Sala invertida. Aprendendo mais…

Terça-feira, 22/08/2017, às 06:00, por Andre Ramal

Sala de aula invertida faz o aluno aprender mais, diz Jonathan Bergmann, pioneiro no método.

Uma das metodologias mais promissoras para renovar a sala de aula é a Sala de Aula Invertida. O americano Jonathan Bergmann, pioneiro do método e um de seus criadores, concedeu a este blog uma entrevista exclusiva, às vésperas de embarcar para sua primeira conferência no país, em evento organizado pelo GEN Educação e Universia Brasil. Na entrevista, ele garante que a Sala de Aula Invertida vai muito além de assistir a vídeos e traz uma nova forma de funcionamento da aula, na qual o professor, em vez de apresentar conteúdos, pode propor oportunidades de aprendizagem ativa e estabelecer mais relacionamento com os estudantes.

Andrea Ramal:O que é a “Sala de Aula Invertida”?

Jon Bergmann:
 Nosso sistema educacional está falido. Estabelecido sobre o modelo da era industrial, não atende mais às necessidades dos estudantes de hoje. A Sala de Aula Invertida (SAI) é a meta-estratégia que apoia todos os outros métodos de aprendizagem ativa. Funciona por sua simplicidade e impacto. Fundamentalmente, você muda o funcionamento da sala de aula. A apresentação de conteúdos sai do momento de grupo (horário da aula) para o momento individual (tempo do aluno sozinho – em geral, em casa). O momento do grupo (o horário das aulas) se transforma num ambiente em que estratégias de aprendizagem ativa podem ser usadas para aprofundar a compreensão do aluno, esclarecer as suas dúvidas e criar relacionamentos de qualidade.

Andrea Ramal: Comparado com os métodos tradicionais, qual a maior inovação da SAI?

Jon Bergmann:
 A Sala de Aula Invertida muda o local onde a apresentação de conteúdos acontece e, assim, transforma o encontro com a turma no momento de usar estratégias de aprendizagem ativa. Em vez do professor ficar na frente e dar a aula, o que abre uma distância (eu sou o professor, você é o aluno), na SAI o professor estabelece mais relacionamento com os estudantes, conseguindo atingi-los de um modo que não conseguia antes. Por isso, a SAI é muito mais do que usar vídeos. Ela tem a ver com as coisas ativas que acontecem na aula porque deslocamos as apresentações de conteúdo para outro momento.

Andrea Ramal: Que evidências você tem de que esta metodologia eleva o aprendizado e o desempenho dos estudantes?

Jon Bergmann: Já faz mais de 10 anos que ajudamos os pioneiros na SAI. A pesquisa e os relatórios de praticantes de todo o mundo confirmaram a sua eficácia. Essa metodologia eleva o desempenho nas provas, ajuda estudantes em dificuldades, ajuda os alunos a aprender uma segunda língua, é mais motivadora para os alunos, mais motivadora para professores, e a lista continua. A SAI está sendo usada agora em algumas das mais prestigiadas universidades do mundo, incluindo Harvard, Yale, MIT e Stanford. Qualquer um pode buscar Sala de Aula Invertida no Google e acessar todas as evidências necessárias.

Andrea Ramal: Como envolver os alunos com as tarefas prévias à aula quando muitos não têm a estrutura ideal (por exemplo, pais presentes, ambiente adequado, etc.)? Nas comunidades de baixa renda, nas escolas que convivem com uma rotina diária de violência no entorno, há espaço para a Sala de Aula Invertida?

Jon Bergmann: Vi a Sala de Aula Invertida implementada em áreas de baixa renda ao redor de todo o mundo. Normalmente, o que acontece nessas escolas é um modelo “inversão interna” (In-Flip). Ou seja, as tarefas individuais são realizadas durante o dia escolar. Não se espera que os estudantes tenham acesso à tecnologia em casa. Assim, no In-Flip, os alunos dedicam algum tempo na própria escola para assistir aos vídeos e, em seguida, o tempo de aula é usado como um ambiente para a aprendizagem ativa. Também estamos descobrindo, em diversas escolas em áreas pobres, que mais e mais estudantes têm acesso a um telefone celular. Então muitas escolas nessa situação privilegiam tecnologias acessíveis por celular.

Andrea Ramal: No Brasil, infelizmente, muitos alunos não têm fortes hábitos de estudos e acabam não fazem atividades de casa – o que, para o sucesso da Sala de Aula Invertida, é essencial. Como lidar com esse desafio?

Jon Bergmann: Essa é a pergunta mais recorrente sobre a SAI em todos os lugares. Temos uma orientação específica sobre como lidar com estudantes que não fazem a “pré-aula”. Há várias dicas que podem ajudar:

  • Use o In-Flip explicado na resposta anterior;
  • Ensine os alunos a interagir com o conteúdo;
  • Use vídeos curtos (3-7 minutos);
  • Nunca passe o conteúdo de vídeo na aula aos estudantes que não fizeram a pré-aula.

Descobrimos que essas estratégias fazem grande diferença na implementação bem-sucedida da SAI.

Andrea Ramal: Há Sala de Aula Invertida sem uso de tecnologias digitais?

Jon Bergmann: A SAI é uma solução pedagógica, não tecnológica – embora exista uma parte tecnológica. Portanto, é importante que as escolas escolham uma boa tecnologia ao implementá-la. Graças à tecnologia, por exemplo, os estudantes podem dar “pausa” e “voltar” a explicação do professor. Quantas vezes, na aula, um aluno ouve e tenta anotar tudo, mas se perde? A mágica não está na tecnologia, e sim em melhorar o que se faz com a turma.

Andrea Ramal: A SAI substitui antigas metodologias de ensino? Ou há intercessão possível?

Jon Bergmann: A Sala de Aula Invertida é o equilíbrio perfeito entre o antigo e o novo. Pense no “antigo” como palestra e no “novo” como centrado no aluno. A SAI ainda valoriza a apresentação de conteúdos, a instrução direta. Os alunos não dominam o que desconhecem, os professores sim. A SAI é um caminho para que os professores sigam ensinando seu conteúdo – mas em momentos diferentes. Assim, o tempo de aula pode ser mais centrado no aluno. O que será feito: um projeto? Uma experiência? Uma discussão? Simulações, jogos? Há muito para fazer na aula, de forma mais ativa e envolvente.

http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/sala-de-aula-invertida-faz-o-aluno-aprender-mais-diz-jonathan-bergmann-pioneiro-no-metodo.html

 

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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