Associações de árbitros aprovam…

Jogo no Pernambucano foi definido com o auxílio da nova tecnologia.

Árbitro de vídeo auxiliou o de campo no primeiro teste do futebol brasileiro | Foto: Fernando Torres / CBF / Divulgação / CP

Associações de árbitros que acompanharam o primeiro teste da história do futebol brasileiro com a utilização do recurso vídeo para auxiliar a arbitragem aprovaram com ressalvas a tecnologia. Empregada pela primeira vez no país, no jogo entre Sport e Salgueiro, na primeira decisão do pernambucano, a partida foi definida por uma cobrança de pênalti que teve o árbitro de vídeo como protagonista.

Aos 48 minutos do segundo tempo, José Woshington da Silva (árbitro principal) indicou pênalti para o Salgueiro. Neste momento, Fabrício Sales (assistente 2) sugeriu pelo rádio que a jogada fosse revista, pois tratava-se de uma grande decisão. O árbitro, então, fez o sinal em forma de tela, gesto previsto pelo protocolo para indicar que haveria a revisão.

Dentro da unidade móvel, o árbitro de vídeo Péricles Bassols (CBF/PE), por intermédio do operador, apresentou a Woshington o lance pedido por ângulos. Como não era uma questão inequívoca para nenhum dos lados (foi ou não pênalti), a marcação dependia da interpretação do árbitro principal. Ele conferiu o replay no monitor disponível ao lado do gramado – no tempo normal do movimento e em câmera lenta – e confirmou a penalidade.

 

“De acordo com o protocolo aprovado pela FIFA, o árbitro de vídeo só deve interferir, indicando que a marcação precisa de mudança, quando o lance não depende de interpretação, ou seja, fica nítido que o árbitro principal, de campo, está cometendo um erro. Como as imagens não nos mostraram isso, reforcei para o Zé (José Woshington) que ele próprio deveria olhar os replays no campo e checar. Fez isso e manteve o pênalti”, revelou Bassols.

O chefe do Departamento de Arbitragem da CBF e coordenador do projeto do árbitro de vídeo no Brasil, Sérgio Corrêa, elogiou a postura dos seus comandados no jogo e a tecnologia. “Não seria fácil atuar em um jogo desses, uma final de campeonato, sabendo que tratava-se de um dia histórico para o futebol brasileiro e mundial. Tanto a equipe de campo, quanto a da unidade móvel, atuaram dentro do protocolo e isso nos traz muita satisfação, pois é uma ideia que nasceu no Brasil”, declarou Corrêa.

“A equipe seguiu o protocolo e atuou, exatamente, como determinado pelos procedimentos acordados. Precisamos ajustar alguns elementos, como o tempo levado para a revisão, mas o que vi nos deixa muito satisfeitos com a demonstração do Brasil” afirmou o chefe do Setor de Futebol do International Football Association Board (IFAB), Dirk Schlemmer.

Durante o jogo, Péricles Bassols reviu vários lances no centro de vídeo, como saídas de bola pela linha de fundo e lateral, impedimentos e falta na entrada da área, entre outros. Porém, nenhum, independentemente de certas ou erradas, mereceu intervenção direta porque não terminou em gol.

“Estamos há dois anos no esforço contínuo para possibilitar a realização de hoje (domingo). Sabemos que ajustes são necessários, que a evolução é gradativa, mas não dá para esconder o orgulho pelo ineditismo do futebol brasileiro”, destacou Manoel Serapião Filho, instrutor e autor do projeto.

A proposta brasileira, e incorporada pela IFAB, aponta que o árbitro de vídeo não atua em todas as dúvidas surgidas em campo. As informações são passadas ao árbitro principal em quatro situações:

– Foi gol / Não foi gol

– Foi pênalti / Não foi pênalti

– Cartão vermelho direto indevido

– Identificação errada do jogador punido

Na terça-feira, a equipe que trabalhou na primeira final do Pernambucano se reúne no Rio de Janeiro para nova análise de todas as fases do processo executado antes, durante e depois do evento.

http://www.correiodopovo.com.br/Esportes/Futebol/2017/5/617118/Associacoes-de-arbitros-aprovam-primeiro-teste-com-recurso-de-video-no-Brasil

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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