Transferência de Responsabilidade (2)

Arbitragem brasileira

Em 11/08/2012 13:50

Reclamações de técnicos, cartolas, torcedores e da imprensa. É isso o que mais ouve o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem CBF, Sergio Correa. O último clube a “gritar” contra os erros da arbitragem foi o Palmeiras. Antes, no entanto, tiveram postura semelhante Bahia, Fluminense e Internacional, entre outros.

Correa nega que haja um problema na arbitragem brasileira. “O que acontece na prática é que os clubes tentam transferir a responsabilidade das derrotas. É mais fácil para o dirigente”, defende em entrevista ao UOL Esporte. “Evoluímos muito nos últimos anos. Se fala muito dos juízes, bandeirinhas. Deixem a arbitragem em paz”, completa.

No cargo desde 2007, o dirigente culpa o que chama de “cultura de jogadores brasileiros de simular” pelo maior número de faltas em partidas do Brasil na comparação com a Europa. “O brasileiro cai muito. Tem muita simulação, tenta enganar o árbitro. Olha a fama que o brasileiro já tem. Veja o que o Neymar tá sofrendo na Inglaterra por causa disso”, afirma.

O atacante da seleção tem sido vaiado pelos torcedores ingleses nos Jogos Olímpicos por supostamente simular faltas.

Confira a entrevista de Sérgio Correa ao UOL Esporte:

UOL Esporte: Muito se fala em crise na arbitragem brasileira por causa de erros recorrentes. Você concorda com as críticas?

Sérgio Correa: Na prática, o que acontece é que os clubes tentam transferir responsabilidade. A gente já está acostumado. É mais fácil para o dirigente colocar a culpa na arbitragem. Quando o erro é grosseiro, nós afastamos de pronto. Investimos na arbitragem e ela melhorou muito nos últimos anos. Você pega a tabela e verifica o aproveitamento das equipes. Determinado time tem 20% de aproveitamento. Quer dizer que os outros 80% são culpa de arbitragem?

UOL Esporte: Mas se a arbitragem melhorou na sua opinião, por que a imagem é tão ruim? Não são só os dirigentes que criticam.

Sérgio Correa:Aqui só se reclama da arbitragem. Todo mundo se levanta, protesta contra o árbitro, mas não contra político que faz coisa errada. Você vê torcedor jogando bola na cabeça de bandeirinha e comemorando como gol. É uma palhaçada, tá virando sacanagem. Futebol não é tão importante assim. Semana após semana é a mesma ladainha.

UOL Esporte: No que a arbitragem melhorou no Brasil?

Sérgio Correa: Melhorou e muito. Tenho dados estatísticos que mostram isso, desde 2008. Os erros são por milímetros, não erros de metros como eram antes. Tem mais câmeras, televisionamento em todas as três séries principais dos Campeonatos Brasileiros (A, B e C). A visibilidade é bem maior. Ouço gente dizendo que piorou. Isso é saudosismo. Estamos investindo em treinamentos. Semana que vem começa um período de testes para os principais 30 árbitros e 30 auxiliares. Faremos avaliações físicas, teóricas com instrutores da Fifa para acompanhar tudo. Estamos fazendo a nossa parte para que possamos melhorar a arbitragem e, quando a reclamação procede, nós afastamos.

UOL Esporte: Não é arriscado a CBF aceitar vetos de clubes a árbitros?

Sérgio Correa: Quando há erro, nós afastamos antes da reclamação. A imprensa diz que o arbitro de Grêmio e Bahia, por exemplo, foi punido após críticas da mídia. Não é verdade. No domingo mesmo, depois do jogo, mandei um e-mail relatando os erros e já avaliamos as medidas que foram tomadas.

Nota da redação: Após os jogo entre Grêmio e Bahia, Cláudio Francisco Lima e Silva e os auxiliares Cleriston Barreto Rios e Ivaney Alves ficaram fora dos sorteios por 30 dias. O trio cometeu pelo menos dois erros capitais na derrota do Bahia para o Grêmio por 3 a 1.

UOL Esporte: Na sua opinião, por que há tantas expulsões no Brasil?

Sérgio Correa: Se fala que tem muita expulsão aqui, mais do que na Europa. Mas tem mais faltas aqui também. Sabe por quê? Porque o brasileiro cai muito. Tem muita simulação. Olha a fama que o brasileiro já tem. Veja o que o Neymar tá sofrendo na Inglaterra por causa disso. É cultural, todo mundo acha que é malandragem e isso atrapalha a vida do árbitro.

Fonte: UOL Esporte

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Sérgio Corrêa comenta seu afastamento da Comissão de Arbitragem da CBF

Sérgio Corrêa

ex-presidente Comissão de Arbitragem da CBF

26/08/2012 – 15h01 – Atualizado em 14/09/2013 – 16h01
O ex-presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, falou à Jovem Pan a respeito das recentes polêmicas envolvendo árbitros e sobre as freqüentes críticas feitas pelos presidentes dos clubes brasileiros. Corrêa foi destituído do cargo na comissão pelo presidente da CBF, José Maria Marin, após a polêmica partida entre Santos x Corinthians, em que três impedimentos em um mesmo lance deixaram de ser marcados pelo assistente Emerson Augusto de Carvalho. Em entrevista ao repórter JP Bruno Vicari e ao comentarista JP Fernando Sampaio, Corrêa afirmou que sua saída do comando da Comissão não aconteceu em virtude dos recentes problemas, mas em razão de um enfermidade que já o mantinha afastado das funções. “Não sobrou nada para o Sérgio Corrêa, não. Eu adquiri uma enfermidade em 21 de maio e ainda não me recuperei totalmente, tanto é que eu me afastei esse período todo dos trabalhos da comissão“, afirmou, completando que colaborava com os trabalhos na medida do possível. Corrêa comentou as pressões sofridas pelos árbitros em razão das reclamações dos clubes de futebol e as polêmica envolvendo os sorteios. “Todos reclama. Isso é da natureza do futebol e vai continuar com o Coronel Aristeu, porque existe uma coisa chamada estrutura”, afirmou, completando que o problema está na grandeza do Campeonato Brasileiro e na insuficiência de árbitros, o que leva a colocar árbitros ainda em formação para apitar jogos importantes. Sérgio Corrêa afirma que é bobagem dizer que o “grito” do Corinthians, no caso do último jogo contra o Santos, ou de outros times grandes não é maior do que o dos clubes pequenos. O que é levado em conta é o erro do árbitro. A respeito da qualidade de Emerson Augusto de Carvalho, que foi afastado para reciclagem após o jogo polêmico, Corrêa afirmou que nada mudou, mas que foi um erro muito grande para o momento do futebol brasileiro: “Não mudou em nada nosso conceito em relação ao Emerson, um grande assistente”. Corrêa afirmou que o afastamento de Emerson Augusto de Carvalho não tem nenhuma relação com pressões que o Corinthians teria feito, mas sim porque merecia o afastamento em razão de um erro grave. Sobre a qualidade atual da arbitragem brasileira, Corrêa afirmou que a opinião pública sempre considera as gerações anteriores melhores do que as atuais, isso se deve ao demorado processo para que os árbitros Fifa comecem a atuar e também à maior exigência física dos árbitros. Sergio Corrêa afirma que tudo o que acontece na arbitragem brasileira passa pela Comissão de Arbitragem da CBF e exalta a competência dos atuais dirigentes da entidade, que “têm todos os atributos que os árbitros cobram, qualidade, experiência, seriedade”. Em entrevista ao repórter JP Fredy Junior, o presidente da CBF José Maria Marin, afirmou que Aristeu Tavares, substituto de Corrêa, tem sua total confiança e que Sérgio Corrêa não deve voltar ao cargo na Comissão de Arbitragem.
Confira a entrevista
(http://jovempan.uol.com.br/esportes/futebolnacional/2012/08/presidente-da-cbf-nega-que-correa-retornara-ao-cargo-na-comissao-de-arbitragem.html)
No áudio acima você confere a entrevista exclusiva com Sérgio Corrêa, ex-presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, realizada pelo repórter JP Bruno Vicari e pelo comentarista JP Fernando Sampaio.

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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