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Corregedor diz que relatório do trio de arbitragem do Fla-Flu nega interferência externa

Publicado em 18/10/2016 – 17:28
Esporte

 

Corregedor de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Edson Rezende de Oliveira recebeu um relatório de Sandro Meira Ricci, Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Van Gasse antes de o trio de arbitragem do polêmico Fla-Flu da semana passada embarcar para a Índia, onde vão trabalhar na Indian Super League (ISL) a convite dos organizadores do torneio. Em entrevista ao blog, Edson Rezende conta que o trio e o quarto árbitro, Leonardo Garcia Cavaleiro, negam no documento influência externa na anulação do gol do zagueiro Henrique. Ciente do pedido de impugnação do Fluminense, Edson Rezende entende a postura tricolor, mas considera mínima a chance de o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) anular o resultado de campo, ou seja, a vitória rubro-negra por 2 x 1. “Apesar do vaivém, definiram pelo certo”, argumenta.

Qual é o seu papel na apuração desse imbróglio do Fla-Flu?

Tem alguns dados, algumas informações do jogo que são exclusivas da ouvidoria de arbitragem. No meu caso, pediram que eu apurasse o ocorrido com o árbitro, o quarto árbitro, os auxiliares, o inspetor do jogo. A gente ouviu cada um deles para elaborar o relatório.

O que eles dizem no relatório: houve ou não interferência externa?

Todos negam. Dizem que os jogadores dos dois times pressionavam dizendo que houve e o outro lado que não houve impedimento. O quarteto de arbitragem (Sandro Meira Ricci, os auxiliares Emerson Augusto de Carvalho, Marcelo Carvalho Van Gasse e o quarto árbitro Leonardo Garcia Cavaleiro) diz que não houve comunicação externa.

Mas a leitura labial em matéria exibida pela tevê Globo indica o contrário…

Eu vi a leitura labial. Eu acho que é muito prematuro afirmar que o inspetor disse que a tevê havia apontado impedimento. E outra coisa, quando o inspetor chegou (próximo do árbitro e dos auxiliares), ele (Sandro Meira Ricci) já havia tomado a decisão final de anular o gol.

O que eles alegam para o vaivém na decisão?

Pelo que li, todo problema foi causado pelo próprio assistente. O Emerson Augusto de Carvalho é um baita bandeira, muito competente, mas estava em um dia ruim. A gente ouviu cada um deles. O Sandro anula o gol, mas, depois, o Emerson recua e o Sandro valida o gol. Em seguida, o Emerson pede para refazer o lance na mente dele. O Sandro aceita e diz ao Emerson: espera aí, pensa com calma. Foi quando ele viu que a primeira marcação dele, de impedimento, era correta, e o Sandro anula o gol.

Eles não admitem que houve influência de imagem?

Nenhum dos quatro. Dizem apenas que a todo momento os jogadores do Fluminense diziam que a tevê dava o lance como legal e os do Flamengo como ilegal.

Como você avalia o desempenho deles?

Apesar do vaivém, definiram pelo certo. É um trio de primeira grandeza do futebol brasileiro. É o mesmo trio da Copa do Mundo de 2014, da Copa das Confederações de 2013, das Olimpíadas, do Mundial de Clubes da Fifa.

Acha que o Fluminense terá sucesso no pedido de impugnação da partida?

É o papel do Fluminense entrar com o recurso. Eu vejo uma possibilidade mínima de ter sucesso. A prova tem que ser muito robusta, concreta. Não há provas de que tenha havido comunicação externa. É raro um jogo ser anulado.

É o caso mais difícil enfrentado pela corregedoria neste ano?

Ao longo do ano, recebemos muitas denúncias de árbitros pedindo camisa, de clubes presenteando árbitros como camisa, pedidos de foto, de xingamento, de abuso de autoridade, mas esse do Fla-Flu é o mais embaraçoso.

http://blogs.correiobraziliense.com.br/dribledecorpo/corregedor-diz-que-relatorio-do-trio-de-arbitragem-do-fla-flu-nega-interferencia-externa/

Autor: Sérgio Corrêa

Árbitro na Federação Paulista de Futebol (1981-2001) e da Confederação Brasileira de Futebol (1989 a 2001); Ocupou cargos administrativos nos sindicatos entre 1990-93 e 1996-03, Eleito e reeleito presidente para dois mandatos: o primeiro compreendido entre 03/02/2003 a 08/04/207 e o segundo, de 09/04/2007 a 08/04/2011. Deixou a função para assumir a presidência da CA-CBF. Pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol ocupou os cargos de secretário-geral, entre 25/10/1997 e 13/05/2003. Já, na Comissão de Arbitragem, foi secretário-geral entre 25/10/2005 e 06/08/2007. Nomeado presidente da CA-CBF em duas oportunidades, a primeira entre 07/08/2007 a 22/08/2012, a segunda, de 13/05/2014 a 28/09/2016. Também foi diretor-presidente da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol, entre 07/01/2013 a 12/05/2014. Atualmente, continua chefiando o DA (desde 22/08/12) e lidera o projeto de árbitro assistente de vídeo, nomeado junto a FIFA desde 15/09/2015.

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