LEI DA RECIPROCIDADE

evandro-roman-18-08-2015

LEI DA RECIPROCIDADE – 24 de maio de 2007

Reciprocidade, o “velho dar e receber!”, como queiram os estudiosos da arbitragem brasileira. Este artigo tem a finalidade de esclarecer a todos os árbitros de futebol do Brasil, que toda a ação de um clube dentro deste esporte tem seus interesses obscuros e velados.

Com um pequeno gesto ingênuo, sem qualquer interesse aparente, de enviar uma camisa do clube (mandante ou visitante) ao vestiário dos árbitros antes de cada partida, desencadeia mentalmente em alguns colegas (mesmo que inconscientemente) a lei da reciprocidade.

Na arbitragem, essa lei é velada, mas no mundo real, nas ciências como o próprio direito, se encontra muito presente. A ciência do direito serve muitas vezes aos árbitros de futebol fornecendo princípios (boa-fé; legalidade, que seria a vinculação dos árbitros a regra do jogo; discricionariedade que seria fazer um juízo de oportunidade e conveniência de se aplicar ou não a lei da vantagem ou dar a falta, dentre outros, como o da reciprocidade).

Não nos chamam de juízes? Sabemos que não o somos, e repelimos prontamente: “árbitros de futebol”, essa é a terminologia correta. Mas, o que seria essa lei da reciprocidade? Em direito, é amplamente aplicada no direito internacional.

Quem não se lembra do período em que os Estados Unidos estavam exigindo dos brasileiros um cadastro a ser feito logo no desembarque destes nos aeroportos americanos? Pois então, o Brasil também, na ocasião teve o direito de cadastrar os americanos quando aqui desembarcavam, o que provocou protestos destes, teve até um deles que ao ser fotografado para o cadastro fez um gesto obsceno para a câmera e foi preso, no aeroporto mesmo, pela polícia federal. Ate aqui tudo bem, mas o que isso tem a ver com a arbitragem? Perdoem-me, lhes digo: TUDO!.

Ao receber um presente, aciona-se no cérebro do árbitro o princípio da reciprocidade (repito, mesmo inconscientemente) que provocará uma sensação de divida na equipe de arbitragem, sem o menor consentimento do árbitro. Explico:

Em se tratando de um ser humano, que reage com surpresa ao receber algo “sem interesse”, gostaria de continuar a escrever, e dizer que há interesse sim! Embora com alcance pequeno entre os árbitros, isto é letal quando age!

Esta crônica mostra a ação de uma das mais potentes armas de influência e persuasão à nossa volta – a regra inconsciente da reciprocidade.

Mesmo velada em nosso subconsciente, esta, nos diz, a todo o momento que devemos  retribuir, na mesma moeda (favores), o que outra pessoa nos proporcionou.

Volto a dizer, esta regra NÃO está sob nosso controle, consentimento, aprovação, ou na parte consciente de nosso cérebro, e sim no inconsciente. E quem sabe, também no inconsciente do representante do clube que fornece o presente!

Conforme teoria Freudiana, compara-se o cérebro humano, a um iceberg. Considerando a parte consciente de nosso cérebro o que esta fora da água, e conseqüentemente o inconsciente o submerso, que é aproximadamente 95% do bloco de gelo. Então nos leva a crer que temos um cérebro, que age com este mesmo percentual de forma inconsciente, ou seja, automatizado! Área cerebral que não controlamos!.

A forma como fomos educados desde nossos primeiros dias de vida, de sempre retribuir a um gesto cortes de tratamento com a mesma cortesia, sem desapontar a gentileza que nos foi atribuída, nos leva a adquirir valores que ficam nesta área inconsciente de nosso cérebro, como por exemplo:

1 – Se alguém nos faz um favor, devemos retribuir fazendo um favor e este;

2 – Quem não se lembra daquele amigo, tio, primo, cunhado…, que mandou um presente de aniversário, mesmo distante!. Esta ação nos deixa um compromisso inconsciente e também social, pois as boas normas da convivência social, recomendam de lembrarmos com elegância do aniversário dele, retribuindo também com um presente.

Devido à existência da velada lei da reciprocidade na arbitragem,  somos humanamente “obrigados” a retribuir futuramente, favores, presentes, convites e coisas do gênero gentilmente-correto.

Se soubéssemos que temos esta pressão mental, como seria a retribuição de um árbitro de futebol que recebe gentilmente uma camisa de um clube? Retribuiria sendo honesto? Digno? Correto? Não! Isto é apenas obrigação nossa! Então porque vamos dar margens para brigarmos com nosso interior mental, mesmo de forma inconsciente. O melhor é não receber nada e ponto final! Mas que atire a primeira pedra quem nunca recebeu uma camisa após uma partida!.

O aspecto mais impressionante da lei velada da reciprocidade e da sensação de obrigação que acompanha é sua universalização de forma geral, na cultura humana, e não apenas no meio da arbitragem de futebol. Ela é tão levada a sério que, após muitos estudos, como Alvin Gouldner, já em 1960, relata que:

não há sociedade e/ou organização humana que não respeite esta regra”.

Será que como árbitros de futebol, estamos acima de uma vulnerabilidade como esta? Somos superiores ao bem e o mal? É claro que não! Sofremos as mesmas conseqüências desta lei como todos.

Quando erramos argumentamos, que somos humanos, que estamos arbitrando um jogo, que é também jogado por humanos. Mas somos incapazes de aceitar uma limitação como esta (já acreditando que haverá muitas críticas a esta produção), somente por não ser algo explicito que não possa ser ainda mensurado por todos, a exemplo do erro técnico e disciplinar que fica sob avaliação social!

Não podemos negar a existência da ciência dentro da arbitragem de futebol no mundo contemporâneo! Esta deverá trabalhar em prol do desenvolvimento do homem que atua nesta função, potencializando suas qualidades e minimizando as fragilidades.

O renomado arqueólogo Richard Leakey, atribui à essência do que nos torna humanos ao sistema da reciprocidade:

Somos humanos porque nossos ancestrais aprenderam a dividir seu alimento e suas habilidades em uma respeitada rede de obrigações recíprocas

Então, prudente seria, dizer mais uma vez que não estamos falando de desonestidade, mas de algo que carregamos em nosso DNA,  a milhões de anos, e nossa consciência, que à apenas 1% da existência humana, vive sobre um mundo ordenado e civilizado, deixando os  99% de nossa estada na terra para ancestrais  semelhantes primitivos.

Portanto, o que fazer quando recebemos em nossos vestiários uma camisa de um clube como uma cortesia? Somos sabedores que todos nós em algum momento de nossas carreiras já ganhamos um presente destes! Presente este que nos deixa de certa forma felizes, pois enxergamos nele a possibilidade de presentear um amigo, um vizinho, irmão que é torcedor daquele time de futebol, ou que é colecionador de camisas.

Sabemos que receber uma camisa de futebol diretamente do clube, traz a quem a veste, ou a quem a guarda como lembrança  uma sensação muito agradável de exclusividade, de possuir algo raro, precioso. Esta alegria nos comove, mas ao mesmo tempo nos causa angustia de ter recebido algo que ainda não está regulamentado, se pode ou não!

Mas o que fazer de agora para frente?

E em que momento, se caso liberados forem os árbitros a receberem presentes, deverá ser realizada tal gentileza pelo clube? A resposta talvez seja o livre arbítrio, aquele que todos temos, e que nos torna livres e senhores de nossas escolhas. Porém temos de ter consciência que somos responsáveis pelas escolhas que fazemos, e pagamos por elas.

Assim sendo, tenho comigo uma certeza: jamais, repito novamente, JAMAIS, se deve receber uma camisa antes de uma partida, para que você não seja atormentado ou mesmo traído pelo seu EU, durante o jogo  pelo seu vasto inconsciente, acreditando que têm algo a retribuir.

Mas, mais grave ainda são os favores recebidos ao longo de uma carreira de árbitro, favores estes que se tornam muito caros ao longo  do tempo.

Aquela ajudinha recebida por este ou aquele dirigente de federação, clube, político influente, poderá lhe custar a carreira! E não sou eu quem digo isto! E sim a história de alguns árbitros que já se foram, inclusive alguns muito recentes.

Para encerrar, gostaria de dizer que o favor de um modo em geral na vida custa caro, pois em algum momento de nossas vidas ele será lembrado e cobrado. Chegado este momento do pagamento haverá duas situações:

1 – Você vende a alma ao diabo e paga o favor, e monta uma fábrica de resultados, montando uma rede de franquias por vários estados brasileiros, ou seja, torna-se ladrão mesmo! ou

2 – Você diz não para àquele ser gentil que lhe estendeu a mão no passado, no momento em que você mais precisou, aquele que sem ele você não seria nada, afinal ele lhe colocou lá, no tão sonhado posto, com o tão sonhado escudo, e acorda dia seguinte sem o que lhe deram por um simples favor.

Amigos árbitros de todo o Brasil, este período negro da arbitragem (política) brasileira já passou!

Temos de criar uma rota sem favores, colisões, conchavos politiqueiros, que por muito tempo presentearam alguns despreparados para assumir escudos, em troca de um simples favor, sem qualquer interesse! Será?

Lembre-se sempre ao aceitar tal gentileza, que na vida se os favores custam caro, na arbitragem este custo é anos-luz mais oneroso, pois custa sua dignidade também. Mas você tem em seus valores a opção da escolha, uma vez feita a opção, isto será como uma chancela em sua testa. Reflitam!!

Evandro Rogério Roman escreve mensalmente no site da Escola Brasileira de Futebol

Doutor em Educação Física/UNICAMP

Coordenador do curso de Educação Física/FAG

Foi Árbitro de Futebol da FIFA/CBF/Paraná

Atualmente: Deputado Federal

 

Mark vai atuar na Arábia

Melhor árbitro do mundo troca Premier League pela Arábia Saudita

2017/02/16 15:26

 

Mark Clattenburg, árbitro inglês de 41 anos que foi eleito o melhor do mundo, vai deixar a Premier League para rumar à Arábia Saudita.

Segundo a imprensa inglesa, Clattenburg irá substituir Howard Webb como responsável pela arbitragem da federação do futebol na Arábia Saudita.

O árbitro inglês, que deverá abandonar o campeonato antes da próxima jornada, comentou a mudança.

«Isto é uma mudança importante. Nós temos árbitros profissionais no país que eu vou deixar, o que é bastante positivo», disse.

http://www.zerozero.pt/news.php?id=190788


Arábia Saudita contrata Mark Clattenburg, melhor árbitro da Premier League

 Londres, 17 Fev 2017 (AFP) – Mark Clattenburg, um dos melhores árbitros do mundo, vai deixar a Premier League para apitar a liga da Arábia Saudita, segundo informações divulgadas, nesta sexta-feira, pela rede de televisão inglesa BBC.

Clattenburg, de 41 anos, tem 12 temporadas de experiência na Inglaterra e apitou a final da Liga dos Campeões e da Eurocopa de 2016.

A BBC informou que o árbitro vai liderar o colegiado do país, trabalhando meio período a partir da próxima temporada. Na sequência, vai assumir por tempo completo.

“É um grande passo”, falou Clattenburg em coletiva de imprensa transmitida pelo Twitter.

“Temos grandes profissionais no Reino Unido e o nível aumentou muito. Certamente acrescentou uma experiência positiva para mim”, explicou o árbitro.

“O que eu gostaria de fazer agora é implementar esses avanços na Arábia Saudita e estruturar um projeto para durar ao longo prazo”, acrescentou.

Em dezembro, Clattenburg anunciou a possibilidade de exportar seu talento para um país rico e emergente como a China: “se aparece uma oportunidade assim vou avaliar, mas por enquanto estou feliz na Premier League”, revelou à época.

A saída de Mark foi confirmada poucos dias depois do jogo Arsenal e Hull, que o ábitro teve sua atuação contestada.

Como homenagem, o sindicato de árbitros do Reino Unido, PGMOL, falou que Clattenburg “iniciou uma série de normas que os demais deveriam seguir”.

“As façanhas são numerosas e na última temporada Mark protagonizou um ano impecável: além da Premier League, apitou as finais da FA Cup, da Champions League e da Eurocopa”, explicou a PGMOL em comunicado.

A brilhante carreira também teve seus percalços. A PGMOL suspendeu o árbitro durante oito meses, entre 2008/09, depois de investigação sobre transações financeiras profissionais.

Em 2014, o chefe da PGMOL, Mike Riley, também condenou Clattenburg por “não cumprir o protocolo”. O motivo foi um telefonema do árbitro com um dirigente do Crystal Palace, depois do jogo contra o West Brom, apitado por Mike.

jdg-pve/jma/rsc/fa/mvv

https://esporte.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2017/02/17/arabia-saudita-contrata-mark-clattenburg-melhor-arbitro-da-premier-league.htm


MELHOR.jpghttps://blogvisaodemercado.pt/2017/02/melhor-arbitro-do-mundo-premier-league/

Curso Arbitragem III FIFA – 2012

Curso Arbitragem III FIFA

Comissão de Arbitragem realizará curso para instrutores na Granja Comary, de 8 a 13 de outubro de 2012

A Comissão de Arbitragem da CBF realizará curso para instrutores na Granja Comary, em Teresópolis, de 8 a 13 de outubro. No treinamento terão representantes de todas as federações de futebol. O ex-árbitro FIFA Oscar Julian Ruiz, da Colômbia, será o instrutor master do curso, responsável por coordenar todas as aulas teóricas e práticas.

Para assessorar o árbitro colombiano, estarão para representantes da CBF Antonio Pereira da Silva, Silvia Regina de Oliveira, Milton Otaviano da Silva e Paulo Camello, além do acompanhamento psicológico com Marta Magalhães. Os participantes do curso terão palestras com o corregedor de Arbitragem Edson Rezende de Oliveira e com o ouvidor de Arbitragem Paulo Jorge Alves.

Os alunos passarão por treinamentos intensos, testes com vídeos, provas escritas e práticas. Ao final, aqueles que cumprirem tudo o que for exigido, receberão um certificado da FIFA de conclusão do curso.

Confira a lista dos instrutores:

Carlos Alaron Rios, presidente da Comissão de Arbitragem da Conmebol; Carolina Colman;Oscar Ruiz; Aristeu Tavares, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF; vice-presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Antonio Pereira; Roberto Perassi; Silvia   Regina; Milton Otaviano.

Veja a lista dos participantes indicados por suas federações:

João Gomes (AC), Hercules Martins (AL), José Roberto Moreira (AM), Orlando Carlos Magno (AP), Belmiro da Silva, (BA), Francisco José  (CE), Nivaldo Nunes (DF), José Tarcísio (ES),  Marcelino Dias (ES), Marcelo Bispo (MA), José Eugênio (MG), Manoel Paixão (MS), Edilson Ramos (MT), José Guilhermino (PA), Fernando Rodrigues (PA), Miguel Félix (PB), Erich Bandeira (PE), Salmo Velentin (PE), João José (PI), Gerson Antonio (PR), Claudio José (RJ), José Nilman (RN), Almir Belarmino (RO), Yungo Paiva (RR),  José Mocellin (RS), Vayran da Silva (SC), Marcony Cabral (SE), Nilson de Souza (SP), Antonio Francisco (TO).

http://www.cbf.com.br/noticias/competicoes/2012/10/5/curso-arbitragem-iii-fifa

Dia de Discussões Práticas na Comary

Dia de Discussões Práticas na Comary

qua, 10/10/12, por Gaciba |

Continuando com as informações do curso para instrutores na Granja Comary, hoje foi o dia em que ninguém piscou os olhos. O encanto de todos que vivem no mundo da arbitragem é discutir e debater jogadas polêmicas e suas interpretações e na data de hoje foi um banquete para os que lá estiveram.

Na parte da manhã foi realizado um trabalho prático no campo de jogo onde com o auxílio dos alunos do curso de árbitros da FERJ foram mostrados exercícios práticos aos instrutores para que os mesmos repassem aos seus árbitros em todos os estados do Brasil. Colocação, reflexo, trabalho de equipe foram alguns dos temas abordados.

Um trabalho relativamente novo realizado pela FIFA onde os árbitros “treinam” em seu campo de atuação. Uma iniciativa que pode e muito enriquecer os conhecimentos dos alunos e acima de tudo preparar árbitros e assistentes para situações que podem apresentar-se durante os jogos “oficiais”. É a prática de um ditado antigo que ouvi no meu tempo de quartel: SUAR NA PAZ PARA NÃO SANGRAR NA GUERRA!

Ainda no turno da manhã fui convidado a realizar um sorteio extraordinário para o campeonato Brasileiro da série “B”. O árbitro Péricles Cortez, sorteado anteriormente,  não chegaria a tempo do jogo pelo fato de seu retorno do jogo das eliminatórias ter sido retardado pela CONMEBOL. Boa e Criciúma terão a arbitragem de Wagner Reway.

Na parte da tarde, na sala da EBF (Escola Brasileira de Futebol), instrutores explanaram sobre mão na bola e bola na mão (Milton Otaviano), Jogada para aplicação de cartões (Oscar Ruiz), Simulação (Aristeu Tavares) e sobre impedimento (novamente Ruiz). Vídeos didáticos foram mostrados e acima de tudo a “mentalidade” da FIFA com itens que facilitam a interpretação das jogadas expostos.

O que são estes itens? São perguntas que são realizadas e com suas respostas a decisão do árbitro é facilitada. Exemplo: Em uma decisão de mão na bola ou bola na mão; perguntas como o movimento do jogador foi natural ou não? A distância da bola era longa ou curta? Há um movimento da mão em direção a bola ou a bola vem em direção a mão? Somadas, estas respostas podem elucidar as decisões!

Amanhã, infelizmente só poderei participar das atividades da manhã onde estão previstas novas situações no campo de jogo. Mas escreveremos a respeito do trabalho que está sendo realizado na área psicológica pela Dra. Marta realizando um perfil com um mapa da assessoria psicológica que os árbitros estão recebendo no Brasil. As apresntações dos grupos de estudo ficaram para a parte da tarde.

Hoje, sem dúvida tivemos um dia de grande ensinamentos. Cansativo mas extremamente produtivo! Até amanhã.

http://sportv.globo.com/platb/blog-do-gaciba/2012/10/10/dia-de-discussoes-praticas-na-comary

Imersão profunda! – 2012

Instrutores em imersão profunda!

ter, 09/10/12, por Gaciba |

categoria Notícias do Apito

Conforme avisamos, estivemos hoje na Granja Comary para acompanhar os trabalhos que estão sendo realizados com o grupo de instrutores da arbitragem nacional.

Desde o período da manhã até o início da noite, presenciamos as inúmeras atividades de aperfeiçoamento realizados na sala da EBF (Escola Brasileira de Futebol). O primeiro turno teve como instrutor o ex-árbitro Colombiano Oscar Ruiz que falou aos “alunos” sobre a METODOLOGIA DA INSTRUÇÃO da FIFA para que os conhecimentos sejam levados de maneira uniforme para todos os cantos do mundo. A tática é aproximar os critérios continentais e acima de tudo saber que as orientações da FIFA estão sendo passadas de forma semelhante por maior que seja a distância física entre os locais de instrução.

A atenção dos alunos de hoje e instrutores de amanhã

Posteriormente a ex-árbitra da FIFA e instrutora da entidade Silvia Regina, orientou e aplicou testes de trívia e vídeo aos instrutores.  Os testes de trivia nada mais são do que provas de múltipla escolha a respeito das regras do jogo em seus mais diferentes níveis de dificuldade. Já os vídeos-teste são o mais novo instrumento encontrado pela FIFA para padronizar a atividade pelo mundo afora. Neles são passados jogadas em vídeo e os alunos/árbitros devem responder qual a decisão técnica e disciplinar tomariam naquela jogada. Posteriormente os dados são tabulados e as respostas são discutidas cabendo aos instrutores repassar a palavra da FIFA sobre a jogada em questão.

Como exemplo, vamos em breve realizar um vídeo-teste elaborado por este blogueiro para as pessoas que gostam de nos visitar e debater regras.

Milton Otaviano explana sobre procedimentos padrões

Posteriormente coube a Carolina Colman da CONMEBOL e o instrutor e ex-árbitro assistente da FIFA Milton Otaviano repassar conhecimentos para os alunos sobre a separação e edição de jogadas polêmicas para que o processo inverso de instrução possa ocorrer. Ou seja, com o instrumento disponibilizado, qualquer jogada realizada em qualquer uma das divisões do futebol pelo mundo poderá ser selecionada e enviada via CBF até a CONMEBOL e se for necessário até a FIFA.

Carolina repassando conhecimentos

Amanhã na parte da manhã chega o momento das orientações práticas do evento. Com o auxílio dos alunos da Escola de árbitros da FERJ do diretor Carlos Elias Pimentel, os instrutores terão orientações no campo de jogo a respeito de deslocamentos, exemplos de condutas táticas e técnicas, tomadas de decisões etc.

Já na parte da tarde, será a hora em que os instrutores trarão temas “polêmicos” para a discussão apresentando trabalhos em grupos realizados através de situações como: mão na bola e bola não mão, trabalho de equipe, simulação, critérios para a apresentação de cartões, conduta inconveniente, jogada brusca, conduta temerária e uso de força desproporcionada, participação ativa etc.

Amanhã postaremos as novidades sobre as atividades do longo dia de trabalho. Até lá.

http://sportv.globo.com/platb/blog-do-gaciba/2012/10/09/instrutores-em-imersao-profunda/

Apoio – 2012

Fora da Conaf, Corrêa revela apoio de Marin para combater doença

http://www.gazetaesportiva.net/noticia/2012/09/bastidores/fora-da-conaf-correa-revela-apoio-de-marin-para-combater-doenca.html

Helder Júnior São Paulo (SP)

Sérgio Corrêa não guardou nenhum rancor por ter sido retirado da presidência da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf) por José Maria Marin, há menos de um mês. Ao contrário. Agora responsável pelo recém-criado Departamento de Arbitragem da entidade, ele se aconselhou com o próprio mandatário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para combater uma doença motivada pelo estresse que acumulou em sua antiga função.

Nesta entrevista exclusiva para a Gazeta Esportiva.net, Corrêa revelou sofrer de herpes-zóster, virose incurável decorrente de uma variante do vírus da herpes, a mesma que provoca a varicela (a popular catapora). As dores na face já fizeram com que o antigo homem forte da arbitragem nacional desejasse ser atropelado por um caminhão. Segundo ele, seriam também a principal causa da sua saída da Conaf – e não o fato de o assistente Emerson Augusto de Carvalho ter ignorado três impedimentos consecutivos no lance do segundo gol da vitória do Santos sobre o Corinthians, por 3 a 2, em jogo válido pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Polêmicas como aquela que antecedeu a mudança na Conaf, contudo, não afligem mais Sérgio Corrêa. Com um cargo burocrático dentro da CBF, o ex-oficial da Aeronáutica tem menos preocupações e mais tempo para tratar a sua doença. Ele ainda contesta quem acusa a existência de uma “grande quadrilha” na entidade, porém já saiu de foco. Na última sexta-feira, tirou licença com o intuito de consultar médicos recomendados por José Maria Marin e pelo vice Marco Polo Del Nero, que também comanda a Federação Paulista de Futebol (FPF), antes de viajar a Guaratinguetá (SP) e continuar a organizar um livro de memórias. Cogitou ainda fazer acupuntura e até uma cirurgia, que lhe tiraria a sensibilidade tátil do rosto.

Enquanto Sérgio Corrêa descansa, cuida da saúde e escreve uma espécie de biografia, seu substituto Aristeu Leonardo Tavares trabalha para diminuir os problemas do habitualmente contestado quadro de árbitros da CBF. O coronel da Polícia Militar chegou a declarar que não pretende aproveitar “nada” do trabalho de renovação feito na gestão passada da Conaf – e voltou atrás depois. O que não foi suficiente para abalar o antecessor, orgulhoso por ter contribuído com uma melhora de 30% (de acordo com a sua autoavaliação) da arbitragem brasileira nos últimos anos.

Gazeta Esportiva.net: Como está a sua vida após a mudança de cargo na CBF? Soube que o senhor está escrevendo um livro.

Sérgio Corrêa: Mas não há nada de polêmico neste livro. Fique tranquilo quanto a isso (risos). É uma obra normal, contando a minha trajetória de 30 anos de futebol, rememorando as atuações que tive em lutas sindicais, na arbitragem. Quero aproveitar a minha experiência no meio para mostrar um pouco das diferenças entre cada uma das atividades que exerci. Afinal, vivi o campo de jogo e a área administrativa do esporte. Depois de ser árbitro, pude ver a minha profissão por outro lado, brigando pelo reconhecimento dela, trazendo melhorias para a categoria nos âmbitos estadual, nacional e até internacional. Estou trabalhando novamente com essa parte de administração agora. Você sabia que a Fifa não tinha, até 2010, um regulamento que tratasse de organizar a arbitragem nas suas 208 entidades filiadas? Este regulamento prevê a formação das comissões de arbitragem nos países, com presidente, vice… Dentro de cada comissão, temos questões administrativas em termos de desenvolvimento, com cursos para árbitros, distribuição de materiais didáticos, métodos de avaliação e classificação, instituição de quesitos para definir acessos e descensos de categorias, obtenção de recursos e muitas outras coisas. Também há… Mas espere um pouco. Estou falando demais. Você quem deveria fazer a entrevista, as perguntas, não é?

Ex-mandatário enalteceu as mudanças que promoveu à frente da Conaf, como o estímulo aos testes físicos

GE.net: Fique à vontade para falar. Com tanta empolgação, vejo que o senhor está satisfeito com a nova função que assumiu.

Corrêa: Rapaz… Sempre trabalhei na área administrativa, desde a Força Aérea. Tenho experiência no assunto. Fui sindicalista e gostei tanto dessa parte de gestão que fui adquirindo um conhecimento profundo. A escala de arbitragem para os jogos de futebol é só o resultado final do trabalho realizado pela comissão, que antes tinha tudo centralizado, com uma estrutura mais informal. Mas existe a base técnica para um árbitro se sair bem. Não adianta fugir disso. Sempre enfatizo para o nosso corpo de instrutores de árbitros a importância do trabalho deles. O sucesso de uma escala depende de muitos fatores. Veja: sempre colocamos os dois melhores árbitros do Brasil para o sorteio dos jogos importantes e, às vezes, isso não basta.

GE.net: O senhor se lembra de algum caso emblemático que exemplifique essa situação?

Corrêa: No final de 2009, o Simon (Carlos Eugênio, hoje aposentado) estava muito bem preparado e venceu o sorteio para apitar uma partida entre Fluminense e Palmeiras, decisiva para o Campeonato Brasileiro. O Belluzzo (Luiz Gonzaga, ex-presidente palmeirense) não gostou da atuação da arbitragem e fez um grande escândalo na época, o que até acabou gerando um processo. E olhe que o Simon estava se preparando para ir à terceira Copa do Mundo da carreira! É complicado administrar essas coisas. Em determinada época, os comentaristas reclamavam da grande quantidade de árbitros jovens no Campeonato Brasileiro. Só que ninguém teve a capacidade de observar que todos os nossos árbitros mais conhecidos estavam sendo utilizados nas Eliminatórias para o Mundial. É duro.

GE.net: Imagino que a pressão sobre o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem seja tão grande quanto ou maior do que a enfrentada por um árbitro de futebol.

Corrêa: Tudo isso me cansou demais. Nos últimos cinco anos em que me dediquei à comissão, toda a carga de trabalho e a pressão sobre as minhas costas geraram estresse e uma grave enfermidade, de que estou me recuperando aos poucos. Eu queria ter saído antes da presidência. Faz dois anos que eu estava mantendo conversas neste sentido com a direção da CBF, avisando sobre a minha necessidade. Fiquei, inclusive, afastado de 21 de maio a 22 de agosto para me tratar.

GE.net: Desculpe-me pela pergunta, mas qual foi a doença que o senhor contraiu?

Corrêa: Zoster, que vem do mesmo vírus da catapora. Atingiu um nervo da minha face. Não existe muito remédio para isso.

GE.net: Foi o estresse de chefiar a Comissão Nacional de Arbitragem que desencadeou a enfermidade?

Corrêa: Não tenho dúvidas disso. O médico que estava tratando de mim não sabia qual era o meu emprego. Quando contei que administrava a arbitragem brasileira, ele entendeu na hora a causa do problema. O estresse fez isso comigo. Tenho muitas dores do lado esquerdo da face. Sinto um estranhamento até nos cabelos, no globo ocular. É algo constante, que me incomoda 24 horas por dia. Já ouvi dizer que esse tipo de dor é mais forte do que aquela provocada por pedras no rim.

GE.net: Deve ser insuportável, então.

Corrêa: Algumas pessoas cometem suicídio por não aguentar a dor que eu sinto. Não cheguei a esse ponto, mas, nos primeiros dias de doença, juro que tive vontade de me atirar debaixo de um caminhão.

GE.net: A única solução para aliviar o problema era deixar o comando da Comissão Nacional de Arbitragem?

Corrêa: Quando saí da comissão, tirei uma tonelada das minhas costas. Havia também o sacrifício de deixar a minha família em São Paulo, tendo que seguir sempre a ponte aérea para o Rio de Janeiro. Fiz um bom trabalho, gostoso e reconhecido, mas igualmente desgastante. Estou em outra fase da minha carreira agora. As dores na face, no entanto, continuam.

GE.net: O senhor contou que vinha planejando a sua saída há pelo menos dois anos. Mas, ainda assim, não ficou surpreso quando soube da decisão do presidente José Maria Marin em relação à Conaf?

Corrêa: O presidente Marin acompanhou o meu sofrimento. O presidente Ricardo Teixeira também tinha conhecimento do que eu estava e ainda estou passando. Fui levando à frente da comissão durante algum tempo. Por isso, não fiquei surpreso no momento da mudança.

GE.net: A relação com o Marin continua igual?

Corrêa: É claro que sim. O presidente mesmo me indicou um médico da confiança dele para eu me tratar, assim como o Marco Polo Del Nero. Estou arrumando as minhas coisas para entrar de licença novamente agora e quero ir a esses médicos competentes, em São Paulo. Se o tratamento não resolver, talvez eu faça acupuntura ou uma cirurgia neuropática para isolar o nervo afetado. Mas teria a contrapartida: eu ficaria com essa área da face meio que paralisada; levaria um tapa na cara e não sentiria nada, por exemplo. Vamos ver. Estou saindo da minha sala daqui a pouco e vou para a minha cidade, Guaratinguetá, descansar um pouco. Gosto muito de trabalhar, mas, com a dor que estou, é duro. Tomara que eu volte ao batente melhor depois.

GE.net: Mesmo com o Marin ao seu lado, o momento para anunciar a troca de comando não foi inoportuno? Logo após o erro crasso de um assistente no clássico entre Santos e Corinthians…

Corrêa: Vou te confidenciar uma coisa, jovem: era eu quem mais falava para que houvesse uma reformulação. Já havia pedido para ficar afastado, como te disse. Notei que eu estava cansado. O ciclo tinha sido concluído. Estava na hora de fazermos uma substituição, que já vinha sendo adiada. Tudo tem um fim. É como acontece com os técnicos de futebol. Ninguém pode ficar tanto tempo em um cargo. Foi bom mexer na comissão, mesmo trazendo pessoas que já integravam o nosso grupo.

GE.net: O Marin não citou o erro do assistente contra o Corinthians quando conversou com o senhor?

Corrêa: Aquele lance não foi comentado em nenhum momento. Nenhum. Parte da imprensa até pode mencionar o Corinthians, mas não tem nada a ver. Sabemos que houve uma queda de rendimento da arbitragem em dado instante. Mas a conversa com a presidência sempre foi no mais alto nível, tanto com o Ricardo Teixeira quanto com o José Maria Marin. Nunca ninguém nos fez cobranças ou exigências.

GE.net: O fato de as pessoas associarem a sua saída ao gol validado do Santos contra o Corinthians, muitas vezes até de maneira crítica, incomoda o senhor? Ou já está calejado pelo longo tempo de trabalho na CBF?

Corrêa: É claro que a gente fica triste com algumas coisas que escuta aqui e ali. Nós mesmos achamos que podemos dar mais sempre. Mas tudo bem. A vida é assim. Posso ficar repetindo isso durante a vida toda, que ninguém acredita: a CBF é limpa, clara. As pessoas acham que temos uma grande quadrilha lá dentro. Isso não existe. Quem é culpado por uma má arbitragem? A nossa comissão? Os treinadores dos árbitros? O ser humano, que está suscetível ao erro? Posso garantir que, até 2007, as coisas eram muito piores. Não se conhecia a arbitragem brasileira. Fizemos um grande mapeamento do quadro de árbitros e deixamos uma base de trabalho para o novo presidente da comissão.

GE.net: O Aristeu Tavares, seu substituto na comissão, declarou ao jornal Lance! que não pretende tirar proveito de “nada” do processo de renovação da arbitragem que vinha sendo feito pelo senhor.

Corrêa: A declaração não foi bem assim. Devemos interpretar o que ele falou. É claro que a base que deixei pode ser aproveitada. O que o Aristeu quis dizer é que cada um tem as suas convicções. Ele vai conduzir a comissão da maneira dele, e não da minha. Não me envolvo mais no processo. Já foi desgastante o que passei. Chega. Em 2005, quando estava ao lado do Edson Resende, dava vontade de chorar com o que víamos no País. Fizemos um diagnóstico do quadro de arbitragem nacional, e as coisas começaram a mudar. Criamos um plano de carreira para os árbitros. Milhares deles passaram pelo nosso treinamento. Disponibilizamos material didático, que não havia. Intensificamos a preparação física, que já está com 85% de aprovados. Antes, apenas oito federações faziam pré-temporada para seus árbitros. Chegamos a 24. Isso é essencial. Em 1970, o árbitro corria 4 km por jogo. São 12 km hoje em dia, e vai aumentar. Sem falar que, em 2007, tínhamos 96 árbitros com nota inferior a 6 nos testes aplicados. Era um absurdo! Em 2010, esse número caiu para quatro árbitros. Em parceria com as federações, listamos 29 árbitros promissores naquela época, e 75% deles estão aí ainda, trabalhando na Série A. Fizemos a ouvidoria e a corregedoria. É a base que eu mencionei. Tudo isso foi um processo de mudança de mentalidade, lento e necessário. Colocamos o carro para andar. Cabe à nova comissão, mesmo pegando no meio do caminho, dirigir bem. Se quiserem, estou aqui para dar suporte ao projeto.
(Após conceder esta entrevista, Corrêa fez questão de enviar por e-mail uma notícia de um site sobre arbitragem, na qual Aristeu desmentia a declaração sobre o trabalho de renovação de seu predecessor na Conaf.)

GE.net: Como está a renovação do quadro nacional de árbitros?

Corrêa: Felizmente, isso vem sendo feito de modo correto e gradativo. No passado, tínhamos só 5% dos nossos árbitros com menos de 30 anos. Elevamos a quantidade para 20%, depois para 33%, e agora já deve saltar para 42%. Em 2009, diminuímos a idade limite de ingresso de árbitros na CBF para 30 anos. Tomamos medidas amargas para alguns, estando sujeitos a uma diversidade de críticas, mas diminuímos a faixa etária da arbitragem dessa forma. Você sabe como é: sempre existem aqueles papos de não querer mudar algumas coisas que estão estabelecidas.

GE.net: Em suas entrevistas, o Aristeu também tem se posicionado contra o sorteio para definir a escala de arbitragem. O que o senhor pensa a respeito?

Corrêa: Na condição de dirigente de arbitragem, também sou contra o sorteio. Conheço bem a formação de árbitros e sei que há vários meios de analisar essa questão. O árbitro jovem tem mais chances de atuar com o sorteio, entrando de cabeça na profissão. Mas um experiente como o Simon já ficou mais de um mês sem ser escalado por causa disso, perdendo seguidos sorteios. Isso prejudica o ritmo do profissional, o seu investimento. A partir de 2009, minimizamos o problema colocando apenas dois árbitros em cada sorteio, com o sistema de colunas.

GE.net: É possível acabar com os sorteios?

Corrêa: Faz nove anos que o Brasil tem esse sistema. É a legislação. Não podemos ir contra o que está estabelecido. Se você quer mudar alguma coisa, precisa alterar a lei primeiro. Os árbitros já foram várias vezes a Brasília para abordar a questão do sorteio. Existem até correntes que querem todo mundo envolvido no mesmo sorteio. Mas, com um País desse tamanho, como faríamos? É o mesmo raciocínio dos comentaristas, quando falam que deveríamos reunir o quadro de arbitragem inteiro para analisar a rodada durante a semana. Gente, o Brasil é muito grande. Fazemos esse tipo de coisa nos nossos cursos regulares. Fora que existem diferenças regionais, peculiaridades. Acredita que algumas federações já quiseram até criar regras próprias? Um absurdo. Para promover alterações positivas, é preciso pensar, projetar e executar direito.

GE.net: Falando em mudanças, qual é a sua opinião sobre a sempre comentada profissionalização da arbitragem? Seria uma iniciativa válida?

Corrêa: Estou há 30 anos no futebol, e lá atrás já me perguntavam sobre esse tema. É claro que ajudaria um pouco os profissionais, mas quem pagaria a conta por isso? Teríamos, por exemplo, R$ 10 mil de salário para um árbitro, subindo para R$ 20 mil com os encargos trabalhistas. Como faríamos para pagar para 170 árbitros? A despesa da Série B iria de R$ 2,5 milhões para R$ 8 milhões. Isso sem falar nas inviabilidades regionais. São Paulo tem muito mais times na Série A do que outros estados, são dez árbitros internacionais brasileiros… É complicado.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Os cinco melhores árbitros do Brasil
A pedido da reportagem, Sérgio Corrêa enumerou aqueles que considera os cinco melhores árbitros do Brasil. “Mas, dessa lista, não faria diferença colocar algum deles um pouco mais para cima ou para baixo. São todos capazes”, ressalvou. Veja a relação feita pelo comandante do Departamento de Arbitragem da CBF:

1º – Wilson Luiz Seneme (Fifa-SP), 42 anos
2º – Leandro Pedro Vuaden (Fifa-RS), 37 anos
3º – Paulo César de Oliveira (Fifa-SP), 38 anos
4º – Héber Roberto Lopes (Fifa-PR), 40 anos
5º – Sandro Meira Ricci (Fifa-PE), 37 anos

GE.net: Dez árbitros com o distintivo da Fifa: é um número razoável?

Corrêa: Esta é uma lamentação da minha gestão na comissão. Eu queria ter 15 árbitros internacionais, e não dez. O Brasil merece isso. Sei que não é possível, que a Fifa tem um trabalho competente para delimitar o porcentual de árbitros internacionais por países. Cheguei a solicitar à Fifa a mudança para 15, mas já sabia que a resposta seria negativa. Se eles abrissem esse precedente para um país, teriam que fazer o mesmo para todos. O mais importante é que os nossos árbitros começaram a entender que deixar o quadro da Fifa não quer dizer o fim do mundo. A gente se acostumou a dizer que o escudo da Fifa não está costurado no uniforme do árbitro; é de velcro. Para mantê-lo, você precisa ter regularidade. É simples. Os grandes árbitros são procurados pela comissão para os grandes jogos, enquanto os outros… Mas todos tiveram as suas oportunidades para mostrar capacidade. Se disserem que não, mostro com números que nunca houve injustiças.

GE.net: Com que outra medida além da profissionalização, menos radical, poderíamos elevar o nível da arbitragem?

Corrêa: As pessoas deveriam esquecer um pouco a figura do árbitro. É a menos importante no futebol. Sei que os comentaristas vivem disso, mas já temos observadores em todos os 700 jogos do Brasil. Nada passa sem que a comissão perceba. Os erros, infelizmente, acontecem. Dizem que os árbitros brasileiros são honestos, mas ruins. Se isso for verdade, prefiro que continuem assim. Você gostaria de ter árbitros bons e desonestos?

GE.net: Com certeza, não. Em termos de qualidade, como você quantificaria a evolução da arbitragem brasileira no seu período à frente da Conaf?

Corrêa: Acho que evoluímos 30%.

GE.net: Está dentro do esperado?

Corrêa: Considero uma evolução significativa. A nova comissão vai pegar tudo o que saiu do padrão, colocar na reta e fazer as correções necessárias. É claro que também erramos. Quem não erra? Mas certamente os acertos foram maiores. O quadro de arbitragem brasileiro agora já é conhecido. Fizemos um histórico de todo mundo, com perfis. Não há mais ninguém escondido. Ou seja, deixamos, sim, uma base. Algumas matérias de jornais se referiram a mim como o único presidente da comissão que saiu por causa de um erro técnico.

GE.net: Noticiaram de forma equivocada? O principal motivo da sua saída não foi a doença?

Corrêa: Mas essa questão da razão também não importa! Tive boa-fé, assim como as pessoas que estão entrando agora, que são capazes e corretas. Isso é o que vale. Vamos em frente. Se não fui um presidente tão bom como queriam, ao menos dedicação nunca faltou. A prova disso ficou encravada no meu rosto, nas dores que sinto.

Renovação do quadro de árbitros foi destacada em relatório da Conaf
O relatório elaborado por Sérgio Corrêa sobre os resultados alcançados pela Conaf na temporada passada destacou principalmente a preparação de árbitros promissores através de cursos (como o da foto acima, realizado em abril de 2011) e outros métodos. O então presidente da entidade reconheceu a existência de “reclamações naturais” decorrentes do processo de renovação, porém enalteceu a confiança no sucesso dos novatos sob a supervisão de José Maria Marin, presidente da CBF. Confira:

“Mesmo com o elevado número de cursos de aprimoramentos intensivos, a Comissão de Arbitragem enfrentou sérias dificuldades, pois realizou uma das maiores renovações da arbitragem nos últimos 12 anos (35%) dentre aqueles que atuavam na quarta maior competição do planeta.

Esta inversão de qualidade (árbitros novos x jogos decisivos) ocasionou as reclamações naturais contra a arbitragem, todavia a Comissão de Arbitragem acredita que o número de árbitros disponíveis para a principal competição mundial se elevou e, em 2012, a tendência é de melhoria, pois os “novatos” já são “conhecidos” e irão atuar com mais força nas competições estaduais e, por consequência, no Brasileiro.

Desta forma, a Comissão de Arbitragem poderá preparar a terceira geração de árbitros, sem que estes sejam promovidos com baixo número de atuações nas Séries B, C e D, como ocorreu em anos anteriores.

Em que pese a responsabilidade maior recair sobre as Federações que formam árbitros, a Comissão de Arbitragem da CBF afirma categoricamente que a principal mudança para evolução da arbitragem brasileira não é somente no investimento, mas na mudança de cultura que está sendo implementada pelas diretrizes determinadas pelo presidente Ricardo Teixeira e que certamente terá prosseguimento com o doutor José Maria Marin, cuja Federação a qual presidiu é uma das que mais investem no aprimoramento da arbitragem”.

 
        O que é a herpes-zóster
Popularmente chamado de “cobrão” ou “cobreiro”, a herpes-zóster (também conhecida como zoster e zolster) é uma virose provocada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da varicela (catapora). A doença é de incidência rara e gera afecções na pele, geralmente atingindo pessoas com baixa defesa imunológica, aquelas que sofrem de estresse ou os pacientes de AIDS.

O vírus da varicela-zóster costuma permanecer dormente, manifestando-se em cerca de apenas 20% da população. Na maioria dos acometidos, continua incubado no interior de gânglios do sistema nervoso. Quando o sistema imunológico está debilitado, ocorre a deflagração da enfermidade.

A herpes-zóster pode causar lesões discretas ou numerosas, com formações de vesículas (bolhas) na pele, mas jamais ultrapassa a linha média que divide o corpo em lados direito e esquerdo. Se a doença acomete a face (como ocorreu com Sérgio Corrêa), pode comprometer os nervos que vão para o olho e provocar ceratite, uma inflamação da córnea.

Os primeiros sintomas da herpes-zóster são formigamento e dores na região onde aparecerão as lesões, além de indisposição e febre baixa em algumas situações. As bolhas surgem depois, gerando um incômodo ainda mais forte e até pontadas e coceira. As sensações costumam ser brandas entre crianças e jovens infectados, com duração inferior a um mês; porém, em pessoas de idade mais avançada, o problema pode se prolongar por anos.

Os pacientes que persistem com dor após a manifestação da herpes-zóster tem a chamada neuralgia pós-herpética, que ocorre em aproximadamente 14% dos casos – na maior parte deles, com pessoas com idade acima de 60 anos.

O tratamento da herpes-zóster se dá basicamente através de antivirais. A transmissão da doença acontece com o contato com as secreções contidas nas vesículas, assim como na varicela e no herpes simples, e é facilitada quando a pessoa receptora está com baixa imunologia.

Brasileiros em Algarve

EM PORTUGAL

17/02/2017 às 18:00 | Assessoria CBF

Instrutores brasileiros participam de curso FIFA

Créditos: CBF

Ana Paula Oliveira, coordenadora nacional de instrução (ENAF/CBF), e Paulo Camello, instrutor físico da entidade, estão em Algarve, Portugal, participando do Seminário de Preparação da Arbitragem para a Copa do Mundo da França 2019.

Participando das aulas desde o início da semana, Ana Paula comentou da importância do convite da FIFA para o seminário.

– Estamos em turmas diferentes. Eu participo da de instrutores técnicos, enquanto o Paulo está na dos instrutores físicos. É uma oportunidade única para a arbitragem brasileira, o que valoriza o trabalho da Comissão de Arbitragem da CBF.

Após o seminário com os instrutores, será a vez dos árbitros participarem das aulas. Entre as alunas, estarão a árbitra Edina Alves Batista, de 36 anos, e a assistente Tatiane Sacilotti dos Santos, de 30 anos. Pré-selecionadas para o próximo Mundial de Futebol Feminino, as duas chegam a Portugal na próxima semana e, neste período, serão orientadas pela FIFA sobre a atuação no próximo Mundial de Futebol Feminino.

http://www.cbf.com.br/noticias/arbitragem/instrutores-brasileiros-participam-de-curso-fifa?ref=more#.WKdsqm8rLcc

COPA DA FRANÇA 2019

PRÉ-SELECIONADAS

17/02/2017 às 10:28 | Assessoria CBF

Árbitra assistente: Neuza Back, Santa Catarina

São 11 anos dedicados à arbitragem. Tempo suficiente para credenciar Neuza Back para integrar o quadro de árbitros assistentes da próxima Copa do Mundo de Futebol Feminino, em 2019, na França. Pré-selecionada pela FIFA para a competição, a catarinense de 32 anos está em treinamento intensivo – com auxílio da Comissão de Arbitragem da CBF – para realizar o sonho de ver seu nome na lista final da entidade máxima do futebol para o Mundial.

Um dos sonhos de Neuza foi realizado em agosto do ano passado. Destaque na arbitragem do Brasil, ela foi a única mulher da seleção de arbitragem do país convocada para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Já no radar da FIFA, a assistente participou de duas partidas de futebol feminino (Estados Unidos x França e Canadá x França) e foi avaliada para 2019.

– Em 2016, participei dos Jogos Olímpicos e pude trabalhar em dois jogos. Dois jogos tecnicamente muito difíceis. Então a FIFA já tem uma avaliação do meu trabalho. Essa experiência é muito positiva para mim, porque foram jogos tecnicamente muito bons, de nível técnico muito alto. E isso requer também, por parte da arbitragem, uma preparação na mesma altura – destacou a catarinense.

Neuza iniciou no futebol amador em 2008. Destaque no curso de arbitragem da Federação Catarinense de Futebol, a assistente passou a trabalhar no Campeonato Catarinense e, na sequência, ingressou no quadro de arbitragem da CBF. Desde 2009 trabalha na Série A do Campeonato Brasileiro masculino. E, em 2014, se tornou árbitra assistente FIFA.

http://www.cbf.com.br/noticias/arbitragem/arbitra-assistente-neuza-back-santa-catarina#.WKdsVW8rLcc


Conheça as outras duas brasileiras pré-selecionadas para atuar na Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019, na França:

– Edina Alves Batista (árbitra central)

– Tatiane Sacilotti (assistente) 

Novos FIFA & Vídeos

Novatos do quadro FIFA falam da responsabilidade

17/02/2017 às 12:22 | Assessoria CBF

A elite da arbitragem mundial passou a ter, nesta quinta-feira (16), mais seis brasileiros. Os árbitros Rodolpho Toski, Deborah Correia, Rejane Caetano, Wagner Magalhães, Wagner Reway e o assistente Danilo Simon Manis receberam a insígnia e passaram a integrar o quadro da FIFA. Agora, a responsabilidade por integrarem o seleto grupo ganha novo patamar:

– Com certeza aumenta muito porque entrar no quadro da FIFA é difícil, mas se manter é muito mais. Então está todo mundo de olho, nós temos que minimizar todos os erros possíveis dentro de campo e fazer o melhor trabalho. Isso tudo graças ao trabalho com a comissão de arbitragem e todos os membros envolvidos com o departamento de arbitragem da CBF, que vem nos dando todo esse apoio para o nosso desenvolvimento e crescimento e que, assim, a gente consiga obter o melhor sucesso dentro das competições – afirmou Rodolpho.

Danilo Manis, único assistente entre os novos integrantes, destacou a maior visibilidade que eles terão com insígnia no peito:

– A partir de agora nós nos tornamos ainda mais vitrines. Então vamos estar em jogos importantes, a maioria desses jogos são transmitidos e nós somos referência para aqueles que estão começando e tem o sonho de chegar aqui. Então o escudo ele não só é uma conquista pessoal, mas também um aumento de responsabilidade bastante significativo.

Participando de campeonatos profissionais desde 2005, Wagner Reway relembrou o esforço feito para chegar ao ápice da sua carreira:

– Os passos que damos ao longo da carreira para chegarmos ao nível de árbitro da FIFA são bem longos e devem ser perseguidos com bastante dedicação. Eu acho que a vida do árbitro é justamente isso: dedicação. Por várias vezes a gente acaba tomando um revés, errando um lance ou outro, mas se estiver dedicado com treinamento, com melhoria da qualidade técnica, física e emocional, os passos vão sendo progressivos. E chegar nesse nível é a realização de um sonho. Agora tem outras etapas a serem cumpridas, outros objetivos que vem uma vez que se tem o escudo da FIFA no peito.

Entre as mulheres, Rejane Caetano pontuou a dificuldade de se chegar ao quadro feminino da entidade máxima do futebol:

– É o retorno de um trabalho que eu tenho feito desde 2011 e agora está sendo um momento gratificante, de muita conquista e de muita alegria. Eu represento o meu país no quadro feminino e na parte de árbitra central que é difícil de acontecer.

Deborah, por sua vez, ressaltou a importância de continuar escrevendo a história da arbitragem feminina:

– A responsabilidade só aumenta. Agora nós fazemos parte da elite do futebol, então a cobrança vai ser cada vez maior. E a tendência é ter cada vez mais aumentar a participação das mulheres. O bom é que a continuidade dessa história vai sendo mantida. Assim as outras que vierem terão o caminho aberto para atuarem como nós tivemos a oportunidade de atuar.

Wagner Magalhães agradeceu a confiança depositada nos novos árbitros FIFA e enfatizou a relevância das atividades realizadas durante o Treinamento para Árbitros de Elite.

– É uma responsabilidade muito grande. Mas eu fico muito feliz com a confiança que a comissão de arbitragem da CBF depositou nos novos árbitros FIFA. A responsabilidade vai ser muito grande. É difícil chegar e é muito mais difícil se manter no quadro da FIFA. Então, vamos procurar fazer o que a comissão pede para estar apto nas próximas escalas. A semana foi muito produtiva. Assistimos a muitos vídeos sobre entradas, faltas temerárias e cartões amarelos e vermelhos. Foi muito interessante porque foi possível, em uma semana, reunir todos os árbitros FIFA para passar o que a comissão quer no campo de jogo e, seguindo essa solicitação deles, faremos um ótimo Campeonato Brasileiro.

CBF TV

 

16/02/2017 às 20:05 | Assessoria CBF

Integrantes do quadro da FIFA recebem insígnias

16/02/2017 às 20:05 | Assessoria CBF

Integrantes do quadro da FIFA recebem insígnias

15/02/2017 às 20:33 | Assessoria CBF

Árbitros FIFA participam de treinamento para elite

15/02/2017 às 16:14 | Assessoria CBF

Árbitra central: Edina Batista, Paraná

http://www.cbf.com.br/cbf-tv/arbitragem/arbi#.WKdr0m8rLcc

Tatiane sonha com Paris!

COPA DA FRANÇA 2019

16/02/2017 às 09:56 | Assessoria CBF

Árbitra assistente: Tatiane Sacilotti, São Paulo

O sonho de qualquer profissional que trabalha com futebol é chegar a uma Copa do Mundo. Na arbitragem não é diferente. A árbitra assistente Tatiane Sacilotti, de São Paulo, recebeu, no fim do ano passado, uma pré-convocação para a Copa do Mundo Feminina, que será disputada na França, em 2019.

Tatiane sabe que o caminho até a convocação final não será fácil. Primeiro, ela e as companheiras Neuza Back, assistente, e Edina Batista, árbitra, passarão por diversos treinamentos e testes, tanto da CBF quanto da FIFA – Tatiane e Edina vão para Portugal no fim do mês para a disputa da Copa Algarve (mundialito de seleções femininas), e Neuza atuou nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

A árbitra assistente começou na profissão em 2003, aos 17 anos, quando as experientes Silvia Regina e Ana Paula Oliveira, hoje instrutoras da CBF, estavam no auge de suas carreiras. Em 2004, ingressou na Federação Paulista e, em 2011, trabalhou pela primeira vez na série A1 do Campeonato Paulista Masculino. Naquele ano, fez a final da competição entre Santos e Corinthians e foi eleita a terceira melhor árbitra assistente do torneio, dentre homens e mulheres. Em 2012, chegou ao quadro masculino da CBF e, em 2016, tornou-se árbitra FIFA. Logo no primeiro ano, esteve no Sul-Americano Sub-17 Feminino, na Venezuela, e Mundial da categoria, na Jordânia.

– Não tenho palavras para explicar. Logo no meu primeiro ano FIFA já fui chamada para o Sul-Americano Sub-17 e para a Copa do Mundo Sub-17. É um sonho. Quando cheguei lá, falei para mim mesma que tudo tinha valido a pena. E agora, no meu segundo ano sendo FIFA, recebo a pré-convocação para a Copa do Mundo da França de 2019. É muito bom. Tenho muito trabalho até lá e vou me esforçar.