquisição de 30 (trinta) rádios comunicadores e de solicitar autorização especial da FIFA para adotar os árbitros assistentes adicionais, haja vista que tal experimento somente poderia ser colocado em prática sob a supervisão da entidade máxima e do coordenador nacional indicado pelo Dr. Ricardo Teixeira, na época, a escolha recaiu sobre Manoel Serapião Filho.

Em relação aos adicionais, o pedido foi feito pessoalmente em Zurique e quando a autorização chegou ao Brasil, em abril, a CA, com apoio da presidência e das diretorias especificas tratou de importar os equipamentos. O tempo foi curto, mas conseguimos receber os aparelhos no início de maio. Reunimos instrutores, em Goiás para um treinamento especial e eles foram as Federações repassar isto aos árbitros.

Voltando um pouco ao tempo, no final de 2011, a entidade nacional dos árbitros, em reunião com o Dr. Ricardo Teixeira deixou um documento com várias solicitações e lá constava um pedido para adoção da aquisição dos rádios e inserção dos adicionais.

Tais medidas visando a melhoria da qualidade da arbitragem foi ao encontro do pedido da entidade dos árbitros mas posso garantir que após quatro dias da posse do Dr Marin, com certeza não teve tempo de ler o documento, o que demonstrou estar “antenado” no setor.

2.Qual é a função/objetivo desses órgãos? Eles estão subordinados a quem?

Eles estão sendo entrevistados, portanto poderão detalhar as funções. O que posso antecipar é que são autônomos e estão vinculados diretamente ao Presidente Marin.

3. Onde são divulgados as ocorrências destes órgãos e os resultados obtidos?

Eles poderão responder. No site www.cbf.com.br tem um resumo das atividades dos órgãos.

4. Como esses órgãos se relacionam com a CONAF? Em que eles ajudam a melhorar o nível da arbitragem nacional?

Ressalto que o nome correto é CA-CBF e não CONAF. O relacionamento tem sido harmônico, porém independentes.

5. Após serem acionados, esses órgãos possuem autonomia para punir ou restringir algum nome para a RENAF ou Escalas? De que forma?

Enquanto presidente da CA durante os 5 anos, os instrutores faziam o papel do Ouvidor e recomendavam treinamentos para melhoria do desempenho dos envolvidos. Esta recomendação se mantém até os dias atuais.

6. Como e de que forma esses órgão podem ser acionados por torcedores e/ou dirigentes de clubes? Por que no site da CBF não consta o e-mail e o telefone do ouvidor e corregedor?

A Corregedoria pode receber as denúncias de qualquer pessoa, desde que, claro, identificada.

Ao contrário, a Ouvidoria da Arbitragem recebe as reclamações dos Clubes, Federações sobre a atuação dos árbitros e dos Árbitros. Existem casos em que o árbitro também questiona a avaliação recebida. Quanto as reclamações dos torcedores, elas devem ser dirigidas à Ouvidoria de Competicoes, aos cuidados do Dr. Roberto Sardinha.

7. Assessores, Instrutores e Presidentes de CEAFS também estão sujeitos a estes órgãos? 

Caso um dos Assessores ou Instrutores que colaboram com o setor se porte de maneira inadequada, a Corregedoria pode tomar providencias administrativas, ou seja, emitir parecer e encaminhar ao Departamento Jurídico, STJD e MP, se for o caso. A questão dos presidentes de CEAF´s, caso ocorra alguma informação, smj o órgão pode informar a entidade responsável que tem autonomia para que analise e tome as providencias julgadas oportunas.

8. Quais Federações do Brasil possuem esses órgãos? As que não possuem serão obrigadas a criar? Se sim, até quando?

Até o momento, tudo iniciou com a Federação Paulista, cujo presidente Dr. Marco Polo tem investido sobremaneira no setor há quase uma década. A Federação Pernambucana criou a figura do Ouvidor, a Cearense instituiu o Departamento de Arbitragem que será comandada pelo ex-presidente Leandro Serpa.

Falando em inovações lembro muito das feitas em SP como dois árbitros em campo durante dois anos seguidos; limitação de número de faltas (campeonato de aspirantes); tempo técnico; concentração; pré-temporadas etc. Hoje a FIFA cobra muito a CBF no sentido de se cumprir o que o IFAB determina para as partidas de futebol, o que acho muito correto, pois mudar o que esta previsto confunde – e muito – a cabeça de todos.

9. Desde a criação destes órgãos (na sua gestão), o que de concreto foi feito por estes órgãos? Onde estão os resultados?

Como disse acima, um resumo está divulgado no site www.cbf.com.br . A Ouvidoria, dos quase 1300 jogos recebeu 61 reclamações formais dos clubes e 1 de um árbitro solicitando revisão de sua nota.

10. É verdade que a RENAF de 2012 só demorou a sair porque muitos Árbitros indicados pelas comissões estavam (ainda estão) com irregularidades e isto dificultou o trabalho da corregedoria? E como ficam as CEAFS que insistem em indicar árbitros que não possuem todos os critérios exigidos pela CBF?  Não deveriam ser punidas?

Como foi o primeiro ano em que tais órgãos foram criados e devido ao elevado número de documentos analisados pela Corregedoria (mais de 6 mil), houve um atraso. Todavia, para 2013, várias medidas estão sendo tomadas para acelerar o processo. Faz parte do processo, pois mudanças levam tempo para serem assimiladas e as Ceafs estão empenhadas em atender ao que vem sendo colocado pela CBF. Não temos reclamações, ao contrário, a parceria é a palavra chave disto tudo.

Todos que desejam uma arbitragem qualificada, isenta e livre de pressões tem que trabalhar em parceria

11, Os Adicionais deram certo?

Em minha opinião sim, pois muitas arbitragens tiveram apoio deste novo Oficial.

Como foi o primeiro ano em competições nacionais e como tivemos pouco tempo entre a aprovação e o início das atividades, é óbvio que enfrentamos alguns problemas, mas nada tão absurdo que não possa ser aprimorado ano a ano. Quando a UEFA propôs esta função para a temporada 2007/2008 o mundo veio abaixo, como ocorre com toda novidade. A aquisição dos comunicadores foi outra medida salutar que a arbitragem recebeu de presente. É como o celular, ou seja, ninguém consegue viver sem um

12. Quanto ao Departamento de Arbitragem, quais as atribuições previstas pela FIFA?

Art. 6 – Departamento de Arbitragem – Introdução

1. Cada Associação Membro deverá criar um Departamento de Arbitragem dedicado a arbitragem, dirigido por um expert que tenha vasta experiência no âmbito da administração da arbitragem.

2. Se deve estabelecer este departamento de arbitragem dentro da administração da Associação Membro.

Art. 7 – Composição do Departamento de Arbitragem

1. O Departamento de arbitragem deve ser composto por um expert com ampla experiência e trabalhar em tempo integral, com a responsabilidade será administrar o desenvolvimento da arbitragem.

2. Pode ser necessário compor o Departamento de Arbitragem de acordo com as necessidades da AM.

Art. 8 – Os deveres do Departamento de Arbitragem:

* Dar suporte a Comissão de Arbitragem;
* Assistir a CA em todas as suas atribuições;
* Implementar as decisões adotadas pela comissão de árbitros;
* Realizar todas as tarefas relacionadas com a logística da arbitragem;
* Realizar toda as tarefas administrativas do departamento de arbitragem;
* Implementar os programas de desenvolvimento da arbitragem;
* Dirigir, se designado, os trabalhos da Escola Nacional de Arbitragem – ENAF;
* Organizar cursos para árbitros, instrutores, assessores;
* Preparar e produzir material didático de acordo com as regras de futebol promulgadas pela IFAB;
* Informar regularmente as suas atividades a comissão de árbitros; e,
* Auxiliar a Ouvidoria e a Corregedoria da Arbitragem (item agregado para a situação da CBF).

13. A Escola Nacional de Arbitragem foi criada para quais objetivos?

Um antigo sonho antigo da comunidade arbitral que terei a honra de dirigir. Terá como objetivo principal aprimorar os árbitros, assistentes, instrutores e assessores. É mais uma carga de trabalho que será tirada dos ombros da CA, cujo objetivo principal será o de cuidar das escalas de arbitragens. Lembro que o Armando Marques iniciou este processo e até escolheu batizou de Escola Nacional “Coronel Aulio Nazareno”, no final de 1997, todavia houve apenas a vontade, pois não foi regulamentada, ficando apenas no papel.

Veja a Resolução que fundou a ENAF-CBF:

http://imagens.cbf.com.br/201301/443529327.pdf

Além deste novo órgão, o Presidente Marin aprovou as normas que tratam da Estrutura da Arbitragem Nacional:

http://imagens.cbf.com.br/201301/1301975168.pdf

14. Falar da nova Comissão de Arbitragem, é dizer que?.

É um prazer falar da nova CA, pois são figuras destacadas. O Aristeu, por exemplo, um ano antes de deixar a atividade realizou curso de instrutor FIFA; O Antonio Pereira, inclusive pertenceu ao RAP-FIFA durante vários anos. O Nilson Monção sempre foi instrutor e atualmente dirige uma das melhores escolas de árbitros do país. O Dionisio Domingos foi remanejado para a ENAF-CBF e tem vasto conhecimento na área educacional. Enfim, um grupo de elite!

Lembro bem quando o Edson Rezende saiu e disse que a satisfação dele é que alguém do grupo pudesse dar continuidade ao trabalho iniciado em 2005. Lá se vão quase 8 anos.  Com a nova formatação da estrutura arbitral contará com suporte do DA e apoio da ENAF. Tem tudo para dar certo, ainda mais por conta dos atuais gestores não demonstrarem que são vaidosos!

Tenho absoluta certeza de que os novos dirigentes da CA não medirão esforços para dar continuidade a melhoria do setor. Espero que sejam gratos e que não esqueçam de como chegaram aos atuais postos. Quem sabe ser grato receberá gratidão.

15. A missão foi cumprida?

Nossa satisfação é do dever cumprido. Em 2006, o Dr. Edson Rezende de Oliveira determinou um diagnóstico da arbitragem brasileira. Ajudei muito nesta época. De posse das informações implantamos várias medidas para a melhoria da arbitragem nacional, com ênfase nos treinamentos práticos nas 27 Federações.

Quando o Dr. Edson Rezende apresentou problemas de saúde e deixou a função, em 7 de agosto de 2007, aceleramos o processo de modernização do setor, cujo modelo tem sido considerado por vários estados.

Neste período foram avaliados e treinados 3763 agentes do setor, sendo que deste grupo, 643 passaram pelo Centro de Treinamentos “Almirante Heleno Nunes”, um record que – sem dúvida – fez com que as Federações corressem atrás do tempo perdido. A cada ano, mais e mais entidades investiram um pouco mais no setor. Tais medidas, sem dúvidas foram fundamentais para melhorar a qualidade da arbitragem. Como as pessoas apenas acompanham fragmentos do trabalho falam ou escrevem fatos distorcidos da realidade. E como isto ocorre!

Afirmo que houve evolução na arbitragem estadual e nacional, graças ao trabalho de vários abnegados. Hoje não temos “donos das regras”, aqueles antigos dirigentes de arbitragem que não dividiam conhecimento com medo de perder a vaga. Hoje todos os instrutores são atualizados e recebem material de primeiro mundo. Eles tem a missão de desenvolver a arbitragem local e, por consequência, a nacional irá melhorar.

Provo, com números, que nunca antes na história deste país se fez tanto pela arbitragem como de 2005 para cá. Antigamente tudo era feito meio na boa vontade dos dirigentes, o que até saudamos, mas hoje é inegável a modernização do setor. Podem até dizer que a qualidade individual não se compara aos antigos árbitros, mas isto também vale para os jogadores. Os saudosistas tendem a achar que no seu tempo tudo era melhor. Mas são saudades de um tempo que nunca mais voltarão e, em alguns casos, até agradecemos por isto, haja vista os problemas criados por muitos deles.

Prefiro uma dúzia de bons instrutores do que 1 ou 2 “donos do livro de regras.”

Diante dos três cursos de instrutores (2007, 2010 e 2012) posso comemorar outro ganho real: das 27 Federações, mais de 2/3 já realizam pré-temporadas nos estados. Uma, inclusive, faz inter-temporada (Espirito Santo)…. Como isto é bom!

Satisfação também tivemos ao estabelecermos o Plano de Carreira para a Arbitragem Brasileira, com o estabelecimento de categorias ESPECIAL para acolher os ex-árbitros que deixam a lista internacional antes da idade limite e, após 7 de janeiro, os aspirantes que chegam a 37 anos e não foram promovidos; Aspirantes (inclusive para os assistentes que sempre eram esquecidos), CBF-1 e CBF-2.

O Delegado Especial, criado em 2008, com o Rio de Janeiro, aproveitou e criou a figura do Treinador de Árbitros, no ano seguinte, o que muito nos agradou, pois as boas ideias devem ser aproveitadas.

Antes de encerrar, a função de Assessor de Arbitragem é algo que merece muita atenção das Federações, mas isto é um outro assunto para muitas linhas….

Dos sete árbitros pré-selecionados para Copa do Mundo, quatro deles foram promovidos após 2007 e pertencem a uma nova geração (Leandro Vuaden, Sandro Ricci, Emerson Carvalho e Marcelo Van Gasse).

Falando de Alagoas, tenho certeza de que o Francisco Carlos Nascimento – se derem tempo – atingirá um elevado patamar na arbitragem nacional. Muitos comentaristas não concebem um árbitro fora do eixo chegar lá. Com calma, apoio e diligência ele ocupara seu espaço, pois quando foi lançado, em 2009 foi considerado uma das revelações.

Se em 2008, a RENAF contava com apenas 17 árbitros com idade inferior a 30 anos, em 2013 este número ultrapassou uma centena., além dos que os mais atentos – se responsáveis e não forem movidos pela pessoalidade – perceberão uma nova safra sendo semeada.

Falando em faixa etária, lembro que quando reduzimos para 30 anos a idade para ingresso na RENAF, o mundo desabou sobre nossas cabeças, todavia o tempo demonstrou o acerto da decisão. Independentemente da opinião pessoal, como dirigente temos que visualizar o futuro. Basta ler o que os atuais dirigentes da FIFA tem sinalizado para as Copas de 2018 e 2022…

Por tudo que temos observado podemos afirmar que o dever foi cumprido!


Vamos em frente e até qualquer momento.


Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/01/materia-especial-terceira-parte-sergio.html

Como sempre Sérgio Corrêa nos prestigia com sua atenção peculiar. Sou suspeito de falar do mesmo, pois virei seu admirador e seu fã por tudo que fez e faz pela arbitragem nacional.

Obrigado mais uma vez pelo respeito e pelo carinho com este veiculo apaixonado por arbitragem.

Um grande abraço do amigo Paulo Lira.

Prof. Camello em destaque!

MATÉRIA ESPECIAL – QUARTA PARTE – PROFESSOR PAULO CAMELLO – PREPARADOR FÍSICO DA CBF

6 de março de 2013, Notícia na Mira, do Paulo Lira.

Nossa admiração pelo assunto Arbitragem falou mais alto e resolvemos continuar as nossas matérias especiais com os integrantes da Comissão de Arbitragem de Alagoas, a C.A. CBF. Já conversamos com o Corregedor Dr. Edson Resende, com o Ouvidor Dr. Paulo Jorge Alves e também com o Diretor da Arbitragem da CBF, Sérgio Correa da Silva.

E dessa vez vamos conversar com o Professor Paulo Camello, o responsável pelo acompanhamento físico da arbitragem nacional e não é só isso.

Acompanhem a entrevista e conheçam mais este profissional respeitado por todos as árbitros do Brasil.

Poderia informar seu currículo enquanto educador físico?

Formei-me em Licenciatura Plena, pela Univ. Gama Filho em agosto 1987. Com especialização em Treinamento Desportivo pela própria Gama Filho em 89/90 e futebol em 91 pela UFRJ.

Trabalhei durante 20 anos no Fluminense FC, no Rio Grande do Sul e Goiás.

1 – Há quanto tempo está trabalhando com os árbitros? Trabalha sozinho?

São sete anos e desde 2009, dividindo os trabalhos com o Prof. Dionísio Domingos.

2 – Como surgiu a oportunidade?

Iniciei a convite da entidade em final de 2005, onde já trabalhava desde final de 1990  prestando serviços, primeiro como avaliador físico das seleções, e a partir de setembro de 1995 passando a ser também preparador físico das seleções nacionais. Com a arbitragem, foi visando a preparação dos árbitros brasileiros designados para Copa do Mundo da Alemanha em 2006. Naquela época houve mudanças drásticas nos testes físicos, necessitando uma nova metodologia de treinamento e adaptação por parte dos árbitros de todo o mundo. Inclusive os nossos.

3 – Soube que o senhor também foi Preparador físico de clubes e das seleções de base da CBF. 

Qual a principal diferença entre os jogadores de base, profissional (times considerados grandes e pequenos), em relação aos árbitros na preparação física? 

Quem sua mais?

Bem, na verdade, os jogadores ainda apresentam um volume de trabalho maior que os árbitros, pelo fato de serem profissionais e normalmente somente exercerem esta profissão. Por isso, tem um volume maior de horas voltadas ao treinamento físico que os árbitros. No entanto, nos últimos anos, o processo de cobrança físico imposto aos árbitros se elevou, provocando alterações drásticas na forma, e nos números de horas treinadas por eles. Este processo foi alavancado pelas determinações da FIFA, em evoluir grandemente o nível físico, técnico e psicológico dos árbitros internacionais. Isto acabou sendo determinante, para que nos adequássemos a esta nova fase do futebol internacional e também nacional. E assim tem sido feito e continua evoluindo.

4 – Como anda a atual situação física dos árbitros brasileiros?

Para nossa alegria, evoluímos significativamente no aspecto físico, já que o processo que começou em 2006 foi progressivamente sendo posto em prática em todo o país, e todos foram se adequando as novas realidades, não sem antes, sofrer bastante, já tudo que se fazia até então, teve que ser modificado. Metodologia de trabalho, controle físico, técnico e psicológico. Mas podemos dizer que atualmente nosso quadro nacional, tem tido aprovação em torno de 90% nas avaliações físicas que seguem o padrão Fifa. Logicamente existem alguns problemas, mas continuamos num processo evolutivo.

5 – Qual região tem a maior dificuldade em cumprir as exigências físicas atuais?

Eu diria que hoje, temos um equilíbrio de norte a sul do país. Variando muito pouco, se analisarmos percentuais de dificuldade em cumprimento das exigências físicas.

6 – É feito algum acompanhamento da composição corporal?

Sim, estamos já ha algum tempo, tentando avançar também neste aspecto, em todos os estados. Procurando sugerir melhoria neste aspecto também com os Preparadores estaduais. Para que a apresentação física visual também seja adequada.

7 – Tem árbitros que tem uma compleição física de que esta acima do peso. 

Ele passa no teste, mas parece estar fora de forma. Como o setor encara isto? 

O Sr. tem conhecimento de como a CA encara isto?

Sim, sem dúvida. Estes casos são até mais comuns do que possa parecer. É importante explicar, que o sobrepeso, é sempre uma grande preocupação da preparação física e médica. Porém, ela muitas vezes não é determinante para reprovação nas avaliações físicas de campo. Pois alguns árbitros, apesar de carregarem este excesso de peso, que certamente dificulta bastante seu desempenho, no entanto, no momento de seu rendimento no teste, muitas vezes conseguem superar o rendimento de alguns bem mais magros, e serem aprovados na pista.

Nossa maior preocupação é que este árbitro compreenda que isso provoca um desgaste desnecessário ao seu corpo, sendo muito prejudicial a sua saúde. Desta forma, solicitamos que inicie em seu estado, um novo regime alimentar indicado por um profissional da área nutricional, para possa reverter este quadro de forma equilibrada, evitando situações de risco. Se o mesmo, não apresentar nos meses seguintes nenhuma melhora, poderá ser notificado pela CA nacional, seu afastamento temporário até que se adeque as normas pedidas. Esta observação é também muito observada pela Fifa em seus quadros.

8 – Os pilares físicos, técnicos e o psicológico se reúnem para cuidar do calendário das avaliações, ou tudo era feito pela CA e determinado aos pilares?

Os três primeiros sim. O mental, apenas nos cursos.

9 – Qual sua opinião sobre a Escola Nacional de Arbitragem. O que ela poderá ajudar na melhoria do desempenho da arbitragem? Qual será a sua função na ENAF?

Acredito que a Escola Nacional poderá contribuir na elaboração, coordenação e desenvolvimento das atividades que promovem o processo evolutivo da arbitragem nacional, em conjunto e cooperação com os demais órgãos formativos estaduais, e de classe, que devem conjugar suas forças, para melhoria da qualificação e das condições de trabalho dos árbitros do país. Este órgão vai tirar da CA uma carga muito grande de preocupação.

Em abril teremos um novo curso de atualização promovido pelo Programa de Desenvolvimento da Arbitragem da FIFA. Este curso será realizado, de 17 a 21 de abril de 2013 em Vitória – ES. Mais uma vitória da CA-CBF.

10 – Como o senhor acompanha todos eles com as distâncias que nos separam?

Estamos em fase de desenvolvimento de projetos, com a delegação de atribuições de observação e controle, por parte dos professores locais, que são os que convivem mais de perto com eles. Observamos também os relatórios dos observadores técnicos que fazem pontuações sobre os aspectos físicos dos árbitros nas partidas e ajudam neste controle a distancia. E temos alguns casos dos árbitros de elite, aspirantes e promissores, que são monitorados por alguns frequencímetros, que armazenam informações sobre os jogos e os treinamentos que fazem durante a semana, facilitando nossa visualização do que está sendo feito.

11 – Tenho acompanhado vários testes físicos aqui em Alagoas, só de olhar já me deixa cansado (RS). Aqui não são oferecidas boas condições para os avaliados (Pista de areia e Horário com 34° no sol), isso influência os resultados? (A turma aqui reclama muito, dizem que no RJ são feitos a noite e com uma pista totalmente apropriada). Como são as 27 pistas pelo país?

Ainda temos diversidades no país com relação às pistas para os testes físicos. Além de Alagoas, vários outros estados tem o mesmo problema. Porém, apesar de não serem as ideais, a verdade é que temos que nos adequar as nossas realidades, e nos prepararmos para fazer o melhor, dentro das adversidades. Assim com acontece nos jogos, no nosso país tropical, o calor estará presente em quase todo o território, o ano todo. A forma de minimizar é buscar um horário menos quente se for possível. No caso específico do Rio, só é feito à noite, porque é o horário que a federação local, tem disponível a pista, apenas isso. Os demais estados, se tiverem tal possibilidade, poderão fazer o mesmo.

12 – Como foi a preparação física dos árbitros que foram a Copa de 2006, 2010 em comparação aos da Copa 2014? Tem como comparar com uma Copa, como a de 70, por exemplo? – 

As recorrentes repetições e por falta de treinamento, apoio, numero excessivo de jogos (calendário apertado) ou as dificuldades do teste. 

A CBF tem um banco de dados com os resultados e o estágio de cada um?

Sobre as preparações das últimas Copas, especialmente sobre a de 2006, posso falar que tive total liberdade e controle sobre o que foi feito e dos resultados conseguidos. Já sobre a de 2010, já houve diferenças no desenvolvimento dos treinamentos e do controle dos árbitros, assim como a de 2014 também apresenta diferenças, só que mais na diversidade de informações e no aumento dos dados coletados, assim como um aumento na intensidade dos testes.

Na primeira, tive que adequar toda a metodologia de treinamento as novas necessidades e exigências dos testes físicos que foram modificados em 2005. Totalmente distinto do que se fazia até então.

Primeiro procurei reconhecer as novas necessidades físicas dos árbitros, para então traçar o planejamento para os próximos 3, 4 e 5 meses até as vésperas da última avaliação para a Copa. Foi uma excelente experiência, já que pude desenvolvê-la aproveitando minha experiência com o futebol, além de poder sentir o que passaram a sofrer os árbitros na hora do teste, pois procurei também fazê-lo, no período de estávamos concentrados na granja Comari para o início de 15 dias de trabalho em janeiro de 2006. Assim caminhamos, e ao voltarem para seus estados, levaram uma planilha de trabalho semanal, que era atualizada ao final de cada semana, até as novas testagens na Suíça em março e abril, quando foram aprovados preliminarmente, e depois onde fizemos novo trabalho de intensificação de treinos em Teresópolis em maio às vésperas da ida para a Alemanha.  Lá, foram novamente testados e aprovados, acabando sendo classificados no aspecto físico, entre os 3 melhores trios internacionais daquela Copa. O que nos trouxe muita alegria, pelo esforço e dedicação de todos durante todo o processo de preparação. Para 2010, a coisas mudaram bastante, pois a Fifa resolveu direcionar as ações de treinamento para os árbitros indicados, e estes, passaram a seguir um planejamento deles, com pouca influência de nossa parte. E é o que continua ocorrendo hoje para 2014, praticamente, todo o trabalho é indicado e direcionado pela Fifa, e cabe a nós, mais dar apoio aos árbitros, quando solicitados, do propriamente determinar o que deve ser feito. Já que o controle é feito por informações enviadas diretamente do árbitro, para FIFA.

13 – Recebi informações que o senhor é muito competente, e todos os árbitros gostam de sua metodologia de trabalho, diferente de seu antecessor Dionísio Domingos, qual o segredo para conquistar todos, e o que o Senhor fez de diferente para ter esta aprovação da maioria?

Em primeiro lugar uma coisa que julgo muito importante, é sempre procurar respeitar a metodologia da cada profissional, e procurar entender suas realidades. Porque existem sempre muitos caminhos, para se alcançar os objetivos, e cabe a cada profissional, escolher e direcionar suas ações, e assim ter seus resultados alcançados. E em respeito a isso, devemos também entender as diferenças, e saber aceitá-las para que a convivências entre as partes possa acontecer em harmonia. Fico feliz com essas afirmações, porém não devemos esquecer o grande trabalho desenvolvido pelo Prof. Dionísio, em um determinado momento em que estive afastado, quando percorreu todos os estados do país ajudando a difundir e corrigir as falhas que aconteciam nestes locais, após as modificações estruturais da arbitragem nacional. A rudeza em alguns momentos pode ter acontecido, porém com total vontade de acertar, e aumentar o espírito de cooperação, responsabilidade, e justiça, para melhoria da arbitragem brasileira em todo território nacional. Sendo assim, talvez a forma de como fazer, seja nosso maior diferencial, e se relaciona creio eu, pelas características pessoais inerentes ao ser humano, mas que não acredito, vieram a comprometer os objetivos a serem alcançados.

14 – Qual a diferença na preparação física de um árbitro e de um assistente? Os testes para os assistentes estão adequados?

Este assunto é sempre motivo de discussão, e logicamente, existem diferenças. O primeiro necessita de uma demanda física superior de resistência e potência combinadas, na direção da partida. Se comparadas as necessidades dos assistentes, que necessitam de mais potência e velocidade em suas funções. Porém a meu ver, a FIFA ainda não encontrou o que realmente almeja para definir o teste ideal para cada grupo de árbitros, e isso se faz visível, em sua procura em novas formas de avaliar a ambas as categorias. Para isso, tem feito experimentos, com a inclusão de novas variações e modalidades de testes, incluindo o campo de jogo, que poderão se encaixar melhor nas reais necessidades dos árbitros e dos assistentes. Favorecendo assim, uma melhor distribuição da avaliação física para o caso de um e de outro. Então, não nos cabe julgar se são adequados, mas corroborar com os estudos, e tentar desenvolver novas formas de avaliação, que se encaixem melhor neste perfil. Enquanto isso não ocorre, devemos nos preparar adequadamente para alcançar os índices necessários para aprovação, e especialmente, para uma ótima direção das partidas.

15 – Resumidamente como é realizado o FIFA TEST. Os preparadores físicos das federações cumprem o protocolo FIFA. Sabe dizer quais as Federações que cumprem os índices completos (sabemos, por exemplo, que em anos anteriores o Rio de Janeiro aboliu o teste dos 40 metros; a comissão alagoana aumentou o tempo, etc.)? Se não cumprem, o que isto acarreta para o setor que o ser dirige quando eles são indicados para compor os quadros da CBF?

De forma geral, o FIFA Test é dividido em categorias, sendo o de categoria 1 para os árbitros internacionais, o de categoria 2 para nacionais, categoria 3 para estaduais e para o gênero feminino.

Em todos, constam uma avaliação de velocidade com 6 tiros de 40m em velocidade com tempos máximos pré-determinados, tendo até 1’30” para fazer o tiro seguinte, até que se complete os 6; seguido a isso, após um intervalo de 6 à 8 minutos, são feitos 20 a 24 tiros de 150 m com tempo máximo pré-definido para cada categoria para árbitros e assistentes. No site da CBF temos todos os pormenores dos tempos a cumprir em cada respectiva categoria.

Entendamos que cada avaliação deve estar relacionada a sua respectiva categoria, no grupo a que se insere o nível de seu árbitro. Sendo assim, toda vez que ocorrer uma avaliação internacional, será cobrado do árbitro, o índice categoria 1. Quando for uma avaliação nacional, se aplicará a de categoria 2, e assim sucessivamente. Então, cada estado, poderá se utilizar para sua avaliação local, do índice que couber a categoria estadual. No momento que o árbitro for indicado a fazer o teste de nível nacional, que será o caso do mês de março, serão cobrados deles, o índice nacional, para que possa atuar em competições nacionais. Para os já internacionais e aspirantes FIFA, será cobrado o índice internacional, para que possam estar aptos a trabalhar também em partidas internacionais, já que ostentam tal escudo, caso contrário, poderão deixar tal categoria se não cumprirem esta exigência. E os aspirantes, para estarem em condições de assumir tal posto, se houver alguma desistência, ou alteração do quadro internacional.

É facultativo as federações decidir como avaliar seus árbitros no âmbito estadual, porém, se estas avaliações forem desproporcionais as necessidades do grupo que almeja ascender ao quadro nacional e até internacional, esta atitude certamente será um tiro no próprio pé, já que não qualifica nem prepara adequadamente seu árbitro para evoluir, física e tecnicamente.

16 – Temos dirigentes com parentes na arbitragem. Eles podem participar destas avaliações. Como agia a CA anterior e como agirá a CA atual?

Que eu saiba, não existe nenhuma restrição a inclusão de pessoas com parentesco na arbitragem, nem creio eu, em qualquer outro setor do país. Salvo esteja enganado, em cargos públicos ou algo do gênero. Creio que qualquer pessoa tem segundo a constituição, direito de participar de qualquer área profissional, desde que preencha os requisitos técnicos para tal, e cumpra seus respectivos deveres. Sendo assim, a meu ver, não há qualquer impedimento legal para essa participação, desde que como disse antes, esteja cumprindo rigorosamente os requisitos a que se propõe.

Devemos lembrar, que em todos os ramos profissionais, temos parentes diretos ou indiretos, atuando em suas áreas, sem nenhum constrangimento. E acredito que também na arbitragem, deva ser assim. Ninguém deverá sofrer represálias por ser, ou ter parentesco com algum integrante da arbitragem. Ao mesmo tempo, que não deverá receber benesses pelo mesmo fato. Devemos seguir o principio da igualdade de direitos, e da capacidade individual. Para isso, existem a Procuradoria e Corregedoria, que são responsáveis em dirimir as dúvidas, receber denúncias, e após analises dos fatos, dar destinação adequada ao processo. Os protocolos físicos avaliativos são todos abertos ao público, e tem total transparência para que nada possa alterar a lisura do processo.

17 – Como era trabalhar com Sérgio Corrêa e como foi com o Aristeu Leonardo?

Dos dois não tenho nenhuma queixa a fazer, assim com disse sobre o Prof. Dionísio, acredito que devemos entender as diferenças das pessoas, para que haja uma boa convivência, seja na nossa casa, seja no trabalho. Logicamente, haverá sempre diferenças, pois o ser humano é diferente um do outro, e também poderá haver divergência de ideias, ou de posições. Porém nada que não possa ser discutido com argumentações criteriosas para se chegar a um ponto comum. Os objetivos principais são os mesmos: “A evolução da arbitragem nacional”.

18 – Quem são os responsáveis pelo pilar físico na América do Sul. Como eles encaram os árbitros pré-selecionados e os demais internacionais?

A FIFA mantém um programa em de apoio e desenvolvimento da arbitragem em todo o mundo chamado RAP. E é responsável em oferecer cursos anuais de aperfeiçoamento nas 3 áreas, sendo na América do Sul em parceria com a Conmebol. Na área física, o Prof. Cristian Rosen que é argentino, é o responsável. Porém, o responsável geral na área física é o também argentino Prof. Alejo Perez, que controla todos os árbitros internacionais, enviando planejamentos de treinos e recebendo os informes dos árbitros com seus planos de treino. Fazem um ótimo trabalho, buscando uma evolução continua por parte dos árbitros.

19 – Os árbitros internacionais, os aspirantes e os especiais realizarão quantas avaliações este ano? Qual índice será cobrado deles?

A previsão é de 3 avaliações. Seguindo a orientação da FIFA de fazer de 3 a 5 anuais.

20 – E as dificuldades para o gênero feminino. A CBF nunca pensou em fazer uma transição para elas? Por que exigir os índices masculinos, haja vista que tem grandes Federações que não exigem?

Gosto muito desse assunto e foi ótimo ter tocado nele. Até porque sou um estimulador da maior participação feminina na arbitragem, e estive diretamente atuando no processo de transição das avaliações físicas a partir de 2006. Então vamos por partes.

Desde que se iniciou o processo de transição física na arbitragem, todas as categorias e gêneros, foram afetados.  Na medida em que, as alterações foram sendo feitas, com a introdução do FIFA Test, o processo de treinamento também teve que ser modificado para todos. E aí também as mulheres tiveram que se adequar a nova demanda física. Vale lembrar, que tudo foi sendo feito progressivamente, e assim como os homens, que treinavam pouco, e passaram a ter que treinar mais, e de forma diferente. As mulheres tiveram que se adequar a isso também. Infelizmente, a maior “fragilidade física” (não é pejorativo) da mulher nesse caso, ficou mais evidente. Gostaria de destacar, que isso também ocorreu com os homens. E tem uma explicação até simples de se entender… O grande problema dos árbitros de forma geral nos últimos 8 a 10 anos, era que o aspecto físico, não tinha uma cobrança tão grande, e com isso, pouco se precisava fazer para alcançar os índices mínimos necessários para aprovação.

Sendo assim, pouco se treinava fisicamente para se manter arbitrando. Alia-se a isso, uma quase que total inexperiência de formação desportiva, por parte dos árbitros, na sua infância e adolescência. O que isso quer dizer. Que muito poucos tiveram uma experiência atlética prolongada anterior à arbitragem, especialmente na sua adolescência, que facilitaria muito a adaptação a qualquer dos novos processos de treinamento. Sobrepeso e pouco histórico físico pregresso, foram sempre os maiores obstáculos dos árbitros para se adequarem aos novos momentos. E as mulheres árbitras, especialmente, isso foi, e tem sido preponderante nos ainda baixos índices de aprovação. Porém, já melhoraram muitos nos últimos 3 anos. Então, o que tem ocorrido, é que o processo vem ocorrendo já a bastante tempo, e só permanecem, as que superam suas dificuldades para alcançarem os índices masculinos.

Lembro ainda, que o problema não é de “fragilidade física do gênero feminino”, comparado ao masculino, mas sim, de adaptação e assimilação, aos treinamentos físicos necessários para feitura do teste. Um exemplo claro disso, são os diversos resultados expressivos das mulheres, em competições de vários esportes, como atletismo por exemplo. Muito melhores que da maioria dos homens comuns treinados.

Por isso, o que diferencia este processo seletivo, é o tempo de adaptação aos trabalhos físicos, necessários para esse momento. Não, simplesmente ser homem ou mulher. Tudo vai depender do que você trás de histórico de trabalho físico, que características físicas você apresenta, para evoluírem mais rápido neste aspecto. Não podemos esquecer também, que a própria FIFA, exige que as árbitras internacionais que queiram trabalhar nos jogos masculinos, cumpram os índices masculinos. O que, convenhamos é correto e uma forma natural de igualdade de direitos e responsabilidades. Afinal, a cobrança dentro das 4 linhas, não deve ver sexo, cor ou credo, e sim, capacidade técnica, física e mental. E são 3 atributos que as mulheres são em muitos casos, superiores aos homens. Só depende delas, serem perseverantes, para transformar isso em realidade. E estejam certas que sempre terão nosso total apoio.

 

21 – O sr já acompanhou uma competição feminina. Qual a diferença entre o gênero feminino x masculino. Em quanto tempo as mulheres poderão apitar com a mesma aptidão física? Quantas arbitras e assistentes passam no teste masculino e isto representa quanto em percentuais?

Realmente a força física e a dinâmica do jogo ainda apresentam uma diferença considerável. Porém no jogo, as mulheres também tem apresentado grande evolução física  o que os tem tornado mais rápido e disputado. Desta forma as árbitras estão sendo mais exigidas, e com isso, o processo de qualificação vai sendo aumentado também, necessitando maior treinamento e dedicação por parte das árbitras.

O que irá direcionar essa situação, será o grau de determinação e comprometimento por parte das árbitras, sabedoras que tem uma tarefa árdua e desgastante, mas que acredito firmemente, que não demorarão a chegar nesse patamar, e eu torço para isso, porque as considero muito capazes.

Atualmente o gênero feminino da CBF conta com 77 Oficiais de Arbitragem, sendo 11 árbitras, com apenas 1 delas apta para atuar no campeonato masculino (Regildênia Moura, FIFA-SP) e 66 assistentes, com 14 delas aptas. Das Internacionais, terminamos 2012, com as quatro com índices do gênero masculino

22 – No aspecto físico, qual a mensagem para os nossos leitores, para os árbitros e para os que pensam em seguir esta árdua missão?.

Primeiramente, agradecer a oportunidade de tentar buscar esclarecer vários pontos relacionados à preparação física da arbitragem atual, esperando ter respondido com clareza e simplicidade, as questões enviadas. Aos árbitros e futuros árbitros, que continuem firmes em seus propósitos, de evoluir sempre, e não esquecer que a arbitragem é uma atividade apaixonante, envolvente, porém voluntária, ainda não profissional aqui no Brasil. E por isso, não se esqueçam de que só permanecerão, os que realmente estiverem dispostos a pagar um alto preço, dedicando parte da sua vida cotidiana, a treinamentos exaustivos e cobranças constantes. Entendendo que os erros acontecerão em algum momento, mas que poderão ser minimizados, por seu esforço, dedicação, responsabilidade constante e diária.

Um forte abraço a todos e até outra oportunidade.

Gostaríamos de agradecer ao Professor Paulo Camello pelo tempo que foi  desperdiçado com o nosso espaço na internet.

Nada melhor do que conversar com o mais importante profissional na preparação física dos árbitros da CBF antes de um teste, falo do teste físico de amanhã da CBF no Recife onde estarei acompanhando o desempenho dos árbitros alagoanos que se juntarão aos árbitros Pernambucanos visando a participação nos campeonatos brasileiros de 2013.

Uma grande conquista das nossas reportagens, junto claro ao Apito Nacional que a todo momento esteve na luta para melhorarmos as condições da pista onde se aplica a avaliação para os árbitros alagoanos.

Parabéns a CBF que sensatamente direcionou nossos árbitros e assistentes  para uma pista de verdade com condições humanas de desenvolver o potencial físico dos nossos “apitadores e bandeirinhas”.

Não pense que ficaremos por aqui no quesito cobrar mais melhorias para a categoria, estaremos sempre de olho e tentando ajudar da melhor forma possível nossos “Homens de Preto”.

Abraço do Paulo Lira.


Vamos em frente e até qualquer momento.


Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/03/materia-especial-quarta-parte-professor.html

Entrevista com Dra. Marta Magalhães

MATÉRIA ESPECIAL – QUINTA E ÚLTIMA PARTE – DRA. MARTA MAGALHÃES PSICÓLOGA DO ESPORTE NA ARBITRAGEM

21 de Abril de 2013, Notícia Na Mira, do Paulo Lira.

Agora podemos dizer que estamos realmente encerrando a  série de entrevistas especiais que estamos fizemos sobre a  arbitragem nacional em especial os dirigentes e colaboradores da Comissão de Arbitragem Nacional.

Já entrevistamos ,  Sérgio Correa, Dr. Paulo Jorge ,  Dr. Edson Rezende e o Professor Paulo Camelo,como  vocês podem conferir acessando estes links.

http://noticianamira.blogspot.com.br/2013/01/materia-especial-terceira-parte-sergio.html

http://noticianamira.blogspot.com.br/2013/01/materia-especial-segunda-parte-dr-edson.html

http://noticianamira.blogspot.com.br/2013/01/materia-especial-primeira-parte-dr.html

http://noticianamira.blogspot.com.br/2013/03/materia-especial-quarta-parte-professor.html

Para encerrar esta bela sequência nada melhor do que conversar com a Dra. Marta Magalhães, Psicóloga do Esporte, seu trabalho está literalmente ligado a Arbitragem Nacional. Conheça um pouco de uma das mais respeitadas profissionais do mundo da bola Brasuca e a sua real função na arbitragem Brasileira:

Poderia informar seu currículo enquanto psicóloga do esporte? Soube que a Sra. trabalha como professora na rede pública. Como é este trabalho?

Sou Psicóloga do Esporte Pós Graduada pelo Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo. Estou na Arbitragem de Futebol desde 2004, já atuei junto a Ginástica Artística, faço atendimentos para atletas, e consultorias esportivas.

Quanto à Rede Pública, trabalhei na formação de Magistério, sou Psicóloga, Psicóloga Escolar e Pedagoga, atualmente ocupo o cargo de Orientadora de Estudos e Pesquisas da Escola de Tempo Integral, no Município de Guarulhos, São Paulo.

1-Qual é a sua função junto a C. A. da CBF? Qual a diferença entre uma psicóloga e uma psicóloga do esporte?

A função na CA/CBF é de Psicóloga do Esporte na Arbitragem, trabalho com o Pilar Mental junto aos árbitros de futebol do Quadro Nacional Brasileiro.

A Psicologia é o estudo dos fenômenos psíquicos e do comportamento do ser humano, a Psicologia do Esporte, estuda o comportamento do ser humano envolvido no contexto esportivo, e do exercício físico. O objetivo da Psicologia esportiva é compreender como os fatores psicológicos podem influenciar o desempenho físico, o desenvolvimento emocional, a saúde e o bem estar.

2– Há quanto tempo trabalha com os árbitros e como é feita a comunicação com eles, haja vista a distância dos estados em relação a sede da CBF. Como minimizar isto?

Trabalho com os árbitros desde 2004, a comunicação é realizada nos diferentes treinamentos realizados pela CA/CBF, nos campos de jogo, no consultório, através de e-mails, Skype, e telefone.

3 –Como surgiu essa parceria?

Surgiu de um convite do Sr Sergio Correa para fazer trabalhos psicológicos no Sindicato dos árbitros em 2004, em seguida alguns trabalhos na Pré-Temporada da Federação Paulista, depois acompanhamento aos árbitros da CBF junto ao Pilar Mental desde 2007.

4 –Qual a principal diferença de trabalhar com os árbitros e pacientes comuns?

Trabalhar com o Cliente Humano, significa acompanhá-lo em sua queixa, e ajudá-lo a encontrar sentido em sua história, e na forma de intervir com ela, seja nos contatos consigo, com o meio, e com o outro. Trabalhar com árbitros significa fazer tudo o que esta citado acima, pois antes dele ser árbitro, ele é um Homem, E também buscar compreender os fenômenos psíquicos que possam alterar comportamentos, desempenho, saúde, e bem estar. Sempre visando promover a saúde, a comunicação, as relações interpessoais, a liderança e a melhoria no desempenho esportivo.
5 –Pela pressão exercida sobre estes profissionais, creio eu que os fatores Psicológicos sejam bastante exigidos, como à senhora trabalha isso com todos eles? A sra já foi a uma partida de futebol com elevada carga de pressão?

A pressão é muito alta, os fatores psicológicos trabalhados dependem da singularidade de cada árbitro, seja na confiança, segurança, motivação, tomada de decisão, atenção, concentração, entre outros.

Já participei de várias partidas de futebol, desde as consideradas, um grau de pressão fácil, médio, e difícil, o trabalho psicológico realizado passa pelo Plano de Trabalho do Árbitro em Equipe, e pelo Plano de Trabalho Individual, sempre voltado para seu foco no aqui e agora de forma que a consciência seja a mais plena possível.

6 – O atual momento da arbitragem anda exigindo árbitros jovens, o fator psicológico não é mais evidente neles por falta de experiência? Qual a maturidade deles para grandes jogos?

O árbitro ao estudar as regras, treinar fisicamente, e aplicar esse conjunto em campo de jogo, ele esta buscando compreender e aprender com cada situação. Esse processo desenvolve a abertura para as novas experiências no campo vivido, e sua leitura de jogo ganha mais consistência, profundidade e precisão. Com isso, apropria-se das próprias experiências, favorecendo, assim a tomada de decisão, e a maturidade deles para os grandes jogos.

7 –Dentro da sua área, quais os maiores problemas enfrentados pelos árbitros brasileiros?

Questões culturais, treinos associados ao trabalho, viagem, família, e principalmente o respeito pelo seu trabalho, que toma inúmeras decisões em curto espaço de tempo.
8 –Quando um árbitro apresenta um quadro de anormalidade Psicológica, como a senhora faz o acompanhamento e tratamento?

Cada caso é um caso, e faz o que se precisa, no momento certo, se preciso encaminhar aos cuidados médicos, assim é feito. Um bom acolhimento – escuta apropriada, e presença efetiva, normalmente são os caminhos adotados. Não me lembro de um caso de anormalidades, lembro-me de   questões humanas, precisando de acolhimento, ressignificação e contorno.

9 –Assim como o Professor Paulo Camelo, a senhora também é muito bem vista pelo grupo, qual o segredo do seu trabalho?

Num primeiro momento ser capaz de dar a atenção devida, e acolher a demanda, e depois, trabalhar o que é preciso. Afinal cada um assume sua responsabilidade e habilita melhores respostas, seja no nível motor, cognitivo, afetivo entre outros.

10 -quantos profissionais do esporte estão trabalhando na arbitragem?

Ainda sonho com que cada Federação tenha seu Psicólogo, hoje ainda o numero de Psicólogos da Arbitragem é pequeno, mas estamos dia a dia aumentando o numero de profissionais desta modalidade.

11 -A Sra já participou de pré-temporadas pelo Brasil? Se sim, o que tem encontrado?

Sim, já participei, e como disse anteriormente, as questões singulares, e locais são muito diversificadas, tais como: hábitos cotidianos, grau de instrução, meios de transporte, dirigentes locais, questões financeiras, recursos físicos e humanos. Essas questões são cuidadas na esfera individual, e na esfera da padronização Brasileira, na medida do possível.
12 -A sra participou de quantos cursos de elite na CBF? Tem uma ideia de quantos passaram pelo seu trabalho?

Inúmeros cursos, ao longo dos anos, centenas de árbitros envolvidos nesse trabalho. Nossos árbitros promissores estão na ativa e se saindo bem, dia a dia, amadurecendo na função. Os antigos árbitros estão com postura resinificada  pois as exigências foram alteradas, e sua posição diante da arte de arbitrar foi alterada também.

13 -Como era trabalhar com a antiga CA e como é trabalhar com a nova?

Quando o OBJETIVO do trabalho é o mesmo, só muda a forma de falar, trata se de um trabalho contínuo, e em busca da assertividade, portanto, é tranquilo.

14 -Os dirigentes e instrutores passaram pelo seu “divã” na antiga gestão? E os atuais? Isto precisa ou não ser feito?

Sempre quando se precisa, todos nós passamos por um filtro, eu passo, e todos passam. Isso é saudável, inteligente e da noção de pertencimento ao grupo, da sentido a equipe, que só funciona bem quando podemos trabalhar em conjunto e resignificar quando é necessário.

15 –A Sra. sendo professora há muitos anos e tendo participado curso FIFA para instrutores pode fazer um diagnóstico de como será a arbitragem e, claro, se os instrutores formados estão a altura da missão a ser cumprida?

Todos os instrutores que se submeteram ao curso de Instrutor têm condições de avançar quando se reciclam continuamente. Quando trocam, e se submetem as avaliações da Instrução. Estão sempre atualizados com os informes da Fifa, CBF, caso contrario, é difícil, se manter na Instrução.

16 –Qual a diferença entre a arbitragem masculina e feminina. Como a sra lida com estas questões. Por exemplo, um dirigente tendo um parente na arbitragem ajuda ou atrapalha? Como lidar com isto?

Questões de gênero são inúmeras, e nada deixa a desejar se bem trabalhadas. Precisamos lidar melhor com a abrangência do feminino, num lugar altamente masculino. Toda relação de parentesco, gera falas, o que precisamos ter como ponto, é a ética e o comprometimento com o trabalho. Tem momentos que ajuda, e têm momentos que atrapalha, em todos os cantos, as polêmicas serão intensas, se o próprio meio alimenta esse ou aquele comentário. Lidar com isso, de forma natural e com a realidade que existe, é o dever e o direito de cada um, ao exercer uma função. Sempre buscar o sentido comum e justo, é a melhor opção.

17 –Dentro do aspecto psicológico, se a sra pudesse dar um único conselho para o árbitro de futebol melhorar sua performance qual seria? Esta pergunta vale também para o assistente, cuja missão é complexa e depende de posicionamento correto, atenção, etc bem como para o dirigente de arbitragem melhorar sua gestão. Qual seria este conselho para cada um deles?

Que cada um aproprie-se cada vez mais de si, e que a medida que os treinos sejam efetivos, faça o que pode, com o seu melhor, e cada ação é uma ação, portanto, faça o melhor no AQUI E AGORA, o resultado é fruto da construção do passado, do fazer no presente, e da colheita no futuro.

18– No aspecto psicológico, qual a mensagem para os torcedores que bradam contra o trabalho da arbitragem, os jornalistas que questionam, os nossos leitores e para os árbitros e, finalmente, para aqueles que pensam em seguir esta árdua missão?

Espero que todos procurem conhecer as regras do futebol, procurem olhar para o arbitro como um ser humano, que sempre busca fazer o melhor. Que respeitem o Homem com sua origem, e não misturem os momentos da paixão com a cegueira do discernimento. Que as criticas sejam construtivas e de proveito. Que os interessados, entendam que o trabalho é intenso, sério e de grande emoção ao que compete ao senso de justiça e de fundamento arbitral.

Gostaríamos de agradecer a atenção da Dra. Marta, sabíamos que não seria diferente, pois tive o prazer de conhece-la no último Congresso da ANAF em São Paulo em Novembro de 2012 e além de uma profissional respeitada ela é um doce de pessoa, muito atenciosa e educada.Espero encontra-la em outras situações.

Acredito amigos do Notícia na Mira que vocês tenham gostado da série de matérias especiais que produzimos em nosso espaço na internet, acreditamos também que os nossos leitores ficaram conhecendo um pouco dos dirigentes e colaboradores da arbitragem nacional. Esperamos realizar outras séries e entrevistas com a cúpula da arbitragem nacional em breve.

Abraço do Paulo Lira.
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Vamos em frente e até qualquer momento!

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Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/04/materia-especial-quinta-e-ultima-parte.html

Paulo Jorge Alves, Ouvidor da CBF

Entrevista com o ex-assistente FIFA Paulo Jorge Alves, Mundialista 1994, com 5 partidas realizadas.
Advogado e Educador Físico, foi presidente da comissão de arbitragem da FERJ, membro da CA-CBF de 2005 a 2012 e, desde então, Ouvidor da Arbitragem.

MATÉRIA ESPECIAL – PRIMEIRA PARTE – DR. PAULO JORGE ALVES – OUVIDOR DA CBF

05 de janeiro de 2013, Notícia na Mira, do Paulo Lira
Estamos começando 2013 e iremos colocar a disposição do amigo internauta do NM uma série de entrevistas especiais falando dos principais assuntos relacionados a arbitragem nacional.
Iniciaremos com o Dr. Paulo Jorge Alves, hoje Ouvidor da CA-CBF, que irá esclarecer para que serve a Ouvidoria da CBF e como atua. Dr. Paulo também fala de como entrou na Comissão de Arbitragem e um pouco da sua carreira.
Confira a entrevista na integra:
1-A quanto tempo o Senhor está como ouvidor?

R- De 2005 a 22 de agosto tive a satisfação de integrar a CA-CBF, com os notáveis Edson Rezende, Sérgio Correa, Manoel Serapiao e Luiz Cunha Martins. Na reestruturação da CA fui remanejado para a função de Ouvidor da Arbitragem, cargo que vinha sendo ocupado pelo Aristeu Tavares.
2-Qual é a sua formação profissional?

R- Sou Policial Federal Aposentado, advogado  OABRJ 122456, Perito Judicial Grafotécnico e Falsidade Documental, inscrição TJRJ 4513, com atividades na Justiça Federal e Tribunal de Justiça do Rio de janeiro. Formado em Educação Física na Universidade Castelo Branco em 1979. Formado em Direito na Universidade Federal do Rio de janeiro, 1986. Pós Graduado em Direito Penal e Processo Penal, Universidade Estácio de Sá, 1988. Fiz todos os Cursos Futuro III para Instrutor: participei ativamente da transformação da arbitragem nacional, fui Delegado Especial da Arbitragem, todavia com a nova atividade deixei esta, por questões éticas.
3-O senhor já foi Árbitro de Futebol? (CBF, FIFA)

R. Sim fui árbitro de futebol de 1975 a 1997 durante 22 anos portanto.
# Fui o primeiro árbitro assistente especialista em Copas do Mundo, 1994 EUA, atuando em 5 partidas.
# Tenho aproximadamente 30 partidas entre seleções “A” (principal seleção do pais) pela FIFA, sendo recordista entre os brasileiros com mais partidas em uma só Copa do Mundo.
# Algumas decisões de Estaduais no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de outros estados.
 # 5 finais de Campeonatos Brasileiros;
# 2 Copas Américas; 1993 Equador- atuei na final Argentina 2 x 0 México e, em 1995 Uruguai. (Brasil foi Finalista).
# Fui presidente e membro da Comissão de Arbitragem no Rio de Janeiro.
4-Quais são as medidas tomadas pela ouvidoria após ser acionada?

R. De posse do DVD completo enviado pelo clube, fazemos análise do jogo no contexto geral da partida com relação a arbitragem, dando procedência ou não à contestação feita pelo clube, em sendo necessário, como já dito, a Ouvidoria propõe treinamento, podendo ser  técnico, físico ou mesmo psicológico.
5- A ouvidoria possui autonomia para punir ou restringir o nome de árbitros para a Renaf e para a Escala?

R.Se a pergunta é para ingresso, a Ouvidoria não interfere, a Corregedoria sim, pois o ingresso depende de documentação, reputação ilibada etc, que está a seu cargo.
Esta Ouvidoria, quando necessário, propõe treinamento, faz acompanhamento e pode em alguns casos alterar a nota atribuída pelo assessor.
6- Como a ouvidoria contribui com a CONAF e com a Arbitragem Nacional?

R. Desculpe a retificação. O nome correto é CA-CBF, a sigla RENAF ja não existe mais.
 Respondendo a pergunta, é como disse acima, isto é, propondo treinamento e acompanhando o árbitro na parte técnica.
 
7- A quem exatamente a ouvidoria está hierarquicamente ligada?

R. Diretamente à Presidência da CBF, não está hierarquicamente ligada a nenhum outro setor.
 
8- Desde a criação deste órgão (na sua gestão), o que de concreto foi feito? Onde estão os resultados?

R. Frise-se que anteriormente, a Ouvidoria era feita pelo atual Presidente da CA-CBF, isto é de maio a agosto deste ano. Atualmente, parte dos dados está divulgado no site da CBF. Se desejar poderá verificar um resumo já publicado:
 
9-Onde são divulgados as ocorrências destes órgãos e os resultados obtidos?

R. As análises são enviadas à Presidência da CBF, aos Presidentes das Federações dos clubes envolvidos, aos clubes envolvidos e aos árbitros envolvidos. Estamos trabalhando para que estejam disponíveis no site da CBF.
10-Por que no site da CBF não consta o e-mail do ouvidor ou telefone?

R. O e-mail foi divulgado aos clubes:
11- O senhor tem um filho que é Árbitro (Aspirante FIFA), o senhor recebeu alguma reclamação sobre o desempenho dele em alguma partida? Se sim, como o senhor agiu?

R. Nenhum clube reclamou formalmente das 19 atuações dele em 2012.
 Para preservar a ética que qualquer julgador deve ter, existe um documento feito por mim, de declínio de competência para analisar quando este ouvidor sentir-se de alguma forma desconfortável eticamente, seja para ele, filho ou algum outro por quem possa  nutrir alguma amizade.
 Registro que, nas reuniões da CA-CBF, também não participava das reuniões que deliberavam sobre promoções, tanto que somente soube de sua ascensão quando a resolução já estava assinada.
 
12-Como torcedores, Imprensa e Dirigentes podem acionar a ouvidoria?

R. Esta ouvidoria foi criada para atender  aos clubes.
Torcedores , imprensa, devem-se dirigir à Ouvidoria Geral.
Tenha um 2013 de muita paz e que ano que vem possamos contribuir mais e melhor.
Abraço.
Paulo Jorge Alves
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Nós do Notícia na Mira é que agradecemos toda atenção desperdiçada pelo amigo.
Mas um vez, muito obrigado.
Abraço do PL.
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Vamos em frente e até qualquer momento!
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Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/01/materia-especial-primeira-parte-dr.html

Primeiras regras – 1863

As leis do futebol foram redigidas no histórico edifício “Freemason´s Tavern” (“Taverna dos Operários Livres”)

qua, 24/04/13, por Gaciba |
Você sabia que as regras do futebol nasceram em 28 de Outubro 1863?

 

Esta semana estava lendo o livro do saudoso Coronel Aulio Nazareno (1923 – 1997), FUNDAMENTOS DE ARBITRAGEM DE FUTEBOL, da editora Sulina, 1997. Este livro, lançado no ano de seu falecimento é uma joia para os amantes do esporte bretão, em especial àqueles que gostam de sua história.

Em suas páginas encontramos a tradução das consideradas primeiras leis impressas do futebol moderno. A pedido da Football Association, da Inglaterra, em 1865 a revista “Bells Life” publicou estas 14 regras, formuladas em reunião da entidade em 26 de Outubro de 1863;  que serviriam de base para a formulação das 17 regras atuais do futebol.

A reunião onde foram redigidas as leis deu-se no histórico edifício “Freemason´s Tavern” (“Taverna dos Operários Livres”) onde a recém formada FA (Football Assosciation) composta por 11 clubes e escolas Inglesas redigiram, após longo debate, um documento que, provavelmente, seus autores não sonhassem que serviriam de inspiração para o esporte com o maior número de adeptos no mundo.

Compartilho com vocês as 14 regras (extraídas do livro do Cel Aulio) impressas para que tenhamos uma noção de onde surgiu o futebol e a evolução do mesmo ao longo destes 150 anos.

1. O comprimento máximo do campo deverá ser de 200 jardas (180 metros) e a largura máxima deverá ser de 100 jardas (90 metros); o comprimento e a largura deverão ser separados com bandeiras, e o gol deverá ser delimitado por dois postes verticais distantes um do outro 8 jardas (7,32 metros) e não atravessados por nenhuma tira ou barra.

2. A partida deverá iniciar com um chute de bola parada, do centro do campo, pelo time que vencer no sorteio por cara ou coroa; o time adversário não deverá aproximar-se da bola, num raio de 10 jardas (9,15 metros), até que o pontapé inicial seja dado. Após a marcação de um gol, a equipe perdedora terá direito a dar o pontapé inicial.

3. Os dois times deverão trocar de gols, depois que cada gol for marcado.

4. Um gol será conquistado quando a bola atravessar o espaço entre os postes do gol (a qualquer altura), sem ser arremessada, socada ou carregada com as mãos.

5. Quando a bola estiver fora de campo, o jogador que reiniciar a partida deverá fazê-lo, chutando ou arremessando a bola, desde o ponto da linha lateral em que deixou o terreno de jogo, numa direção tal que forme um ângulo reto com a linha lateral.

6. Um jogador estará impedido quando se colocar à frente da linha da bola. E deverá retornar após a bola, o mais rápido possível. Se a bola for chutada do seu próprio lado, passada por um jogador, ele não deverá tocá-la, nem avançar, até que um jogador do lado adversário a tenha chutado primeiramente, ou um jogador do seu próprio lado posicionado a sua frente ou no seu mesmo nível, tenha condições de chutá-la.

7. Caso a bola vá para trás da linha de fundo, se um jogador ao qual o gol pertence tocar a bola primeiramente, um jogador do seu lado terá direito a dar um tiro livre, da linha de fundo do ponto oposto onde a bola deverá ser tocada. Se um jogador adversário tocar a bola primeiramente, um jogador do seu lado terá direito a dar um tiro livre, de um ponto situado a 15 jardas (aproximadamente 14 metros) fora da linha de fundo, oposto ao local onde a bola é tocada.

8. Se um jogador fizer um fair catch¹, terá direito a um tiro livre, caso o solicite, fazendo um sinal com o calcanhar, imediatamente; e, para dar tal tiro, poderá avançar além de sua marca, até que tenha chutado.

¹FAIR CATCH: É quando a bola é dominada, após ter tocado o adversário, ou ter sido chutada, socada ou arremessada pelo adversário, e antes de ter tocado o campo ou algum jogador do lado que a esta dominando; contudo, se uma bola for chutada de fora do campo, ou de trás da linha de fundo, um fair catch não poderá ser feito.

9. Um jogador terá permissão de correr com a bola, em direção ao gol adversário, se fizer um fair catch, ou dominar a bola no primeiro limite do campo; todavia, em caso de fair catch, se ele fizer um sinal, então não deverão correr.

10. Se um jogador correr com a bola, em direção ao gol do adversário, qualquer outro jogador do lado adversário terá permissão de atacá-lo, segurá-lo, passar uma rasteira², dar uma canelada³ ou tirar a bola dele; entretanto, nenhum jogador deverá ser detido e levar canelada ao mesmo tempo.

²RASTEIRA: É o fato de derrubar o adversário, utilizando as pernas, sem dar canelada ou chargear*.

³CANELADA: Consiste em chutar o adversário, na parte da frente da perna, abaixo do joelho.

11. Nem rasteira nem canelada serão permitidas, e nenhum jogador deverá utilizar as mãos ou os cotovelos para segurar ou empurrar o adversário, exceto nos casos prescritos pela Lei nº 10.

12. Qualquer jogador poderá chargear* um outro, desde que ambos estejam em active play. Um jogador poderá chargear* mesmo que esteja impedido.

*CHARGEAR: É investir contra o adversário, por intermédio do ombro, do peito ou do corpo, sem usar mãos ou pernas.

13. Um jogador terá permissão de arremessar a bola ou passá-la para outro, se fizer um fair catch ou dominar a bola no primeiro limite de campo.

14. Nenhum jogador terá direito a usar pregos, placas e ferro ou gutas-perchas, nas solas ou nos saltos de suas chuteiras.

ESPETACULAR! Vejam como algumas das leis prevalecem até hoje com pequenas alterações e como algumas delas eram absurdamente validadas (a Lei nº 10 era demais!). Ainda, percebam a grande influência do rúgbi em especial na lei do impedimento (nº 6) e no arremesso lateral (nº5).

Espero que tenham curtido!

Um barato… Simplesmente um barato!


Vamos em frente e até qualquer momento!


 

Referência: http://sportv.globo.com/platb/blog-do-gaciba/2013/04/24/o-sesquicentenario-das-primeiras-regras-do-futebol-1863-2013/

Entrevista com Edson Rezende

Quem assume a presidência, de forma interina, é o corregedor de arbitragem Edson Rezende

Notícia na Mira, do Paulo Lira – 17 de janeiro de 2013

Continuando nossa série de reportagens especiais sobre a arbitragem nacional especificamente dos órgãos que cuidam do lisura e da organização de nossos árbitros e assistentes, estamos aqui nesta segunda parte para falarmos com o Dr. Edson Rezende Oliveira, Corregedor de arbitragem da CBF.

Em um bate papo bem legal o Dr. Edson fala de todos os atributos da sua função na arbitragem nacional.

Há quanto tempo o Senhor está como Corregedor? Qual é a sua formação profissional? O senhor já foi árbitro de Futebol? Que nível? (CBF, FIFA)

Assumimos a função de Corregedor no mês de ABRIL/12, ocasião que esta atividade foi instituída pelo Presidente da CBF. Sou Delegado de Policia Federal aposentado. Fui árbitro de futebol de 1973 a 1992 quando encerrei minhas atividades, em razão de incompatibilidade com minha função na PF, choques de datas nas atividades, pertencia ao quando de Aspirantes à FIFA quando encerrei minha carreira como árbitro de futebol. Depois sempre continuei atuando no meio da arbitragem seja na função de Presidente de Comissão Estadual de Arbitragem, Membro da Comissão Nacional de Arbitragem, Presidente da mesma Comissão, Instrutor de Arbitragem etc.

Qual é a sua função específica como corregedor?

A principal missão do Corregedor é zelar pela arbitragem de um modo geral, procurando não permitir que pessoas de comportamentos inidôneos possam usar da arbitragem em benefício próprio, de grupos, de terceiros etc.

Quais são as medidas tomadas pela corregedoria após ser acionada?

Investigar, procurar analisar dados que estejam relacionados com as causas que proporcionaram a atuação da Corregedoria, procurando ver suas veracidades, envolvimentos de pessoas etc. e adotar as medidas cabíveis, inclusive propondo à Diretoria Jurídica da CBF providências para acionar órgãos competentes para instauração de procedimentos legais a exemplo de inquéritos tanto pelo STJD quando pelo Ministério Público, Secretarias de Segurança Pública etc.

A corregedoria possui autonomia para punir ou restringir o nome de árbitros para a Renaf e para a Escala?

A Corregedoria procura sempre, após levantamentos de dados necessários, propor ações visando preservar a arbitragem brasileira aos órgãos competentes a exemplo da Comissão de Árbitros da CBF, Diretoria Jurídica da CBF etc. e tem sido sempre prontamente atendida. Ela não pune diretamente, existem os órgãos competentes para tal.

Que tipos de denúncias o senhor recebe? Como lhe chegam essas denúncias? E como são apuradas?

São várias denúncias que a Corregedoria recebe, algumas com fundamentos outras desprovidas de quaisquer bases ou sentido. Recebemos as denúncias através de cartas, ofícios, e-mails etc. As apurações são feitas dentro dos trâmites normais de investigações e levantamentos de dados, utilizando, se necessário outros órgãos que detenham informações que podem embasar as decisões a serem adotadas e temos sempre recebido o apoio  que necessitamos.

É verdade que a RENAF de 2012 só demorou a sair porque muitos Árbitros indicados pelas comissões estavam (ainda estão) com irregularidades e isto dificultou o trabalho da Corregedoria? E como ficam as CEAFS que insistem em indicar árbitros que não possuem todos os critérios exigidos pela CBF?  Não deveriam ser punidas? Por que essas irregularidades não são divulgadas?

Houve um certo atraso, de algumas Federações, nos encaminhamentos dos documentos exigidos pela CBF para que os árbitros possam compor a RENAF. Além de um razoável número de documentos que tiveram de ser analisados e checados pela Corregedoria, foram encaminhados cerca de 6.000 documentos que foram analisados individualmente. Muitos tiveram que sofrer um aprofundamento nas análises. Alguns candidatos à RENAF foram desaconselhados pela Corregedoria a serem incluídos na referida relação. Estes desaconselhamentos são fundamentados e sempre foram aceitos pela CA/CBF. As Federações devem sempre estar atentas e obedecer rigorosamente aos prazos para envio da documentação dos candidatos indicados por elas para comporem a RENAF, caso contrário causam sérios transtornos e atrasos na definição desta relação e prejuízos aos trabalhos da CA/CBF. Neste ano há previsão de haver exigências ainda mais rigorosas nos cumprimentos destes prazos. As Federações que, por acaso, insistirem em indicar árbitros para a RENAF que não estão dentro dos padrões exigidos estarão perdendo tempo pois não houve e não haverá exceções, todos devem cumprir as normas emanadas pela CBF, não se admite descumprimento das mesmas seja por quem for. Os impedimentos são informados para as respectivas Federações, não há interesse da CBF em divulgar estas providências, a não ser quando houver necessidade ou exigências de órgãos competentes.

O que significa o nome do Árbitro ou Assistente em vermelhona RENAF? É em função de alguma irregularidade? Quais?

Os nomes em vermelho, na relação em análise no ano de 2012 eram aqueles que estavam sendo indicados pela primeira vez para ingresso na RENAF.

Como a corregedoria contribui com a CONAF e com a Arbitragem Nacional?

A Corregedoria tem um papel de suma importância para apoiar a CA/CBF e arbitragem nacional, procurando estar sempre vigilante aos possíveis desvios de condutas dos componentes da arbitragem pertencentes à RENAF ou a seus candidatos. A Corregedoria tem o papel principal de estar, não bisbilhotando, como alguns imaginam, mas analisando, investigando, pesquisando possíveis comportamentos comprometedores que não condizem com a importante e séria função do profissional da arbitragem, investido de uma responsabilidade imensamente importante para o futebol brasileiro.

A quem exatamente a corregedoria está hierarquicamente ligada?

Ao próprio Presidente da CBF.

Desde a criação deste órgão (na sua gestão), o que de concreto foi feito? Onde estão os resultados?

Inúmeros procedimentos foram desenvolvidos, várias investigações foram feitas, análises de documentos, checagem de denúncias etc. citamos um montante de documentos que foram analisados, cerca de 6.000, para uma espécie de investigação social dos componentes da RENAF, são certidões negativas dos cartórios de protestos, certidões negativas dos cartórios das varas cíveis e criminais, antecedentes criminais das Secretarias de Segurança Pública, Certidões Negativas do SPC do SERASA etc. Conforme falamos, julgamos não haver necessidade de divulgação de nomes, resultados de processos investigatórios etc. este trabalho geralmente é feito com as reservas recomendáveis, mas que trazem os resultados que a arbitragem e o futebol brasileiros precisam. Caso algumas situações recomendem, encaminhamos os resultados das investigações para os órgãos competentes para as instaurações dos procedimentos necessários.

Onde são divulgados as ocorrências destes órgãos e os resultados obtidos? Por que no site da CBF não consta o e-mail do ouvidor ou telefone?

Entendemos que todos devem ser aliados para o combate à irregularidades cometidas em todas as esferas que tomamos conhecimento, aqui não só na arbitragem mas em toda esfera que possa comprometer a lisura do futebol. No que se refere à arbitragem todos devem ser um aliado da Corregedoria e denunciar quaisquer irregularidades que tomem conhecimento envolvimentos seus componentes, e para isso basta enviar documentos à própria sede da CBF endereçados à Corregedoria ou através do endereço eletrônico

corregedoria.arbitragem@cbf.com.br

Gostaríamos de agradecer a atenção do Dr. Edson Rezende na clareza das respostas da nossa matéria e também a atenção com que tratou nosso blog.

Muito Obrigado Dr. Edson.

Noticia na Mira, do Paulo Lira.


Vamos em frente e até qualquer momento!


Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/01/materia-especial-segunda-parte-dr-edson.html

Cel. Marinho assume CA – 28/09/2016

Coronel Marinho assume CA-CBF e Sérgio Corrêa vai liderar projeto do árbitro de vídeo e chefiar DA.

CBF

Nesta terça-feira, CBF anunciou mudanças na presidência da comissão

 postado em 27/09/2016 16:48 / atualizado em 27/09/2016 17:33

A CBF anunciou nesta terça-feira a mudança na presidência da Comissão Nacional de Arbitragem. Antigo responsável pela pasta, Sérgio Corrêa da Silva deixa o cargo para cuidar apenas de estudos para implementar árbitros de vídeo. O dirigente estava na segunda passagem pelo órgão, de onde foi demitido em 2012 pelo então presidente José Maria Marin, e retornou em maio de 2014. O novo ocupante da presidência será Marcos Cabral Marinho de Moura, o Coronel Marinho, ex-dirigente da Federação Paulista de Futebol (FPF).

A troca oficializada nesta terça concretizou a quarta mudança na Comissão de Arbitragem em quatro anos. A primeira troca foi a própria saída de Corrêa para a vinda de Aristeu Leonardo Tavares, que ficou menos de um ano na função. O substituto foi demitido depois de conceder entrevista polêmica em que revelou denúncias de manipulação de resultados.

Depois de Tavares, Antônio Pereira da Silva assumiu a presidência, cargo em que permaneceu por pouco mais de um ano, até a volta de Corrêa. O dirigente, desligado nesta terça, foi árbitro da CBF entre 1989 a 2000 e presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo.

Coronel Marinho terá como vice-presidente o mineiro Alício Pena Júnior. Também farão parte da Comissão os ex-árbitros Cláudio Cerdeira e Ana Paula Oliveira. As alterações incluem também a Escola Nacional de Árbitros de Futebol (ENAF), que passará a ser comandada por Manoel Serapião Filho.

Coronel Marinho chefiou a arbitragem da Federação Paulista de Futebol por 11 anos, até 2016. A saída dele se deu após erro na escala de árbitros para jogos da Copa São Paulo de Futebol Junior.


 

Vamos em frente. Até qualquer momento!

Sérgio Corrêa reassume CA – 14/05/2014

Sérgio Corrêa retorna a comissão de arbitragem após pedido de saída de Antônio Pereira.

13/05/2014 16h39 – Atualizado em 13/05/2014 16h51

Sérgio Corrêa da Silva retorna ao comando da Comissão de Arbitragem

Antigo presidente, Antônio Pereira da Silva vai para Escola Nacional de Arbitragem

Pela terceira vez em menos de dois anos, a CBF alterou o comando da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf). Nesta terça-feira, a entidade divulgou o nome de Sérgio Corrêa da Silva como novo presidente da entidade que regula a arbitragem brasileira. O antigo mandatário, o goiano Antônio Pereira da Silva, passa a comandar a Escola Nacional de Arbitragem, cuja diretora-secretária será a ex-auxiliar Ana Paula Oliveira.

Sérgio volta ao cargo que deixou em agosto de 2012, quando foi demitido (vide nota do AO ao final) por José Maria Marin. À época, os erros constantes da arbitragem no Brasileirão, como os que ocorreram no clássico entre Santos e Corinthians pela 18ª rodada, ocasionaram sua queda.

Aristeu Leonardo Tavares o substituiu e permaneceu no comando da Comissão até fevereiro do ano passado, quando também foi demitido (vide nota do AO ao final) após conceder uma entrevista polêmica ao jornal “O Popular”, na qual revelava denúncias de manipulação de resultados. Antônio Pereira da Silva estava à frente da entidade desde então.

Sérgio Corrêa foi árbitro da CBF entre 1989 a 2000. Foi presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo. Sua primeira passagem pela presidência da Conaf começou em 2007. Sérgio também dirigiu a Escola de Árbitros da Federação Paulista de Futebol e foi um dos fundadores da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol.

 

Confira os novos membros da Comissão Nacional de Arbitragem:

Sérgio Corrêa da Silva – presidente
Nílson de Souza Monção – vice-presidente
Antônio Pereira da Silva – secretário
Alício Pereira Júnior – membro

Escola Nacional de Arbitragem de Futebol (ENAF)

Antônio Pereira da Silva – diretor-presidente
Ana Paula da Silva Oliveira – diretora-secretária

Corregedoria de Arbitragem

Edson Rezende Oliveira – Corregedor

Ouvidoria de Arbitragem

Paulo Jorge Alves


Nota: Em ambos os casos, não houve demissão, mas pedidos de exoneração.


Vamos em frente e até qualquer momento!


Referência: http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2014/05/sergio-correa-da-silva-retorna-ao-comando-da-comissao-de-arbitragem.html