Prof. Camello em destaque!

MATÉRIA ESPECIAL – QUARTA PARTE – PROFESSOR PAULO CAMELLO – PREPARADOR FÍSICO DA CBF

6 de março de 2013, Notícia na Mira, do Paulo Lira.

Nossa admiração pelo assunto Arbitragem falou mais alto e resolvemos continuar as nossas matérias especiais com os integrantes da Comissão de Arbitragem de Alagoas, a C.A. CBF. Já conversamos com o Corregedor Dr. Edson Resende, com o Ouvidor Dr. Paulo Jorge Alves e também com o Diretor da Arbitragem da CBF, Sérgio Correa da Silva.

E dessa vez vamos conversar com o Professor Paulo Camello, o responsável pelo acompanhamento físico da arbitragem nacional e não é só isso.

Acompanhem a entrevista e conheçam mais este profissional respeitado por todos as árbitros do Brasil.

Poderia informar seu currículo enquanto educador físico?

Formei-me em Licenciatura Plena, pela Univ. Gama Filho em agosto 1987. Com especialização em Treinamento Desportivo pela própria Gama Filho em 89/90 e futebol em 91 pela UFRJ.

Trabalhei durante 20 anos no Fluminense FC, no Rio Grande do Sul e Goiás.

1 – Há quanto tempo está trabalhando com os árbitros? Trabalha sozinho?

São sete anos e desde 2009, dividindo os trabalhos com o Prof. Dionísio Domingos.

2 – Como surgiu a oportunidade?

Iniciei a convite da entidade em final de 2005, onde já trabalhava desde final de 1990  prestando serviços, primeiro como avaliador físico das seleções, e a partir de setembro de 1995 passando a ser também preparador físico das seleções nacionais. Com a arbitragem, foi visando a preparação dos árbitros brasileiros designados para Copa do Mundo da Alemanha em 2006. Naquela época houve mudanças drásticas nos testes físicos, necessitando uma nova metodologia de treinamento e adaptação por parte dos árbitros de todo o mundo. Inclusive os nossos.

3 – Soube que o senhor também foi Preparador físico de clubes e das seleções de base da CBF. 

Qual a principal diferença entre os jogadores de base, profissional (times considerados grandes e pequenos), em relação aos árbitros na preparação física? 

Quem sua mais?

Bem, na verdade, os jogadores ainda apresentam um volume de trabalho maior que os árbitros, pelo fato de serem profissionais e normalmente somente exercerem esta profissão. Por isso, tem um volume maior de horas voltadas ao treinamento físico que os árbitros. No entanto, nos últimos anos, o processo de cobrança físico imposto aos árbitros se elevou, provocando alterações drásticas na forma, e nos números de horas treinadas por eles. Este processo foi alavancado pelas determinações da FIFA, em evoluir grandemente o nível físico, técnico e psicológico dos árbitros internacionais. Isto acabou sendo determinante, para que nos adequássemos a esta nova fase do futebol internacional e também nacional. E assim tem sido feito e continua evoluindo.

4 – Como anda a atual situação física dos árbitros brasileiros?

Para nossa alegria, evoluímos significativamente no aspecto físico, já que o processo que começou em 2006 foi progressivamente sendo posto em prática em todo o país, e todos foram se adequando as novas realidades, não sem antes, sofrer bastante, já tudo que se fazia até então, teve que ser modificado. Metodologia de trabalho, controle físico, técnico e psicológico. Mas podemos dizer que atualmente nosso quadro nacional, tem tido aprovação em torno de 90% nas avaliações físicas que seguem o padrão Fifa. Logicamente existem alguns problemas, mas continuamos num processo evolutivo.

5 – Qual região tem a maior dificuldade em cumprir as exigências físicas atuais?

Eu diria que hoje, temos um equilíbrio de norte a sul do país. Variando muito pouco, se analisarmos percentuais de dificuldade em cumprimento das exigências físicas.

6 – É feito algum acompanhamento da composição corporal?

Sim, estamos já ha algum tempo, tentando avançar também neste aspecto, em todos os estados. Procurando sugerir melhoria neste aspecto também com os Preparadores estaduais. Para que a apresentação física visual também seja adequada.

7 – Tem árbitros que tem uma compleição física de que esta acima do peso. 

Ele passa no teste, mas parece estar fora de forma. Como o setor encara isto? 

O Sr. tem conhecimento de como a CA encara isto?

Sim, sem dúvida. Estes casos são até mais comuns do que possa parecer. É importante explicar, que o sobrepeso, é sempre uma grande preocupação da preparação física e médica. Porém, ela muitas vezes não é determinante para reprovação nas avaliações físicas de campo. Pois alguns árbitros, apesar de carregarem este excesso de peso, que certamente dificulta bastante seu desempenho, no entanto, no momento de seu rendimento no teste, muitas vezes conseguem superar o rendimento de alguns bem mais magros, e serem aprovados na pista.

Nossa maior preocupação é que este árbitro compreenda que isso provoca um desgaste desnecessário ao seu corpo, sendo muito prejudicial a sua saúde. Desta forma, solicitamos que inicie em seu estado, um novo regime alimentar indicado por um profissional da área nutricional, para possa reverter este quadro de forma equilibrada, evitando situações de risco. Se o mesmo, não apresentar nos meses seguintes nenhuma melhora, poderá ser notificado pela CA nacional, seu afastamento temporário até que se adeque as normas pedidas. Esta observação é também muito observada pela Fifa em seus quadros.

8 – Os pilares físicos, técnicos e o psicológico se reúnem para cuidar do calendário das avaliações, ou tudo era feito pela CA e determinado aos pilares?

Os três primeiros sim. O mental, apenas nos cursos.

9 – Qual sua opinião sobre a Escola Nacional de Arbitragem. O que ela poderá ajudar na melhoria do desempenho da arbitragem? Qual será a sua função na ENAF?

Acredito que a Escola Nacional poderá contribuir na elaboração, coordenação e desenvolvimento das atividades que promovem o processo evolutivo da arbitragem nacional, em conjunto e cooperação com os demais órgãos formativos estaduais, e de classe, que devem conjugar suas forças, para melhoria da qualificação e das condições de trabalho dos árbitros do país. Este órgão vai tirar da CA uma carga muito grande de preocupação.

Em abril teremos um novo curso de atualização promovido pelo Programa de Desenvolvimento da Arbitragem da FIFA. Este curso será realizado, de 17 a 21 de abril de 2013 em Vitória – ES. Mais uma vitória da CA-CBF.

10 – Como o senhor acompanha todos eles com as distâncias que nos separam?

Estamos em fase de desenvolvimento de projetos, com a delegação de atribuições de observação e controle, por parte dos professores locais, que são os que convivem mais de perto com eles. Observamos também os relatórios dos observadores técnicos que fazem pontuações sobre os aspectos físicos dos árbitros nas partidas e ajudam neste controle a distancia. E temos alguns casos dos árbitros de elite, aspirantes e promissores, que são monitorados por alguns frequencímetros, que armazenam informações sobre os jogos e os treinamentos que fazem durante a semana, facilitando nossa visualização do que está sendo feito.

11 – Tenho acompanhado vários testes físicos aqui em Alagoas, só de olhar já me deixa cansado (RS). Aqui não são oferecidas boas condições para os avaliados (Pista de areia e Horário com 34° no sol), isso influência os resultados? (A turma aqui reclama muito, dizem que no RJ são feitos a noite e com uma pista totalmente apropriada). Como são as 27 pistas pelo país?

Ainda temos diversidades no país com relação às pistas para os testes físicos. Além de Alagoas, vários outros estados tem o mesmo problema. Porém, apesar de não serem as ideais, a verdade é que temos que nos adequar as nossas realidades, e nos prepararmos para fazer o melhor, dentro das adversidades. Assim com acontece nos jogos, no nosso país tropical, o calor estará presente em quase todo o território, o ano todo. A forma de minimizar é buscar um horário menos quente se for possível. No caso específico do Rio, só é feito à noite, porque é o horário que a federação local, tem disponível a pista, apenas isso. Os demais estados, se tiverem tal possibilidade, poderão fazer o mesmo.

12 – Como foi a preparação física dos árbitros que foram a Copa de 2006, 2010 em comparação aos da Copa 2014? Tem como comparar com uma Copa, como a de 70, por exemplo? – 

As recorrentes repetições e por falta de treinamento, apoio, numero excessivo de jogos (calendário apertado) ou as dificuldades do teste. 

A CBF tem um banco de dados com os resultados e o estágio de cada um?

Sobre as preparações das últimas Copas, especialmente sobre a de 2006, posso falar que tive total liberdade e controle sobre o que foi feito e dos resultados conseguidos. Já sobre a de 2010, já houve diferenças no desenvolvimento dos treinamentos e do controle dos árbitros, assim como a de 2014 também apresenta diferenças, só que mais na diversidade de informações e no aumento dos dados coletados, assim como um aumento na intensidade dos testes.

Na primeira, tive que adequar toda a metodologia de treinamento as novas necessidades e exigências dos testes físicos que foram modificados em 2005. Totalmente distinto do que se fazia até então.

Primeiro procurei reconhecer as novas necessidades físicas dos árbitros, para então traçar o planejamento para os próximos 3, 4 e 5 meses até as vésperas da última avaliação para a Copa. Foi uma excelente experiência, já que pude desenvolvê-la aproveitando minha experiência com o futebol, além de poder sentir o que passaram a sofrer os árbitros na hora do teste, pois procurei também fazê-lo, no período de estávamos concentrados na granja Comari para o início de 15 dias de trabalho em janeiro de 2006. Assim caminhamos, e ao voltarem para seus estados, levaram uma planilha de trabalho semanal, que era atualizada ao final de cada semana, até as novas testagens na Suíça em março e abril, quando foram aprovados preliminarmente, e depois onde fizemos novo trabalho de intensificação de treinos em Teresópolis em maio às vésperas da ida para a Alemanha.  Lá, foram novamente testados e aprovados, acabando sendo classificados no aspecto físico, entre os 3 melhores trios internacionais daquela Copa. O que nos trouxe muita alegria, pelo esforço e dedicação de todos durante todo o processo de preparação. Para 2010, a coisas mudaram bastante, pois a Fifa resolveu direcionar as ações de treinamento para os árbitros indicados, e estes, passaram a seguir um planejamento deles, com pouca influência de nossa parte. E é o que continua ocorrendo hoje para 2014, praticamente, todo o trabalho é indicado e direcionado pela Fifa, e cabe a nós, mais dar apoio aos árbitros, quando solicitados, do propriamente determinar o que deve ser feito. Já que o controle é feito por informações enviadas diretamente do árbitro, para FIFA.

13 – Recebi informações que o senhor é muito competente, e todos os árbitros gostam de sua metodologia de trabalho, diferente de seu antecessor Dionísio Domingos, qual o segredo para conquistar todos, e o que o Senhor fez de diferente para ter esta aprovação da maioria?

Em primeiro lugar uma coisa que julgo muito importante, é sempre procurar respeitar a metodologia da cada profissional, e procurar entender suas realidades. Porque existem sempre muitos caminhos, para se alcançar os objetivos, e cabe a cada profissional, escolher e direcionar suas ações, e assim ter seus resultados alcançados. E em respeito a isso, devemos também entender as diferenças, e saber aceitá-las para que a convivências entre as partes possa acontecer em harmonia. Fico feliz com essas afirmações, porém não devemos esquecer o grande trabalho desenvolvido pelo Prof. Dionísio, em um determinado momento em que estive afastado, quando percorreu todos os estados do país ajudando a difundir e corrigir as falhas que aconteciam nestes locais, após as modificações estruturais da arbitragem nacional. A rudeza em alguns momentos pode ter acontecido, porém com total vontade de acertar, e aumentar o espírito de cooperação, responsabilidade, e justiça, para melhoria da arbitragem brasileira em todo território nacional. Sendo assim, talvez a forma de como fazer, seja nosso maior diferencial, e se relaciona creio eu, pelas características pessoais inerentes ao ser humano, mas que não acredito, vieram a comprometer os objetivos a serem alcançados.

14 – Qual a diferença na preparação física de um árbitro e de um assistente? Os testes para os assistentes estão adequados?

Este assunto é sempre motivo de discussão, e logicamente, existem diferenças. O primeiro necessita de uma demanda física superior de resistência e potência combinadas, na direção da partida. Se comparadas as necessidades dos assistentes, que necessitam de mais potência e velocidade em suas funções. Porém a meu ver, a FIFA ainda não encontrou o que realmente almeja para definir o teste ideal para cada grupo de árbitros, e isso se faz visível, em sua procura em novas formas de avaliar a ambas as categorias. Para isso, tem feito experimentos, com a inclusão de novas variações e modalidades de testes, incluindo o campo de jogo, que poderão se encaixar melhor nas reais necessidades dos árbitros e dos assistentes. Favorecendo assim, uma melhor distribuição da avaliação física para o caso de um e de outro. Então, não nos cabe julgar se são adequados, mas corroborar com os estudos, e tentar desenvolver novas formas de avaliação, que se encaixem melhor neste perfil. Enquanto isso não ocorre, devemos nos preparar adequadamente para alcançar os índices necessários para aprovação, e especialmente, para uma ótima direção das partidas.

15 – Resumidamente como é realizado o FIFA TEST. Os preparadores físicos das federações cumprem o protocolo FIFA. Sabe dizer quais as Federações que cumprem os índices completos (sabemos, por exemplo, que em anos anteriores o Rio de Janeiro aboliu o teste dos 40 metros; a comissão alagoana aumentou o tempo, etc.)? Se não cumprem, o que isto acarreta para o setor que o ser dirige quando eles são indicados para compor os quadros da CBF?

De forma geral, o FIFA Test é dividido em categorias, sendo o de categoria 1 para os árbitros internacionais, o de categoria 2 para nacionais, categoria 3 para estaduais e para o gênero feminino.

Em todos, constam uma avaliação de velocidade com 6 tiros de 40m em velocidade com tempos máximos pré-determinados, tendo até 1’30” para fazer o tiro seguinte, até que se complete os 6; seguido a isso, após um intervalo de 6 à 8 minutos, são feitos 20 a 24 tiros de 150 m com tempo máximo pré-definido para cada categoria para árbitros e assistentes. No site da CBF temos todos os pormenores dos tempos a cumprir em cada respectiva categoria.

Entendamos que cada avaliação deve estar relacionada a sua respectiva categoria, no grupo a que se insere o nível de seu árbitro. Sendo assim, toda vez que ocorrer uma avaliação internacional, será cobrado do árbitro, o índice categoria 1. Quando for uma avaliação nacional, se aplicará a de categoria 2, e assim sucessivamente. Então, cada estado, poderá se utilizar para sua avaliação local, do índice que couber a categoria estadual. No momento que o árbitro for indicado a fazer o teste de nível nacional, que será o caso do mês de março, serão cobrados deles, o índice nacional, para que possa atuar em competições nacionais. Para os já internacionais e aspirantes FIFA, será cobrado o índice internacional, para que possam estar aptos a trabalhar também em partidas internacionais, já que ostentam tal escudo, caso contrário, poderão deixar tal categoria se não cumprirem esta exigência. E os aspirantes, para estarem em condições de assumir tal posto, se houver alguma desistência, ou alteração do quadro internacional.

É facultativo as federações decidir como avaliar seus árbitros no âmbito estadual, porém, se estas avaliações forem desproporcionais as necessidades do grupo que almeja ascender ao quadro nacional e até internacional, esta atitude certamente será um tiro no próprio pé, já que não qualifica nem prepara adequadamente seu árbitro para evoluir, física e tecnicamente.

16 – Temos dirigentes com parentes na arbitragem. Eles podem participar destas avaliações. Como agia a CA anterior e como agirá a CA atual?

Que eu saiba, não existe nenhuma restrição a inclusão de pessoas com parentesco na arbitragem, nem creio eu, em qualquer outro setor do país. Salvo esteja enganado, em cargos públicos ou algo do gênero. Creio que qualquer pessoa tem segundo a constituição, direito de participar de qualquer área profissional, desde que preencha os requisitos técnicos para tal, e cumpra seus respectivos deveres. Sendo assim, a meu ver, não há qualquer impedimento legal para essa participação, desde que como disse antes, esteja cumprindo rigorosamente os requisitos a que se propõe.

Devemos lembrar, que em todos os ramos profissionais, temos parentes diretos ou indiretos, atuando em suas áreas, sem nenhum constrangimento. E acredito que também na arbitragem, deva ser assim. Ninguém deverá sofrer represálias por ser, ou ter parentesco com algum integrante da arbitragem. Ao mesmo tempo, que não deverá receber benesses pelo mesmo fato. Devemos seguir o principio da igualdade de direitos, e da capacidade individual. Para isso, existem a Procuradoria e Corregedoria, que são responsáveis em dirimir as dúvidas, receber denúncias, e após analises dos fatos, dar destinação adequada ao processo. Os protocolos físicos avaliativos são todos abertos ao público, e tem total transparência para que nada possa alterar a lisura do processo.

17 – Como era trabalhar com Sérgio Corrêa e como foi com o Aristeu Leonardo?

Dos dois não tenho nenhuma queixa a fazer, assim com disse sobre o Prof. Dionísio, acredito que devemos entender as diferenças das pessoas, para que haja uma boa convivência, seja na nossa casa, seja no trabalho. Logicamente, haverá sempre diferenças, pois o ser humano é diferente um do outro, e também poderá haver divergência de ideias, ou de posições. Porém nada que não possa ser discutido com argumentações criteriosas para se chegar a um ponto comum. Os objetivos principais são os mesmos: “A evolução da arbitragem nacional”.

18 – Quem são os responsáveis pelo pilar físico na América do Sul. Como eles encaram os árbitros pré-selecionados e os demais internacionais?

A FIFA mantém um programa em de apoio e desenvolvimento da arbitragem em todo o mundo chamado RAP. E é responsável em oferecer cursos anuais de aperfeiçoamento nas 3 áreas, sendo na América do Sul em parceria com a Conmebol. Na área física, o Prof. Cristian Rosen que é argentino, é o responsável. Porém, o responsável geral na área física é o também argentino Prof. Alejo Perez, que controla todos os árbitros internacionais, enviando planejamentos de treinos e recebendo os informes dos árbitros com seus planos de treino. Fazem um ótimo trabalho, buscando uma evolução continua por parte dos árbitros.

19 – Os árbitros internacionais, os aspirantes e os especiais realizarão quantas avaliações este ano? Qual índice será cobrado deles?

A previsão é de 3 avaliações. Seguindo a orientação da FIFA de fazer de 3 a 5 anuais.

20 – E as dificuldades para o gênero feminino. A CBF nunca pensou em fazer uma transição para elas? Por que exigir os índices masculinos, haja vista que tem grandes Federações que não exigem?

Gosto muito desse assunto e foi ótimo ter tocado nele. Até porque sou um estimulador da maior participação feminina na arbitragem, e estive diretamente atuando no processo de transição das avaliações físicas a partir de 2006. Então vamos por partes.

Desde que se iniciou o processo de transição física na arbitragem, todas as categorias e gêneros, foram afetados.  Na medida em que, as alterações foram sendo feitas, com a introdução do FIFA Test, o processo de treinamento também teve que ser modificado para todos. E aí também as mulheres tiveram que se adequar a nova demanda física. Vale lembrar, que tudo foi sendo feito progressivamente, e assim como os homens, que treinavam pouco, e passaram a ter que treinar mais, e de forma diferente. As mulheres tiveram que se adequar a isso também. Infelizmente, a maior “fragilidade física” (não é pejorativo) da mulher nesse caso, ficou mais evidente. Gostaria de destacar, que isso também ocorreu com os homens. E tem uma explicação até simples de se entender… O grande problema dos árbitros de forma geral nos últimos 8 a 10 anos, era que o aspecto físico, não tinha uma cobrança tão grande, e com isso, pouco se precisava fazer para alcançar os índices mínimos necessários para aprovação.

Sendo assim, pouco se treinava fisicamente para se manter arbitrando. Alia-se a isso, uma quase que total inexperiência de formação desportiva, por parte dos árbitros, na sua infância e adolescência. O que isso quer dizer. Que muito poucos tiveram uma experiência atlética prolongada anterior à arbitragem, especialmente na sua adolescência, que facilitaria muito a adaptação a qualquer dos novos processos de treinamento. Sobrepeso e pouco histórico físico pregresso, foram sempre os maiores obstáculos dos árbitros para se adequarem aos novos momentos. E as mulheres árbitras, especialmente, isso foi, e tem sido preponderante nos ainda baixos índices de aprovação. Porém, já melhoraram muitos nos últimos 3 anos. Então, o que tem ocorrido, é que o processo vem ocorrendo já a bastante tempo, e só permanecem, as que superam suas dificuldades para alcançarem os índices masculinos.

Lembro ainda, que o problema não é de “fragilidade física do gênero feminino”, comparado ao masculino, mas sim, de adaptação e assimilação, aos treinamentos físicos necessários para feitura do teste. Um exemplo claro disso, são os diversos resultados expressivos das mulheres, em competições de vários esportes, como atletismo por exemplo. Muito melhores que da maioria dos homens comuns treinados.

Por isso, o que diferencia este processo seletivo, é o tempo de adaptação aos trabalhos físicos, necessários para esse momento. Não, simplesmente ser homem ou mulher. Tudo vai depender do que você trás de histórico de trabalho físico, que características físicas você apresenta, para evoluírem mais rápido neste aspecto. Não podemos esquecer também, que a própria FIFA, exige que as árbitras internacionais que queiram trabalhar nos jogos masculinos, cumpram os índices masculinos. O que, convenhamos é correto e uma forma natural de igualdade de direitos e responsabilidades. Afinal, a cobrança dentro das 4 linhas, não deve ver sexo, cor ou credo, e sim, capacidade técnica, física e mental. E são 3 atributos que as mulheres são em muitos casos, superiores aos homens. Só depende delas, serem perseverantes, para transformar isso em realidade. E estejam certas que sempre terão nosso total apoio.

 

21 – O sr já acompanhou uma competição feminina. Qual a diferença entre o gênero feminino x masculino. Em quanto tempo as mulheres poderão apitar com a mesma aptidão física? Quantas arbitras e assistentes passam no teste masculino e isto representa quanto em percentuais?

Realmente a força física e a dinâmica do jogo ainda apresentam uma diferença considerável. Porém no jogo, as mulheres também tem apresentado grande evolução física  o que os tem tornado mais rápido e disputado. Desta forma as árbitras estão sendo mais exigidas, e com isso, o processo de qualificação vai sendo aumentado também, necessitando maior treinamento e dedicação por parte das árbitras.

O que irá direcionar essa situação, será o grau de determinação e comprometimento por parte das árbitras, sabedoras que tem uma tarefa árdua e desgastante, mas que acredito firmemente, que não demorarão a chegar nesse patamar, e eu torço para isso, porque as considero muito capazes.

Atualmente o gênero feminino da CBF conta com 77 Oficiais de Arbitragem, sendo 11 árbitras, com apenas 1 delas apta para atuar no campeonato masculino (Regildênia Moura, FIFA-SP) e 66 assistentes, com 14 delas aptas. Das Internacionais, terminamos 2012, com as quatro com índices do gênero masculino

22 – No aspecto físico, qual a mensagem para os nossos leitores, para os árbitros e para os que pensam em seguir esta árdua missão?.

Primeiramente, agradecer a oportunidade de tentar buscar esclarecer vários pontos relacionados à preparação física da arbitragem atual, esperando ter respondido com clareza e simplicidade, as questões enviadas. Aos árbitros e futuros árbitros, que continuem firmes em seus propósitos, de evoluir sempre, e não esquecer que a arbitragem é uma atividade apaixonante, envolvente, porém voluntária, ainda não profissional aqui no Brasil. E por isso, não se esqueçam de que só permanecerão, os que realmente estiverem dispostos a pagar um alto preço, dedicando parte da sua vida cotidiana, a treinamentos exaustivos e cobranças constantes. Entendendo que os erros acontecerão em algum momento, mas que poderão ser minimizados, por seu esforço, dedicação, responsabilidade constante e diária.

Um forte abraço a todos e até outra oportunidade.

Gostaríamos de agradecer ao Professor Paulo Camello pelo tempo que foi  desperdiçado com o nosso espaço na internet.

Nada melhor do que conversar com o mais importante profissional na preparação física dos árbitros da CBF antes de um teste, falo do teste físico de amanhã da CBF no Recife onde estarei acompanhando o desempenho dos árbitros alagoanos que se juntarão aos árbitros Pernambucanos visando a participação nos campeonatos brasileiros de 2013.

Uma grande conquista das nossas reportagens, junto claro ao Apito Nacional que a todo momento esteve na luta para melhorarmos as condições da pista onde se aplica a avaliação para os árbitros alagoanos.

Parabéns a CBF que sensatamente direcionou nossos árbitros e assistentes  para uma pista de verdade com condições humanas de desenvolver o potencial físico dos nossos “apitadores e bandeirinhas”.

Não pense que ficaremos por aqui no quesito cobrar mais melhorias para a categoria, estaremos sempre de olho e tentando ajudar da melhor forma possível nossos “Homens de Preto”.

Abraço do Paulo Lira.


Vamos em frente e até qualquer momento.


Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/03/materia-especial-quarta-parte-professor.html

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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