Resposta 2008

A resposta de Sérgio Corrêa a Luxemburgo

Publicado em 07/08/2008, 18:55 /Atualizado em 07/08/2008, 18:57

A relação de Vanderlei Luxemburgo com a arbitragem está se deteriorando. Nesta quarta-feira, o treinador do Palmeiras disse que Sérgio Corrêa da Silva, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, não tem credibilidade para comandar o setor.

Correa divulgou uma carta aberta, em que repudia as declarações de Luxemburgo. O documento contém argumentos interessantes.

O treinador disse que somente ex-árbitros de ponta deveriam dirigir a arbitragem. Luxemburgo foi jogador de ponta?

Veja a carta de Sérgio Corrêa da Silva:

Carta aberta ao Sr. Vanderlei Luxemburgo
A respeito da matéria inserida ontem, 06/08, às 18h20, no site “globoesporte.com” de título “Luxemburgo: ‘O Sérgio Corrêa não tem qualidade para comandar a arbitragem’”, venho publicamente e apenas desta feita dizer ao Sr. Vanderlei Luxemburgo que:
1 – Realmente, não fui um árbitro de ponta, mas minha competência como dirigente em nada depende da minha atuação dentro das quatro linhas. Na arbitragem paulista, durante 20 anos, e brasileira, por 12 anos, contribui de forma efetiva, tendo em meu currículo “apenas” 638 jogos.
2 – Da mesma forma, não nos consta que o Sr. Vanderlei Luxemburgo, por sua vez, tenha sido um jogador de muita qualidade. Ainda assim, na função de treinador é um dos melhores do País, reconhecidamente.

3 – Respeito a opinião do Sr. Vanderlei Luxemburgo, mas se fôssemos seguir o seu raciocínio os clubes deveriam ter como treinadores exclusivamente os maiores ídolos de sua história. Assim, para dirigir o Corinthians o único nome seria Rivellino, para o Santos apenas Pelé, o Palmeiras teria unicamente Ademir da Guia, e assim por diante. Na Comissão de Arbitragem tivemos grandes dirigentes que se encaixavam no perfil desejado do Sr. Luxemburgo, mas nele eles ficaram a salvo das críticas ácidas e deselegantes como estas que me chegaram.

4 – Ou seja: se apenas ex-árbitros “de ponta” fossem capazes de comandar a arbitragem nacional, o mesmo teria de ser exigido em relação a treinadores – somente craques estariam aptos a exercer esta função. E, neste caso, será que o Sr. Vanderlei Luxemburgo teria recebido as primeiras oportunidades em sua vitoriosa carreira de técnico de futebol aqui no Brasil? Outro exemplo, o treinador Sr. Felipe, um dos poucos brasileiros a alcançar sucesso na função fora do nosso país, mesmo não tendo sido um Mauro Ramos de Oliveira.

5 – Além disso, não podemos nos esquecer de que em várias entrevistas o Sr. Vanderlei Luxemburgo admitiu que, sempre que possível, procura desviar o foco e tirar a responsabilidade dos seus jogadores. Ao atacar os presidentes das Comissões de Arbitragem da FPF, como fez no primeiro semestre, e da CBF, como faz agora, ele se apresenta como se fosse o único a saber todos os caminhos e, s.m.j. geralmente achamos que os outros fazem de acordo com que fazemos. Lembro, ainda que, em maio, na cidade de São Paulo, a CBF realizou um seminário e a arbitragem teve a oportunidade de repassar um pouco do que seria exigido no Brasileirão, com todos sendo convidados, porém nem todos apareceram.

6 – Por fim, lembro mais uma vez que não crio as leis do futebol e prefiro não polemizar com o Sr. Vanderlei Luxemburgo, pois em quase 30 anos de arbitragem aprendi que o sucesso só vem depois de muito trabalho e, que para atingirmos nossos objetivos, não precisamos desrespeitar as pessoas, algo que, em minha opinião, não faz parte dos valores dos verdadeiros grandes comandantes.

Rio de Janeiro, 7 de agosto de 2008

Sérgio Corrêa da Silva
Presidente da CA-CBF

http://espn.uol.com.br/post/27739_a-resposta-de-sergio-correa-a-luxemburgo

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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