Prof. Camello em destaque!

MATÉRIA ESPECIAL – QUARTA PARTE – PROFESSOR PAULO CAMELLO – PREPARADOR FÍSICO DA CBF

6 de março de 2013, Notícia na Mira, do Paulo Lira.

Nossa admiração pelo assunto Arbitragem falou mais alto e resolvemos continuar as nossas matérias especiais com os integrantes da Comissão de Arbitragem de Alagoas, a C.A. CBF. Já conversamos com o Corregedor Dr. Edson Resende, com o Ouvidor Dr. Paulo Jorge Alves e também com o Diretor da Arbitragem da CBF, Sérgio Correa da Silva.

E dessa vez vamos conversar com o Professor Paulo Camello, o responsável pelo acompanhamento físico da arbitragem nacional e não é só isso.

Acompanhem a entrevista e conheçam mais este profissional respeitado por todos as árbitros do Brasil.

Poderia informar seu currículo enquanto educador físico?

Formei-me em Licenciatura Plena, pela Univ. Gama Filho em agosto 1987. Com especialização em Treinamento Desportivo pela própria Gama Filho em 89/90 e futebol em 91 pela UFRJ.

Trabalhei durante 20 anos no Fluminense FC, no Rio Grande do Sul e Goiás.

1 – Há quanto tempo está trabalhando com os árbitros? Trabalha sozinho?

São sete anos e desde 2009, dividindo os trabalhos com o Prof. Dionísio Domingos.

2 – Como surgiu a oportunidade?

Iniciei a convite da entidade em final de 2005, onde já trabalhava desde final de 1990  prestando serviços, primeiro como avaliador físico das seleções, e a partir de setembro de 1995 passando a ser também preparador físico das seleções nacionais. Com a arbitragem, foi visando a preparação dos árbitros brasileiros designados para Copa do Mundo da Alemanha em 2006. Naquela época houve mudanças drásticas nos testes físicos, necessitando uma nova metodologia de treinamento e adaptação por parte dos árbitros de todo o mundo. Inclusive os nossos.

3 – Soube que o senhor também foi Preparador físico de clubes e das seleções de base da CBF. 

Qual a principal diferença entre os jogadores de base, profissional (times considerados grandes e pequenos), em relação aos árbitros na preparação física? 

Quem sua mais?

Bem, na verdade, os jogadores ainda apresentam um volume de trabalho maior que os árbitros, pelo fato de serem profissionais e normalmente somente exercerem esta profissão. Por isso, tem um volume maior de horas voltadas ao treinamento físico que os árbitros. No entanto, nos últimos anos, o processo de cobrança físico imposto aos árbitros se elevou, provocando alterações drásticas na forma, e nos números de horas treinadas por eles. Este processo foi alavancado pelas determinações da FIFA, em evoluir grandemente o nível físico, técnico e psicológico dos árbitros internacionais. Isto acabou sendo determinante, para que nos adequássemos a esta nova fase do futebol internacional e também nacional. E assim tem sido feito e continua evoluindo.

4 – Como anda a atual situação física dos árbitros brasileiros?

Para nossa alegria, evoluímos significativamente no aspecto físico, já que o processo que começou em 2006 foi progressivamente sendo posto em prática em todo o país, e todos foram se adequando as novas realidades, não sem antes, sofrer bastante, já tudo que se fazia até então, teve que ser modificado. Metodologia de trabalho, controle físico, técnico e psicológico. Mas podemos dizer que atualmente nosso quadro nacional, tem tido aprovação em torno de 90% nas avaliações físicas que seguem o padrão Fifa. Logicamente existem alguns problemas, mas continuamos num processo evolutivo.

5 – Qual região tem a maior dificuldade em cumprir as exigências físicas atuais?

Eu diria que hoje, temos um equilíbrio de norte a sul do país. Variando muito pouco, se analisarmos percentuais de dificuldade em cumprimento das exigências físicas.

6 – É feito algum acompanhamento da composição corporal?

Sim, estamos já ha algum tempo, tentando avançar também neste aspecto, em todos os estados. Procurando sugerir melhoria neste aspecto também com os Preparadores estaduais. Para que a apresentação física visual também seja adequada.

7 – Tem árbitros que tem uma compleição física de que esta acima do peso. 

Ele passa no teste, mas parece estar fora de forma. Como o setor encara isto? 

O Sr. tem conhecimento de como a CA encara isto?

Sim, sem dúvida. Estes casos são até mais comuns do que possa parecer. É importante explicar, que o sobrepeso, é sempre uma grande preocupação da preparação física e médica. Porém, ela muitas vezes não é determinante para reprovação nas avaliações físicas de campo. Pois alguns árbitros, apesar de carregarem este excesso de peso, que certamente dificulta bastante seu desempenho, no entanto, no momento de seu rendimento no teste, muitas vezes conseguem superar o rendimento de alguns bem mais magros, e serem aprovados na pista.

Nossa maior preocupação é que este árbitro compreenda que isso provoca um desgaste desnecessário ao seu corpo, sendo muito prejudicial a sua saúde. Desta forma, solicitamos que inicie em seu estado, um novo regime alimentar indicado por um profissional da área nutricional, para possa reverter este quadro de forma equilibrada, evitando situações de risco. Se o mesmo, não apresentar nos meses seguintes nenhuma melhora, poderá ser notificado pela CA nacional, seu afastamento temporário até que se adeque as normas pedidas. Esta observação é também muito observada pela Fifa em seus quadros.

8 – Os pilares físicos, técnicos e o psicológico se reúnem para cuidar do calendário das avaliações, ou tudo era feito pela CA e determinado aos pilares?

Os três primeiros sim. O mental, apenas nos cursos.

9 – Qual sua opinião sobre a Escola Nacional de Arbitragem. O que ela poderá ajudar na melhoria do desempenho da arbitragem? Qual será a sua função na ENAF?

Acredito que a Escola Nacional poderá contribuir na elaboração, coordenação e desenvolvimento das atividades que promovem o processo evolutivo da arbitragem nacional, em conjunto e cooperação com os demais órgãos formativos estaduais, e de classe, que devem conjugar suas forças, para melhoria da qualificação e das condições de trabalho dos árbitros do país. Este órgão vai tirar da CA uma carga muito grande de preocupação.

Em abril teremos um novo curso de atualização promovido pelo Programa de Desenvolvimento da Arbitragem da FIFA. Este curso será realizado, de 17 a 21 de abril de 2013 em Vitória – ES. Mais uma vitória da CA-CBF.

10 – Como o senhor acompanha todos eles com as distâncias que nos separam?

Estamos em fase de desenvolvimento de projetos, com a delegação de atribuições de observação e controle, por parte dos professores locais, que são os que convivem mais de perto com eles. Observamos também os relatórios dos observadores técnicos que fazem pontuações sobre os aspectos físicos dos árbitros nas partidas e ajudam neste controle a distancia. E temos alguns casos dos árbitros de elite, aspirantes e promissores, que são monitorados por alguns frequencímetros, que armazenam informações sobre os jogos e os treinamentos que fazem durante a semana, facilitando nossa visualização do que está sendo feito.

11 – Tenho acompanhado vários testes físicos aqui em Alagoas, só de olhar já me deixa cansado (RS). Aqui não são oferecidas boas condições para os avaliados (Pista de areia e Horário com 34° no sol), isso influência os resultados? (A turma aqui reclama muito, dizem que no RJ são feitos a noite e com uma pista totalmente apropriada). Como são as 27 pistas pelo país?

Ainda temos diversidades no país com relação às pistas para os testes físicos. Além de Alagoas, vários outros estados tem o mesmo problema. Porém, apesar de não serem as ideais, a verdade é que temos que nos adequar as nossas realidades, e nos prepararmos para fazer o melhor, dentro das adversidades. Assim com acontece nos jogos, no nosso país tropical, o calor estará presente em quase todo o território, o ano todo. A forma de minimizar é buscar um horário menos quente se for possível. No caso específico do Rio, só é feito à noite, porque é o horário que a federação local, tem disponível a pista, apenas isso. Os demais estados, se tiverem tal possibilidade, poderão fazer o mesmo.

12 – Como foi a preparação física dos árbitros que foram a Copa de 2006, 2010 em comparação aos da Copa 2014? Tem como comparar com uma Copa, como a de 70, por exemplo? – 

As recorrentes repetições e por falta de treinamento, apoio, numero excessivo de jogos (calendário apertado) ou as dificuldades do teste. 

A CBF tem um banco de dados com os resultados e o estágio de cada um?

Sobre as preparações das últimas Copas, especialmente sobre a de 2006, posso falar que tive total liberdade e controle sobre o que foi feito e dos resultados conseguidos. Já sobre a de 2010, já houve diferenças no desenvolvimento dos treinamentos e do controle dos árbitros, assim como a de 2014 também apresenta diferenças, só que mais na diversidade de informações e no aumento dos dados coletados, assim como um aumento na intensidade dos testes.

Na primeira, tive que adequar toda a metodologia de treinamento as novas necessidades e exigências dos testes físicos que foram modificados em 2005. Totalmente distinto do que se fazia até então.

Primeiro procurei reconhecer as novas necessidades físicas dos árbitros, para então traçar o planejamento para os próximos 3, 4 e 5 meses até as vésperas da última avaliação para a Copa. Foi uma excelente experiência, já que pude desenvolvê-la aproveitando minha experiência com o futebol, além de poder sentir o que passaram a sofrer os árbitros na hora do teste, pois procurei também fazê-lo, no período de estávamos concentrados na granja Comari para o início de 15 dias de trabalho em janeiro de 2006. Assim caminhamos, e ao voltarem para seus estados, levaram uma planilha de trabalho semanal, que era atualizada ao final de cada semana, até as novas testagens na Suíça em março e abril, quando foram aprovados preliminarmente, e depois onde fizemos novo trabalho de intensificação de treinos em Teresópolis em maio às vésperas da ida para a Alemanha.  Lá, foram novamente testados e aprovados, acabando sendo classificados no aspecto físico, entre os 3 melhores trios internacionais daquela Copa. O que nos trouxe muita alegria, pelo esforço e dedicação de todos durante todo o processo de preparação. Para 2010, a coisas mudaram bastante, pois a Fifa resolveu direcionar as ações de treinamento para os árbitros indicados, e estes, passaram a seguir um planejamento deles, com pouca influência de nossa parte. E é o que continua ocorrendo hoje para 2014, praticamente, todo o trabalho é indicado e direcionado pela Fifa, e cabe a nós, mais dar apoio aos árbitros, quando solicitados, do propriamente determinar o que deve ser feito. Já que o controle é feito por informações enviadas diretamente do árbitro, para FIFA.

13 – Recebi informações que o senhor é muito competente, e todos os árbitros gostam de sua metodologia de trabalho, diferente de seu antecessor Dionísio Domingos, qual o segredo para conquistar todos, e o que o Senhor fez de diferente para ter esta aprovação da maioria?

Em primeiro lugar uma coisa que julgo muito importante, é sempre procurar respeitar a metodologia da cada profissional, e procurar entender suas realidades. Porque existem sempre muitos caminhos, para se alcançar os objetivos, e cabe a cada profissional, escolher e direcionar suas ações, e assim ter seus resultados alcançados. E em respeito a isso, devemos também entender as diferenças, e saber aceitá-las para que a convivências entre as partes possa acontecer em harmonia. Fico feliz com essas afirmações, porém não devemos esquecer o grande trabalho desenvolvido pelo Prof. Dionísio, em um determinado momento em que estive afastado, quando percorreu todos os estados do país ajudando a difundir e corrigir as falhas que aconteciam nestes locais, após as modificações estruturais da arbitragem nacional. A rudeza em alguns momentos pode ter acontecido, porém com total vontade de acertar, e aumentar o espírito de cooperação, responsabilidade, e justiça, para melhoria da arbitragem brasileira em todo território nacional. Sendo assim, talvez a forma de como fazer, seja nosso maior diferencial, e se relaciona creio eu, pelas características pessoais inerentes ao ser humano, mas que não acredito, vieram a comprometer os objetivos a serem alcançados.

14 – Qual a diferença na preparação física de um árbitro e de um assistente? Os testes para os assistentes estão adequados?

Este assunto é sempre motivo de discussão, e logicamente, existem diferenças. O primeiro necessita de uma demanda física superior de resistência e potência combinadas, na direção da partida. Se comparadas as necessidades dos assistentes, que necessitam de mais potência e velocidade em suas funções. Porém a meu ver, a FIFA ainda não encontrou o que realmente almeja para definir o teste ideal para cada grupo de árbitros, e isso se faz visível, em sua procura em novas formas de avaliar a ambas as categorias. Para isso, tem feito experimentos, com a inclusão de novas variações e modalidades de testes, incluindo o campo de jogo, que poderão se encaixar melhor nas reais necessidades dos árbitros e dos assistentes. Favorecendo assim, uma melhor distribuição da avaliação física para o caso de um e de outro. Então, não nos cabe julgar se são adequados, mas corroborar com os estudos, e tentar desenvolver novas formas de avaliação, que se encaixem melhor neste perfil. Enquanto isso não ocorre, devemos nos preparar adequadamente para alcançar os índices necessários para aprovação, e especialmente, para uma ótima direção das partidas.

15 – Resumidamente como é realizado o FIFA TEST. Os preparadores físicos das federações cumprem o protocolo FIFA. Sabe dizer quais as Federações que cumprem os índices completos (sabemos, por exemplo, que em anos anteriores o Rio de Janeiro aboliu o teste dos 40 metros; a comissão alagoana aumentou o tempo, etc.)? Se não cumprem, o que isto acarreta para o setor que o ser dirige quando eles são indicados para compor os quadros da CBF?

De forma geral, o FIFA Test é dividido em categorias, sendo o de categoria 1 para os árbitros internacionais, o de categoria 2 para nacionais, categoria 3 para estaduais e para o gênero feminino.

Em todos, constam uma avaliação de velocidade com 6 tiros de 40m em velocidade com tempos máximos pré-determinados, tendo até 1’30” para fazer o tiro seguinte, até que se complete os 6; seguido a isso, após um intervalo de 6 à 8 minutos, são feitos 20 a 24 tiros de 150 m com tempo máximo pré-definido para cada categoria para árbitros e assistentes. No site da CBF temos todos os pormenores dos tempos a cumprir em cada respectiva categoria.

Entendamos que cada avaliação deve estar relacionada a sua respectiva categoria, no grupo a que se insere o nível de seu árbitro. Sendo assim, toda vez que ocorrer uma avaliação internacional, será cobrado do árbitro, o índice categoria 1. Quando for uma avaliação nacional, se aplicará a de categoria 2, e assim sucessivamente. Então, cada estado, poderá se utilizar para sua avaliação local, do índice que couber a categoria estadual. No momento que o árbitro for indicado a fazer o teste de nível nacional, que será o caso do mês de março, serão cobrados deles, o índice nacional, para que possa atuar em competições nacionais. Para os já internacionais e aspirantes FIFA, será cobrado o índice internacional, para que possam estar aptos a trabalhar também em partidas internacionais, já que ostentam tal escudo, caso contrário, poderão deixar tal categoria se não cumprirem esta exigência. E os aspirantes, para estarem em condições de assumir tal posto, se houver alguma desistência, ou alteração do quadro internacional.

É facultativo as federações decidir como avaliar seus árbitros no âmbito estadual, porém, se estas avaliações forem desproporcionais as necessidades do grupo que almeja ascender ao quadro nacional e até internacional, esta atitude certamente será um tiro no próprio pé, já que não qualifica nem prepara adequadamente seu árbitro para evoluir, física e tecnicamente.

16 – Temos dirigentes com parentes na arbitragem. Eles podem participar destas avaliações. Como agia a CA anterior e como agirá a CA atual?

Que eu saiba, não existe nenhuma restrição a inclusão de pessoas com parentesco na arbitragem, nem creio eu, em qualquer outro setor do país. Salvo esteja enganado, em cargos públicos ou algo do gênero. Creio que qualquer pessoa tem segundo a constituição, direito de participar de qualquer área profissional, desde que preencha os requisitos técnicos para tal, e cumpra seus respectivos deveres. Sendo assim, a meu ver, não há qualquer impedimento legal para essa participação, desde que como disse antes, esteja cumprindo rigorosamente os requisitos a que se propõe.

Devemos lembrar, que em todos os ramos profissionais, temos parentes diretos ou indiretos, atuando em suas áreas, sem nenhum constrangimento. E acredito que também na arbitragem, deva ser assim. Ninguém deverá sofrer represálias por ser, ou ter parentesco com algum integrante da arbitragem. Ao mesmo tempo, que não deverá receber benesses pelo mesmo fato. Devemos seguir o principio da igualdade de direitos, e da capacidade individual. Para isso, existem a Procuradoria e Corregedoria, que são responsáveis em dirimir as dúvidas, receber denúncias, e após analises dos fatos, dar destinação adequada ao processo. Os protocolos físicos avaliativos são todos abertos ao público, e tem total transparência para que nada possa alterar a lisura do processo.

17 – Como era trabalhar com Sérgio Corrêa e como foi com o Aristeu Leonardo?

Dos dois não tenho nenhuma queixa a fazer, assim com disse sobre o Prof. Dionísio, acredito que devemos entender as diferenças das pessoas, para que haja uma boa convivência, seja na nossa casa, seja no trabalho. Logicamente, haverá sempre diferenças, pois o ser humano é diferente um do outro, e também poderá haver divergência de ideias, ou de posições. Porém nada que não possa ser discutido com argumentações criteriosas para se chegar a um ponto comum. Os objetivos principais são os mesmos: “A evolução da arbitragem nacional”.

18 – Quem são os responsáveis pelo pilar físico na América do Sul. Como eles encaram os árbitros pré-selecionados e os demais internacionais?

A FIFA mantém um programa em de apoio e desenvolvimento da arbitragem em todo o mundo chamado RAP. E é responsável em oferecer cursos anuais de aperfeiçoamento nas 3 áreas, sendo na América do Sul em parceria com a Conmebol. Na área física, o Prof. Cristian Rosen que é argentino, é o responsável. Porém, o responsável geral na área física é o também argentino Prof. Alejo Perez, que controla todos os árbitros internacionais, enviando planejamentos de treinos e recebendo os informes dos árbitros com seus planos de treino. Fazem um ótimo trabalho, buscando uma evolução continua por parte dos árbitros.

19 – Os árbitros internacionais, os aspirantes e os especiais realizarão quantas avaliações este ano? Qual índice será cobrado deles?

A previsão é de 3 avaliações. Seguindo a orientação da FIFA de fazer de 3 a 5 anuais.

20 – E as dificuldades para o gênero feminino. A CBF nunca pensou em fazer uma transição para elas? Por que exigir os índices masculinos, haja vista que tem grandes Federações que não exigem?

Gosto muito desse assunto e foi ótimo ter tocado nele. Até porque sou um estimulador da maior participação feminina na arbitragem, e estive diretamente atuando no processo de transição das avaliações físicas a partir de 2006. Então vamos por partes.

Desde que se iniciou o processo de transição física na arbitragem, todas as categorias e gêneros, foram afetados.  Na medida em que, as alterações foram sendo feitas, com a introdução do FIFA Test, o processo de treinamento também teve que ser modificado para todos. E aí também as mulheres tiveram que se adequar a nova demanda física. Vale lembrar, que tudo foi sendo feito progressivamente, e assim como os homens, que treinavam pouco, e passaram a ter que treinar mais, e de forma diferente. As mulheres tiveram que se adequar a isso também. Infelizmente, a maior “fragilidade física” (não é pejorativo) da mulher nesse caso, ficou mais evidente. Gostaria de destacar, que isso também ocorreu com os homens. E tem uma explicação até simples de se entender… O grande problema dos árbitros de forma geral nos últimos 8 a 10 anos, era que o aspecto físico, não tinha uma cobrança tão grande, e com isso, pouco se precisava fazer para alcançar os índices mínimos necessários para aprovação.

Sendo assim, pouco se treinava fisicamente para se manter arbitrando. Alia-se a isso, uma quase que total inexperiência de formação desportiva, por parte dos árbitros, na sua infância e adolescência. O que isso quer dizer. Que muito poucos tiveram uma experiência atlética prolongada anterior à arbitragem, especialmente na sua adolescência, que facilitaria muito a adaptação a qualquer dos novos processos de treinamento. Sobrepeso e pouco histórico físico pregresso, foram sempre os maiores obstáculos dos árbitros para se adequarem aos novos momentos. E as mulheres árbitras, especialmente, isso foi, e tem sido preponderante nos ainda baixos índices de aprovação. Porém, já melhoraram muitos nos últimos 3 anos. Então, o que tem ocorrido, é que o processo vem ocorrendo já a bastante tempo, e só permanecem, as que superam suas dificuldades para alcançarem os índices masculinos.

Lembro ainda, que o problema não é de “fragilidade física do gênero feminino”, comparado ao masculino, mas sim, de adaptação e assimilação, aos treinamentos físicos necessários para feitura do teste. Um exemplo claro disso, são os diversos resultados expressivos das mulheres, em competições de vários esportes, como atletismo por exemplo. Muito melhores que da maioria dos homens comuns treinados.

Por isso, o que diferencia este processo seletivo, é o tempo de adaptação aos trabalhos físicos, necessários para esse momento. Não, simplesmente ser homem ou mulher. Tudo vai depender do que você trás de histórico de trabalho físico, que características físicas você apresenta, para evoluírem mais rápido neste aspecto. Não podemos esquecer também, que a própria FIFA, exige que as árbitras internacionais que queiram trabalhar nos jogos masculinos, cumpram os índices masculinos. O que, convenhamos é correto e uma forma natural de igualdade de direitos e responsabilidades. Afinal, a cobrança dentro das 4 linhas, não deve ver sexo, cor ou credo, e sim, capacidade técnica, física e mental. E são 3 atributos que as mulheres são em muitos casos, superiores aos homens. Só depende delas, serem perseverantes, para transformar isso em realidade. E estejam certas que sempre terão nosso total apoio.

 

21 – O sr já acompanhou uma competição feminina. Qual a diferença entre o gênero feminino x masculino. Em quanto tempo as mulheres poderão apitar com a mesma aptidão física? Quantas arbitras e assistentes passam no teste masculino e isto representa quanto em percentuais?

Realmente a força física e a dinâmica do jogo ainda apresentam uma diferença considerável. Porém no jogo, as mulheres também tem apresentado grande evolução física  o que os tem tornado mais rápido e disputado. Desta forma as árbitras estão sendo mais exigidas, e com isso, o processo de qualificação vai sendo aumentado também, necessitando maior treinamento e dedicação por parte das árbitras.

O que irá direcionar essa situação, será o grau de determinação e comprometimento por parte das árbitras, sabedoras que tem uma tarefa árdua e desgastante, mas que acredito firmemente, que não demorarão a chegar nesse patamar, e eu torço para isso, porque as considero muito capazes.

Atualmente o gênero feminino da CBF conta com 77 Oficiais de Arbitragem, sendo 11 árbitras, com apenas 1 delas apta para atuar no campeonato masculino (Regildênia Moura, FIFA-SP) e 66 assistentes, com 14 delas aptas. Das Internacionais, terminamos 2012, com as quatro com índices do gênero masculino

22 – No aspecto físico, qual a mensagem para os nossos leitores, para os árbitros e para os que pensam em seguir esta árdua missão?.

Primeiramente, agradecer a oportunidade de tentar buscar esclarecer vários pontos relacionados à preparação física da arbitragem atual, esperando ter respondido com clareza e simplicidade, as questões enviadas. Aos árbitros e futuros árbitros, que continuem firmes em seus propósitos, de evoluir sempre, e não esquecer que a arbitragem é uma atividade apaixonante, envolvente, porém voluntária, ainda não profissional aqui no Brasil. E por isso, não se esqueçam de que só permanecerão, os que realmente estiverem dispostos a pagar um alto preço, dedicando parte da sua vida cotidiana, a treinamentos exaustivos e cobranças constantes. Entendendo que os erros acontecerão em algum momento, mas que poderão ser minimizados, por seu esforço, dedicação, responsabilidade constante e diária.

Um forte abraço a todos e até outra oportunidade.

Gostaríamos de agradecer ao Professor Paulo Camello pelo tempo que foi  desperdiçado com o nosso espaço na internet.

Nada melhor do que conversar com o mais importante profissional na preparação física dos árbitros da CBF antes de um teste, falo do teste físico de amanhã da CBF no Recife onde estarei acompanhando o desempenho dos árbitros alagoanos que se juntarão aos árbitros Pernambucanos visando a participação nos campeonatos brasileiros de 2013.

Uma grande conquista das nossas reportagens, junto claro ao Apito Nacional que a todo momento esteve na luta para melhorarmos as condições da pista onde se aplica a avaliação para os árbitros alagoanos.

Parabéns a CBF que sensatamente direcionou nossos árbitros e assistentes  para uma pista de verdade com condições humanas de desenvolver o potencial físico dos nossos “apitadores e bandeirinhas”.

Não pense que ficaremos por aqui no quesito cobrar mais melhorias para a categoria, estaremos sempre de olho e tentando ajudar da melhor forma possível nossos “Homens de Preto”.

Abraço do Paulo Lira.


Vamos em frente e até qualquer momento.


Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/03/materia-especial-quarta-parte-professor.html

Entrevista com Dra. Marta Magalhães

MATÉRIA ESPECIAL – QUINTA E ÚLTIMA PARTE – DRA. MARTA MAGALHÃES PSICÓLOGA DO ESPORTE NA ARBITRAGEM

21 de Abril de 2013, Notícia Na Mira, do Paulo Lira.

Agora podemos dizer que estamos realmente encerrando a  série de entrevistas especiais que estamos fizemos sobre a  arbitragem nacional em especial os dirigentes e colaboradores da Comissão de Arbitragem Nacional.

Já entrevistamos ,  Sérgio Correa, Dr. Paulo Jorge ,  Dr. Edson Rezende e o Professor Paulo Camelo,como  vocês podem conferir acessando estes links.

http://noticianamira.blogspot.com.br/2013/01/materia-especial-terceira-parte-sergio.html

http://noticianamira.blogspot.com.br/2013/01/materia-especial-segunda-parte-dr-edson.html

http://noticianamira.blogspot.com.br/2013/01/materia-especial-primeira-parte-dr.html

http://noticianamira.blogspot.com.br/2013/03/materia-especial-quarta-parte-professor.html

Para encerrar esta bela sequência nada melhor do que conversar com a Dra. Marta Magalhães, Psicóloga do Esporte, seu trabalho está literalmente ligado a Arbitragem Nacional. Conheça um pouco de uma das mais respeitadas profissionais do mundo da bola Brasuca e a sua real função na arbitragem Brasileira:

Poderia informar seu currículo enquanto psicóloga do esporte? Soube que a Sra. trabalha como professora na rede pública. Como é este trabalho?

Sou Psicóloga do Esporte Pós Graduada pelo Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo. Estou na Arbitragem de Futebol desde 2004, já atuei junto a Ginástica Artística, faço atendimentos para atletas, e consultorias esportivas.

Quanto à Rede Pública, trabalhei na formação de Magistério, sou Psicóloga, Psicóloga Escolar e Pedagoga, atualmente ocupo o cargo de Orientadora de Estudos e Pesquisas da Escola de Tempo Integral, no Município de Guarulhos, São Paulo.

1-Qual é a sua função junto a C. A. da CBF? Qual a diferença entre uma psicóloga e uma psicóloga do esporte?

A função na CA/CBF é de Psicóloga do Esporte na Arbitragem, trabalho com o Pilar Mental junto aos árbitros de futebol do Quadro Nacional Brasileiro.

A Psicologia é o estudo dos fenômenos psíquicos e do comportamento do ser humano, a Psicologia do Esporte, estuda o comportamento do ser humano envolvido no contexto esportivo, e do exercício físico. O objetivo da Psicologia esportiva é compreender como os fatores psicológicos podem influenciar o desempenho físico, o desenvolvimento emocional, a saúde e o bem estar.

2– Há quanto tempo trabalha com os árbitros e como é feita a comunicação com eles, haja vista a distância dos estados em relação a sede da CBF. Como minimizar isto?

Trabalho com os árbitros desde 2004, a comunicação é realizada nos diferentes treinamentos realizados pela CA/CBF, nos campos de jogo, no consultório, através de e-mails, Skype, e telefone.

3 –Como surgiu essa parceria?

Surgiu de um convite do Sr Sergio Correa para fazer trabalhos psicológicos no Sindicato dos árbitros em 2004, em seguida alguns trabalhos na Pré-Temporada da Federação Paulista, depois acompanhamento aos árbitros da CBF junto ao Pilar Mental desde 2007.

4 –Qual a principal diferença de trabalhar com os árbitros e pacientes comuns?

Trabalhar com o Cliente Humano, significa acompanhá-lo em sua queixa, e ajudá-lo a encontrar sentido em sua história, e na forma de intervir com ela, seja nos contatos consigo, com o meio, e com o outro. Trabalhar com árbitros significa fazer tudo o que esta citado acima, pois antes dele ser árbitro, ele é um Homem, E também buscar compreender os fenômenos psíquicos que possam alterar comportamentos, desempenho, saúde, e bem estar. Sempre visando promover a saúde, a comunicação, as relações interpessoais, a liderança e a melhoria no desempenho esportivo.
5 –Pela pressão exercida sobre estes profissionais, creio eu que os fatores Psicológicos sejam bastante exigidos, como à senhora trabalha isso com todos eles? A sra já foi a uma partida de futebol com elevada carga de pressão?

A pressão é muito alta, os fatores psicológicos trabalhados dependem da singularidade de cada árbitro, seja na confiança, segurança, motivação, tomada de decisão, atenção, concentração, entre outros.

Já participei de várias partidas de futebol, desde as consideradas, um grau de pressão fácil, médio, e difícil, o trabalho psicológico realizado passa pelo Plano de Trabalho do Árbitro em Equipe, e pelo Plano de Trabalho Individual, sempre voltado para seu foco no aqui e agora de forma que a consciência seja a mais plena possível.

6 – O atual momento da arbitragem anda exigindo árbitros jovens, o fator psicológico não é mais evidente neles por falta de experiência? Qual a maturidade deles para grandes jogos?

O árbitro ao estudar as regras, treinar fisicamente, e aplicar esse conjunto em campo de jogo, ele esta buscando compreender e aprender com cada situação. Esse processo desenvolve a abertura para as novas experiências no campo vivido, e sua leitura de jogo ganha mais consistência, profundidade e precisão. Com isso, apropria-se das próprias experiências, favorecendo, assim a tomada de decisão, e a maturidade deles para os grandes jogos.

7 –Dentro da sua área, quais os maiores problemas enfrentados pelos árbitros brasileiros?

Questões culturais, treinos associados ao trabalho, viagem, família, e principalmente o respeito pelo seu trabalho, que toma inúmeras decisões em curto espaço de tempo.
8 –Quando um árbitro apresenta um quadro de anormalidade Psicológica, como a senhora faz o acompanhamento e tratamento?

Cada caso é um caso, e faz o que se precisa, no momento certo, se preciso encaminhar aos cuidados médicos, assim é feito. Um bom acolhimento – escuta apropriada, e presença efetiva, normalmente são os caminhos adotados. Não me lembro de um caso de anormalidades, lembro-me de   questões humanas, precisando de acolhimento, ressignificação e contorno.

9 –Assim como o Professor Paulo Camelo, a senhora também é muito bem vista pelo grupo, qual o segredo do seu trabalho?

Num primeiro momento ser capaz de dar a atenção devida, e acolher a demanda, e depois, trabalhar o que é preciso. Afinal cada um assume sua responsabilidade e habilita melhores respostas, seja no nível motor, cognitivo, afetivo entre outros.

10 -quantos profissionais do esporte estão trabalhando na arbitragem?

Ainda sonho com que cada Federação tenha seu Psicólogo, hoje ainda o numero de Psicólogos da Arbitragem é pequeno, mas estamos dia a dia aumentando o numero de profissionais desta modalidade.

11 -A Sra já participou de pré-temporadas pelo Brasil? Se sim, o que tem encontrado?

Sim, já participei, e como disse anteriormente, as questões singulares, e locais são muito diversificadas, tais como: hábitos cotidianos, grau de instrução, meios de transporte, dirigentes locais, questões financeiras, recursos físicos e humanos. Essas questões são cuidadas na esfera individual, e na esfera da padronização Brasileira, na medida do possível.
12 -A sra participou de quantos cursos de elite na CBF? Tem uma ideia de quantos passaram pelo seu trabalho?

Inúmeros cursos, ao longo dos anos, centenas de árbitros envolvidos nesse trabalho. Nossos árbitros promissores estão na ativa e se saindo bem, dia a dia, amadurecendo na função. Os antigos árbitros estão com postura resinificada  pois as exigências foram alteradas, e sua posição diante da arte de arbitrar foi alterada também.

13 -Como era trabalhar com a antiga CA e como é trabalhar com a nova?

Quando o OBJETIVO do trabalho é o mesmo, só muda a forma de falar, trata se de um trabalho contínuo, e em busca da assertividade, portanto, é tranquilo.

14 -Os dirigentes e instrutores passaram pelo seu “divã” na antiga gestão? E os atuais? Isto precisa ou não ser feito?

Sempre quando se precisa, todos nós passamos por um filtro, eu passo, e todos passam. Isso é saudável, inteligente e da noção de pertencimento ao grupo, da sentido a equipe, que só funciona bem quando podemos trabalhar em conjunto e resignificar quando é necessário.

15 –A Sra. sendo professora há muitos anos e tendo participado curso FIFA para instrutores pode fazer um diagnóstico de como será a arbitragem e, claro, se os instrutores formados estão a altura da missão a ser cumprida?

Todos os instrutores que se submeteram ao curso de Instrutor têm condições de avançar quando se reciclam continuamente. Quando trocam, e se submetem as avaliações da Instrução. Estão sempre atualizados com os informes da Fifa, CBF, caso contrario, é difícil, se manter na Instrução.

16 –Qual a diferença entre a arbitragem masculina e feminina. Como a sra lida com estas questões. Por exemplo, um dirigente tendo um parente na arbitragem ajuda ou atrapalha? Como lidar com isto?

Questões de gênero são inúmeras, e nada deixa a desejar se bem trabalhadas. Precisamos lidar melhor com a abrangência do feminino, num lugar altamente masculino. Toda relação de parentesco, gera falas, o que precisamos ter como ponto, é a ética e o comprometimento com o trabalho. Tem momentos que ajuda, e têm momentos que atrapalha, em todos os cantos, as polêmicas serão intensas, se o próprio meio alimenta esse ou aquele comentário. Lidar com isso, de forma natural e com a realidade que existe, é o dever e o direito de cada um, ao exercer uma função. Sempre buscar o sentido comum e justo, é a melhor opção.

17 –Dentro do aspecto psicológico, se a sra pudesse dar um único conselho para o árbitro de futebol melhorar sua performance qual seria? Esta pergunta vale também para o assistente, cuja missão é complexa e depende de posicionamento correto, atenção, etc bem como para o dirigente de arbitragem melhorar sua gestão. Qual seria este conselho para cada um deles?

Que cada um aproprie-se cada vez mais de si, e que a medida que os treinos sejam efetivos, faça o que pode, com o seu melhor, e cada ação é uma ação, portanto, faça o melhor no AQUI E AGORA, o resultado é fruto da construção do passado, do fazer no presente, e da colheita no futuro.

18– No aspecto psicológico, qual a mensagem para os torcedores que bradam contra o trabalho da arbitragem, os jornalistas que questionam, os nossos leitores e para os árbitros e, finalmente, para aqueles que pensam em seguir esta árdua missão?

Espero que todos procurem conhecer as regras do futebol, procurem olhar para o arbitro como um ser humano, que sempre busca fazer o melhor. Que respeitem o Homem com sua origem, e não misturem os momentos da paixão com a cegueira do discernimento. Que as criticas sejam construtivas e de proveito. Que os interessados, entendam que o trabalho é intenso, sério e de grande emoção ao que compete ao senso de justiça e de fundamento arbitral.

Gostaríamos de agradecer a atenção da Dra. Marta, sabíamos que não seria diferente, pois tive o prazer de conhece-la no último Congresso da ANAF em São Paulo em Novembro de 2012 e além de uma profissional respeitada ela é um doce de pessoa, muito atenciosa e educada.Espero encontra-la em outras situações.

Acredito amigos do Notícia na Mira que vocês tenham gostado da série de matérias especiais que produzimos em nosso espaço na internet, acreditamos também que os nossos leitores ficaram conhecendo um pouco dos dirigentes e colaboradores da arbitragem nacional. Esperamos realizar outras séries e entrevistas com a cúpula da arbitragem nacional em breve.

Abraço do Paulo Lira.
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Vamos em frente e até qualquer momento!

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Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/04/materia-especial-quinta-e-ultima-parte.html

Paulo Jorge Alves, Ouvidor da CBF

Entrevista com o ex-assistente FIFA Paulo Jorge Alves, Mundialista 1994, com 5 partidas realizadas.
Advogado e Educador Físico, foi presidente da comissão de arbitragem da FERJ, membro da CA-CBF de 2005 a 2012 e, desde então, Ouvidor da Arbitragem.

MATÉRIA ESPECIAL – PRIMEIRA PARTE – DR. PAULO JORGE ALVES – OUVIDOR DA CBF

05 de janeiro de 2013, Notícia na Mira, do Paulo Lira
Estamos começando 2013 e iremos colocar a disposição do amigo internauta do NM uma série de entrevistas especiais falando dos principais assuntos relacionados a arbitragem nacional.
Iniciaremos com o Dr. Paulo Jorge Alves, hoje Ouvidor da CA-CBF, que irá esclarecer para que serve a Ouvidoria da CBF e como atua. Dr. Paulo também fala de como entrou na Comissão de Arbitragem e um pouco da sua carreira.
Confira a entrevista na integra:
1-A quanto tempo o Senhor está como ouvidor?

R- De 2005 a 22 de agosto tive a satisfação de integrar a CA-CBF, com os notáveis Edson Rezende, Sérgio Correa, Manoel Serapiao e Luiz Cunha Martins. Na reestruturação da CA fui remanejado para a função de Ouvidor da Arbitragem, cargo que vinha sendo ocupado pelo Aristeu Tavares.
2-Qual é a sua formação profissional?

R- Sou Policial Federal Aposentado, advogado  OABRJ 122456, Perito Judicial Grafotécnico e Falsidade Documental, inscrição TJRJ 4513, com atividades na Justiça Federal e Tribunal de Justiça do Rio de janeiro. Formado em Educação Física na Universidade Castelo Branco em 1979. Formado em Direito na Universidade Federal do Rio de janeiro, 1986. Pós Graduado em Direito Penal e Processo Penal, Universidade Estácio de Sá, 1988. Fiz todos os Cursos Futuro III para Instrutor: participei ativamente da transformação da arbitragem nacional, fui Delegado Especial da Arbitragem, todavia com a nova atividade deixei esta, por questões éticas.
3-O senhor já foi Árbitro de Futebol? (CBF, FIFA)

R. Sim fui árbitro de futebol de 1975 a 1997 durante 22 anos portanto.
# Fui o primeiro árbitro assistente especialista em Copas do Mundo, 1994 EUA, atuando em 5 partidas.
# Tenho aproximadamente 30 partidas entre seleções “A” (principal seleção do pais) pela FIFA, sendo recordista entre os brasileiros com mais partidas em uma só Copa do Mundo.
# Algumas decisões de Estaduais no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de outros estados.
 # 5 finais de Campeonatos Brasileiros;
# 2 Copas Américas; 1993 Equador- atuei na final Argentina 2 x 0 México e, em 1995 Uruguai. (Brasil foi Finalista).
# Fui presidente e membro da Comissão de Arbitragem no Rio de Janeiro.
4-Quais são as medidas tomadas pela ouvidoria após ser acionada?

R. De posse do DVD completo enviado pelo clube, fazemos análise do jogo no contexto geral da partida com relação a arbitragem, dando procedência ou não à contestação feita pelo clube, em sendo necessário, como já dito, a Ouvidoria propõe treinamento, podendo ser  técnico, físico ou mesmo psicológico.
5- A ouvidoria possui autonomia para punir ou restringir o nome de árbitros para a Renaf e para a Escala?

R.Se a pergunta é para ingresso, a Ouvidoria não interfere, a Corregedoria sim, pois o ingresso depende de documentação, reputação ilibada etc, que está a seu cargo.
Esta Ouvidoria, quando necessário, propõe treinamento, faz acompanhamento e pode em alguns casos alterar a nota atribuída pelo assessor.
6- Como a ouvidoria contribui com a CONAF e com a Arbitragem Nacional?

R. Desculpe a retificação. O nome correto é CA-CBF, a sigla RENAF ja não existe mais.
 Respondendo a pergunta, é como disse acima, isto é, propondo treinamento e acompanhando o árbitro na parte técnica.
 
7- A quem exatamente a ouvidoria está hierarquicamente ligada?

R. Diretamente à Presidência da CBF, não está hierarquicamente ligada a nenhum outro setor.
 
8- Desde a criação deste órgão (na sua gestão), o que de concreto foi feito? Onde estão os resultados?

R. Frise-se que anteriormente, a Ouvidoria era feita pelo atual Presidente da CA-CBF, isto é de maio a agosto deste ano. Atualmente, parte dos dados está divulgado no site da CBF. Se desejar poderá verificar um resumo já publicado:
 
9-Onde são divulgados as ocorrências destes órgãos e os resultados obtidos?

R. As análises são enviadas à Presidência da CBF, aos Presidentes das Federações dos clubes envolvidos, aos clubes envolvidos e aos árbitros envolvidos. Estamos trabalhando para que estejam disponíveis no site da CBF.
10-Por que no site da CBF não consta o e-mail do ouvidor ou telefone?

R. O e-mail foi divulgado aos clubes:
11- O senhor tem um filho que é Árbitro (Aspirante FIFA), o senhor recebeu alguma reclamação sobre o desempenho dele em alguma partida? Se sim, como o senhor agiu?

R. Nenhum clube reclamou formalmente das 19 atuações dele em 2012.
 Para preservar a ética que qualquer julgador deve ter, existe um documento feito por mim, de declínio de competência para analisar quando este ouvidor sentir-se de alguma forma desconfortável eticamente, seja para ele, filho ou algum outro por quem possa  nutrir alguma amizade.
 Registro que, nas reuniões da CA-CBF, também não participava das reuniões que deliberavam sobre promoções, tanto que somente soube de sua ascensão quando a resolução já estava assinada.
 
12-Como torcedores, Imprensa e Dirigentes podem acionar a ouvidoria?

R. Esta ouvidoria foi criada para atender  aos clubes.
Torcedores , imprensa, devem-se dirigir à Ouvidoria Geral.
Tenha um 2013 de muita paz e que ano que vem possamos contribuir mais e melhor.
Abraço.
Paulo Jorge Alves
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Nós do Notícia na Mira é que agradecemos toda atenção desperdiçada pelo amigo.
Mas um vez, muito obrigado.
Abraço do PL.
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Vamos em frente e até qualquer momento!
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Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/01/materia-especial-primeira-parte-dr.html

Primeiras regras – 1863

As leis do futebol foram redigidas no histórico edifício “Freemason´s Tavern” (“Taverna dos Operários Livres”)

qua, 24/04/13, por Gaciba |
Você sabia que as regras do futebol nasceram em 28 de Outubro 1863?

 

Esta semana estava lendo o livro do saudoso Coronel Aulio Nazareno (1923 – 1997), FUNDAMENTOS DE ARBITRAGEM DE FUTEBOL, da editora Sulina, 1997. Este livro, lançado no ano de seu falecimento é uma joia para os amantes do esporte bretão, em especial àqueles que gostam de sua história.

Em suas páginas encontramos a tradução das consideradas primeiras leis impressas do futebol moderno. A pedido da Football Association, da Inglaterra, em 1865 a revista “Bells Life” publicou estas 14 regras, formuladas em reunião da entidade em 26 de Outubro de 1863;  que serviriam de base para a formulação das 17 regras atuais do futebol.

A reunião onde foram redigidas as leis deu-se no histórico edifício “Freemason´s Tavern” (“Taverna dos Operários Livres”) onde a recém formada FA (Football Assosciation) composta por 11 clubes e escolas Inglesas redigiram, após longo debate, um documento que, provavelmente, seus autores não sonhassem que serviriam de inspiração para o esporte com o maior número de adeptos no mundo.

Compartilho com vocês as 14 regras (extraídas do livro do Cel Aulio) impressas para que tenhamos uma noção de onde surgiu o futebol e a evolução do mesmo ao longo destes 150 anos.

1. O comprimento máximo do campo deverá ser de 200 jardas (180 metros) e a largura máxima deverá ser de 100 jardas (90 metros); o comprimento e a largura deverão ser separados com bandeiras, e o gol deverá ser delimitado por dois postes verticais distantes um do outro 8 jardas (7,32 metros) e não atravessados por nenhuma tira ou barra.

2. A partida deverá iniciar com um chute de bola parada, do centro do campo, pelo time que vencer no sorteio por cara ou coroa; o time adversário não deverá aproximar-se da bola, num raio de 10 jardas (9,15 metros), até que o pontapé inicial seja dado. Após a marcação de um gol, a equipe perdedora terá direito a dar o pontapé inicial.

3. Os dois times deverão trocar de gols, depois que cada gol for marcado.

4. Um gol será conquistado quando a bola atravessar o espaço entre os postes do gol (a qualquer altura), sem ser arremessada, socada ou carregada com as mãos.

5. Quando a bola estiver fora de campo, o jogador que reiniciar a partida deverá fazê-lo, chutando ou arremessando a bola, desde o ponto da linha lateral em que deixou o terreno de jogo, numa direção tal que forme um ângulo reto com a linha lateral.

6. Um jogador estará impedido quando se colocar à frente da linha da bola. E deverá retornar após a bola, o mais rápido possível. Se a bola for chutada do seu próprio lado, passada por um jogador, ele não deverá tocá-la, nem avançar, até que um jogador do lado adversário a tenha chutado primeiramente, ou um jogador do seu próprio lado posicionado a sua frente ou no seu mesmo nível, tenha condições de chutá-la.

7. Caso a bola vá para trás da linha de fundo, se um jogador ao qual o gol pertence tocar a bola primeiramente, um jogador do seu lado terá direito a dar um tiro livre, da linha de fundo do ponto oposto onde a bola deverá ser tocada. Se um jogador adversário tocar a bola primeiramente, um jogador do seu lado terá direito a dar um tiro livre, de um ponto situado a 15 jardas (aproximadamente 14 metros) fora da linha de fundo, oposto ao local onde a bola é tocada.

8. Se um jogador fizer um fair catch¹, terá direito a um tiro livre, caso o solicite, fazendo um sinal com o calcanhar, imediatamente; e, para dar tal tiro, poderá avançar além de sua marca, até que tenha chutado.

¹FAIR CATCH: É quando a bola é dominada, após ter tocado o adversário, ou ter sido chutada, socada ou arremessada pelo adversário, e antes de ter tocado o campo ou algum jogador do lado que a esta dominando; contudo, se uma bola for chutada de fora do campo, ou de trás da linha de fundo, um fair catch não poderá ser feito.

9. Um jogador terá permissão de correr com a bola, em direção ao gol adversário, se fizer um fair catch, ou dominar a bola no primeiro limite do campo; todavia, em caso de fair catch, se ele fizer um sinal, então não deverão correr.

10. Se um jogador correr com a bola, em direção ao gol do adversário, qualquer outro jogador do lado adversário terá permissão de atacá-lo, segurá-lo, passar uma rasteira², dar uma canelada³ ou tirar a bola dele; entretanto, nenhum jogador deverá ser detido e levar canelada ao mesmo tempo.

²RASTEIRA: É o fato de derrubar o adversário, utilizando as pernas, sem dar canelada ou chargear*.

³CANELADA: Consiste em chutar o adversário, na parte da frente da perna, abaixo do joelho.

11. Nem rasteira nem canelada serão permitidas, e nenhum jogador deverá utilizar as mãos ou os cotovelos para segurar ou empurrar o adversário, exceto nos casos prescritos pela Lei nº 10.

12. Qualquer jogador poderá chargear* um outro, desde que ambos estejam em active play. Um jogador poderá chargear* mesmo que esteja impedido.

*CHARGEAR: É investir contra o adversário, por intermédio do ombro, do peito ou do corpo, sem usar mãos ou pernas.

13. Um jogador terá permissão de arremessar a bola ou passá-la para outro, se fizer um fair catch ou dominar a bola no primeiro limite de campo.

14. Nenhum jogador terá direito a usar pregos, placas e ferro ou gutas-perchas, nas solas ou nos saltos de suas chuteiras.

ESPETACULAR! Vejam como algumas das leis prevalecem até hoje com pequenas alterações e como algumas delas eram absurdamente validadas (a Lei nº 10 era demais!). Ainda, percebam a grande influência do rúgbi em especial na lei do impedimento (nº 6) e no arremesso lateral (nº5).

Espero que tenham curtido!

Um barato… Simplesmente um barato!


Vamos em frente e até qualquer momento!


 

Referência: http://sportv.globo.com/platb/blog-do-gaciba/2013/04/24/o-sesquicentenario-das-primeiras-regras-do-futebol-1863-2013/

Entrevista com Edson Rezende

Quem assume a presidência, de forma interina, é o corregedor de arbitragem Edson Rezende

Notícia na Mira, do Paulo Lira – 17 de janeiro de 2013

Continuando nossa série de reportagens especiais sobre a arbitragem nacional especificamente dos órgãos que cuidam do lisura e da organização de nossos árbitros e assistentes, estamos aqui nesta segunda parte para falarmos com o Dr. Edson Rezende Oliveira, Corregedor de arbitragem da CBF.

Em um bate papo bem legal o Dr. Edson fala de todos os atributos da sua função na arbitragem nacional.

Há quanto tempo o Senhor está como Corregedor? Qual é a sua formação profissional? O senhor já foi árbitro de Futebol? Que nível? (CBF, FIFA)

Assumimos a função de Corregedor no mês de ABRIL/12, ocasião que esta atividade foi instituída pelo Presidente da CBF. Sou Delegado de Policia Federal aposentado. Fui árbitro de futebol de 1973 a 1992 quando encerrei minhas atividades, em razão de incompatibilidade com minha função na PF, choques de datas nas atividades, pertencia ao quando de Aspirantes à FIFA quando encerrei minha carreira como árbitro de futebol. Depois sempre continuei atuando no meio da arbitragem seja na função de Presidente de Comissão Estadual de Arbitragem, Membro da Comissão Nacional de Arbitragem, Presidente da mesma Comissão, Instrutor de Arbitragem etc.

Qual é a sua função específica como corregedor?

A principal missão do Corregedor é zelar pela arbitragem de um modo geral, procurando não permitir que pessoas de comportamentos inidôneos possam usar da arbitragem em benefício próprio, de grupos, de terceiros etc.

Quais são as medidas tomadas pela corregedoria após ser acionada?

Investigar, procurar analisar dados que estejam relacionados com as causas que proporcionaram a atuação da Corregedoria, procurando ver suas veracidades, envolvimentos de pessoas etc. e adotar as medidas cabíveis, inclusive propondo à Diretoria Jurídica da CBF providências para acionar órgãos competentes para instauração de procedimentos legais a exemplo de inquéritos tanto pelo STJD quando pelo Ministério Público, Secretarias de Segurança Pública etc.

A corregedoria possui autonomia para punir ou restringir o nome de árbitros para a Renaf e para a Escala?

A Corregedoria procura sempre, após levantamentos de dados necessários, propor ações visando preservar a arbitragem brasileira aos órgãos competentes a exemplo da Comissão de Árbitros da CBF, Diretoria Jurídica da CBF etc. e tem sido sempre prontamente atendida. Ela não pune diretamente, existem os órgãos competentes para tal.

Que tipos de denúncias o senhor recebe? Como lhe chegam essas denúncias? E como são apuradas?

São várias denúncias que a Corregedoria recebe, algumas com fundamentos outras desprovidas de quaisquer bases ou sentido. Recebemos as denúncias através de cartas, ofícios, e-mails etc. As apurações são feitas dentro dos trâmites normais de investigações e levantamentos de dados, utilizando, se necessário outros órgãos que detenham informações que podem embasar as decisões a serem adotadas e temos sempre recebido o apoio  que necessitamos.

É verdade que a RENAF de 2012 só demorou a sair porque muitos Árbitros indicados pelas comissões estavam (ainda estão) com irregularidades e isto dificultou o trabalho da Corregedoria? E como ficam as CEAFS que insistem em indicar árbitros que não possuem todos os critérios exigidos pela CBF?  Não deveriam ser punidas? Por que essas irregularidades não são divulgadas?

Houve um certo atraso, de algumas Federações, nos encaminhamentos dos documentos exigidos pela CBF para que os árbitros possam compor a RENAF. Além de um razoável número de documentos que tiveram de ser analisados e checados pela Corregedoria, foram encaminhados cerca de 6.000 documentos que foram analisados individualmente. Muitos tiveram que sofrer um aprofundamento nas análises. Alguns candidatos à RENAF foram desaconselhados pela Corregedoria a serem incluídos na referida relação. Estes desaconselhamentos são fundamentados e sempre foram aceitos pela CA/CBF. As Federações devem sempre estar atentas e obedecer rigorosamente aos prazos para envio da documentação dos candidatos indicados por elas para comporem a RENAF, caso contrário causam sérios transtornos e atrasos na definição desta relação e prejuízos aos trabalhos da CA/CBF. Neste ano há previsão de haver exigências ainda mais rigorosas nos cumprimentos destes prazos. As Federações que, por acaso, insistirem em indicar árbitros para a RENAF que não estão dentro dos padrões exigidos estarão perdendo tempo pois não houve e não haverá exceções, todos devem cumprir as normas emanadas pela CBF, não se admite descumprimento das mesmas seja por quem for. Os impedimentos são informados para as respectivas Federações, não há interesse da CBF em divulgar estas providências, a não ser quando houver necessidade ou exigências de órgãos competentes.

O que significa o nome do Árbitro ou Assistente em vermelhona RENAF? É em função de alguma irregularidade? Quais?

Os nomes em vermelho, na relação em análise no ano de 2012 eram aqueles que estavam sendo indicados pela primeira vez para ingresso na RENAF.

Como a corregedoria contribui com a CONAF e com a Arbitragem Nacional?

A Corregedoria tem um papel de suma importância para apoiar a CA/CBF e arbitragem nacional, procurando estar sempre vigilante aos possíveis desvios de condutas dos componentes da arbitragem pertencentes à RENAF ou a seus candidatos. A Corregedoria tem o papel principal de estar, não bisbilhotando, como alguns imaginam, mas analisando, investigando, pesquisando possíveis comportamentos comprometedores que não condizem com a importante e séria função do profissional da arbitragem, investido de uma responsabilidade imensamente importante para o futebol brasileiro.

A quem exatamente a corregedoria está hierarquicamente ligada?

Ao próprio Presidente da CBF.

Desde a criação deste órgão (na sua gestão), o que de concreto foi feito? Onde estão os resultados?

Inúmeros procedimentos foram desenvolvidos, várias investigações foram feitas, análises de documentos, checagem de denúncias etc. citamos um montante de documentos que foram analisados, cerca de 6.000, para uma espécie de investigação social dos componentes da RENAF, são certidões negativas dos cartórios de protestos, certidões negativas dos cartórios das varas cíveis e criminais, antecedentes criminais das Secretarias de Segurança Pública, Certidões Negativas do SPC do SERASA etc. Conforme falamos, julgamos não haver necessidade de divulgação de nomes, resultados de processos investigatórios etc. este trabalho geralmente é feito com as reservas recomendáveis, mas que trazem os resultados que a arbitragem e o futebol brasileiros precisam. Caso algumas situações recomendem, encaminhamos os resultados das investigações para os órgãos competentes para as instaurações dos procedimentos necessários.

Onde são divulgados as ocorrências destes órgãos e os resultados obtidos? Por que no site da CBF não consta o e-mail do ouvidor ou telefone?

Entendemos que todos devem ser aliados para o combate à irregularidades cometidas em todas as esferas que tomamos conhecimento, aqui não só na arbitragem mas em toda esfera que possa comprometer a lisura do futebol. No que se refere à arbitragem todos devem ser um aliado da Corregedoria e denunciar quaisquer irregularidades que tomem conhecimento envolvimentos seus componentes, e para isso basta enviar documentos à própria sede da CBF endereçados à Corregedoria ou através do endereço eletrônico

corregedoria.arbitragem@cbf.com.br

Gostaríamos de agradecer a atenção do Dr. Edson Rezende na clareza das respostas da nossa matéria e também a atenção com que tratou nosso blog.

Muito Obrigado Dr. Edson.

Noticia na Mira, do Paulo Lira.


Vamos em frente e até qualquer momento!


Referência: http://www.noticianamira.com.br/2013/01/materia-especial-segunda-parte-dr-edson.html

Cel. Marinho assume CA – 28/09/2016

Coronel Marinho assume CA-CBF e Sérgio Corrêa vai liderar projeto do árbitro de vídeo e chefiar DA.

CBF

Nesta terça-feira, CBF anunciou mudanças na presidência da comissão

 postado em 27/09/2016 16:48 / atualizado em 27/09/2016 17:33

A CBF anunciou nesta terça-feira a mudança na presidência da Comissão Nacional de Arbitragem. Antigo responsável pela pasta, Sérgio Corrêa da Silva deixa o cargo para cuidar apenas de estudos para implementar árbitros de vídeo. O dirigente estava na segunda passagem pelo órgão, de onde foi demitido em 2012 pelo então presidente José Maria Marin, e retornou em maio de 2014. O novo ocupante da presidência será Marcos Cabral Marinho de Moura, o Coronel Marinho, ex-dirigente da Federação Paulista de Futebol (FPF).

A troca oficializada nesta terça concretizou a quarta mudança na Comissão de Arbitragem em quatro anos. A primeira troca foi a própria saída de Corrêa para a vinda de Aristeu Leonardo Tavares, que ficou menos de um ano na função. O substituto foi demitido depois de conceder entrevista polêmica em que revelou denúncias de manipulação de resultados.

Depois de Tavares, Antônio Pereira da Silva assumiu a presidência, cargo em que permaneceu por pouco mais de um ano, até a volta de Corrêa. O dirigente, desligado nesta terça, foi árbitro da CBF entre 1989 a 2000 e presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo.

Coronel Marinho terá como vice-presidente o mineiro Alício Pena Júnior. Também farão parte da Comissão os ex-árbitros Cláudio Cerdeira e Ana Paula Oliveira. As alterações incluem também a Escola Nacional de Árbitros de Futebol (ENAF), que passará a ser comandada por Manoel Serapião Filho.

Coronel Marinho chefiou a arbitragem da Federação Paulista de Futebol por 11 anos, até 2016. A saída dele se deu após erro na escala de árbitros para jogos da Copa São Paulo de Futebol Junior.


 

Vamos em frente. Até qualquer momento!

Sérgio Corrêa reassume CA – 14/05/2014

Sérgio Corrêa retorna a comissão de arbitragem após pedido de saída de Antônio Pereira.

13/05/2014 16h39 – Atualizado em 13/05/2014 16h51

Sérgio Corrêa da Silva retorna ao comando da Comissão de Arbitragem

Antigo presidente, Antônio Pereira da Silva vai para Escola Nacional de Arbitragem

Pela terceira vez em menos de dois anos, a CBF alterou o comando da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf). Nesta terça-feira, a entidade divulgou o nome de Sérgio Corrêa da Silva como novo presidente da entidade que regula a arbitragem brasileira. O antigo mandatário, o goiano Antônio Pereira da Silva, passa a comandar a Escola Nacional de Arbitragem, cuja diretora-secretária será a ex-auxiliar Ana Paula Oliveira.

Sérgio volta ao cargo que deixou em agosto de 2012, quando foi demitido (vide nota do AO ao final) por José Maria Marin. À época, os erros constantes da arbitragem no Brasileirão, como os que ocorreram no clássico entre Santos e Corinthians pela 18ª rodada, ocasionaram sua queda.

Aristeu Leonardo Tavares o substituiu e permaneceu no comando da Comissão até fevereiro do ano passado, quando também foi demitido (vide nota do AO ao final) após conceder uma entrevista polêmica ao jornal “O Popular”, na qual revelava denúncias de manipulação de resultados. Antônio Pereira da Silva estava à frente da entidade desde então.

Sérgio Corrêa foi árbitro da CBF entre 1989 a 2000. Foi presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo. Sua primeira passagem pela presidência da Conaf começou em 2007. Sérgio também dirigiu a Escola de Árbitros da Federação Paulista de Futebol e foi um dos fundadores da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol.

 

Confira os novos membros da Comissão Nacional de Arbitragem:

Sérgio Corrêa da Silva – presidente
Nílson de Souza Monção – vice-presidente
Antônio Pereira da Silva – secretário
Alício Pereira Júnior – membro

Escola Nacional de Arbitragem de Futebol (ENAF)

Antônio Pereira da Silva – diretor-presidente
Ana Paula da Silva Oliveira – diretora-secretária

Corregedoria de Arbitragem

Edson Rezende Oliveira – Corregedor

Ouvidoria de Arbitragem

Paulo Jorge Alves


Nota: Em ambos os casos, não houve demissão, mas pedidos de exoneração.


Vamos em frente e até qualquer momento!


Referência: http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2014/05/sergio-correa-da-silva-retorna-ao-comando-da-comissao-de-arbitragem.html

CA – 26/02 a 04/02/2013

Árbitro profissional entre 1982 e 2002 – integrou o quadro da CBF por 15 anos e o da Fifa por oito – Tonhão, como é conhecido, assume CA

Com pedido de saída de Aristeu, CA tem Edson Rezende como interino.

quarta-feira, 27 de fevereiro 2013

A arbitragem brasileira parece passar por um dilema interminável, tanto dentro como fora de campo. Se nos gramados os erros e as reclamações dos clubes geram polêmica em torno dos “homens do apito”, nos bastidores a situação não é menos tensa.

O novo problema atende pelo nome de Aristeu Leonardo Tavares, que comandava a Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf) da CBF e foi sumariamente demitido (vide nota do AO ao final),  nesta terça-feira (26). Quem assume a presidência, de forma interina, é o corregedor de arbitragem Edson Rezende.

Aristeu Tavares foi desligado após conceder polêmica entrevista ao jornal “O Popular”, de Goiás, durante uma avaliação de árbitros na região. Tavares revelou que a ouvidoria da Conaf teria recebido várias denúncias de manipulação de resultados no futebol brasileiro e que todas foram repassadas ao Ministério Público. Mesmo assim, segundo o ex-presidente, os juízes e assistentes suspeitos continuam a comandar partidas. A declaração do coronel da Polícia Militar caiu como uma bomba na CBF.

Aristeu Tavares assumiu a presidência da Conaf em agosto de 2012, substituindo Sérgio Corrêa, dispensado devido aos constantes erros de arbitragem no Brasileirão.

Nota: Aristeu não foi demitido, ele solicitou.


04/04/2013 19h12 – Atualizado em 04/04/2013 19h41

Antônio Pereira da Silva assume CA

Ex-árbitro vai substituir Aristeu Tavares

Por GLOBOESPORTE.COM, Rio de Janeiro

A CBF confirmou nesta quinta-feira que o ex-árbitro goiano Antônio Pereira da Silva é o novo presidente da Comissão Nacional de Arbitragem. Ele vai substituir Aristeu Tavares, demitido em fevereiro após conceder polêmica entrevista ao jornal goiano “O Popular”, na qual afirma que a comissão recebeu diversas denúncias sobre árbitros que estariam envolvidos em manipulação de resultados no Brasil.

A confirmação aconteceu após o encontro de Antônio Pereira da Silva com o presidente da CBF, José Maria Marin, e com o vice, Marco Polo Del Nero, na tarde desta quinta-feira, na sede da entidade, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Árbitro profissional entre 1982 e 2002 – integrou o quadro da CBF por 15 anos e o da Fifa por oito -, Tonhão, como é conhecido, ocupou em Goiás a presidência da Comissão Estadual de Arbitragem, ligada à Federação Goiana de Futebol (FGF). Ele já foi vice-presidente da Anaf, e em agosto do ano passado assumiu a vice-presidência da Conaf.

Após a demissão de Aristeu Tavares, o também ex-árbitro Edson Rezende, responsável pela corregedoria da entidade, assumiu interinamente o cargo. A ideia do presidente da CBF, José Maria Marin, era que Edson fosse efetivado. No entanto, ele não aceitou o convite.

Nota: Aristeu Tavares não foi, mas sim solicitou sua saída.


Vamos em frente e até a próxima!


Foto: Rafael Ribeiro – CBF

Referência: http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2013/04/antonio-pereira-da-silva-assume-comissao-nacional-de-arbitragem.html

 

Aristeu Tavares assume CA – 22/08/2012

“O trabalho que está sendo desenvolvido na arbitragem vai render bons frutos. Vamos começar com dois objetivos, que são minimizar o erro e apresentar novos árbitros”

CBF muda presidente da Comissão de Arbitragem e nomeia Aristeu Tavares

Antigo chefe do setor, Sérgio Corrêa vai chefiar o recém-criado Departamento de Arbitragem

 

Rio –  O presidente da CBF, José Maria Marin, anunciou nesta quarta-feira mudanças na Comissão de Arbitragem da CBF, que agora será comandada por Aristeu Leonardo Tavares, em substituição a Sérgio Corrêa.

O antigo comandante da comissão vai passar a chefiar o Departamento de Arbitragem, que foi criado nesta quarta-feira e será uma seção complementar, com o objetivo de “assessoar, implementar as decisões, bem como realizar todas as tarefas administrativas, relacionadas à arbitragem, que forem adotadas pela Comissão de Árbitros”, de acordo com a portaria divulgada pela CBF.

Marin, que mostrou seu descontentamento com a arbitragem após o clássico entre Santos e Corinthians, no último domingo, voltou a afirmar a intenção de minimizar os erros. “Procurar melhorar o nível da arbitragem é um compromisso de honra assumido no primeiro dia da minha administração. Essas mudanças têm o objetivo de continuar nessa busca, que tenho certeza que vamos conseguir”, declarou Marin.

Novo presidente da comissão, Aristeu mostrou confiança que poderá mostrar os resultados pretendidos por Marin. “O trabalho que está sendo desenvolvido na arbitragem vai render bons frutos. Vamos começar com dois objetivos, que são minimizar o erro e apresentar novos árbitros”, declarou.

 

CA – 30/09/2005 a 07/08/2007

“Como presidente da comissão, desenvolveu várias ações e cursos no sentido de aprimorar e modernizar a arbitragem brasileira…”

Edson Rezende deixa a Comissão de Arbitragem da CBF

Secretário-geral da Escola de Árbitros da FPF, Sérgio Corrêa da Silva assume o cargo interinamente

07 Agosto 2007 | 16h26

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou, na tarde desta terça-feira, a demissão de Edson Rezende de Oliveira da presidência da Comissão de Arbitragem. De acordo com a entidade, a saída foi motivada por problemas particulares. Interinamente, o cargo será assumido por Sérgio Corrêa da Silva, secretário-geral da Escola de Árbitros da Federação Paulista de Futebol.   No comando da Comissão de Arbitragem desde outubro de 2005, após a saída de Armando Marques, Edson Rezende teve seu trabalho elogiado por Ricardo Teixeira, presidente da CBF.   “Como presidente da comissão, desenvolveu várias ações e cursos no sentido de aprimorar e modernizar a arbitragem brasileira. Tenho certeza de que o trabalho, agora sob o comando do Sérgio Corrêa da Silva, continuará sendo desenvolvido com a mesma preocupação de melhorar o nível da nossa arbitragem”, disse o dirigente.   Sérgio Corrêa da Silva faz parte da Comissão de Arbitragem da CBF, que tem todos os seus integrantes mantidos, desde fevereiro de 2006.


30/09/2005 – 15h18

Armando Marques pede demissão da CBF e Edson Resende assume

Da Redação – No Rio de Janeiro

O diretor de arbitragens da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Armando Marques, pediu demissão na tarde desta sexta-feira. A saída do ex-árbitro foi confirmada pela entidade que comanda o futebol brasileiro.

Edson Resende, que é diretor do departamento de arbitragens da CBF e também ex-árbitro, vai assumir o cargo interinamente. A confederação vai buscar um novo nome para exercer a função em definitivo.

Armando Marques não resistiu à pressão após o escândalo da manipulação de resultados de jogos de futebol envolvendo dois árbitros do quadro da CBF: Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon.

A intenção da CBF era retirar poder de Armando Marques à frente da comissão de arbitragem, mas não pretendia demití-lo. O pedido do ex-árbitro acabou ajudando a entidade na tentativa de dar respostas aos escândalo divulgado pela revista Veja desta semana.

O interino Resende já exerceu o cargo de diretor de árbitros da CBF, substituindo Armando Marques. Foi em 2002, quando Marques foi suspenso pelo STJD. Marques foi acusado por Alfredo dos Santos Loebling de ordenar que o árbitro modificasse a súmula do jogo Figueirense x Caxias, pela última rodada da fase final da Série B de 2001.

Depois do julgamento, Marques foi absolvido pelo STJD e voltou ao cargo. Loebling não apitou mais.

Atualizada às 17h27

 


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Referência: http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,edson-rezende-deixa-a-comissao-de-arbitragem-da-cbf,30874