Primeiras regras – 1863

As leis do futebol foram redigidas no histórico edifício “Freemason´s Tavern” (“Taverna dos Operários Livres”)

qua, 24/04/13, por Gaciba |
Você sabia que as regras do futebol nasceram em 28 de Outubro 1863?

 

Esta semana estava lendo o livro do saudoso Coronel Aulio Nazareno (1923 – 1997), FUNDAMENTOS DE ARBITRAGEM DE FUTEBOL, da editora Sulina, 1997. Este livro, lançado no ano de seu falecimento é uma joia para os amantes do esporte bretão, em especial àqueles que gostam de sua história.

Em suas páginas encontramos a tradução das consideradas primeiras leis impressas do futebol moderno. A pedido da Football Association, da Inglaterra, em 1865 a revista “Bells Life” publicou estas 14 regras, formuladas em reunião da entidade em 26 de Outubro de 1863;  que serviriam de base para a formulação das 17 regras atuais do futebol.

A reunião onde foram redigidas as leis deu-se no histórico edifício “Freemason´s Tavern” (“Taverna dos Operários Livres”) onde a recém formada FA (Football Assosciation) composta por 11 clubes e escolas Inglesas redigiram, após longo debate, um documento que, provavelmente, seus autores não sonhassem que serviriam de inspiração para o esporte com o maior número de adeptos no mundo.

Compartilho com vocês as 14 regras (extraídas do livro do Cel Aulio) impressas para que tenhamos uma noção de onde surgiu o futebol e a evolução do mesmo ao longo destes 150 anos.

1. O comprimento máximo do campo deverá ser de 200 jardas (180 metros) e a largura máxima deverá ser de 100 jardas (90 metros); o comprimento e a largura deverão ser separados com bandeiras, e o gol deverá ser delimitado por dois postes verticais distantes um do outro 8 jardas (7,32 metros) e não atravessados por nenhuma tira ou barra.

2. A partida deverá iniciar com um chute de bola parada, do centro do campo, pelo time que vencer no sorteio por cara ou coroa; o time adversário não deverá aproximar-se da bola, num raio de 10 jardas (9,15 metros), até que o pontapé inicial seja dado. Após a marcação de um gol, a equipe perdedora terá direito a dar o pontapé inicial.

3. Os dois times deverão trocar de gols, depois que cada gol for marcado.

4. Um gol será conquistado quando a bola atravessar o espaço entre os postes do gol (a qualquer altura), sem ser arremessada, socada ou carregada com as mãos.

5. Quando a bola estiver fora de campo, o jogador que reiniciar a partida deverá fazê-lo, chutando ou arremessando a bola, desde o ponto da linha lateral em que deixou o terreno de jogo, numa direção tal que forme um ângulo reto com a linha lateral.

6. Um jogador estará impedido quando se colocar à frente da linha da bola. E deverá retornar após a bola, o mais rápido possível. Se a bola for chutada do seu próprio lado, passada por um jogador, ele não deverá tocá-la, nem avançar, até que um jogador do lado adversário a tenha chutado primeiramente, ou um jogador do seu próprio lado posicionado a sua frente ou no seu mesmo nível, tenha condições de chutá-la.

7. Caso a bola vá para trás da linha de fundo, se um jogador ao qual o gol pertence tocar a bola primeiramente, um jogador do seu lado terá direito a dar um tiro livre, da linha de fundo do ponto oposto onde a bola deverá ser tocada. Se um jogador adversário tocar a bola primeiramente, um jogador do seu lado terá direito a dar um tiro livre, de um ponto situado a 15 jardas (aproximadamente 14 metros) fora da linha de fundo, oposto ao local onde a bola é tocada.

8. Se um jogador fizer um fair catch¹, terá direito a um tiro livre, caso o solicite, fazendo um sinal com o calcanhar, imediatamente; e, para dar tal tiro, poderá avançar além de sua marca, até que tenha chutado.

¹FAIR CATCH: É quando a bola é dominada, após ter tocado o adversário, ou ter sido chutada, socada ou arremessada pelo adversário, e antes de ter tocado o campo ou algum jogador do lado que a esta dominando; contudo, se uma bola for chutada de fora do campo, ou de trás da linha de fundo, um fair catch não poderá ser feito.

9. Um jogador terá permissão de correr com a bola, em direção ao gol adversário, se fizer um fair catch, ou dominar a bola no primeiro limite do campo; todavia, em caso de fair catch, se ele fizer um sinal, então não deverão correr.

10. Se um jogador correr com a bola, em direção ao gol do adversário, qualquer outro jogador do lado adversário terá permissão de atacá-lo, segurá-lo, passar uma rasteira², dar uma canelada³ ou tirar a bola dele; entretanto, nenhum jogador deverá ser detido e levar canelada ao mesmo tempo.

²RASTEIRA: É o fato de derrubar o adversário, utilizando as pernas, sem dar canelada ou chargear*.

³CANELADA: Consiste em chutar o adversário, na parte da frente da perna, abaixo do joelho.

11. Nem rasteira nem canelada serão permitidas, e nenhum jogador deverá utilizar as mãos ou os cotovelos para segurar ou empurrar o adversário, exceto nos casos prescritos pela Lei nº 10.

12. Qualquer jogador poderá chargear* um outro, desde que ambos estejam em active play. Um jogador poderá chargear* mesmo que esteja impedido.

*CHARGEAR: É investir contra o adversário, por intermédio do ombro, do peito ou do corpo, sem usar mãos ou pernas.

13. Um jogador terá permissão de arremessar a bola ou passá-la para outro, se fizer um fair catch ou dominar a bola no primeiro limite de campo.

14. Nenhum jogador terá direito a usar pregos, placas e ferro ou gutas-perchas, nas solas ou nos saltos de suas chuteiras.

ESPETACULAR! Vejam como algumas das leis prevalecem até hoje com pequenas alterações e como algumas delas eram absurdamente validadas (a Lei nº 10 era demais!). Ainda, percebam a grande influência do rúgbi em especial na lei do impedimento (nº 6) e no arremesso lateral (nº5).

Espero que tenham curtido!

Um barato… Simplesmente um barato!


Vamos em frente e até qualquer momento!


 

Referência: http://sportv.globo.com/platb/blog-do-gaciba/2013/04/24/o-sesquicentenario-das-primeiras-regras-do-futebol-1863-2013/

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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