Entrevista com Edson Rezende

Quem assume a presidência, de forma interina, é o corregedor de arbitragem Edson Rezende

Notícia na Mira, do Paulo Lira – 17 de janeiro de 2013

Continuando nossa série de reportagens especiais sobre a arbitragem nacional especificamente dos órgãos que cuidam do lisura e da organização de nossos árbitros e assistentes, estamos aqui nesta segunda parte para falarmos com o Dr. Edson Rezende Oliveira, Corregedor de arbitragem da CBF.

Em um bate papo bem legal o Dr. Edson fala de todos os atributos da sua função na arbitragem nacional.

Há quanto tempo o Senhor está como Corregedor? Qual é a sua formação profissional? O senhor já foi árbitro de Futebol? Que nível? (CBF, FIFA)

Assumimos a função de Corregedor no mês de ABRIL/12, ocasião que esta atividade foi instituída pelo Presidente da CBF. Sou Delegado de Policia Federal aposentado. Fui árbitro de futebol de 1973 a 1992 quando encerrei minhas atividades, em razão de incompatibilidade com minha função na PF, choques de datas nas atividades, pertencia ao quando de Aspirantes à FIFA quando encerrei minha carreira como árbitro de futebol. Depois sempre continuei atuando no meio da arbitragem seja na função de Presidente de Comissão Estadual de Arbitragem, Membro da Comissão Nacional de Arbitragem, Presidente da mesma Comissão, Instrutor de Arbitragem etc.

Qual é a sua função específica como corregedor?

A principal missão do Corregedor é zelar pela arbitragem de um modo geral, procurando não permitir que pessoas de comportamentos inidôneos possam usar da arbitragem em benefício próprio, de grupos, de terceiros etc.

Quais são as medidas tomadas pela corregedoria após ser acionada?

Investigar, procurar analisar dados que estejam relacionados com as causas que proporcionaram a atuação da Corregedoria, procurando ver suas veracidades, envolvimentos de pessoas etc. e adotar as medidas cabíveis, inclusive propondo à Diretoria Jurídica da CBF providências para acionar órgãos competentes para instauração de procedimentos legais a exemplo de inquéritos tanto pelo STJD quando pelo Ministério Público, Secretarias de Segurança Pública etc.

A corregedoria possui autonomia para punir ou restringir o nome de árbitros para a Renaf e para a Escala?

A Corregedoria procura sempre, após levantamentos de dados necessários, propor ações visando preservar a arbitragem brasileira aos órgãos competentes a exemplo da Comissão de Árbitros da CBF, Diretoria Jurídica da CBF etc. e tem sido sempre prontamente atendida. Ela não pune diretamente, existem os órgãos competentes para tal.

Que tipos de denúncias o senhor recebe? Como lhe chegam essas denúncias? E como são apuradas?

São várias denúncias que a Corregedoria recebe, algumas com fundamentos outras desprovidas de quaisquer bases ou sentido. Recebemos as denúncias através de cartas, ofícios, e-mails etc. As apurações são feitas dentro dos trâmites normais de investigações e levantamentos de dados, utilizando, se necessário outros órgãos que detenham informações que podem embasar as decisões a serem adotadas e temos sempre recebido o apoio  que necessitamos.

É verdade que a RENAF de 2012 só demorou a sair porque muitos Árbitros indicados pelas comissões estavam (ainda estão) com irregularidades e isto dificultou o trabalho da Corregedoria? E como ficam as CEAFS que insistem em indicar árbitros que não possuem todos os critérios exigidos pela CBF?  Não deveriam ser punidas? Por que essas irregularidades não são divulgadas?

Houve um certo atraso, de algumas Federações, nos encaminhamentos dos documentos exigidos pela CBF para que os árbitros possam compor a RENAF. Além de um razoável número de documentos que tiveram de ser analisados e checados pela Corregedoria, foram encaminhados cerca de 6.000 documentos que foram analisados individualmente. Muitos tiveram que sofrer um aprofundamento nas análises. Alguns candidatos à RENAF foram desaconselhados pela Corregedoria a serem incluídos na referida relação. Estes desaconselhamentos são fundamentados e sempre foram aceitos pela CA/CBF. As Federações devem sempre estar atentas e obedecer rigorosamente aos prazos para envio da documentação dos candidatos indicados por elas para comporem a RENAF, caso contrário causam sérios transtornos e atrasos na definição desta relação e prejuízos aos trabalhos da CA/CBF. Neste ano há previsão de haver exigências ainda mais rigorosas nos cumprimentos destes prazos. As Federações que, por acaso, insistirem em indicar árbitros para a RENAF que não estão dentro dos padrões exigidos estarão perdendo tempo pois não houve e não haverá exceções, todos devem cumprir as normas emanadas pela CBF, não se admite descumprimento das mesmas seja por quem for. Os impedimentos são informados para as respectivas Federações, não há interesse da CBF em divulgar estas providências, a não ser quando houver necessidade ou exigências de órgãos competentes.

O que significa o nome do Árbitro ou Assistente em vermelhona RENAF? É em função de alguma irregularidade? Quais?

Os nomes em vermelho, na relação em análise no ano de 2012 eram aqueles que estavam sendo indicados pela primeira vez para ingresso na RENAF.

Como a corregedoria contribui com a CONAF e com a Arbitragem Nacional?

A Corregedoria tem um papel de suma importância para apoiar a CA/CBF e arbitragem nacional, procurando estar sempre vigilante aos possíveis desvios de condutas dos componentes da arbitragem pertencentes à RENAF ou a seus candidatos. A Corregedoria tem o papel principal de estar, não bisbilhotando, como alguns imaginam, mas analisando, investigando, pesquisando possíveis comportamentos comprometedores que não condizem com a importante e séria função do profissional da arbitragem, investido de uma responsabilidade imensamente importante para o futebol brasileiro.

A quem exatamente a corregedoria está hierarquicamente ligada?

Ao próprio Presidente da CBF.

Desde a criação deste órgão (na sua gestão), o que de concreto foi feito? Onde estão os resultados?

Inúmeros procedimentos foram desenvolvidos, várias investigações foram feitas, análises de documentos, checagem de denúncias etc. citamos um montante de documentos que foram analisados, cerca de 6.000, para uma espécie de investigação social dos componentes da RENAF, são certidões negativas dos cartórios de protestos, certidões negativas dos cartórios das varas cíveis e criminais, antecedentes criminais das Secretarias de Segurança Pública, Certidões Negativas do SPC do SERASA etc. Conforme falamos, julgamos não haver necessidade de divulgação de nomes, resultados de processos investigatórios etc. este trabalho geralmente é feito com as reservas recomendáveis, mas que trazem os resultados que a arbitragem e o futebol brasileiros precisam. Caso algumas situações recomendem, encaminhamos os resultados das investigações para os órgãos competentes para as instaurações dos procedimentos necessários.

Onde são divulgados as ocorrências destes órgãos e os resultados obtidos? Por que no site da CBF não consta o e-mail do ouvidor ou telefone?

Entendemos que todos devem ser aliados para o combate à irregularidades cometidas em todas as esferas que tomamos conhecimento, aqui não só na arbitragem mas em toda esfera que possa comprometer a lisura do futebol. No que se refere à arbitragem todos devem ser um aliado da Corregedoria e denunciar quaisquer irregularidades que tomem conhecimento envolvimentos seus componentes, e para isso basta enviar documentos à própria sede da CBF endereçados à Corregedoria ou através do endereço eletrônico

corregedoria.arbitragem@cbf.com.br

Gostaríamos de agradecer a atenção do Dr. Edson Rezende na clareza das respostas da nossa matéria e também a atenção com que tratou nosso blog.

Muito Obrigado Dr. Edson.

Noticia na Mira, do Paulo Lira.


Vamos em frente e até qualquer momento!


Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/01/materia-especial-segunda-parte-dr-edson.html

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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