Entrevista: Wagner Reway

Wagner Reway (Asp/Fifa/MT), é o primeiro árbitro da CBF convidado para participar de um seminário da Uefa

Quarta-feira, 11 de março de 2015

[O arbitro brasileiro é um profissional que tem muita destreza e poder de adaptação, devido as características do país que tem diferente culturas e que influenciam diretamente a característica do futebol praticado aqui].

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O primeiro árbitro da América do Sul contemplado pelo convênio firmado entre a Uefa e a (Conmebol) Confederação Sul-Americana de Futebol, visando o intercâmbio da arbitragem, foi Enrique Osses (Fifa/Chile). Osses conviveu com a nata dos homens de preto do Velho Continente, no último mês de fevereiro, por ocasião do seminário de inverno da entidade europeia em Atenas na (Grécia). No retorno de Atenas, o indigitado árbitro falou ao Paraná online e ao Apito do Bicudo da experiência que viveu e quais foram os principais aspectos que observou na confraria do apito europeu.

Dando prosseguimento ao intercâmbio celebrado ente as duas entidades após a Copa do Mundo no Brasil, no próximo dia (14), o triunvirato brasileiro, composto pelo árbitro Wagner Reway (Asp/Fifa/MT) e os  assistentes Eduardo Cruz (MS) e Danilo Manis (SP), viajam à Nyon (Suíça), sede da Uefa. 

Os três irão participar do seminário de arbitragem da Uefa aos árbitros europeus, que será presidido por Pierluigi Collina e toda a cúpula de excelência da arbitragem da instituição em Nyon.

Além de serem submetidos aos testes teóricos e prático no campo de jogo, dos exames médicos, psicológicos e dos testes físicos padrão Fifa/Uefa, e conhecimentos do idioma oficial da Fifa. o inglês (ler, falar  e escrever de maneira clarividente), Reway, Cruz e Manis, irão dirigir uma partida da Liga da França ou da Suíça.

Fomos ouvir via CA/CBF um dos convidados pela Uefa, o árbitro Wagner Reway, sobre a presença dos homens do apito da CBF no evento em tela, considerado referência à arbitragem mundial. A seguir, a entrevista que o nominado árbitro concedeu ao Paranáonline.

Paranáonline – Enrique Osses (Fifa/Chile), foi o primeiro homem de preto da Conmebol a participar no período de 1º a 5 de fevereiro deste ano de um evento com a confraria do apito europeu. Qual foi a sua reação ao ser convidado como o primeiro juiz brasileiro?

Reway – Me senti muito feliz e lisonjeado pela oportunidade. Ciente da enorme responsabilidade que tenho em mãos, ao abrir as portas para que futuramente outros companheiros possam ter a mesma oportunidade de aprender, trocar informações e, principalmente, evoluir profissionalmente e como pessoa.

Paranáonline – Após a Copa do Mundo a Conmebol e a Uefa celebraram um convênio, no sentido de que árbitros e assistentes das duas instituições interagissem com a troca de informações e participações em seminários de arbitragem. Que contribuição esse tipo de interação pode proporcionar à arbitragem sul-americana e, por consequência, à brasileira?

Wagner Reway – Acredito que toda a interação técnica/cultural serve para a evolução e o crescimento tanto profissional como pessoal. Neste caso, além de proporcionar evolução à arbitragem de toda a Conmebol, incluindo a brasileira, na nossa opinião, possibilita um crescimento inominável e propicia a aproximação dos critérios nas tomadas de decisões da arbitragem em amplitude mundial

Paranáonline – Que mecanismos são necessários para prover o crescimento e a aproximação dos critérios dos homens do apito?

Reway – A Fifa, a Conmebol e a Uefa vêm desenvolvendo através dos seus instrutores um trabalho elogiável com cursos, seminários, painéis, objetivando a uniformidade dos critérios da arbitragem. Agora, com essa interação Conmebol/Uefa, e com a otimização na comunicação do inglês, o idioma oficial da Fifa, acredito que a uniformidade nas tomadas de decisões acentua-se, inclusive com a CBF disponibilizando a todos os árbitros da Renaf um curso online.

Paranáonline – Enrique Osses enalteceu a importância dada pelos árbitros da Uefa à preparação física. O sr. leu a entrevista de Osses?.   

Reway – Li sua entrevista na íntegra, inclusive a respeito da maneira profissional como os europeus tratam o pilar físico. Acredito que podemos aprender muito na troca de informações que vamos ter não só no pilar físico, mas também, nos outros pilares exigidos pela Fifa.

Paranáonline – A principal exigência da Fifa, da Uefa e da Conmebol é que os árbitros e assistentes que forem designados para seminários dessa natureza, sejam árbitros jovens, promissores, vocacionados, talentosos, que falem, leiam e escrevam o idioma oficial da Fifa, o inglês fluentemente.  Considera-se apto a atender os quesitos acima nominados?

Reway – Sim. Tenho como lema de vida nunca parar de aprender. Posso e devo evoluir, estou fazendo minha parte aqui no Brasil estudando e treinando exaustivamente não só a língua inglesa, mas os demais pilares que são o técnico, tático, físico e psicológico.

Paranáonline – Se convocado a dissertar sobre o conceito e estilo de arbitragem praticada no Brasil aos seus congêneres do Velho Continente, quais serão os tópicos positivos que pretende abordar e quais são as principais carências dos apitos brasileiros?

Reway – O arbitro brasileiro é um profissional que tem muita destreza e poder de adaptação, devido as características do país que tem diferente culturas e que influenciam diretamente a característica do futebol praticado aqui. Além da postura dos atletas acostumados a pressionar e tentar ludibriar o arbitro o tempo todo. Citaria o processo embrionário da profissionalização e a importância da sua implementação imediata, pois temos que estar aptos para apitar com pouco tempo de preparação no dia a dia.

Paranáonline – Além do trabalho de campo, exibição de vídeos sobre situações que ocorrem numa partida, dos testes físicos, teóricos, médicos, psicológicos que o sr. e seus assistentes serão submetidos, há informação de que o trio de arbitragem brasileiro irá dirigir uma partida das categorias de base do futebol suíço. Que estilo e conceito pretende aplicar se o fato acontecer?

Reway – Sabemos que vamos trabalhar em um jogo da Liga Francesa ou Suiça.  O trio planejará o jogo através das informações das equipes (tática, técnica, disciplinar, jogadores, comissão técnica etc).  E aplicaremos a regra que é algo universal.  E, por consequência, nos adaptaremos em relação ao controle de jogo, observando o comportamento dos atletas  e  aplicando os conhecimentos recebidos no curso.

http://apitodobicudo.blogspot.com.br/2015/03/entrevista-wagner-reway.html

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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