VAR de 1999 – Espanha

Espanhol afirma que inventou o VAR há 20 anos e exige indenização da Fifa

https://extra.globo.com/esporte/copa-2018/espanhol-afirma-que-inventou-var-ha-20-anos-exige-indenizacao-da-fifa-22838744.html

O árbitro de vídeo, chamado de VAR, tem tido papel importante em muitas partidas na Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Porém, um espanhol está indignado com o uso da tecnologia, mas não porque prejudicou a seleção do seu país. Conforme o jornal “Marca”, Francisco López afirma ter criado o sistema de arbitragem em vídeo em 1999, ou seja, há quase 20 anos, por isso promete ir à Justiça para processar a Fifa.

López teria apresentado a ideia no Ministério de Educação e Cultura com o seguinte título: O futebol no século XXI (Tecnologia de futuro para as equipes de arbitragem).

“Vou exigir 15 milhões de euros (R$ 67 milhões), cinco anos a três milhões por ano. Tenho todas as provas. Não queria nada, nem um euro, mas o egoísmo com que age a Fifa. Com uma só chamada para mim eles teriam resolvido tudo, mas o ego é maior”, afirmou o espanhol.

O VAR vem causando diversas polêmicas nesta Copa do Mundo, inclusive contra o Brasil, no duelo diante da Suíça, na estreia das equipe no Mundial. Nesta sexta-feira, quase duas semanas após um pedido formal da CBF, a Fifa revelou detalhes da comunicação entre o árbitro de campo e equipe do Árbitro de Vídeo (VAR) no polêmico gol de Züber no empate entre Suíça e Brasil. O ex-árbitro Pieruggi Collina, chefe do Comitê de Arbitragem da Fifa, revelou o áudio numa apresentação para jornalistas.

Collina exibiu vídeos com este e outros lances que tiveram atuação do VAR nesta Copa do Mundo. Ao mencionar o episódio na estreia da seleção brasileira, o italiano ponderou antes de mais nada que “existem contatos que não são falta” no futebol.

Collina destacou também que as reclamações dos jogadores brasileiros por um empurrão de Züber em Miranda só acontecem depois que o telão do estádio de Rostov, ao exibir o replay do gol, mostra a disputa entre zagueiro e atacante em câmera lenta.

VAR em 1978

A história da arbitragem de vídeo na NFL

https://ligados32.lance.com.br/a-historia-da-arbitragem-de-video-na-nfl/

Estamos no meio da copa do mundo do futebol da bola redonda e esta edição está entrando para história por ser a primeira a apresentar um modelo de revisão de arbitragem através de imagens, o tão falado VAR (sigla para o inglês Video Assistant Referee ou árbitro assistente de vídeo). Mas enquanto o futebol ainda engatinha no uso de tecnologia para auxiliar o jogo, outros esportes em nível mundial já utilizam destas técnicas faz tempo, como vôlei e tênis. E é claro, todas as grandes ligas norte americanas também aplicam o uso de tecnologia no auxílio da arbitragem. No caso da NFL, o assunto surgiu há muito, muito tempo.

Assim como está acontecendo hoje no futebol, na NFL também houveram debates sobre a tecnologia  sendo envolvida no jogo, com tradicionalistas hesitantes em interferir na pureza do esporte (sendo que consideravam o erro humano parte dele), enquanto outros estavam ansiosos para utilizar tudo o que a tecnologia tem a oferecer para melhorar o jogo. Porém essas discussões iniciaram no final da década de 40, quando os jogos começaram a ser televisionados.

Os primeiros testes do uso de replays ajudando a arbitragem ocorreram em 1976 e 1978, com o objetivo inicial de verificar quanto tempo demoraria para a revisão ocorrer. Na pré-temporada de 1978 o sistema foi utilizado em sete jogos e o funcionamento deixou à desejar. Ainda era muito caro para instalar a tecnologia em todos os estádios e ela em si ainda não estava avançada o suficiente para ser aplicada com sucesso. Desta forma, o assunto foi pausado e voltou apenas na metade da década de 80.

Em 1985 foi realizado um novo teste, desta vez em 8 jogos de pré-temporada e os resultados apresentados foram muito mais promissores, a ponto dos donos das franquias votarem em 1986 o uso da revisão de arbitragem para a temporada, com 23 votos à favor, 4 contra e uma abstenção. Para acalmar tradicionalistas, foi acordado que a decisão valeria apenas para a temporada de 1986, havendo necessidade de nova votação para as próximas temporadas. Na época ainda não existia a opção dos técnicos desafiarem alguma marcação. As revisões eram realizadas por um oficial que ficava no próprio estádio. Neste modelo, as seguintes jogadas eram cabíveis de revisão:

  • Jogadas de posse de bola: fumbles, recepções, interceptações ou um jogador inelegível recebendo um passe.
  • Jogadas envolvendo as linhas de gol, laterais, do fundo do campo ou de scrimmage.
  • Qualquer infração que possa ser facilmente detectável, como mais de 11 jogadores em campo.

Em 1986, foram feitas uma média de 1,6 revisões por jogo, com apenas 10% acabando em reversão de jogada. O uso da técnica foi reaprovado para 1987 e continuou com este formato até 1991, quando a NFL decidiu novamente por deixar de utilizá-la. O motivo foi a falta de efetividade: entre 1986 e 1991 apenas 12,6% das jogadas revisadas foram revertidas e em 1991 10% das chamadas foram incorretas. Porém, as discussões sobre o assunto nunca pararam.

Na pré-temporada de 1996 foi feito um novo teste, este com regras um pouco mais próximas do  que estamos acostumados hoje. Os técnicos poderiam desafiar as decisões da arbitragem (3 desafios por tempo, cada um custando um pedido de tempo) e agora as revisões cobriam três categorias: jogadas de pontuação, número de jogadores em campo e decisões se o lance aconteceu dentro ou fora de campo. Em 1999, após algumas revisões e ajustes, a arbitragem de vídeo voltou para NFL, agora para ficar.

De lá pra cá os métodos de revisão tem evoluído acompanhando a tecnologia. Se antes eram vídeo cassetes que gravavam as jogadas para revisão dos árbitros (em uma telinha de 9 polegadas), agora as revisões são feitas em telas touch-screen de alta resolução, com opções para pausar e aproximar a imagem. Em 2004, foi adicionada a premiação de uma terceira revisão à técnicos que acertaram suas duas primeiras revisões (hoje praticamente qualquer jogada pode ser desafiada, com exceção de faltas) e em 2007 os donos das franquias votaram a permanência definitiva da revisão de arbitragem na NFL (até então, uma nova votação era realizada todo ano, assim como nos anos 80). A tabela abaixo mostra a evolução da quantidade de revisões e principalmente da quantidade de jogadas revertidas.

Ano Jogos Total de jogadas revisadas Média de revisões/jogo Total de jogadas revertidas % de jogadas revertidas Tempo médio por revisão 

1999

248 195 0.8 57 29% 2:54
2000 248 247 1.0 84 34% 3:05
2001 248 258 1.0 89 34% 3:04
2002 256 294 1.1 94 32% 3:01
2003 256 255 1.0 66 26% 3:13
2004 256 283 1.1 88 31% 3:18
2005 256 295 1.2 92 31% 3:16
2006 256 311 1.2 107 34% 2:37
2007 256 327 1.3 122 37% 2:38
2008 256 315 1.2 117 37% 2:40
2009 256 328 1.3 126 38% 2:39
2010 256 361 1.4 133 37% 2:42
2011 256 390 1.5 172 44% 2:30
2012 256 435 1.7 170 39% 2:33
2013 256 423 1.7 185 44% 2:25
2014 256 439 1.7 151 34% 2:13
2015 256 415 1.6 176 42% 2:16
2016 256 345 1.3 149 43%

2:25

Na temporada de 2014, oficiais sênior começaram a ajudar os árbitros dentro de campo diretamente da central em Nova Iorque, na Art McNally GameDay Central, nomeada em homenagem ao diretor de arbitragem de 1976, pioneiro em testes de uso de vídeo no auxílio aos árbitros. A revisão de arbitragem segue a tecnologia e está sempre em evolução.

Estas mudanças não aconteceram de uma hora para outra na NFL. Considerando os primeiros debates, foram 50 anos até a aplicação definitiva da tecnologia auxiliando o jogo. Apenas de testes foram mais de 20 anos. Toda a implementação desse sistema na liga foi feito com toda a cautela que é necessária para acalmar a mente dos mais tradicionais e garantir que tudo seja aplicado da melhor forma possível. Paciência foi uma virtude importantíssima e hoje os frutos são colhidos.

Alberto Helder 12/01/2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

USO DE TECNOLOGIA NAS ARBITRAGENS DE FUTEBOL – POR MANOEL SERAPIÃO FILHO

Este meu bom amigo (na foto, obtida em pleno Maracanã) apresentou recentemente no Rio de Janeiro, no Footecon-2009, o trabalho que a seguir se reproduz, tal e qual foi exposto.
Sobre este assunto será interessante recolher a opinião dos leitores, razão porque se solicita que, por obséquio, expresse o seu parecer no local apropriado (Comentários). Ficamos a aguardar a sua valiosa contribuição.
OBJETIVO
Evitar erros de arbitragem em LANCES DECISIVOS e possibilitar que os resultados das partidas e/ou das competições SEJAM SEMPRE LEGÍTIMOS.
VANTAGENS

Haveria vantagens desde o campo social ao econômico e, principalmente, no ético. Uma delas, todavia, merece destaque: diminuição da pressão psicológica exercida sobre os árbitros, que lhes prejudica o controle emocional e, pois, acarretam as conseqüências negativas que todos sabem.

CONDICIONANTES

A aplicação da tecnologia, porém, não pode dar-se incondicionalmente.
Deve, assim, submeter-se às condições abaixo:
I) que os princípios básicos da atual sistemática de arbitragem não sejam alterados;
II) que não haja perda de tempo com paralisações dos jogos para consultas e que haja o mínimo possível de interferência na arbitragem pela pessoa encarregada da ajuda tecnológica – “Assistente de vídeo – AV”;
III) que não haja diminuição da dinâmica do futebol; e
IV) que as decisões que exigem interpretação continuem sendo de competência exclusiva dos Árbitros e de seus Assistentes.

DIRETRIZES 

Em conseqüência das mencionadas condicionantes, a aplicação da tecnologia deve dar-se de acordo com as diretrizes adiante:
a) os Árbitros continuariam trabalhando da maneira atual, sem, portanto, alterar a forma e a essência das arbitragens, especialmente sem que o princípio da imediatidade das decisões fosse afetado.
b) os Árbitros jamais fariam qualquer consulta à pessoa encarregada do recurso tecnológico – “Assistente de vídeo – AV” –, ainda que o jogo estivesse paralisado;
c) o “Assistente de vídeo – AV”, de seu turno, só atuaria quando o jogo estivesse paralisado. Haveria, apenas, três únicas exceções: bola que entrasse na meta sem que o gol fosse marcado; gol evitado com mão clara; e casos de agressão física (conduta violenta). Isso, porém, se o jogo já não estivesse paralisado por outro motivo; e
d) o “Assistente de vídeo – AV” só atuaria em lances exatos, de fato, não de interpretação. A única exceção a essa regra seria o impedimento por “interferir no adversário”, que, ao lado de envolver situação de fato – estar em posição de impedimento -, também exige interpretação quanto à influência.

FORMA, LANCES E PROCEDIMENTO

Seria designado um “Assistente de Vídeo – AV”, com atribuição de, utilizando-se de filmagem em tempo real e com possibilidade de imediato replay, decidir os seguintes e importantes lances de fato, isto é, que não exigem interpretação:
1) lances de dúvida sobre se a bola entrou ou não na meta.
O “AV” só atuaria para informar que houve gol, se a bola entrasse na meta e não houvesse marcação e para corrigir erro de marcação de gol sem que a bola houvesse entrado na meta.
Observe-se, por muito importante, que a última hipótese – marcação de gol sem que a bola houvesse entrado na meta – seria muito rara, senão inexistente, porquanto, cientes da ajuda tecnológica, os árbitros só marcariam gol com absoluta convicção, ou seja, quando a bola entrasse claramente na meta, de modo a evitar paralisação indevida do jogo e, sobretudo, para não frustrar uma nova oportunidade de gol que poderia surgir no lance seguinte.
2) impedimentos.
Doravante, os Árbitros e Árbitros Assistentes, por igual, só marcariam impedimento se tivessem absoluta convicção. Não marcariam, portanto, os lances ajustados, os que ocasionassem dúvida, possibilitassem erro.Nesses casos – de dúvida, de possibilidade de erro –, nada seria marcado pelos árbitros. Se, todavia, houvesse impedimento e o jogador impedido fizesse gol ou sofresse pênalti, ou, ainda, se possibilitasse que tais lances (gol ou pênalti) ocorressem imediatamente na jogada seguinte, com um companheiro a quem passasse a bola, o “Assistente de Vídeo” atuaria e o impedimento seria marcado.

Ressalve-se, porém, que se qualquer desses lances não ocorresse – gol ou pênalti – o “AV” não atuaria e o jogo não seria interrompido, aumentando, assim, a dinâmica do futebol, ao contrário do que hoje ocorre com freqüência, pois há muita marcação de impedimento inexistente.

Registre-se, nesse passo, que as marcações de impedimentos inexistentes cortam oportunidade de gols, que podem subverter os resultados das partidas. Dano irreparável!

Também deve ser reiterado que o impedimento consistente em “interferir no adversário”, que é um misto de fato (estar em posição de impedimento) e de interpretação (interferir no adversário), seria, quanto a esta faceta, a única atuação do “AV” no campo da interpretação.

Recorde-se, ademais, que a atuação do “Assistente de Vídeo” em lances de impedimento só se daria quando o jogo já estivesse paralisado, ou seja, quando fosse marcado um gol ou um pênalti.

Não haveria, portanto, interrupção da partida nem diminuição de sua dinâmica em razão da atuação do “AV”.3) saídas da bola pela linha de meta que não fossem marcadas.

O “Assistente de vídeo” só atuaria para indicar que a bola saiu. Essa atuação, porém, só se daria se na mesma jogada ou imediatamente na seguinte fosse feito um gol ou cometido um pênalti.

Note-se que, à semelhança dos lances dos itens 1 e 2, os árbitros só atuariam com absoluta convicção, de modo a não paralisar o jogo sem que a bola houvesse efetivamente saído.

Também deve ser observado que apenas a marcação equivocada de saída de bola seria prejudicial ao futebol, porquanto o gol marcado após a saída de bola seria anulado pelo “AV”.

4) tiros livres diretos a favor do ataque, ocorridos dentro ou fora da área de pênalti.
O “AV” só atuaria se a falta fosse marcada no local errado (se dentro da área fosse marcada fora e se fora marcada dentro). Correção apenas de erro de fato. A marcação das faltas, por requererem interpretação, como é da filosofia deste trabalho, continuariam sendo atribuição exclusiva dos árbitros.5) gols marcados ou evitados com mão clara e mão clara que possibilitasse marcação de gol ou de pênalti, desde que na mesma jogada ou imediatamente na seguinte.
O “Assistente de vídeo” só atuaria em lances que não exigissem interpretação, quer dizer, quando, pela clareza da mão, houvesse certeza de que não foi marcada porque não foi vista. Reforce-se que, se houvesse necessidade de interpretação, ou seja, se teria sido bola-na-mão ou mão-na-bola, o “AV” não atuaria.

O lance de mão clara que gerou o gol da França contra a Irlanda, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, e o gol evitado com mão clara no jogo entre Brasil e Egito na Copa das Confederações de 2009 são exemplos insuperáveis para legitimar e impor uso da tecnologia.

6) agressões físicas (conduta violenta) não percebidas pela arbitragem.
O “Assistente de vídeo” atuaria de imediato para impedir que o agressor continuasse em campo e pudesse beneficiar sua equipe. Essa imediatidade da atuação do “AV”, todavia, não poderia prejudicar a aplicação da lei da vantagem.

CONSIDERAÇÕES DE CUNHO GERAL

I) O processo poderia ser iniciado imediatamente e sem custo adicional. Para tanto, bastaria disponibilizar um simples monitor para que o “Assistente de vídeo” se utilizasse das mesmas imagens que hoje denunciam e provam os erros e acertos das arbitragens.
II) A absoluta convicção a que nos referimos, para lances ajustados, evitaria tanto paralisações indevidas do jogo, como frustração de oportunidades de gol. A absorção dessa filosofia seria muito fácil, porque todos os árbitros estariam contando com o “AV” para corrigir eventuais irregularidades.
III) A afirmação de que o principio da imediatidade das decisões das arbitragens não seria afetado nasce da constatação de que o tempo que transcorre entre uma paralisação do jogo e seu reinício, após um lance decisivo, é bem superior ao tempo que o “AV” necessitaria para atuar.
De outro lado, mesmo quando o “AV” paralisasse o jogo, a importância dos lances que o autorizariam – bola que entrasse na meta sem que o gol fosse marcado; gol evitado com mão clara; e casos de agressão física – justificariam, plenamente, qualquer perda de tempo, ainda que grande, embora as correspondentes decisões e informações possam ser tomadas e prestadas pelo “AV” em quatro ou cinco segundos, no máximo.
IV) O “Assistente de Vídeo – AV” não se manifestaria sobre lances que as imagens não elucidassem claramente ou mesmo quando ele próprio ficasse em dúvida. Nesses casos, a decisão da arbitragem seria definitiva. Note-se que o “AV” não ficaria em dúvida, tampouco que as imagens jamais deixariam de elucidar lances abertos, claros. Desse modo, os erros grosseiros, que causam revolta e diminuem a credibilidade do futebol, seriam sempre evitados.
V) Os Árbitros e Árbitros Assistentes precisariam de simples orientações para se ajustarem ao processo. Os “Assistentes de vídeo”, todavia, necessitariam de treinamento mais aprofundado, para saberem em que lances e em que oportunidades deveriam, efetivamente, atuar, de modo a não interferir no trabalho dos árbitros e no desenvolvimento das partidas. Lances ilustrativos ajudariam no treinamento de ambos.
VI) Como o “Assistente de vídeo” deveria ter conhecimento profundo das regras de futebol e muita prudência, somente árbitros bem experientes e/ou ex-árbitros de reconhecida capacidade deveriam exercer a função.
VII) A impossibilidade de uso geral e simultâneo da tecnologia no futebol não constitui obstáculo para se dar início ao processo onde for possível.
Primeiramente, porque o princípio da igualdade, que é próprio e indispensável nas competições, não seria afetado, pois o erro de arbitragem evitado em um jogo não interfere, absolutamente, no resultado de outro.
Prova disso, aliás, é que a designação de árbitros do quadro da FIFA e do quadro básico, para partidas de uma mesma competição – o que, indiscutivelmente, caracteriza diferença – não quebra esse princípio da igualdade nem torna ilegítimos os resultados dos jogos, ainda que haja erro de arbitragem em um e não ocorra em outro.
Depois, porque nada da evolução do homem e do mundo ocorre ao mesmo tempo e em todos os lugares. Tudo obedece a um processo natural de evolução.
Ressalve-se, porém, que o ideal seria usar tecnologia em todas as partidas de uma competição, embora nada obste a que isso ocorra, por hipótese, apenas em fases finais, em jogos decisivos.
VIII) Embora a pretensão de se utilizar assistentes por trás das balizas já revele quebra do obstinado conservadorismo da FIFA, suponho que os efeitos não serão tão eficazes quanto os da tecnologia, sem nos esquecermos da elevação das despesas e da suspeição que poderia recair sobre tais assistentes quando deixassem de marcar um gol, em razão da velocidade desenvolvida pela bola.
Por igual, não se pode esquecer dos conflitos de interpretação que poderiam ser gerados, acaso, como se fala, a FIFA decida destinar a tais assistentes atribuições outras que não as de apenas definir se a bola entrou ou não na meta.
IX) Por fim, conjecturo que, uma vez absorvida essa inovação pela cultura do futebol, a tecnologia será estendida até para lances de interpretação, quando ocasionem erro que a ética não possa tolerar.
O processo de evolução do mundo é irreversível e o futebol não pode ser o único seguimento a rejeitá-lo. Afinal, o homem correto clama por justiça em todos os atos e fatos da vida!
Assim, é só esperar, mas não por muito tempo, que a tecnologia será usada, para o bem das arbitragens e da ética do futebol.

MANOEL SERAPIÃO FILHO
Ex-árbitro FIFA – Filiado na Federeção Baiana de Futebol
Actual Membro e instrutor da Comissão de Arbitragem da CBF-Confederação Brasileira de Futebol

NOTA: Manoel Serapião, face à sua formação cívica, desportiva e académica, é um profundo estudioso das leis do futebol, razão porque me colocou algumas questões que tratei de desenvolver, ouvindo consagrados na matéria em Portugal.

A primeira vez…

Felipe Lima, de Pouso Alegre, apita sua primeira partida no Brasileirão Série A

Magson Gomes
03/08/2019

Estreia de Felipe Lima na séria A será no jogo entre Grêmio e Chapecoense. Foto: FMF

A 13ª rodada do Campeonato Brasileiro que começa neste sábado (03) tem a estreia de um pouso-alegrense em campo. Será a primeira vez que o árbitro Felipe Fernandes Lima irá apitar uma partida da Série A. O educador físico, de 32 anos, já faz parte do quadro de árbitros da CBF e vem atuando como quarto árbitro do Brasileirão, além de ser o central em partidas de outras divisões.

A Federação Mineira de Futebol (FMF) divulgou a notícia em suas redes sociais parabenizando a estreia de Felipe Lima como principal árbitro de um jogo da Série A do Brasileirão.

“O Futebol Mineiro terá domingo de destaque no Campeonato Brasileiro. Além do Superclássico Atlético x Cruzeiro, no Independência, teremos a estreia de um nome que surge como grande promessa da arbitragem nacional”, publicou a FMF que ainda completou que a oportunidade chegou “após grandes atuações em campeonatos estaduais e em divisões inferiores, a chegada de mais um oficial à elite do nosso futebol reforça a importância do trabalho de renovação e estruturação da arbitragem realizado em Minas Gerais”.

Na verdade, a partida de estreia de Felipe Lima no apito será na segunda-feira (05), entre Grêmio e Chapecoense, em Porto Alegre, fechando a 13ª rodada. Ele será o árbitro entral, auxiliado pelos também mineiros Guilherme Dias Camilo e Sidmar dos Santos Meurer.

Começo em quadras

Felipe Lima começou na arbitragem em quadras de futsal e campos de futebol amador de Pouso Alegre. Também trabalhou na Taça EPTV de Futsal, até entrar para o quadro da FMF. Formado em Educação Física, Felipe não parou de estudar e se especializar. Durante a parada da Copa América ele participou de mais um curso da CBF de capacitação para árbitros de vídeo.

“Foque se nos objetivos, esforce se para lutar por eles e cultive a fé para nunca desistir de os alcançar”, escreveu Felipe em uma de suas publicações nas redes sociais.

Felipe Lima durante curso da CBF em Águas de Lindóia. Foto: reprodução

Felipe Lima, de Pouso Alegre, apita sua primeira partida no Brasileirão Série A


A arbitragem melhorou com o VAR

https://veja.abril.com.br/placar/relatorio-da-cbf-confirma-a-arbitragem-brasileira-melhorou-com-o-var/

Relatório da CBF confirma: a arbitragem brasileira melhorou com o VAR

Dados divulgados pelo chefe da Comissão de Arbitragem mostram que o índice de acerto dos juízes subiu em relação ao ano passado, graças ao árbitro de vídeo

Um dos protagonistas do Campeonato Brasileiro até a parada para a realização da Copa América, o árbitro de vídeo causou estranheza nas primeiras nove rodadas da competição. O público que assiste futebol pela TV ou frequenta os estádios por aqui ainda não se acostumou com o tempo que os árbitros levam para rever as decisões com o auxílio do VAR – a demora, inclusive, é algo que se repetiu na Copa América disputada no país. Apesar das críticas e dos problemas – que voltaram a acontecer na noite desta quarta-feira pela Copa do Brasil –, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou um balanço parcial no qual ficam evidentes os benefícios da adoção da tecnologia no futebol nacional.

Leonardo Gaciba, presidente da comissão de arbitragem da CBF, apresentou um relatório sobre a utilização do VAR na Comissão do Esporte da Câmara a pedido de um ex-colega de apito. A audiência pública foi solicitada pelo ex-árbitro e deputado paranaense Evandro Rogério Roman (PSD-PR). É bom deixar claro que os políticos brasileiros não têm qualquer autoridade para alterar as regras do futebol. Roman teve protagonismo em sua carreira de juiz, atuando em jogos da primeira divisão nacional e em disputas internacionais na década passada.

Pelos números apresentados por Gaciba, tudo vai bem. Nos primeiros 89 jogos do Campeonato Brasileiro, 40 erros foram corrigidos por intervenção do VAR. O índice de acerto da arbitragem nos lances passíveis de uso da tecnologia (gols, expulsões, pênaltis e erros de identificação) subiu de 57,4% (dados de 2018, quando a tecnologia ainda não era utilizada) para 97,1% nas primeiras nove rodadas do Brasileirão 2019. Só nas situações de penalidades, os árbitros registraram até agora 91,4% de acerto (era de 57,4% em 2018, sem o VAR). Em relação aos impedimentos, mais uma diferença gritante: 93,4% a 85,7%.

O chefe da arbitragem da CBF projeta que a interação homem-máquina tem margem para evolução e que a utilização do VAR ainda vai melhorar. “A ideia é interferir o mínimo possível. Vamos tentar melhorar um pouco o tempo gasto nas revisões, sem nunca abrir mão da precisão. Mas para poder melhorar a fluência do jogo”, ponderou. Resta saber se os árbitros vão conseguir alcançar o patamar dos europeus e tomar as decisões corretas sem ter que parar a partida por vários minutos.

Futebol mais justo!

CBF EM DEFESA DO VAR: ‘TORNA FUTEBOL MAIS FRIO? SIM. E MAIS JUSTO’

Presidente da Comissão de Arbitragem da entidade, ex-juiz e comentarista Leonardo Gaciba diz que, em 2019, Brasil vai somar o maior número de jogos no mundo com auxílio de árbitros de vídeo

O tom de seriedade e a confiança na voz de Leonardo Gaciba retratam bem a posição que o ex-árbitro assumiu no primeiro semestre deste ano. Aos 48 anos – aposentado dos gramados desde os 39 -, o gaúcho deixou a carreira de comentarista para assumir a presidência da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cargo que ocupa desde o dia 9 de abril.

Além da tarefa de preservar a credibilidade e a confiança do torcedor na arbitragem brasileira, o agora dirigente assumiu uma missão ainda maior: pilotar o projeto do VAR, o árbitro de vídeo. A ferramenta, que tem como mote a redução de erros para promover maior justiça dentro de campo, foi implementada no Campeonato Brasileiro com o início da edição 2019.

“A oportunidade que o Campeonato Brasileiro está dando para a arbitragem é espetacular. Vamos terminar o ano com o maior número de jogos do mundo comandados sob o VAR. É uma oportunidade muito grande de crescimento muito rápido. São dez ou até mesmo vinte jogos por semana que nós temos de experiência”,  analisa ele sobre as nove primeiras rodadas com a arbitragem de vídeo. No total, foram 89 jogos disputados.

Durante a parada do Brasileirão, a Fifa e a Conmebol viveram toda sorte de situações envolvendo a ferramenta na Copa do Mundo Feminina e na Copa América. A competição sul-americana, em especial, sofreu críticas tanto pelo uso excessivo, quanto pela ausência do VAR em determinadas partidas. Segundo o dirigente, a aplicação da ferramenta segue um estilo próprio nos jogos do Campeonato Brasileiro.

“Nós temos uma linha de intervenção um pouco diferente no Brasil, é fácil de observar isso. Procuramos utilizar uma linha mais “alta”, um pouco mais do que foi utilizada na Copa América. Mais para erros fáceis de serem observados pela TV e que não tenham lances interpretativos. São duas linhas de intervenção diferentes, mas as nove primeiras rodadas do Brasileirão mostraram bem qual linha a CBF está tomando.”

Para Gaciba, situações como a da partida entre Inglaterra x Camarões, na Copa do Mundo Feminina, são desnecessárias. No jogo, as camaronesas pediam a revisão de um gol legal das inglesas, revoltadas com a anulação de um lance de gol anterior.

“É um processo muito novo o projeto do árbitro de vídeo. O pessoal já está começando a perceber, aqui no Brasil especificamente, que todos os lances que tiverem relevância na partida vão ser observados pelo árbitro de vídeo. Sem sombra de dúvidas, estão sendo checados. Em especial naquela situação de Camarões, por ser um gol, que faz parte do protocolo e tem que ser checado em todos os detalhes. Então, não há necessidade da intervenção dos atletas, porque é protocolar que isso seja feito.”

Entre desafios logísticos, como a homologação de cada estádio com a Internacional Football Association Board para o uso do do VAR, a Comissão trabalha para previnir problemas como o que ocorreu na semifinal da Copa América, quando a arbitragem de vídeo perdeu a comunicação com o campo de forma momentânea antes da partida.

“Nós não tivemos esse problema ainda. Tivemos alguns menores, mas todos contornados antes do jogo, alguns detalhes. Nós temos um sistema de prevenção. Caso haja algum problema, nós temos um plano B, que é um contato através de walkie talkies, no qual a cabine do árbitro de vídeo pode falar com o árbitro reserva, que continua a comunicação com o árbitro do campo. Não tivemos a necessidade de utilizar em nenhum desses 89 jogos, mas é um processo constante em busca da excelência.”

Embora a experiência com a arbitragem de vídeo tenha sido positiva na maior parte do tempo, o Brasileirão já teve sua primeira grande crise envolvendo o VAR.

Na derrota para o Palmeiras por 1 a 0, um pênalti marcado para os paulistas por meio do vídeo revoltou os dirigentes cariocas, que foram ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pedindo a anulação da partida por um suposto erro de direito, já que o jogo já teria sido reiniciado antes da marcação da penalidade, após revisão, o que não seria permitido. O tribunal manteve o resultado.

– Foi feito o julgamento e houve uma vitória de 9 a 0 de que não houve um erro de direito, um erro para suspender a partida. É um processo novo. O mais interessante de tudo é que o tribunal tenha visto que foi feito justiça dentro do que aconteceu. Isso é o mais importante. Não podemos perder a grande justiça, o objetivo geral do VAR, conseguir enxergar o que o árbitro não enxerga dentro do campo de jogo. Foi o que foi feito naquele jogo. Acho que o julgamento foi justo – analisa Gaciba.

Entre novas turmas de árbitros aptos a utilizar o VAR formadas e um índice de acertos em decisões capitais que chega a 97,1%, segundo balanço da própria entidade, a Comissão de Arbitragem comemora o sucesso do início do projeto no Brasileirão. O grande desafio, agora, explica o presidente, é respeitar a fluência do jogo.

“Nós ainda estamos em um processo muito novo. Essa é a luta constante, dar fluência ao futebol. Seria perfeito se não precisasse da ajuda do VAR, mas em algumas situações a gente precisa. Que a gente consiga ser o mais rápido possível, nunca abrindo mão da precisão que o árbitro de vídeo nos dá. Isso é o mais importante, a precisão. Torna o futebol mais frio? Sim, mas sem dúvida, torna o futebol mais justo.”

VAR ou não VAR?

https://leiemcampo.com.br/seria-o-var-o-problema-ou-o-problema-esta-nas-regras-do-jogo/

SERIA O VAR O PROBLEMA, OU O PROBLEMA ESTÁ NAS REGRAS DO JOGO?

Há quem pense que a vinda do VAR solucionaria todos os problemas do futebol (ou a maioria deles), que seria o fim das polêmicas, com os resultados todos legitimados, e a modalidade só ganharia com isso. Porém, depois de sua implantação, até recente, já é possível encontrar quem seja contra o sistema. Muitas críticas têm sido feitas em âmbito não apenas nacional, mas também mundial.

Realmente têm ocorrido lances polêmicos; o VAR entra ou não em cena? Mas muitas vezes passa a sensação de que acabou não ajudando como deveria.

Recordemos que, segundo o protocolo, o VAR entra em ação em quatro situações: lances de penalidades (foi ou não pênalti, dentro ou fora; na cobrança ocorreu infração, a bola entrou ou não); quando um gol for marcado (houve algum tipo de infração – impedimento, falta; a bola entrou ou não); identificação equivocada de um jogador; e cartão vermelho.

É importante citar que no protocolo ainda consta que sua atuação deve ser em “erros claros e óbvios”, mas na regra 5 encontra-se o seguinte texto: “O árbitro deve tomar as decisões do jogo com o máximo de sua capacidade, de acordo com as regras e o ‘espírito do jogo’, segundo sua opinião. Em razão disso, o árbitro tem poder discricionário para adotar as medidas adequadas para cumprir a essência das regras do jogo”.

A frase “segundo sua opinião” mostra que a regra é interpretativa, pois a opinião de um pode ser diferente da de outro, e de outro, e de outro. 

Dessa forma entram algumas perguntas: tenho como questionar uma imagem, um vídeo, uma foto, ou a minha indagação é sobre a interpretação do árbitro ou da regra?

O que a imagem mostra todos estão vendo. Se há confusão, o problema não está no VAR, ou seja, não é a tecnologia que está ali. Pode ser quem está por detrás dela, pois, se cabe interpretações na regra, as opiniões vão divergir, sim. Nem sempre todos terão a mesma visão e tomada de decisão sobre o lance.

Quão claras são as regras para o VAR interferir somente em “erros claros e óbvios”? As diretrizes recebidas pelos árbitros são únicas ou também originárias de interpretações de instrutores sobre as regras, e essas podem divergir entre si?

Se as regras não são claras muitas vezes, se instrutores opinam e também discordam sobre um mesmo lance com a imagem clara e óbvia, se as diretrizes passadas aos árbitros são distintas, citando as questões em que cabem opiniões, entre o árbitro que está no campo e o árbitro de vídeo podem ocorrer percepções iguais ou não sobre a mesma imagem, e isso pode gerar grande polêmica.

Os critérios precisam se encaixar, as diretrizes serem únicas, a comunicação “emissor – mensagem – receptor” não ser uma “brincadeira” de telefone sem fio, a informação chegar à Europa, América, África, Ásia e Oceania de forma igual, o árbitro do norte não receber informações distintas das do sul. 

O VAR é uma realidade. A tecnologia veio para ajudar, mas os ajustes necessários nas regras e nas diretrizes precisam ser feitos para se chegar a uma maior uniformidade nas tomadas de decisões. 

Porém, enquanto na regra constar “segundo a sua opinião” e houver chances para interpretações, as discussões sobre possíveis erros ou acertos seguirão existindo, com ou sem VAR.

Realmente você acredita que um dia as polêmicas chegarão ao fim? Eu tenho as minhas dúvidas se terão fim, mas acredito que possam diminuir.

E ainda existem outros fatores a serem discutidos: o perfil do árbitro em campo e o de vídeo, a cultura futebolística de cada região, são exemplos do que mais pode interferir e diferenciar uma partida da outra.

De repente tudo isso ajuda a tornar o futebol tão apaixonante.

Vamos debater APP?

O dilema do VAR: o gol do Vasco foi bem anulado ou não?

Confira análise da maior polêmica com o árbitro de vídeo no retorno do Brasileirão pós Copa América

RICARDO RÍMOLI/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

ATUALIZADO 15/07/2019 13:08

O Grêmio venceu o Vasco por 2 x 1 no último sábado (13/07/2019). Poderia ser diferente se a arbitragem não anulasse equivocadamente o golaço de Yago Pikachu do Vasco.

A jogada começou logo após o tiro de saída para o segundo tempo. Nem a arbitragem esperava o ataque tão rápido da equipe cruzmaltina. O árbitro Rodolpho Toski validou o gol, inclusive os jogadores do Grêmio não esboçaram qualquer tipo de reclamação e estavam prontos para cobrar o tiro de saída quando Toski pediu para segurar o prosseguimento do jogo. O VAR estava fazendo a checagem e sugeriu a revisão. Lá foi o árbitro ver a imagem no monitor.

Na fase de ataque, prévia ao gol, Rossi, do Vasco, ao disputar a bola com Matheus Henrique, do Grêmio, colocou a mão no rosto dele. Após a análise, o árbitro anulou o gol, deu amarelo para Rossi e marcou a falta a favor do Grêmio. Esse tipo de lance é totalmente interpretativo. Não é lance para o VAR chamar, afinal, houve uma falta clara? Não. E se o árbitro não viu? Provavelmente foi isso que aconteceu, mas o cenário do jogo mostrou que a decisão de campo foi aceita por todos.

 

Cara Fernanda,

Segue o texto sobre a “POSSE EM FASE DE ATAQUE” (ATTACKING PHASE POSSESSION – APP)

Consultas com os stakeholders de futebol sugerem que o futebol espera que só a fase da jogada que leva a um incidente de gol, penalti / DOGSO seja revisado, ou seja, do ponto onde a equipe atacante obteve posse da bola pela última vez e deu início à fase do jogo que levou ao incidente do gol / penalti.

 

Um princípio fundamental é que até a equipe atacante obter a posse da bola, seus adversários tiveram a possibilidade de jogar a bola e, portanto, qualquer evento despercebido antes da perda da posse da bola poderia ter sido evitado. Este conceito é similar à situação normal em futebol, quando a defesa tem possibilidade de jogar a bola eficazmente, mas tenta jogar curto e a bola é interceptada por um atacante que marca

 

– a defesa tinha posse e poderia ter evitado o erro que levou ao gol.

 

A ‘POSSE EM FASE DE ATAQUE (APP)’ NECESSITA QUE O ÁRBITRO (ASSISTIDO PELO VAR) DETERMINE:

 

* o ponto onde a equipe defensora obteve posse da bola, e então;

* o ponto onde ocorreu a fase da jogada que levou ao início do incidente do gol / penalti.

 

“OBTENDO POSSE”

 

Será considerada que a equipe atacante obtém posse da bola quando:

 

* executa um reinício, ou;

 

* adquire a posse da bola numa jogada aberta (nenhuma das equipes tinha a posse), ou;

 

* adquire a posse da bola quando esta foi perdida pelos adversários

(ou seja, um passe ruim, (clearance = liberação), ou;

 

* adquire a posse como resultado de uma disputa com um adversário.

Não se considera que houve posse clara de bola:

* Uma defesa deliberada, desvio ou rebote, pois não resultam em

controle da bola;

* Um lance em que a bola é jogada ao léu (“clearance”) e não chega a ser controlada por um companheiro de equipe.

Quando uma equipe atacante obtém a posse como resultado de uma infração contra um adversário ou ferindo as Regras do Jogo, o gol ou o tiro penal sob revisão só pode ser anulado se o erro do árbitro foi erro claro ao não punir a infração (ofensa).

Consequentemente, um gol ou um tiro penal só pode ser desmarcado se o árbitro errar claramente ao não punir uma ofensa à Regra 12 e que resultou na posse de bola pela equipe atacante.

Os reinícios não são revistos porque as Regras do Jogo não permitem que uma decisão de reinício seja alterada uma vez que o jogo tenha reiniciado. Os reinícios incorretos não são revisáveis porque não são situações de mudança de rumo da partida e devem ser detectados pelos membros da arbitragem.

O VAR auxiliará o arbitro a estabelecer o APP, mas se a bola sai da visão da câmera, o árbitro e os demais membros da arbitragem tomarão a decisão sobre a posse.

FASE DE ATAQUE

Definir o ponto ou momento a partir de quando a fase de ataque é armada ou se inicia é subjetivo, mas deverão ser considerados os seguintes elementos:

* o ponto ou momento a partir de quando a equipe atacante avançou com a bola em direção da área penal dos adversários; se a equipe atacante teve um longo período de posse retendo a bola’; o momento em que a linha do meio de campo foi ultrapassada (segurar a bola em seu meio campo ou segurar a bola no meio campo do adversário); o ponto onde se inicia uma fase clara de jogadas de avanço / ataque.

Julgar a posse da bola em fase de ataque requer cooperação entre o árbitro e o VAR e, possivelmente, os ARs (e AARs). Este conceito deve ser definido com mais substância durante a fase educativa, usando imagens e simulações em situações de campo.

Nesse contexto, o VAR e o árbitro devem adotar uma abordagem tipo “o que o futebol esperaria”, inclusive para com os princípios e seus conhecimentos e experiências distinguirem entre “negar uma oportunidade obvia de marcar gol” e “evitar um ataque promissor”.

O APP estabelece o ponto inicial para uma fase revisável de jogo, antes de um incidente de gol ou pênalti.

O VAR acabará com a magia do futebol?

Lendo o texto do jornalista Trevisan, a quem respeito, mas não concordo com a afirmativa….
 

* Márcio Trevisan – Não faz muito tempo – cerca de um mês, mais ou menos -, por estes acasos da vida topei no meio da rua com um árbitro pertencente aos quadros da FPF e da CBF, o qual conheci nos tempos em que trabalhei como assessor de Imprensa de todos os apitadores paulistas e cujo nome, por motivos mais do que óbvios, não vou divulgar.

Após os cumprimentos de praxe, é claro que o assunto entre nós foi o tal do VAR, ferrenhamente defendido pelo apitador. Já a minha opinião sobre o dito cujo todos vocês já sabem – e há um bom tempo. Afinal, ele já foi tema central de duas colunas “Papo de Esporte”: uma escrita em setembro de 2017 (http://cliqueabc.com.br/vem-ai-mais-um-campeao-de-audiencia/) e outra publicada em abril de 2019 (http://cliqueabc.com.br/eu-cantei-a-bola-nao-var-adiantar-nada/).

O diálogo que mantivemos sobre o VAR (Video Assistant Referee) foi bastante elucidativo pra mim, e por isso decidi transcrever abaixo algumas das perguntas que fiz ao meu amigo dos tempos do SAFESP e as respostas que ele me deu.

P – O VAR surgiu porque os árbitros atuais são ruins? Pergunto porque há muitos anos não aparece no futebol brasileiro um nome como Dulcídio Wanderley Boschillia, Roberto Nunes Morgado, Romualdo Arppi Filho, Arnaldo Cézar Coelho…

R – Não acho que os árbitros do presente são piores do que os do passado. O que acontece é que o futebol atual é infinitamente mais rápido do que o de antigamente e o número de câmeras que transmitem imagens de um jogo de futebol é 10 vezes maior do que havia há algumas décadas. Com todo o respeito a estes nomes que você citou, e a outros grandes árbitros que fizeram história, na época deles era muito mais fácil apitar, até porque muitos jogos sequer transmissão tinham.

P – Por que existe tanta demora na hora da avaliação de um lance pelo VAR?

R – Porque preferimos demorar e acertar do que nos apressarmos e errarmos. Se tivermos mais monitores e mais câmeras – além, claro, de mais profissionais e treinamento – este tempo irá diminuir. Mas, mesmo que isso não aconteça, a experiência adquirida rodada a rodada, partida a partida, também nos ajudará a diminuir este tempo, que realmente está muito longo.

P – Mas se é um mecanismo criado para impedir erros do árbitro de campo, por que o VAR erra?

R – Porque ele é manuseado por seres humanos, e seres humanos são falíveis. Mas isso tem um jeito de acabar: como eu disse, basta nos darem mais câmeras, mais monitores e mais profissionais devidamente treinados. Se isso acontecer, dificilmente erros acontecerão.

P – Muitas pessoas, e dentre elas este jornalista, dizem que o VAR acaba com a magia do futebol, pois o jogador, o torcedor, comemora um gol e, depois, a jogada pode ser anulada. Ou, então, o árbitro de campo marca um pênalti, por exemplo, e depois volta atrás em sua decisão. Ou seja: é o anticlímax total.

R – Isso não tem como evitar. Todos os lances capitais são avaliados. Se o atleta marca um gol ele e a sua torcida logo começam a comemorar, mas simultaneamente os árbitros de vídeo estão analisando tudo para ver se não houve alguma irregularidade. Se algo de ilegal aconteceu, infelizmente a festa terá sido em vão.

P – Eu já percebi que alguns árbitros de campo estão deixando as principais decisões para o VAR. Como evitar que isso aconteça?

R – A gente também já percebeu isso. O cara acha que dando uma de esperto vai se sair bem, mas não vai, não. Aliás, alguns já foram chamados para uma conversa bem franca com o Leonardo Gaciba, que é o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF. Pode anotar: árbitro que quiser fugir da responsabilidade vai ficar fora das escalas. Simples assim.

P – Você acredita que o VAR veio pra ficar? Ou diante das críticas cada vez mais fortes por parte da Imprensa, de jogadores, treinadores e da torcida poderá ser deixado de lado?

R – O VAR não tem volta. Pode anotar: muito em breve ele estará presente em todas as principais ligas do mundo – até na Copa do Mundo já foi utilizado! É claro que serão necessários aperfeiçoamentos, o tempo das decisões terá de diminuir drasticamente, o índice de acerto terá de ser muito próximo a 100%, etc. Mas a partir de agora será impossível se pensar em futebol sem esta nova tecnologia.

* Em Tempo: apesar de todas estas respostas, a opinião deste colunista sobre o VAR continua a mesma.

 

Caro Trevisan,

O VAR veio para proporcionar mais uma oportunidade ao árbitro de poder revisar uma decisão que, por diversas questões (velocidade, impossibilidade humana, muita tecnologia) um ser humano não consegue a perfeição.

Questão de protocolo…

O árbitro de vídeo na berlinda, uma questão de protocolo…

Por: Gilmar Ferreira em 

 

Junte numa só equipe de arbitragem o apitador Rodolpho Toski Marques, colecionador de equívocos em jogos de Santos, Bahia, Fluminense e Corinthians;

O auxiliar de vídeo Paulo Roberto Alves Júnior, árbitro do último Palmeiras e Botafogo, cujo resultado foi homologado no tribunal;

E a observadora de VAR, Ana Paula Oliveira, ex-bandeira que encerrou a carreira em meio a inúmeras críticas quanto a erros primários em lances capitais.

Pronto: já se tem o suficiente para uma arbitragem conturbada.

O trio fez parte da equipe de arbitragem da partida entre Grêmio e Vasco, disputado na Arena, em Porto Alegre, e os queixosos da vez foram os vascaínos.

A anulação do que seria um 2 a 0 a favor do time carioca, por sugestão da equipe do VAR, traz polêmica onde deveria haver luz.

E a cada vez que se erra no uso dos recursos das imagens de vídeo para interpretação de lances faltosos, culpa-se a tecnologia.

O que é muito ruim para a consolidação da modernidade nos jogos de futebol aqui no Brasil.

Da cabine do VAR, Paulo Roberto Alves, chamou atenção para disputa de bola entre Rossi e Mathes Henrique no início da jogada, e Toski Marques avaliou mal.

Interpretou falta num lance em que a mão do atacante vascaíno, num movimento de braços, roçou os olhos do meia gremista, que chegou a parar por segundos.

Uma disputa de espaço, que o árbitro viu e não considerou falta, tal como próprios gremistas, que sequer reclamaram.

Ao contrário: seguiram no lance, lamentaram entre eles o cochilo na marcação e dariam a saída se Toski Marques não sinalizasse à espera pelo VAR.

A discussão aqui não é sobre o jogo, sobre o placar ou sobre o impacto que a intervenção equivocada do VAR teve sobre a dinâmica do duelo.

O uso do olha tecnológico nos jogos de futebol não foi instituído para subsitituir a leitura dos árbitros de campo.

E por isso a Fifa se preocupou em criar um protocolo antes de aprovar sua implementação.

Já não é a primeira vez que Rodolpho Toski Marques e Paulo Roberto Alves tentam subverter as recomendações da CBF.

Pois o capítulo 5.1.9 do protocolo distruibuido aos árbitros é bem claro, onde fala sobre ‘quais princípios deverá o árbitro seguir durante a revisão’.

Um dos tópicos diz que uma decisão de campo só pode ser alterada se as imagens mostrarem um ‘erro claro’ ou ofensa/incidente grave não percebido.

E grifa que não se trata de avaliar se ‘a decisão foi correta?’, mas ‘a decisão foi claramente errada?’

Isso quer dizer que a interpretação do árbitro Toski Marques na disputa de bola entre Rossi e Matheus Henrique não deveria ter sido revisada.

Justamente por não ter sido uma ‘decisão claramente errada’, como recomenda o protocolo.

O que se fez foi revisar a ‘interpretação’, ato que o documento instrui a não fazer.

Pior: além de anular o lance por essa nova interpretação, ainda decidiu aplicar cartão amarelo no atacante vascaíno.

Enfim, a mostra clara do descumprimento de protocolo exige que a CBF recicle os árbitros.

Sob risco de completa desmoralização do olhar técnológico.

 

https://extra.globo.com/esporte/gilmar-ferreira/o-arbitro-de-video-na-berlinda-uma-questao-de-protocolo-23807438.html