Eis o verdadeiro cara do futebol brasileiro

Sábado, 7 de janeiro de 2012

Eis o verdadeiro cara do futebol brasileiro

Foto: Alberto Hélder
Na vida moderna, ou mesmo em todos os tempos, o comandante esteve acima dos soldados e era da competência dele fazê-los aptos ao desempenho de suas responsabilidades e capacidade de bem concluir a tarefa. A introdução presente traz à cena Sérgio Corrêa da Silva (foto), presidente da CA/CBF, que em consequência disso verte o presente articulado que, tem por fim prestar não apenas uma homenagem, como se poderia dizer, mas também a gratidão do futebol brasileiro à sua pessoa.
Um olhar para o país que tem o maior número de partidas oficiais no ano, isso em relação ao futebol profissional, dirigida por única entidade que é a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a escalação de árbitros é algo que exige postura e seriedade de quem é responsável pela missão.

Tanto assim, que Sérgio Corrêa tem semana a semana, na sua maioria em intervalos menores no dia a dia, que apontar árbitros, assistentes, quarto árbitros, assessores de árbitros e delegados especiais para jogos da Copa do Brasil e de mais quatro certames nas Séries A, B, C, e D. Isso na multiplicação de cada prélio, coloca em campo número expressivo de árbitros, o que é um verdadeiro teste de capacitação para bem cumprir a responsabilidade, que, prescinde afirmar, é de dimensão tremenda.

E Sérgio Corrêa já vem fazendo tão significativo trabalho há muitos e muitos anos, podendo-se dizer que ele é para o futebol brasileiro aquilo que foi Stve Jobs para a cibernética ou o que significa José Bonifácio Oliveira Sobrinho, o Boni, para a TV brasileira.

Dito isso, tem-se por certo que na apologia feita a Sérgio Corrêa, fica a impressão inafastável que ele é um notebook biológico. Assim, torcedores, cartolas, imprensa, clubes, atletas, técnicos, federações, ficam conhecendo um pouco daquele que é o verdadeiro “cara” do futebol brasileiro. Em nossa opinião, o indigitado dirigente é merecedor de um busto nas adjacências da CBF, pelo que já realizou e pelo que ainda virá projetar no setor da arbitragem brasileira.

Setor esse que agrega os personagens mais importantes do futebol que são os árbitros, que, na realidade, para quem se concentrar e meditar com equilíbrio, observará que os homens do apito são tão importantes no contexto de uma partida de futebol como Pelé, Maradona, Messi, Neimar e tantos outros para o futebol mundial. Digo isso porque, num trilar do apito do árbitro ou no levantar da bandeira pelo assistente, de forma inadequada se decide o destino de uma partida, de uma classificação e, por extensão, de um título.

PS: não conheço o presidente da CA/CBF, Sérgio Corrêa da Silva, com quem falei pouquíssimas vezes ao longo dos últimos quatro anos via fone. Mas, para tecer as considerações em tela a seu respeito, o fiz embasado no acompanhamento semanal, que faço a cada divulgação das escalas de arbitragem nos últimos anos nas competições sob a jurisdição da CBF, que são: Copa do Brasil, Séries A, B, C e D. Além do exposto, o nominado dirigente ao assumir o comando da arbitragem nacional, deu continuidade ao excelente trabalho de aprimoramento e aperfeiçoamento aos apitos brasileiros, com a realização de inúmeros cursos com Instrutores da Fifa, na Granja Comary (RJ). Trabalho esse que teve como percussor, o Dr. Edson Resende de Oliveira, o que propiciou a revelação de uma plêaide de árbitros futuristas nunca antes revelada no futebol brasileiro. São frutos do trabalho de Sérgio Corrêa, Anderson Daronco (RS), Antonio Schneider (RJ), Bruno Boschilia (PR), Fabricio Neves Correa (RS), Francisco Carlos Nascimento (AL), Marcelo Carvalho Van Gasse (SP), Marcio Chagas da Silva (RS), Sandro Meira Ricci (DF), Tatiana Jaques de Freitas (RS), Wilton Pereira Sampaio (DF) e Wagner Reway (MT).

“Chega de piti” – 14 Abril 2015

3/04/2015 21h15 – Atualizado em 14/04/2015 15h56

Em circular, CBF determina mais rigor contra reclamações: “Chega de piti”

Sérgio Corrêa, presidente da Conaf, fala em “falta de respeito” com a arbitragem e quer que tribunais também atuem: “Reclamam de tudo, lateral, tiro de meta, em treino”

Por Daniel Mundim, Rio de Janeiro

Acabou a paz para aquele jogador, técnico ou dirigente que esbraveja contra os árbitros. Pelo menos é o que pretende a Comissão Nacional de Arbitragem da CBF (Conaf). A entidade enviou nesta segunda-feira uma circular aos seus afiliados determinando mais rigor às punições por reclamação, seja antes ou depois dos jogos. Segundo o presidente da Conaf, Sérgio Corrêa, os protestos de atletas e treinadores estão cada vez mais acintosos, e a arbitragem está mais desrespeitada.

sem-piti

– Aproveitamos a rodada do meio de semana da Copa do Brasil para fazer esse alerta aos árbitros. Está virando um “piti” geral. Tem piti para lá, para cá. Quando marca lateral, reclamam. Quando marca uma falta, reclamam. Quando marca qualquer coisa, reclamam. Tem que acabar o “piti”. Os árbitros tem que tomar vergonha na cara também e punir mais. Temos visto de uma maneira geral um desrespeito total à autoridade da arbitragem. Ou cumprem a regra, ou serão punidos. Isso vale para todos, jogadores, treinadores, qualquer um – comentou Sérgio Corrêa.

reclamação juiz jogo São Paulo Corinthians (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)“Sem piti”: CBF quer mais rigor nas punições por reclamação contra arbitragem (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

A Conaf já havia pedido “medidas enérgicas” contra reclamações no item 19 de seu ofício com as orientações para 2015. Naquele documento, a CBF reitera que os juízes devem expulsar “os que atuarem de maneira desrespeitosa, acintosa ou grosseira”. Segundo Sérgio Corrêa, a circular enviada nesta segunda também é um recado para os tribunais ficarem atentos a declarações feitas fora dos gramados.

Os árbitros tem que tomar vergonha na cara também e punir mais. Temos visto um desrespeito total. Sérgio Corrêa, presidente da Conaf

 

– A gente tenta não estragar o espetáculo, mas não tem jeito. As pessoas não querem. Reclamam em treino, no jogo, em lateral, em tiro de meta. Reclamam de tudo. Se não está bom, alguma coisa está errada. Não admitimos mais esse tipo de comportamento. Todos que derem declarações contra a arbitragem de maneira desrespeitosa poderão ser punidos. Todos têm que ir para o tribunal. Ou respeita a autoridade em campo, ou será punido – sacramenta o presidente da Conaf.

O documento deixa claro que o cartão vermelho deve ser uma opção para punir os reclamões.

– Qualquer pessoa que, durante ou ao final da partida, se dirigir à equipe de arbitragem para aplaudir (de forma irônica), reclamar de qualquer marcação ou ofender a equipe de arbitragem deverá ser EXPULSA (se for jogador ou substituto) e EXCLUÍDO (se oficial de equipe), devendo o fato ser registrado fielmente e em linguagem clara e objetiva no relatório da partida. Os fatos dessa natureza ocorridos fora do campo, inclusive na saída do estádio também devem ser registrados nos relatórios, inclusive entrevistas, acaso ouvidas pessoalmente, por qualquer dos integrantes da equipe de arbitragem – diz um dos trechos da circular.

A orientação é direcionada somente aos árbitros que atuem por competições organizadas pela CBF. Sérgio Corrêa não quis citar exemplos de casos recentes que poderiam ter tido maior punição nem comentou as arbitragens polêmicas do fim de semana, ocorridas em estaduais. Ele apenas reforçou que a determinação já é válida para os jogos desta semana pela Copa do Brasil.

http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2015/04/em-circular-cbf-determina-mais-rigor-contra-reclamacoes-chega-de-piti.html

Rigor dos árbitros – 19 Jun 2015

19/06/2015 08h59 – Atualizado em 19/06/2015 08h59

Rigor dos árbitros aumenta número
de cartões e tempo de bola rolando

Presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Corrêa, elogia o comprometimento dos jogadores no Brasileiro e afirma que apesar da nova norma diálogo é possível

Por Eduardo de SousaRio de Janeiro

Sérgio Correia - presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (Foto: Vicente Seda)Presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Correia,
afirma que diálogo é possível apesar do rigor dos árbitros
(Foto: Vicente Seda)

Como diz o narrador Milton Leite nas suas transmissões: “Seeeegue o jogo!!!” Apesar de muitos jogadores ainda questionarem o rigor dos árbitros na aplicação de cartões para punir os atletas que reclamam das suas marcações, impossibilitando qualquer tipo de diálogo, as estatísticas mostram que a iniciativa começa a dar resultados. Em 2014, apenas três partidas nas sete primeiras rodadas do Brasileiro – Figueirense 0 x 2 Santos, Goiás 2 x 0 Botafogo e Chapecoense 2 x 0 Palmeiras –  tiveram, no mínimo, 60 minutos de bola rolando, conforme recomenda a Fifa. Este ano, com a nova diretriz, já são 11 nos 70 jogos disputados até agora. O tempo médio de bola rolando também aumentou de 52m28s para 56m, sendo que a partida Atlético-PR 1 x 0 Atlético-MG, na Arena da Baixada, registrou 69m54s. Segundo o presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Corrêa, a evolução é fruto da compreensão dos atletas, técnicos e árbitros.

Tabela média de bola rolando partidas - 2 400 (Foto: infoesporte)
Tabela mostra jogos com tempo de bola rolando superior a 60m nas primeiras rodadas da Série A em 2014 e 2015 (Foto: infoesporte)

 

– O avanço é extraordinário, e o comprometimento dos jogadores tem sido exemplar. Claro que ainda existem exceções, mas que fazem parte do processo de adaptação. Os próprios treinadores têm ajudado muito nessa missão. Além disso, temos designado delegados especiais e instrutores experientes na últimas rodadas no sentido de orientar os árbitros para que mantenham o equilíbrio na relação com os atletas. Afinal de contas, o que o árbitro exige do jogador, o jogador também exige do árbitro. Daí a importância deste trabalho que a CBF está fazendo para valorizar o respeito entre árbitros, jogadores, comissões técnicas e torcedores.

O maior rigor por parte dos árbitros para coibir a pressão exercida pelos jogadores influenciou também na média de cartões amarelos, que passou de 4,65 no início do Brasileirão em 2014 para 5,61 neste início do Brasileirão, enquanto a de cartões vermelhos aumentou de 0,25 para 0,31 no mesmo período. No ofício emitido com as orientações para 2015, a Comissão de Arbitragem já havia pedido “medidas enérgicas” contra reclamações no item 19. No documento, a CBF reitera que os juízes devem expulsar “os que atuarem de maneira desrespeitosa, acintosa ou grosseira”. Preocupada com a questão, em meados de abril, a entidade enviou uma circular específica aos seus afiliados determinando mais rigor às punições por reclamação, seja antes ou depois dos jogos. Num dos trechos, o texto deixa bem claro que <i>”qualquer pessoa que, durante ou ao final da partida, se dirigir à equipe de arbitragem para aplaudir (de forma irônica), reclamar de qualquer marcação ou ofender a equipe de arbitragem deverá ser EXPULSA (se for jogador ou substituto) e EXCLUÍDO (se oficial de equipe), devendo o fato ser registrado fielmente e em linguagem clara e objetiva no relatório da partida. Os fatos dessa natureza ocorridos fora do campo, inclusive na saída do estádio também devem ser registrados nos relatórios, inclusive entrevistas, acaso ouvidas pessoalmente, por qualquer dos integrantes da equipe de arbitragem”. Clique aqui para conferir a íntegra da circular.

Tabela média de cartões partidas 2014 e 2015 (Foto: Reprodução)
Tabela mostra total e média de faltas e cartões nas sete primeiras
rodadas das Séries A e B em 2014 e 2015 (Foto: Reprodução)

A média de faltas por jogo nas sete primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro caiu de 34,5 no ano passado para 29,5 em 2015. Tal número é inferior ao registrado na última Copa do Mundo. Durante o Mundial, cada partida teve cerca de 30 faltas por jogo, assim como a temporada 2013-2014 do Campeonato Alemão. Embora continue distante da Inglaterra, país com a menor menor média de faltas por jogo (21,2), o Brasil se aproximou de nações importantes como Itália (28,9) e Espanha (27). A princípio pode parecer pouco, mas são aproximadamente 300 infrações a menos no Brasileirão. É como se tivéssemos uma rodada inteira da Série A sem uma falta sequer assinalada. A orientação, que também está sendo aplicada com sucesso na segunda divisão, reduziu a média de faltas na competição de 36,2, em 2014, para 31,1 este ano, realidade não muito distante da encontrada na Série A.

Graças ao trabalho de mapeamento e acompanhamento dos árbitros que vem sendo realizado desde 2008, a Comissão de Arbitragem consegue fazer uma previsão aproximada de quantas faltas cada um deverá marcar numa rodada com base na média, no perfil, no grau de experiência e no histórico deles nas Séries A e B do Brasileiro. Acostumado a conviver com as pressões e cobranças do cargo, Sérgio Corrêa, além das noções teóricas e práticas, teve que transmitir também calma, confiança e tranquilidade aos envolvidos para que todo o esforço apresentasse o resultado esperado. Ao lembrar que em 2003, primeiro ano dos pontos corridos, a média de faltas na Série A era de 52,4 por jogo, quase 23 a mais que o verificado atualmente, o presidente da Comissão de Arbitragem afirma que ao ser alvo da pressão e insatisfação dos jogadores das duas equipes, o árbitro tende a amarrar mais o jogo, marcando seguidas faltas, muitas vezes sem necessidade, só para atender de certa forma a vontade dos atletas.

Tabela média de faltas partidas campeonatos  (Foto: Reprodução)
Tabela mostra média de faltas e cartões na Copa
e principais campeonatos europeus (Foto: Reprodução)

– Sem pressão, o árbitro melhora o seu desempenho, mesmo tendo frações de segundo para tomar a sua decisão, pois tem calma para raciocinar e interpretar melhor a jogada, deixando o lance seguir se for o caso. Nas principais ligas europeias, o número de faltas é mais baixo, pois os jogadores também reclamam menos. Todo mundo que trabalha sob pressão, independente da área ou profissão. vai acabar provocando um acidente. Dois terços dos árbitros que atuaram na Série A do Brasileiro em 2015 têm médias de faltas inferiores a 35 por jogo. Tudo fruto de um trabalho contínuo e sem pressão sobre os profissionais de arbitragem.

Nas sete primeiras rodadas do Brasileiro, cinco árbitros apresentaram médias de faltas por jogo inferiores às registradas na Inglaterra (21,2): André Luiz de Freitas Castro (GO), Dewson Fernando Freitas da Silva (PA), Marcelo Aparecido de Souza (SP), Paulo Roberto Alves Junior (PR) e Thiago Duarte Peixoto (SP). Outros cinco tiveram média superior a 37 infrações por partida: Cleisson Veloso Pereira (MG), Vinicius Gonçalves Dias Araujo (SP), Italo Medeiros de Azevedo (RN), Igor Junior Benevenutto (MG) e Braulio da Silva Machado (SC).

Mesmo com menos interrupções durante as partidas, a média de gols permaneceu em 2,2. No entanto, o presidente da Comissão de Arbitragem acredita que a média de 2,2 gols por jogo no Brasileiro do ano passado será facilmente superada em 2015, assim como a presença de público, que tende a comparecer mais aos estádios com a melhora na qualidade das partidas.

– Tudo isso é um processo que vai trazer uma melhoria ao espetáculo. Com menos faltas e mais tempo de bola rolando, o jogo vai depender quase que exclusivamente da qualidade do jogadores e das equipes.

Críticas à intransigência

 Conversar é uma coisa. Reclamar, pressionar e ofender é outra
Sérgio Corrêa

Recentemente, o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo, e o meia Diego Souza, do Sport, reclamaram da intransigência dos árbitros ao longo das partidas. Na opinião de Sérgio Corrêa, este tipo de crítica parte justamente dos jogadores mais experientes, que mesmo tendo uma responsabilidade maior, por serem espelhos para os torcedores e atletas mais jovens, podem estar sentindo um cansaço maior por causa da idade mais avançada e pelo fato de o jogo estar mais corrido. Neste caso, acaba sendo interessante para eles parar um pouco o jogo para ganhar fôlego. Mesmo assim, o dirigente garante que não é proibido falar com o árbitro, apesar de a regra do jogo não ter nenhum dispositivo que permita o jogador conversar com ele.

– Nenhum jogador é punido por falar com o árbitro. Tudo é a forma como o atleta ou a comissão técnica vai se dirigir ao árbitro. Conversar é uma coisa. Reclamar, pressionar e ofender é outra. Se o árbitro não punir estas atitudes, ele é quem será punido. Conversar com o árbitro não é se dirigir até ele com outros cinco, seis, sete companheiros do lado. Isso é pressão. Jogador não pode ofender nem cumprimentar o árbitro de forma desrespeitosa, esmagando a sua mão. Se o árbitro errar, quem toma as providências é a Comissão de Arbitragem, da mesma forma que o treinador faz com os jogadores que não têm o rendimento esperado. Toda e qualquer reclamação pode ser documentada pelos clubes através da Ouvidoria de Arbitragem.

Afastamento como punição

Guilherme Ceretta de Lima expulsão Jonas Coritiba x Flamengo (Foto: Reprodução / TV Globo)
Árbitro Guilherme Ceretta de Lima foi afastado
após atuação ruim na partida entre
Coritiba e Flamengo (Foto: Reprodução / TV Globo)

Quando a Comissão de Arbitragem entende que um árbitro cometeu um erro grave, ele é punido com afastamento para que possa revisar os conceitos aprendidos durante o seu processo de formação. Neste início de Brasileirão, nove árbitros já foram afastados, sendo um na primeira rodada, dois na segunda, um na terceira, dois na quarta, um na quinta e dois na sétima. Os dois casos mais recentes envolvem Guilherme Ceretta de Lima (SP) e Wagner Reway (MT).

Na vitória do Flamengo sobre o Coritiba por 1 a 0, no Couto Pereira, o atacante Wellington Paulista, do Coxa, xingou de forma veemente o assistente Marcelo Van Gasse (SP), que apesar de estar a três metros de distância não percebeu, assim como o árbitro Guilherme Ceretta. O quarto árbitro Marcelo Alfiere (SP) notou, mas não comunicou o fato, alegando falha de comunicação no rádio. Segundo Sérgio Corrêa, mesmo com o imprevisto ele tinha que estar atento para na primeira oportunidade relatar o ocorrido.

 – O lance era no mínimo para cartão amarelo, mas pela ostensividade e ofensividade caberia o vermelho. Durante uma partida, qualquer decisão de ordem técnica não pode ser revogada. Se um gol não for assinalado na hora, paciência. Já uma marcação envolvendo a parte disciplinar pode. Pela omissão, o assistente e o quarto árbitro foram afastados da oitava rodada, enquanto que o árbitro Guilherme Ceretta de Lima, responsável pela condução do jogo, terá sua arbitragem analisada com profundidade pela Ouvidoria, ficando fora dos próximos sorteios até que haja um parecer definitivo.

Quem também não tem prazo para voltar a atuar é o árbitro Wagner Reway, que deixou de marcar pênalti claro do volante Dener em Eduardo Costa no último lance do clássico entre Avaí e Figueirense, na Ressacada, que terminou empatado por 1 a 1.

De acordo com o item 2 da regra 12 do futebol, que trata das faltas e incorreções, as infrações sancionáveis com cartão amarelo são as seguintes: desaprovar com palavras ou gestos as decisões da arbitragem; ser culpado de atitude antidesportiva; infringir de forma persistente as regras do jogo; retardar o reinicio do jogo; não respeitar a distância regulamentar num tiro de canto, tiro livre ou arremesso lateral; entrar ou retornar ao campo de jogo sem a permissão do árbitro; e abandonar intencionalmente o campo de jogo sem a permissão do árbitro. No caso do cartão vermelho, ele é aplicado para quem comete jogada brusca grave ou apresenta conduta violenta; cospe num adversário ou em qualquer outra pessoa; impede intencionalmente com a mão, com exceção do goleiro na sua própria meta, um gol ou chance clara; impede chance clara de gol do rival com falta punível com um tiro livre ou penalidade máxima; emprega linguagem ofensiva, grosseira e obscena; e recebe uma segunda advertência na mesma partida.

Cartões disparam – 26 Jun 2015

26/06/2015 19h05 – Atualizado em 26/06/2015 19h05

Após forte queda, número de cartões por reclamação volta a disparar

Dos 26 suspensos para a 9ª rodada, 11 levaram ao menos um cartão por contestar a arbitragem. Veja em que momento dos jogos esse tipo de advertência mais acontece

Por Valmir Storti, Rio de Janeiro

Principais motivos de cartões até a rodada#8 (Foto: GloboEsporte.com)

Parecia que os jogadores tinham se dado conta de que reclamar com a arbitragem só os prejudicaria pelo acúmulo de cartões. Só que não. Após uma forte queda, o número de cartões por reclamação voltou a disparar, como mostra levantamento do Espião Estatístico*. O pico das punições ocorreu na rodada 3, quando foram mostrados 22 cartões (21 amarelos e um vermelho). O número foi caindo até o mínimo de oito na rodada 6. Mas bastaram duas rodadas para esse número mais que dobrar e chegar a 19, segunda maior marca do Brasileirão 2015.

Houve 113 cartões mostrados nas oito primeiras rodadas por reclamação. Foram 50 quando o jogo estava empatado (33 quando em 0 a 0, 30 para mandantes, 26 no segundo tempo). Foram 41 para jogadores de equipes que estavam perdendo (34 no segundo tempo, 30 quando a diferença era de um gol, 29 para visitantes). E 22 para jogadores que venciam o jogo (20 no segundo tempo, 18 para mandantes, 16 quando a vantagem no placar era de um gol).

Na nona rodada, um “time inteiro” cumpre suspensão tendo recebido ao menos um cartão por reclamação: são 11 jogadores de nove equipes.

Patric, lateral do Atlético-MG (Foto: Reprodução / Premiere)Patric, do Galo, é expulso
(Foto: Reprodução / Premiere)

No Atlético-MG, Patric está suspenso por ter recebido cartão vermelho após reclamação. No Atlético-PR, Kadu recebeu amarelo por reclamação e cumpre suspensão pelo terceiro. O goleiro Weverton, também do Furacão, também está suspenso por amarelos. O terceiro foi por cera, mas os dois primeiros, por reclamação.

A lista não acaba: no Avaí, Marquinhos cumpre suspensão após um amarelo por reclamação, o segundo dos três que recebeu. Seu colega do clube Romário também está fora da rodada. Um dos três amarelos foi por reclamação.

No Coritiba, Wellington Paulista está fora por ter sido expulso na rodada passada. Levou um amarelo por reclamação e vermelho por atitude antidesportiva (dar um chutão na bola para longe).

O Fluminense não terá Marcos Junior, que reclamou gesticulando e levou o terceiro amarelo. O Goiás também tem um desfalque: Diogo Barbosa, que levou vermelho por reclamação. No Grêmio, o suspenso pelo motivo é Marcelo Oliveira.

Na Ponte Preta, Biro Biro teve dois dos três cartões que o suspendem desta rodada por reclamação. Para encerrar, Luan, do Vasco, recebeu o terceiro amarelo por reclamar com a arbitragem.

*A equipe do Espião Estatístico é formado por Bruno Marques, Gabriela Pantaleão, Guilherme Marçal, Igor Gonçalves, Leandro Silva, Pedro Lopes, Roberto Teixeira e Valmir Storti.

http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2015/06/apos-forte-queda-numero-de-cartoes-por-reclamacao-volta-disparar.html

 

Entrevista – 29 Jun 2015

29/06/2015 21h28 – Atualizado em 29/06/2015 21h45

Sérgio Corrêa não vê exagero em expulsão de Osorio: “Não foi diálogo”

Presidente da Conaf avaliza decisão e diz que árbitro Anderson Daronco errou na redação da súmula. Técnico tricolor é sexto na Série A a ser excluído por reclamação

Por Daniel MundimRio de Janeiro

A tolerância zero da CBF com os reclamões no Campeonato Brasileiro provocou mais uma polêmica. Após ser expulso no intervalo da derrota por 4 a 0 do São Paulo para o Palmeiras, o técnico tricolor, Juan Carlos Osorio, criticou a postura dos árbitros brasileiros e os chamou de intocáveis. Na súmula, o juiz Anderson Daronco escreveu que o colombiano reclamou “com o dedo em riste”. Para a CBF, a expulsão foi correta, e a única falha do árbitro foi na redação da súmula. Sérgio Corrêa, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf), diz que faltou o termo “ostensivo” na descrição do lance.

– Conversei com o Daronco, e ele falou que a reclamação foi ostensiva. Não foi só o dedo em riste. Ele saiu da área dele e foi em direção ao Daronco. Não é uma forma normal, não foi um diálogo. O Item 2 da regra 12 do futebol prevê a punição por amarelo por reclamar das decisões dos árbitros. Nós, na circular, acrescentamos a palavra “ostensivamente”, que caberia bem ali. Estamos orientando aos árbitros para que coloquem a palavra, claro quando realmente for uma reclamação ostensiva, como nesse caso. Está todo mundo achando que foi um diálogo, um bate-papo. Não foi – avalia Corrêa.

Juan Carlos Osorio Palmeiras x São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)Após a expulsão, Juan Carlos Osorio vê a partida Palmeiras x São Paulo das tribunas (Foto: Marcos Ribolli)

Na entrevista coletiva após a partida, Osorio se referiu a outros países, como Inglaterra e EUA, onde se pode “conversar como seres humanos”, o que, segundo ele, não acontece na relação com os árbitros nos jogos do Brasileirão. Sérgio Corrêa minimizou a declaração do treinador são-paulino. O presidente da Conaf acredita que o colombiano ainda precise se adaptar ao estilo de arbitragem brasileira, mas não alivia.

Eles (técnicos) não têm o direito de cobrar, como o árbitro não tem direito de falar da atuação do técnico, de dizer se o treinador está fazendo uma substituição errada
Sérgio Corrêa, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem

– Eu até entendo o caso do Osorio. Tenho certeza que, como ele é inteligente, ele vai se adequar e ver que o Brasil não é um país atrasado como ele deu a entender. Respeito a posição dele, que disse que na Inglaterra, Estados Unidos, são países avançados e há diálogo. O Brasil não é atrasado, está crescendo. Todas essas ações estão trazendo ganho real ao futebol ao ponto de chegarmos a números desses outros países, como no número de faltas. Diminuiu drasticamente. Temos que entender que o treinador e ninguém em campo tem o direito de interpelar o árbitro da forma como ele fez. Se o treinador fosse no meio de campo para falar com o árbitro já estaria invadindo o campo. Só por invasão, ainda sem reclamar, ele já teria que ser expulso – analisa Sérgio Corrêa.

Treinadores e árbitros na mira  

Juan Carlos Osorio foi o sexto técnico expulso neste Campeonato Brasileiro por reclamação. Antes, Vinícius Eutrópio, da Chapecoense, Gilson Kleina, do Avaí, Marcelo Fernandes, do Santos, Guto Ferreira, da Ponte Preta, e Argel, do Figueirense, também haviam sido excluídos do campo de jogo. O colombiano, assim como os outros, terá que cumprir suspensão na próxima rodada, conforme prevê o regulamento do torneio. A determinação é novidade no campeonato. Para Corrêa, o número é pequeno e tende a baixar. O presidente da Comissão Nacional de Arbitragem vê que, além dos treinadores, os jogadores têm se adaptado à nova postura dos árbitros, mas ressalta que os comandantes não estão imunes.

– (Os técnicos) estão sujeitos à expulsão sempre, dependendo da forma como se dirige ao árbitro. Isso foi traçado na reunião de treinadores no início do campeonato. Eles não têm o direito de cobrar, como o árbitro não tem direito de falar da atuação do técnico, de dizer se o treinador está fazendo uma substituição errada, se escalou mal a equipe, ou qualquer outra situação. Não é sua função – enaltece.

Da mesma forma, Corrêa reitera que o exagero dos juízes também está na mira da CBF. Árbitros que demonstrarem abuso de autoridade na punição podem ficar fora de sorteios.

– O árbitro também, se exibir o cartão de forma ostensiva, como quem diz “eu que mando”, será punido. Já tivemos vários, mas não divulgamos. Queremos árbitros com calma e tranquilidade – reforça Sérgio.

http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2015/06/sergio-correa-nao-ve-exagero-em-expulsao-de-osorio-nao-foi-dialogo.html

Entrevista – 12 Maio 2015

12/05/2016 17h50 – Atualizado em 12/05/2016 17h50

CBF planeja ter quadro nacional próprio de árbitros e assistentes

Uma vez formadas, estas equipes de arbitragem não teriam qualquer vínculo com as federações estaduais e atuariam somente nas competições nacionais

Por Eduardo de Sousa – Rio de Janeiro

Sérgio Corrêa, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (Foto: Reprodução SporTV)Sérgio Corrêa, presidente da Conaf,
revela intenção de a CBF ter um
quadro nacional de árbitros e assistentes (Foto: Reprodução SporTV)

Na semana que antecede o início do Campeonato Brasileiro, a questão do apito volta novamente à tona por ser assunto sempre envolvido em polêmica no futebol. Na tentativa de melhorar a qualidade da arbitragem nacional, a Comissão de Arbitragem da CBF (Conaf) planeja implantar num prazo de até três anos um quadro nacional de árbitros e assistentes.

Em julho, 13 trios de arbitragem (13 árbitros e 26 assistentes) das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, em sua maioria com idade até 28 anos e escolhidos pelas próprias federações estaduais, passarão por um intenso treinamento com os instrutores da Conaf, no qual serão abordados aspectos físicos, técnicos, teóricos e mentais. Segundo o presidente Sérgio Corrêa, a intenção é promover a renovação da arbitragem brasileira e prepará-los para as futuras competições nacionais e indicações para o quadro da Fifa. Seria apenas o primeiro passo para a criação de um quadro nacional de árbitros e assistentes.

– Temos um projeto para que os árbitros e assistentes sejam da CBF e não mais das federações. A intenção da CBF é formar a médio, longo prazo as suas próprias equipes de arbitragem nacionais. Neste caso, eles trabalhariam apenas nas competições nacionais. Começaremos pelo Norte, Nordeste e Centro-Oeste, pois Sul e Sudeste são as regiões com mais instrutores e maior investimento por parte das federações. Também pensamos oferecer cursos de árbitros para jovens a partir de 16 anos.

 A intenção da CBF é formar a médio, longo prazo as suas próprias equipes de arbitragem”
Sérgio Corrêa, presidente da Comissão de Arbitragem

No entanto, o presidente da Comissão de Arbitragem ressalta que este planejamento não tem relação com a questão envolvendo a possível profissionalização dos árbitros. Segundo ele, para que isso ocorra é preciso superar eventuais resistências para romper com uma estrutura que já está implantada há décadas e levar em consideração o aspecto financeiro e a logística – o que os árbitros e assistentes farão durante o período dos estaduais.

– Caso este modelo seja realmente implantado, a tendência é a de que os árbitros nacionais tenham uma relevância maior, mas as federações irão pressionar para contar com eles. Sendo assim, é preciso ter cuidado para que nenhuma parte seja prejudicada, e as arbitragens nos estaduais não sejam niveladas por baixo. Ao mesmo tempo, tal iniciativa pode contribuir para a formação de novos bons árbitros. Embora estejamos em 2016, sete, oito estados do país ainda não têm uma escola com cursos regulares de arbitragem.

Todos estes projetos da Comissão de Arbitragem ainda dependem de apresentação e aprovação das instâncias superiores da CBF. Ao fazer uma análise das arbitragens nos principais estaduais do país, Sérgio Corrêa destacou a evolução ocorrida na relação dos jogadores e comissões técnicas com os árbitros, citando como exemplo o Paulistão.

– Comparando com o ano passado, eu notei uma mudança no comportamento dos jogadores em relação ao respeito aos árbitros. Em 2015, as reclamações e empurrões eram frequentes. Graças à cruzada pelo respeito que introduzimos a partir do último Brasileiro, através de punições mais rigorosas para quem extrapola com gestos, xingamentos ou agressões na hora de fazer suas ponderações aos árbitros, notamos que comissões técnicas e jogadores entenderam que é muito melhor jogar futebol sem reclamações, deixando possíveis queixas para as autoridades competentes. As reclamações só deixam o ambiente nervoso e tenso, o que atrapalha a atuação das equipes de arbitragem, pois trabalham com a obrigação de acertar o máximo possível sob pressão. No Paulistão, apesar de o regulamento ter previsto o rebaixamento de seis clubes, o que poderia aumentar o nível de estresse, houve uma diminuição no número de faltas e cartões, com as partidas terminando com muita tranquilidade.

Santos x Audax - Gabriel discute com árbitro Raphael Claus (Foto: Marcos Ribolli)Na opinião de Sérgio Corrêa, a relação dos jogadores e comissões técnicas com os árbitros está melhor graças ao maior rigor adotado nas punições para quem extrapola na hora de fazer as suas ponderações (Foto: Marcos Ribolli)

Expectativa para o Brasileiro

Este ano foi registrado um maior investimento por parte das principais federações estaduais nas pré-temporadas das equipes de arbitragem. Ciente deste trabalho, a CBF disponibilizou instrutores sem nenhum gasto para 21 federações como forma de colaborar no treinamento dos árbitros para as competições. Outro ponto positivo destacado pela Comissão de Arbitragem foi o preparo físico dos trios de arbitragem. Sérgio Corrêa ressalta também a maior uniformidade nos critérios adotados na hora de o árbitro aplicar a regra. Para o Brasileiro, a expectativa é manter os bons números, na avaliação da CBF, dos anos anteriores. Em 2013, o nível de acerto dos assistentes na Série A foi de 81%. No ano seguinte, este índice aumentou para 84%, e em 2015 atingiu 90%.

Bandeirinha árbitro impedimento  (Foto: Agência Getty Images)
Nível de acerto dos assistentes aumentou de 81%, no Brasileiro de 2013,
para 90% na edição de 2015 (Foto: Agência Getty Images)

– Queremos elevar ainda mais estes índices para que os árbitros e assistentes tenham a tranquilidade necessária na hora de exercer as suas funções e não sejam alvos dos problemas ocorridos no campo de jogo. Não vai ser fácil, pois esta competição é a mais disputada do planeta, com no mínimo 12 clubes com chances de ser campeão. Um ingrediente que eleva a dificuldade, mas estamos trabalhando para que a cada ano melhoremos a qualidade das equipes de arbitragem com treinamentos e avaliações teóricas e físicas constantes – relata Sérgio Corrêa.

Com o objetivo de proporcionar um melhor acompanhamento dos árbitros e assistentes, a Comissão de Arbitragem colocará em uso a partir da primeira rodada da Série A do Brasileiro uma nova ferramenta para a análise dos seus desempenhos, possibilitando rápido acesso aos dados, inclusive através de vídeos. Tal software, que já é usado por 16 clubes para avaliar os seus atletas, foi especialmente adaptado para analisar a atuação das equipes de arbitragem. Na opinião de Sérgio Corrêa, a intenção é ter um retrato fiel de suas performances para que o desempenho de todos eles nas 38 rodadas da competição seja o mais próximo do ideal possível, dispensando provavelmente o uso de assessores da Comissão de Arbitragem nas partidas, o que por sua vez diminuirá as despesas dos clubes, responsáveis por estas despesas.

– O Brasil é pioneiro nessa ferramenta para a arbitragem. Através dela poderemos identificar com mais facilidade os árbitros e assistentes que devem ser promovidos, aqueles que devem receber orientações pontuais e quem precisa passar por um processo de reciclagem. A implantação do sistema surgiu a partir de uma proposta dos próprios clubes, a começar pelo Flamengo, para a CBF ter um acompanhamento minuto a minuto do desempenho dos árbitros.

Software de análise de desempenho dos árbitros da CBF (Foto: Reprodução/CBF)Novo software que será usado a partir deste ano vai possibilitar que a Comissão de Arbitragem analise as atuações de todos os árbitros e assistentes da Série A do Brasileiro ao longo das 38 rodadas da competição (Foto: Reprodução/CBF)

Outra novidade é o aperfeiçoamento do portal dos árbitros, criado pela equipe de Tecnologia da Informação (TI) da CBF, para reunir todos os dados de árbitros e assistentes, transformando-o num canal de informação e fórum de debates. Caso ocorra um lance polêmico, o vídeo é colocado lá para ser debatido por eles juntamente com a Comissão de Arbitragem, permitindo que, após chegarem a um consenso, a orientação e interpretação sejam unificadas a partir de então. A CBF investiu também na teleconferência. facilitando a comunicação entre todas as federações e os instrutores da Comissão de Arbitragem. Além de reduzir os custos com passagens e hospedagens, tal tecnologia garante que as orientações sejam transmitidas de maneira única para todos.

MONTAGEM - novas regras futebol cbf (Foto: Reprodução)

Sobre a maior revisão das regras feitas nos últimos 130 anos pela International Board para facilitar a interpretação por parte dos árbitros em todo o mundo, Sérgio Corrêa afirma que as normas foram ajustadas para dar aos árbitros a possibilidade de não punir em excesso as equipes, dando mais justiça ao jogo. Dentre as mudanças mais significativas, ele cita a regra 12, que trata de lances em que há oportunidades claras de gol. Pela nova redação, “quando um jogador impedir um gol ou uma clara oportunidade de gol da equipe adversária com falta de mão deliberada, o jogador deve ser expulso onde quer que a falta ocorra. Quando um jogador cometer uma falta contra um adversário dentro da própria área penal, que impedir um gol ou uma clara oportunidade de gol do adversário, e o árbitro conceder um tiro penal, o jogador infrator será advertido com cartão amarelo, salvo se a falta for de segurar, puxar ou empurrar; o jogador infrator não tentar jogar a bola, ou não houver possibilidade de jogar a bola; a falta for punível só com cartão vermelho. Em todos estas circunstâncias, o jogador é expulso.” O presidente da Comissão de Arbitragem também dá outro exemplo.

– Quando o jogador for punido com cartão amarelo ou vermelho por falta mais violenta, o jogador lesionado poderá ser rapidamente atendido no próprio campo de de jogo. Até agora, o atleta machucado é retirado de campo, e a partida prossegue, favorecendo a equipe infratora, que por alguns minutos atua com um atleta a mais.

Tais regras atualizadas serão colocadas em prática pela Comissão de Arbitragem a partir da primeira rodada das Séries A, B, C e D do Brasileiro. Na Copa do Brasil, o procedimento será adotado a partir da terceira fase, enquanto na Copa do Brasil Sub-17 e o Campeonato Brasileiro Feminino só na próxima edição.

http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2016/05/cbf-planeja-ter-quadro-nacional-proprio-de-arbitros-e-assistentes.html

Entrevista – 11 Dez 2014

11/12/2014 06h00 – Atualizado em 11/12/2014 08h59

Relatório tem 99% das notas de juízes entre boas e excelentes na Série A

Documento da CBF conta com só cinco partidas com avaliação entre 6,0 e 6,9: “A arbitragem não é tão ruim quanto falam”, diz o presidente da Conaf, Sérgio Corrêa

Por Raphael Zarko e Vicente SedaRio de Janeiro

Nota 8,44. Esta é a alta média dos árbitros que atuaram no Campeonato Brasileiro da Série A, encerrado no último final de semana. Seguindo a escala de notas da Comissão Nacional de Árbitros de Futebol (Conaf), o resultado é considerado “ótimo”, bem próximo do “excelente” – atribuído aos diagnósticos acima de 8,9. As avaliações vêm de relatórios internos produzidos por ex-árbitros – chamados de assessores pela Conaf – em todos os jogos da Primeira Divisão do futebol brasileiro. No relatório, 98,66% das arbitragens foram consideradas “boas”, “ótimas” ou “excelentes”, e apenas 1,34% dos juízes receberam notas “aceitáveis”, categoria que fica entre 6,9 e 6,0. As análises estatísticas estão disponíveis no site da CBF e são o ponto de partida da série do GloboEsporte.com sobre a arbitragem brasileira (veja infográfico no fim do texto).

O Brasileiro da Primeira Divisão terminou sem uma nota de juiz ser avaliada como “ruim” – ou seja, com nota abaixo de 6,0. Houve quatro notas 10,0 para árbitros e duas para assistentes. A nota média final dos juízes ficou em 8,44, enquanto dos assistentes, em 8,33. A média geral das notas das avaliações, incluindo árbitros e assistentes, é de 8,36 na Série A deste ano.

– A arbitragem não é tão ruim como vocês falam – defende Sérgio Corrêa, presidente da Comissão Nacional dos Árbitros de Futebol (Conaf) da CBF, em entrevista realizada há uma semana na sede da entidade máxima do futebol brasileiro, na Barra da Tijuca.

Qualidade das arbitragens - serie A (Foto: Infoesporte)Diminuição de notas aceitáveis e aumento de notas ótimas e excelentes de 2013 para 2014 (Fonte: Conaf-CBF)

O presidente vai além:

– A análise (da arbitragem) não é feita sobre o erro. A falha pode não interferir no resultado da partida – explica o presidente da comissão.

Sérgio Corrêa, porém, cita exemplos de casos que causaram prejuízos nos resultados e que receberiam notas abaixo de 7,0: a final da Copa do Mundo de 1966, quando a Inglaterra venceu o Mundial com uma bola que não entrou, e a decisão do Carioca deste ano entre Flamengo e Vasco, quando um gol rubro-negro em impedimento decidiu o título.

– Nem tudo é muito ruim e nem tudo é muito bom. Há margem de erro como em qualquer atividade do ser humano. Geralmente até 5% das arbitragens são ruins, da mesma forma 5% são excelentes. O restante fica ali no meio, entre bom, regular, aceitável, muito bom, ótimo…

A cada nota abaixo de 7,0, o presidente da Conaf recebe uma mensagem no celular. Em 2014, em todas as competições organizadas pela CBF, em apenas 32 partidas os árbitros receberam notas abaixo de 7,0, num universo de quase 1.400 jogos avaliados. Na Série A, foram apenas cinco partidas com notas entre 6,9 e 6,0. Nestes casos, cada vez mais raros na avaliação interna feita pela CBF, o juiz é afastado por 30 dias das competições.

Sérgio Correia - presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (Foto: Vicente Seda)Sérgio Corrêa aponta para planilha de avaliação de árbitros: presidente da Conaf defende arbitragem (Foto: Vicente Seda)

Antes do afastamento – que não é tratado como punição, mas como uma reciclagem aos árbitros -, a comissão ainda se reúne para verificar se a nota baixa foi justa ou não. Há, portanto, uma nova checagem da nota enviada pelo assessor e também um direito a defesa do árbitro para contestar a má avaliação recebida em determinado jogo.

– É uma lenda essa história de que não há punição ao árbitro. Não divulgamos porque temos que proteger a pessoa. Imagine: o árbitro, que é o mais “fraco” em campo, vive fase ruim, como qualquer um de nós tem todas profissões, então vamos ficar dizendo que ele errou e que vai ficar 30 dias fora? Como esse cara volta depois? Ele é ser humano, precisa de motivação, de autoestima – diz Correia, ressaltando, porém, que “claro” que a comissão faz as cobranças internas e toma as devidas providências no afastamento temporário dos árbitros.

Um dos árbitros mais experientes do Brasil, Heber Roberto Lopes foi afastado após o erro no empate por 1 a 1 entre São Paulo e Internacional no Morumbi. No jogo, Heber falhou ao validar gol do Internacional em impedimento (veja no vídeo abaixo). Foi a última das 21 partidas em que o catarinense de 42 anos trabalhou nesta temporada – ele ficou de fora das últimas três rodadas do ano.

CRUZEIRO: CAMPEÃO E MAIOR QUESTIONADOR

Além do resultado das notas no relatório, Corrêa sustenta a opinião sobre o alto nível da arbitragem brasileira também no baixo número de reclamações formais. Um indicativo que está em queda. Em 2013, por exemplo, nos 380 jogos da Série A, apenas 10 reclamações formais foram enviados pelos clubes – 32 considerando todas as competições organizadas pela CBF, que vão desde campeonatos de divisões inferiores a torneios femininos. Em 2012, o número era maior: 34 queixas na Série A e 57 ao todo. Neste ano, a Conaf fecha a conta com 36 reclamações em quase 1.700 partidas de todas as competições.

Curiosamente, o clube que mais reclamou formalmente foi o campeão Cruzeiro, com oito questionamentos, cinco deles considerados procedentes

Para ter sua reclamação considerada – e registrada -, a CBF envia a cada início de temporada ofícios para os clubes pedindo que sejam produzidos DVDs com os lances editados de supostos erros das arbitragens. A ouvidoria recebe os vídeos e avalia se são procedentes ou não as reclamações. Neste ano, das 34 reclamações que chegaram na CBF, 16 foram consideradas improcedentes – por exemplo, uma reclamação de pênalti do clube, na qual a comissão tem outra opinião, é considerada improcedente. Curiosamente, o clube que mais reclamou foi o campeão Cruzeiro. Foram oito reclamações ao todo no Brasileiro – cinco delas consideradas procedentes, três foram julgadas improcedentes.

Jogadores do Cruzeiro reclamam (Foto: Marcelo Regua / Light Press)Jogadores do Cruzeiro reclamam com árbitro Francisco Nascimento em jogo com Fla (Foto: Marcelo Regua / Light Press)

Defensor da qualidade do trabalho das mais de 600 pessoas que chefia, entre árbitros, assistentes, assessores e delegados das partidas, Sérgio Corrêa diz que o Brasil acompanha a evolução mundial. Após a Copa do Mundo, por exemplo, a comissão criou um assessor de vídeo que assiste ao jogo pela televisão, com todos recursos disponíveis, e analisa todas as decisões do juiz para depois fazer outro relatório para a CBF.

NOTA 10 EM JOGOS POLÊMICOS

Marcelo de Lima Henrique (Foto: Luiz Henrique/Figueirense FC)Marcelo de Lima Henrique
tem a média  de notas mais alta do Brasil
(Foto: Luiz Henrique/Figueirense FC)

A avaliação dos juízes é feita em uma ficha de seis páginas. Todo árbitro parte da nota 7,0 – anteriormente saíam de 8,0 – e tem acréscimo ou diminuição de notas de acordo com a dificuldade do jogo e com a sua atuação, segundo análise dos assessores da Conaf. Em jogo com grau de dificuldade “normal”, a nota mais baixa pode ser 5,0 e a mais alta 9,40. Na dificuldade “média”, vai de 5,50 a 9,90. Em jogos de nível “alto” de dificuldade, um juiz é avaliado como ruim com 5,90 de nota, que pode chegar até 10.

Neste Brasileiro, foram quatro notas 10, quatro atuações perfeitas, de acordo com as informações passadas por Sérgio Corrêa. Marcelo de Lima Henrique, árbitro que mais atuou nesta temporada e que tem a maior média de notas, ganhou 10 pela atuação na vitória do Atlético-MG sobre o Cruzeiro por 3 a 2. Anderson Daronco anulou três gols nos 2 a 0 do Coritiba em cima do Botafogo e ganhou 10. Elmo Alves Rezende repetiu a dose em partida do Coxa, em novo 2 a 0, desta vez em cima do Palmeiras. A última nota 10 foi para Luis Claudio de Oliveira em jogo polêmico: Corinthians 3 x 2 São Paulo.

O presidente da Conaf explica a lógica do escalonamento das notas pelas dificuldades apresentadas na partida, pelos fatos e eventuais erros que mudam ou poderiam mudar o resultado final do jogo.

Quem avalia não são pessoas técnicas, avaliam por lance qualquer, um erro qualquer, às vezes não foi o árbitro que errou, foi o assistente. O árbitro não deve pagar por esse erro”
Sérgio Corrêa, presidente da Conaf, sobre análise da mídia a respeito de arbitragens

– Você vai para o jogo com todos ingredientes que exigem um grande árbitro, experiente, mas a equipe vai e goleia a outra por 6 a 0. Ou seja, a expectativa que você tinha naquela partida caiu por terra pelo resultado. Mas, digamos, que nesses 6 a 0, quando estava 0 a 0, o árbitro marca mal um pênalti para a equipe, que perde. Houve possibilidade da interferência no resultado, mas não consumado. Se converte, seria 1 a 0. Será que a outra equipe golearia? Nunca vamos saber. Nesse caso, a nota não poderia nunca ser superior a 7,5. Daí para baixo – diz Corrêa, que contesta a análise geral do público e mídia de que a arbitragem brasileira é ruim.

– Quem avalia não são pessoas técnicas, avaliam por lance qualquer, um erro qualquer, às vezes não foi o árbitro que errou, foi o assistente. O árbitro não deve pagar por esse erro.

Nesta sexta-feira, a série “Duas faces do apito” abordará um tema áspero, mas de alta relevância para o esporte: a manipulação de resultados.

NÚMEROS DA ARBITRAGEM

INFO números árbitros 2014 (Foto: infoesporte)

Entrevista – 14 Dez 2014

4/12/2014 06h00 – Atualizado em 14/12/2014 06h00

Juiz profissional: alto custo, lei, risco de “chinelinho” e taxas são obstáculos

Cartolas debatem profissionalização. Conaf teme acomodação com contratação e tecnologia: “Árbitro é massacrado porque é amador. Se for profissional, será fuzilado”

Por Raphael Zarko e Vicente SedaRio de Janeiro

Header ARBITRAGEM NO BRASIL (Foto: Infoesporte)

Bico ou profissão? O dilema da arbitragem brasileira coloca na mesma balança árbitros que ganham mais de R$ 100 mil em um Campeonato Brasileiro, outros que sequer entram no sorteio para as competições nacionais e uma realidade de atrasos e pagamentos abaixo de um salário mínimo. O tema é complexo e a discussão, antiga. Desde outubro de 2013, por decreto da presidente Dilma Rousseff, há um reconhecimento da profissão, mas, na prática, pouco mudou. O presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf), Sérgio Corrêa, não vê chance de profissionalização sem a inclusão da tecnologia e avalia risco de surgimento dos “chinelinhos do apito” com salários para árbitros e assistentes. O presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) questiona o vínculo dos juízes com as comissões de arbitragem e Jorge Rabello, representante do Rio de Janeiro, fala em “utopia de profissionalização” enquanto a Lei Pelé não for aplicada às Consolidações das Leis Trabalhistas (CLT).

A reportagem que debate a profissionalização é mais uma da série de reportagens do GloboEsporte.com sobre a arbitragem brasileira. No primeiro dia, as altas notas das atuações dos árbitros na Série A do Brasileiro em relatório produzido anualmente pela Comissão Nacional dos Árbitros de Futebol (Conaf) foram o assunto. No segundo dia, o tema foi a CBF ter ligado o alerta contra a manipulação de jogos no Brasil nove anos após o escândalo conhecido como “Máfia do Apito”, em que jogos foram anulados devido à venda de resultados pelo ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, em 2005. Depois, a eficiência na marcação de impedimentos e os erros dos bandeirinhas foi outro tema abordado.

Um dos chavões mais antigos quando se debate a qualidade dos árbitros brasileiros, a cobrança pela profissionalização dos juízes e bandeirinhas está na boca de treinadores, jogadores, jornalistas e torcedores a cada rodada e cada erro nas partidas. A realidade, no entanto, mostra que há parcela representativa da classe que vive sim dos vencimentos do futebol. Em média, um juiz do quadro da Fifa ou da CBF apita de 15 a 20 jogos por ano no Brasileiro da Série A. A taxa nesses jogos pode chegar a quase R$ 4 mil por partida (veja o quadro com a comparação das taxas da arbitragem abaixo) e há finais de campeonato – o Carioca é um exemplo – que pagam até R$ 8 mil ao juiz.

INFO - Salários da arbitragem no Brasil (Foto: Editoria de Arte)

O presidente da Associação Nacional dos Árbitros, Marco Antônio Martins, lembra que a maioria dos árbitros e assistentes que trabalham com futebol são professores de instituições públicas ou funcionários do estado, o que lhes garante, inclusive por lei federal, o direito a se ausentar do ofício para atuar nas partidas sem prejuízo ao seu ofício convencional.

– Se o cara tem que apitar quarta e ele é obrigado a sair um dia antes, sai na terça e volta na quinta. Como vai ter emprego fixo? Isso é uma falácia. O que mais temos hoje é um grande número de árbitros que são funcionários públicos e que se beneficiam justamente da lei federal. Ela (a lei) os protege para a saída deles para apitar jogo. Então, ele é personal trainer, é professor de educação física em colégio do estado, militar, da marinha, do exército – enumera Martins.

Em realidade semelhante à de jogadores de futebol no país, se há uma elite que pode receber bem por algumas horas de trabalho, há um cenário desolador de falta de pagamento, de juízes e assistentes que bancam passagens e combustível e penam para receber reembolso e um crescente número de problemas levados até ao Ministério do Trabalho.

– A diferença das taxas é gritante. Em São Paulo, às vezes, o árbitro ganha até mais do que no Brasileiro. E em Teresina, em Brasília, tem juiz que ganha R$ 300 por jogo. Imagina o auxiliar, que ganha metade? Temos casos em Rondônia, Roraima, Acre de taxas atrasadas, coisas que não são cumpridas, como por exemplo o que diz no estatuto do torcedor. Lá está escrito claramente: o juiz deve ser remunerado previamente na partida. Agora, temos conhecimento de juiz que paga R$ 4 mil, R$ 5 mil de passagem e depois fica a ver navios. Então está longe de estar tudo às mil maravilhas – contesta Martins, reconhecendo, no entanto, os avanços na gestão de Sérgio Corrêa.

Sérgio Correia - presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (Foto: Vicente Seda)Sérgio Corrêa considera inevitável o surgimento do “chinelinho do apito” com profissionalização (Foto: Vicente Seda)

Quem paga a conta?

Corrêa e Martins estão em lados opostos quando se discute os custos da profissionalização. Para o presidente da Conaf, “não tem federação que consiga bancar”, por exemplo, além de eventuais salários e passagens, centros de treinamento para capacitação dos árbitros e assistentes. Outra questão problemática para ele seria a logística para agrupar os árbitros de futebol.

– Mais de 80% da Europa dá para colocar aqui dentro. Onde vamos treinar esses árbitros? Por exemplo, temos no Tocantins um árbitro internacional, em Rondônia outro, como vamos montar essa logística? Vou trazer os árbitros para o Rio, vão morar aqui com a família? Vão deixar seus empregos? Se eles tiverem temporada ruim, vão ser demitidos e vão trabalhar onde depois? No Brasil, a dimensão atrapalha bastante, mas na estrutura hoje temos uma tranquilidade maior para trabalhar – avalia Corrêa.

O representante da associação dos árbitros discorda citando as altas cifras pagas em direitos de transmissão pela TV. Sérgio Corrêa estima gastos de R$ 6 milhões mensais, calculando salário-base de R$ 15 mil para 200 juízes. O presidente da Conaf ainda apresenta uma abordagem polêmica com essa possibilidade de remuneração fixa para o quadro de árbitros brasileiros.

– Só de salário fica um custo alto, sem falar no entorno, que é pagar preparador físico, academia… Mas, imagina, você é meu empregado, vai ficar em casa, vai treinar, vai ter responsabilidade e vai ganhar R$ 15 mil por mês… Rapaz, aí vai chegar no jogo, um cara vai e pede dispensa. Vai aparecer o chinelinho do apito. Não é que o medo seja esse, mas é inevitável – aposta o presidente da Conaf.

O presidente da Anaf rebate e afirma que a relação da produção do árbitro com uma carreira profissional seria igual à qualquer outra.

– Não vai ser criado nenhum chinelinho. Estamos falando de contrato de trabalho, de prestação de serviço. Você é jornalista, se você não produzir, você não vai embora? E outra: não falta dinheiro. O quadro da CBF é composto por 600 árbitros. Há necessidade disso tudo? Temos árbitros que nunca apitaram jogo da Série A, só estão no quadro para ganhar a camisa com o escudo da CBF. Por que não deixam a arbitragem cuidar da arbitragem? Por que não tem a independência das comissões de arbitragem? Acho que é uma questão de poder. Quem tem o poder não quer perder o controle das coisas – critica Martins, que pede o direito efetivo da classe se fazer representar em discussões como esta.

Jorge Rabello é Presidente da Comissão de Arbitragem da Federação de Futebol do Rio (Foto: Reprodução SporTV)
Jorge Rabello questiona legislação que reconheceu
profissão de árbitro (Foto: Reprodução SporTV)

O presidente da Coaf-RJ, Jorge Rabello, levanta outra questão: a legislação. Ele explica que, apesar do reconhecimento da profissão pelo decreto da presidente Dilma, não houve mudanças na prática. Ele acredita que a profissionalização só será possível a partir do momento em que os árbitros tiverem os mesmos direitos trabalhistas que os atletas.

– A primeira coisa a ser analisada é a seguinte: os árbitros já são profissionais. A Dilma regulamentou por decreto. Já é profissão. Mudou o quê? Nada. Por que não mudou? Porque não basta profissionalizar, tem de criar estrutura e regulamentar a profissão. Se profissionalizasse, a CBF não gastaria nada, ela não tem quadro de árbitro. Os quadros são das federações, o primeiro custo seria das federações, aí está o X do problema. Então a profissionalização esbarra em uma coisa muito simples: quem vai pagar a conta? Os árbitros, pelo decreto, estão automaticamente vinculados à Lei Pelé, mas com uma diferença, apenas nos artigos inerentes à arbitragem. Os atletas são vinculados à Lei Pelé concomitantemente à CLT. Aí os clubes têm de assinar carteira, depositar FGTS, na profissionalização dos árbitros caparam isso. Se fosse da mesma forma que os atletas, aí sim o processo iria começar. O resumo dessa profissionalização é isso: só existe uma possibilidade no Brasil, fazer da mesma forma como foi com os atletas. Aí não haveria saída. Fora isso, não tem profissionalização, é utopia.

“Com tecnologia não precisa de profissional”

A questão da tecnologia para proteger os árbitros das críticas implacáveis auxiliadas pelas dezenas de câmeras espalhadas por cada arena é considerada fundamental quando se discute profissionalização para Corrêa. Isso porque avalia que as críticas já são duras sem os árbitros terem o rótulo de profissionais. Quando tiverem, crê que pressão sobre os árbitros aumentará ainda mais. A tecnologia, portanto, seria um escudo na visão do presidente da Conaf. Por outro lado, analisa também que, com a tecnologia, “não precisaria nem de profissional”.

– O árbitro é amador, é massacrado porque é amador, se for profissional, nesses termos, ele vai ser fuzilado. Você não aceita o erro de um amador, imagina aceitar erro de um profissional. As palavras vão ser demissão… Só com tecnologia, com tecnologia não precisa de profissional. Se fosse fácil, já tinha sido feito. Ninguém quer ficar toda segunda-feira apanhando de vocês (imprensa). Não sou masoquista. Vai melhorar com profissionalismo? Sim, claro, óbvio que melhora a parte física, psicológica, não tenha dúvida que o cara estar num hotel, numa casa… Tiro por base a Copa do Mundo. São três anos de preparação, vão para os melhores hotéis, quarto isolado, carro à disposição, massagem, luxo, mas erram, p… – desabafou.

Durante a Copa do Mundo de 2014, a Fifa utilizou a Tecnologia da Linha do Gol com um sistema de câmeras – sete em cada baliza – para apontar com precisão quando a bola passou ou não da linha do gol. A entidade internacional deixou o aparato como legado, mas acabou não sendo aproveitado pela CBF por não estar disponível em todos os estádios dos campeonatos.

–  Teria que ter em todos os estádios, se tivesse teríamos a igualdade de condição, não podemos ter num jogo no Morumbi, outro na Arena Corinthians, no Rio, no Engenhão, outro no Mineirão, no Independência. São situações diferentes. Se acontece só em arenas que têm a tecnologia vamos ter condições de saber (se a bola entrou ou não). Se acontecer nos que não têm, não vamos ter condições de saber. Então é melhor que fique na falha humana. Se deixar na tecnologia em tese é zero erro, não tem discussão. Mas seria desigualdade na mesma competição – explicou Corrêa.

leandro almeida marcelo de lima henrique santos x coritiba (Foto: Getty Images)Arbitragem brasileira foi bem avaliada pela CBF no Campeonato Brasileiro de 2014 (Foto: Getty Images)

O presidente da Conaf mantém uma posição contrária à tecnologia por acreditar que fará diminuir o interesse pelo futebol e se defende de alegações de que, com isso, seria a favor do erro. Considera que o erro de o árbitro faz parte do imponderável do futebol, bem como um erro de um atacante que perde uma chance clara de gol.

– Eu acho o seguinte, se o árbitro tiver a tecnologia, eu acho, acompanho há muitos anos, vai ter redução no interesse pelo futebol. Eu falo isso e dizem: “Ele é a favor do erro!”. Não, não sou a favor. Sou a favor de mais trabalho, mais treinamento, fica como é o jogador. Jogador não tem interesse de chutar a bola para fora, assim como arbitro não tem interesse em errar. Tudo que fica na falha humana, é jogo de erros, se todos atacantes fizessem gols era uma goleada em cima da outra, se todos goleiros defendessem os chutes era zero a zero. Habilidade ou falha, sempre existe.

Adicionais fazem juízes correrem menos

Uma notícia já anunciada pela CBF também foi abordada com os presidentes da Conaf e da Anaf: o fim dos dois assistentes extras posicionados na linha de fundo. Sérgio Corrêa citou, entre as justificativas, uma estatística mostrando que os árbitros principais passaram a correr menos com a inclusão dos assistentes. Marco Antônio Martins rebate afirmando que foi justamente essa a orientação passada pelos instrutores.

– Uma das razões (para o fim dos assistentes extras) é a parte física do árbitro. Como tem dois ali, ele meio que desacelerou. Temos um trabalho que está sendo feito com um professor em Santa Catarina, trabalho científico, ele está monitorando Série A e Série B. Ele comprovou que na Europa eles (árbitros) estão correndo 12km por jogo, no Brasil era 10km e caiu para 8km. Então o árbitro brasileiro, inclusive, ganhou um pouquinho de peso, porque não se exige muito fisicamente dele. Tem vantagens, que ele está mais descansado para tomar decisões, mas tem desvantagens, que ele meio que se acomoda. E as decisões que aquela pessoa toma, nem sempre ele segue, porque ele tem visão muito clara da situação de campo. É como aquele cozinheiro, quando dois mexem na panela ou falta sal ou sobra sal – analisa Corrêa.

Na visão do presidente da Anaf, os assistentes extras são válidos.

– Não foi árbitro que correu menos. É justamente a orientação dos instrutores que foi nessa linha: a de que deixasse uma parte do campo para os adicionais. E te pergunto: o último jogo do Palmeiras, o pênalti dado foi pelo adicional. Se o Palmeiras tivesse caído sem esse pênalti, já valia a pena ter o adicional? Se perguntar para o Sport, Chapecoense, que o adicional viu bola dentro do gol e fora do gol, esses clubes achariam que não era necessário? Acho que isso passa muito pela questão financeira. Sempre se quer economizar em cima do árbitro. É mais questão financeira do que técnica. Adicional é fundamental, é necessário, não temos tecnologia, um monte de câmera contra a gente, então quanto mais árbitros tiver em campo é melhor. Claro que vão ter erros, isso faz parte da arbitragem.

INFO números árbitros 2014 (Foto: infoesporte)

Entrevistas – 22 Out 2015

‘Sem vídeo não tem mais jeito’, assume diretor de arbitragem da CBF

Gazeta Press
22 de outubro de 2015 10h16min
Sergio Correa
O presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sergio Corrêa, que foi alvo de diversas críticas por parte de Peter Siemsen, presidente do Fluminense, na última quarta, disse relevar a opinião do dirigente tricolor, que se mostrou irritado com a postura da arbitragem após a primeira semifinal contra o Palmeiras.

O presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sergio Corrêa, que foi alvo de diversas críticas por parte de Peter Siemsen, presidente do Fluminense, na última quarta, disse relevar a opinião do dirigente tricolor, que se mostrou irritado com a postura da arbitragem após a primeira semifinal contra o Palmeiras. Diante das crescentes polêmicas, o diretor afirma que não há mais meios de impedir a utilização dos vídeos para ajudar na tomada de decisão dos árbitros.

Em entrevista ao SporTV nesta quinta, na sede do prédio da CBF, Corrêa ressaltou a necessidade de respeitar os árbitros independentemente das falhas e até brincou com as reclamações que lhe tem sido passadas. “O trabalho e o investimento têm sido feitos na arbitragem. Chegamos a um ponto no futebol em que o árbitro, sem ter vídeo, não tem mais jeito. Entendemos o momento e a revolta”, ponderou. “Só sendo Jesus Cristo para resolver todas essas reclamações”, completou, em tom descontraído.

Se, por um lado, relevou a posição de Peter Siemsen, que “estava de cabeça quente”, o maior responsável pela arbitragem no futebol brasileiro reforçou a necessidade de se respeitar as decisões da arbitragem, apesar de reconhecer que o olho humano já não suporta tamanho nível de detalhe nas jogadas. “O ser humano que está ali não tem mais condições de decidir com a precisão que as pessoas querem. Mas tem que respeitar. Estamos falando de seres humanos e não de seres perfeitos”, declarou.

Sobre o requerimento enviado a International Board, órgão internacional que regulamenta as questões pertinentes à arbitragem, para a utilização de imagens pelos árbitros, Corrêa confirmou que um parecer mais concreto é aguardado até o mês de março, mas que até lá o futebol brasileiro precisará controlar as reclamações.

“Já foi encaminhado e falado. Eles sinalizaram que vão autorizar o Brasil a fazer um experimento. Mas até março, data limite para um ‘ok’, será preciso respeitar o ser humano, a pessoa que está ali trabalhando sozinha para o bem do futebol”, argumentou, defendendo a classe dos árbitros.

https://esportes.yahoo.com/noticias/v%C3%ADdeo-tem-jeito-assume-diretor-arbitragem-cbf-121614565–spt.html

 

Série de Entrevistas – 18 Ago 15

O presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, deixou de lado o silêncio e saiu em defesa de seus pares após acusações seguidas de beneficiamento ao Corinthians, líder do Brasileirão e campeão simbólico do primeiro turno. Em entrevista ao programa Primeiro Tempo, do canal por assinatura Bandsports, o dirigente questionou, entre outros pontos, a própria incompetência dos atletas e a incoerência quanto aos resultados recentes do Atlético, um dos clubes envolvidos nas polêmicas, que no ano passado eliminou Corinthians e Flamengo nas semifinais da Copa do Brasil, por exemplo.

“Não é defender a arbitragem. É falar o que de fato aconteceu de verdade. A gente está cansado de ouvir pessoas darem as soluções para a arbitragem, só que não conseguem nem resolver os problemas internos de suas equipes. Os árbitros são seres humanos que erram tanto quanto seus jogadores, que são profissionais. Eles falam de incompetência da arbitragem, mas quando o atacante perde um gol, quando um jogador toma um cartão de forma bisonha deveriam vir a público falar da incompetência de seu jogador. Eles vão continuar errando porque são seres humanos”, disparou Sérgio Corrêa.

“Quando um jogador perde um gol ele também prejudica a classificação da equipe. Cansa esse discurso preparatório para as próximas rodadas. Ouvir que A, B ou C está sendo beneficiado por A ou B. Ano passado, na Copa do Brasil, quando o Atlético foi campeão, ele ganhou do Corinthians e do Flamengo. Nos últimos anos, Corinthians, Botafogo e Palmeiras caíram para a segunda divisão, então não tem benefício”, complementou.

Sérgio Corrêa ainda questionou o trabalho da imprensa na repercussão da polêmica. “Não concordo. Qual foi o erro que beneficiou o Corinthians? É um absurdo o que vocês (imprensa) fazem. Existe um ser humano atuando e só. Enquanto vocês ficarem vendo teoria da conspiração, vai ser a mesma ladainha todo ano. Vocês falam em polêmica num lance acertado. Até os acertos são questionados no Brasil”, criticou.

Finalizando sua participação no programa televisivo, o dirigente ainda deu fim à polêmica mão na bola ou bola na mão. Segundo Sérgio definir regra não é coisa da CBF.

“Quem tem que determinar isso é a Fifa. Se vocês assistirem os vídeos que eles passaram vão entender as decisões dos árbitros.  Vocês vão ver que acertamos mais do que erramos”, finalizou.

srgio

http://www.otempo.com.br/superfc/presidente-da-comiss%C3%A3o-de-arbitragem-rebate-reclama%C3%A7%C3%B5es-do-atl%C3%A9tico-1.1089347