Entrevista, 26 Set 2014

CBF insiste no ‘pênalti à brasileira’ – e cria atrito com a Fifa

Chefe da arbitragem nacional se irritou ao ler que ex-árbitro Busacca disse que os pênaltis do Brasileirão são ‘absurdos’ – e criticou dirigente suíço via e-mail

“Eu não sou moleque, não sou irresponsável de querer inventar uma regra”, disse o chefe da arbitragem brasileira, irritado com o esclarecimento feito pela Fifa

O presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, tem mostrado irritação com as críticas dos jogadores, treinadores, dirigentes e torcedores aos pênaltis marcados em lances acidentais, em que a bola bate no braço do atleta, sem intenção – em suas entrevistas, ele sempre repete que a orientação veio da Fifa e que nada mudará. Depois que o chefe de arbitragem da própria Fifa, o suíço Massimo Busacca, esclareceu publicamente que os árbitros brasileiros têm cometido equívocos em sua interpretação desses lances, Corrêa não recuou. Pelo contrário: decidiu cobrar o responsável pela padronização da arbitragem no mundo todo e ainda repreendeu Busacca. A Fifa, ao mesmo tempo, reforça mais uma vez que não houve nenhuma mudança na orientação aos árbitros sobre os pênaltis em lances de “bola na mão”, responsáveis por um salto no número de infrações desse tipo no Brasileirão deste ano.

Preocupado em não ser visto como o culpado pela confusão, o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF disse ao chefe do setor na Fifa que ele criou uma situação desconfortável para os árbitros de futebol do Brasil. “Eu enviei um e-mail a ele dizendo que não existe critério brasileiro, que nós estamos seguindo o que os instrutores da Fifa, Jorge Larrionda e Oscar Ruiz, nos passaram recentemente. Ele me respondeu explicando que deu uma resposta genérica para um grupo de jornalistas”, contou Corrêa. “Depois, eu mandei uma outra mensagem e ressaltei que ele criou uma polêmica totalmente desnecessária e indevida”, disse o brasileiro em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Além de fazer questão de contar publicamente sobre a “bronca” que deu em Busacca – um ex-árbitro muito respeitado e que tem como incumbência justamente orientar os árbitros e melhorar a arbitragem no mundo todo -, Corrêa também teimou em dizer que nada muda na arbitragem do Brasileirão, mesmo com tantas reclamações.

Segundo ele, será mantida a orientação transmitida anteriormente ao quadro nacional de árbitros. “Se a mão ou o braço não estiverem colados no corpo e isso significar um benefício para o atleta que impediu a passagem da bola, aí a determinação é marcar falta”, disse Corrêa, insistindo no critério que tem provocado enorme irritação entre todas as equipes. O presidente da comissão da CBF ficou contrariado com a repercussão do assunto, multiplicada pelas reclamações de dirigentes, treinadores e jogadores quanto a casos recentes em partidas do Brasileirão e também pelas declarações de Busacca. “Eu não sou moleque, não sou irresponsável de querer inventar uma regra”, disse Corrêa, que recebeu o respaldo do presidente eleito da CBF, Marco Polo Del Nero. A Fifa, por sua vez, reforçou, em e-mail enviado ao Estadão, que “não existem mudanças na interpretação” dos lances de “bola na mão”.

A diretriz da CBF sobre a “mão na bola” aponta para uma direção exatamente contrária à avaliação da Fifa. Ao ser questionado sobre o assunto, no meio da semana, Massimo Busacca esclareceu que “não se pode dar falta a qualquer toque de mão” e que “isso é um absurdo”. Para ele, o que precisa ser pensado é se a mão de um jogador estava ou não no local de forma “natural ou não-natural”. “Um jogador precisa de sua mão e de seu braço para correr, para se equilibrar e para saltar. Não se pode jogar sem mão”, explicou. Para Busacca, questionar isso é “desrespeitar o atleta”. Em vários pênaltis marcados no Brasileirão deste ano, defensores foram surpreendidos pela marcação de pênaltis em lances meramente acidentais, em que a bola esbarrou no braço ou na mão por causa da velocidade do lance. Busacca deixou claro que um fator que precisa ser avaliado é se o toque foi “intencional ou não”. “Quando um jogador tenta fazer seu corpo maior usando a mão, isso deve ser punido”, disse.

(Com Estadão Conteúdo)

CBF insiste no ‘pênalti à brasileira’ – e cria atrito com a Fifa

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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