Libertadores começou…

…sem árbitros brasileiros na escala

Publicado em 11/03/2017 – 00:00
A primeira semana da fase de grupos da Copa Libertadores da América trouxe uma surpresa na escala de arbitragem: nenhum trio brasileiro foi relacionado para as 12 partidas disputadas neste meio de semana. O blog apurou que o excesso de clubes do nosso país no principal torneio de clubes do continente — oito, ou seja, um quarto dos candidatos ao título — deixou a Comissão de Arbitragem da Confederação Sul-Americana (Conmebol) em uma situação delicada para elaborar a lista. A entidade adota o princípio da neutralidade. Evita usar árbitros que possam ter interferência direta ou indireta em grupos de times de suas nações. É aí que mora o problema…
O Brasil é representado por Atlético-MG, Atlético-PR, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio, Palmeiras e Santos. Um recorde nesta fase. Como Fla e Atlético-PR estão juntos, os oito estão distribuídos em sete chaves. O único grupo sem times do país é o 3, com Emelec (Equador), Independiente Medellín (Colômbia), Melgar (Peru) e River Plate (Argentina). Em tese, os árbitros brasileiros só poderão apitar partidas desses clubes.

Em entrevista ao blog, o paulista Wilson Luiz Seneme, presidente da Comissão de Arbitragem da Conmebol, explicou a saia justa. “São critérios que usamos na comissão. Não tem a ver com capacidade técnica, até porque, os árbitros brasileiros estão entre os melhores. Pensamos na preservação da maior competição continental. Maior neutralidade possível para evitar polêmicas desnecessárias. Um erro grave pode desclassificar uma equipe. Se for com um árbitro do mesmo país dentro do mesmo grupo potencializa o erro”, acrescenta.

No ano passado, o procedimento foi o mesmo. Porém, ao contrário desta edição, em 2016 não havia times brasileiros em três grupos. Apenas um árbitro brasileiro apitou partida de grupo com clube do seu país. Héber Roberto Lopes trabalhou na última rodada da chave do Corinthians. Apitou Cerro Porteño 1 x 0 Santa Fé. O Timão não seria beneficiado porque estava classificado em primeiro lugar.

A tendência é que os árbitros brasileiros voltem à escala na próxima semana. Motivo: os clubes do Grupo 3 estreiam na Libertadores. O Melgar enfrenta o Emelec, e o Independiente Medellín recebe o River Plate. Os times da Chave 1, do Botafogo, também vão disputar a primeira rodada no dia 14. Consequentemente, a tendência é que não haja juízes brasileiros. “Não é uma decisão fechada, avaliamos por rodada, sempre pensando primeiramente na competição. Vai depender de como segue a classificação de cada grupo”, argumenta Wilson Luiz Seneme.

Cachê de até R$ 10 mil

A trava na escala de árbitros devido ao excesso de clubes brasileiros deve diminuir o faturamento dos árbitros. O cachê de um juiz por partida na Libertadores é de US$ 2.550 (aproximadamente R$ 8 mil) mais diárias. O juiz é remunerado por jogo realizado. Obviamente, a falta de escala afeta o bolso. Atualmente, o Brasil tem 10 árbitros Fifa. Todos aptos para mediar partidas internacionais. Na primeira, segunda e terceira fases eliminatórias, quatro deles foram utilizados: Wilton Sampaio (GO), Luiz Flávio de Oliveira (SP), Sandro Ricci (SC) e Ricardo Marques (MG).

Brasiliense vinculado à Federação Goiana, Wilton Sampaio é árbitro Fifa. Ele apitou o empate por 0 x 0 entre Deportivo Táchira, da Venezuela, e Deportivo Capiatá, do Paraguai, pela primeira fase. O árbitro confirma que o cachê pode chegar a US$ 3 mil por jogo (R$ 9.500), admite que a concorrência para trabalhar será pesada na Libertadores, mas pondera. “A Conmebol preza pela neutralidade. A Libertadores deste ano tem apenas um grupo sem brasileiros. É justo”, opina.

Uma alternativa financeira é ser escalado para apitar a Copa Sul-Americana. O torneio é disputada no sistema mata-mata. Anderson Daronco (RS) e Wagner Magalhães (RJ), por exemplo, apitaram partidas desta edição.

Os 10 árbitros Fifa do Brasil
Anderson Daronco (RS)
Dewson Freita da Silva (PA)
Luiz Flávio de Oliveira (SP)
Raphael Claus (SP)Ricardo Marques (MG)
Rodolpho Toski Marques (PR)
Sandro Ricci (SC)
Wagner Magalhães (RJ)
Wagner Reway (MT)
Wilton Sampaio (GO)

Quem apitou nesta Libertadores?
» Primeira fase
Wilton Sampaio
Táchira 0 x 0 Capiatá

» Segunda fase
Luiz Flávio de Oliveira
Cerro 2 x 3 Unión Española
Sandro Ricci
Unión Española 2 x 0 Cerro
Ricardo Marques
Atlético Tucumán 2 x 2 El Nacional

» Terceira fase
Sandro Ricci
Junior Barranquilla 1 x 0 Atlético Tucumán

» Fase de grupos
Nenhum em 12 jogos até agora

 

http://blogs.correiobraziliense.com.br/dribledecorpo/4607-2/

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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