Manter rigor no apito – 30/05/15

ENTREVISTA

Comissão ignora protestos e avisa: vai manter rigor no apito

Silvio Barsetti, Portal Terra – 30 MAI2015, 11h31

 

Confira a seguir a entrevista com Sérgio Corrêa:

Terra – Essa média de oito cartões por jogo na última rodada da Série A do Brasileiro não caracteriza um exagero? 

Sérgio Corrêa – Não. Ainda faltou dar cartão. Teve um árbitro que deixou de expulsar um atleta que o ofendeu com palavrões. E os dois estavam de frente um para o outro. Deu pra fazer a leitura labial. Esse árbitro já foi avisado que seu equívoco o tirou da quarta rodada.

Terra – Vários clubes, como Atlético-PR , Palmeiras e Santos, reclamaram do rigor dos árbitros na última rodada...

Sérgio Corrêa – É um direito dos clubes. Mas não podemos recuar. Nas três rodadas iniciais do Brasileiro a média de faltas por partida ficou em torno de 30. Isso é muito bom, é parecida com a média registrada em 2014 na Espanha e Alemanha. E tem outra coisa. Em seis partidas da terceira rodada, nós tivemos 60 minutos de bola rolando. A média dessa rodada foi de 56 minutos. No Brasileiro de 2014 ficou entre 50 e 51 minutos. Então, esse rigor representa a defesa do futebol e expressa um avanço, sem dúvida.

Terra – O presidente do Santos , Modesto Roma Júnior, revoltado com a arbitragem no jogo em que seu time perdeu para a Chapecoense , por 1 a 0, no domingo, chegou a declarar, em entrevista à TV Santa Cecília, de Santos, que o senhor era “o chefe da tribo”… 

Sérgio Corrêa – Vou me inteirar disso. Confirmando a declaração, vou passar o caso para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Como eu disse, todos podem reclamar, o que se exige é respeito, educação.

Terra – Como deve agir exatamente um atleta que se vê prejudicado com a marcação da arbitragem? 

Sérgio Corrêa – Repito: Não é proibido reclamar. A forma de protestar é que tem de estar dentro de um limite aceitável. Em alguns jogos desse início de Brasileiro também tivemos bons exemplos. Num lance do Flu x Atlético-MG (pela segunda rodada), três jogadores do time mineiro reclamaram de uma marcação com uma distância considerável do árbitro, com as mãos para trás e sem ofender ninguém. Não foram punidos.

Terra – Há também uma recomendação para os árbitros não gesticularem demais no momento de uma punição? 

Sérgio Corrêa – Sim, todos os árbitros sabem disso. Não queremos que eles tenham uma postura agressiva na hora de mostrar um cartão. O árbitro não pode achar que o cartão é um porrete. Deve ter equilíbrio.

Terra – Como a Comissão avalia as atuações de árbitros e assistentes? 

Sérgio Corrêa – Temos uma equipe de plantão a cada rodada. O delegado do jogo nos ajuda muito com seu relatório. Além disso, definimos um instrutor para todo jogo que é transmitido pela TV. Ele fica de casa com a incumbência de fazer uma análise bem crítica da arbitragem. Depois, nos prepara um relatório confidencial, que nós encaminhamos para o árbitro sem que ele saiba quem elaborou o documento. Isso vai para um banco de dados da comissão e serve de embasamento para as escalas e sorteios futuros.

Terra – Quantos árbitros e assistentes integram o quadro nacional no momento? 

Sérgio Corrêa – São 698, espalhados por 26 Estados e o Distrito Federal. E nós estamos aperfeiçoando a comunicação com todos. Quando sai a escala de uma rodada, da Série A, B ou C, e vai ser assim também na Série D , nós criamos um grupo próprio no WhatsApp que integra os árbitros e assistentes daquela rodada. Ali, eles tiram dúvidas e a gente reforça nossa orientação: não tolerar indisciplina.

Terra – A Comissão Nacional de Arbitragem teme novas reclamações pela escolha de árbitros de um Estado do qual pertença um dos clubes envolvido num jogo? 

Sérgio Corrêa – Não. Se o árbitro é bom, ele vai mostrar isso em todas as circunstâncias. E na próxima rodada da Série A já vamos ter e o Leandro Vuaden (RS) apitando Inter x São Paulo; e Anderson Daronco (RS) no Goiás x Grêmio. Isso vai ser uma constante no Brasileiro.

http://esportes.terra.com.br/futebol/brasileiro-serie-a/arbitragem-no-brasileirao-vai-manter-o-rigor-avisa-comissao,d70b6c4eb885e844e0f12954874cefacwx9gRCRD.html

 

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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